Arquivo do mês: novembro 2016

Polockonianism

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http://www.jacksonpollock.org

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7 ANOS NO ESTILO DE VIDA PRIMAL: MAIS SAUDÁVEL, FORTE E SÁBIO DO QUE NUNCA!

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Abaixo excertos de um depoimento traduzido por Hilton Souza:

“Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse” – Henri Estienne

Nós não sabemos o que não sabemos. Aos 20 anos de idade, eu decidi viver como se fosse um homem de 100 anos de idade que recebeu uma nova chance de ser jovem. Nada mudou, é claro, porque não há como simplesmente decidirmos possuir uma vida inteira de experiências. Eu estava à mercê do paradoxo de Estienne. Mas há uma maneira de escapar.

O conhecimento pode ser inacessível aos jovens, mas a vitalidade não é inacessível aos mais velhos. Esse é o presente sem preço do nosso estilo de vida primal: a opção de tanto reter as capacidades da nossa juventude e de multiplicá-las pela experiência dos nossos anos; viver muito, no sentido real.

Agora tenho 40 anos, e talvez esses comentários direcionados ao meu “eu” de 33 possam te ajudar também.

Você não está gordo, está mal-nutrido.

Bem, sim, você poderia suportar perder alguns quilos de gordura – apesar de que muito do que você pensa como “gordura” na verdade seja inflamação crônica.

É o motivo pelo qual o seu humor fica péssimo. É o motivo pelo qual você ganha quilos e mais quilos a cada ano, ainda que lentamente passe fome até morrer. Você não vai conhecer saciedade, saúde ou felicidade até que repare suas deficiências nutricionais, e isso vai levar muito tempo e um monte de comida humana de verdade.

Você acha que gosta de comida-lixo, mas ela não é nada se comparada à comida de verdade.

A vida sem pão e açúcar parece um infinito deserto deprimente e monocromático de miséria e desejo. Você até entende que essas compulsões podem acabar, e isso parece ainda pior: uma porta para sempre fechada aos prazeres da mesa. Seus colegas jocosos dizem “eu nunca poderia entrar numa dieta – gosto demais de comida!”. Você inveja esse hedonismo idiota, mas ele entendeu tudo ao contrário. Vai chegar um momento em que você vai tomar um shake de fígado cru com creme azedo e ter arrepios de prazer. Você vai devorar uma tigela de caldo de ossos com coração de boi e beber até a última gotinha de gordura.

Dois exercícios simples vão te dar força hercúlea: agachamento e levantamento terra

Você já mexeu com máquinas em uma academia de musculação: pulley, flexora de panturrilha, adutora/abdutora… Mas esses são instrumentos de lucro, não de saúde – e têm tanta relação com o condicionamento físico quanto as estatinas têm com o metabolismo mitocondrial mediado por CoQ10 (ok, talvez você ainda não esteja pronto para ler isso :-). Exercícios que constroem força são ancestrais e descomplicados: peso pesado controlado pelo seu corpo inteiro através do espaço. Aprenda a fazer agachamento de costas com halteres e ganhe força imensa. Aprenda a fazer levantamento terra e triunfe em uma posição de força.

Seus ancestrais carregavam coisas pesadas de um lado para outro, e você também deveria.

Todo mundo à sua volta está correndo em esteiras, correndo rua abaixo, arfando e agitando os braços – se isso funcionasse, seríamos uma sociedade de super-homens.

Seus ancestrais trabalhavam com ferramentas, e você também deveria

Você vai descobrir isso na internet por acidente em alguns dias, e parece chato estragar a surpresa – mas eu acho que é para isso que estou aqui. Seus ancestrais gastaram horas incontáveis cavando, cortando, remando, martelando, lutando, arremessando lanças… e você pode simular tudo isso com uma simples marreta!

Testosterona é uma droga fenomenal

Você esteve deficiente nela por toda a sua vida. A sua inabilidade em crescer uma barba não é genética. Sinto muito em dizer que seus níveis séricos estão dentro do limite normal para mulheres.

Sua carruagem não vai virar abóbora

Isso tudo vai acontecer tão rápido que vai parecer um sonho ou fantasia. E talvez seja assim que a vida é, afinal. Mas apesar dos seus pesadelos, você não vai acordar um dia gordo e doente e fraco novamente. Não há retorno. Você assumiu o legado dos seus ancestrais, e forças muito maiores que você agora te levam e os seus descendentes para o futuro.

in Paleo Diário

De bicicleta do Leblon à Praia do Pepê

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A vista é imperdível. O início da Barra perto do Canal do Marapendi também é bonito a bessa.

O canal fica mais limpo na maré enchente. Na vazante quem comanda a qualidade da água é a Lagoa de Marapendi, poluída por esgoto in natura. Plantaram aguapés (gigoga) para limpar a lagoa mas estas viraram praga por inadequado manejo.

Usei minha Dahon Boardwalk S1.

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Hated in the nation

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Não consigo me livrar de uma fixação no gestual das mãos aparentemente interconectados do filme Nosferatu e do “vídeo-réquiem” para o Roda Viva (vídeos-citações abaixo). Embora não haja música no vídeo da TV Cultura como acontece num réquiem. Também não há o cheiro nauseabundo de morte. Mas ele exala metaforicamente. Não como o cheiro das flores na missa dos mortos. Mas das profundezas da tumbas onde ainda se avia a decomposição.

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Martela na minha cabeça também a letra da música dos Ramones na interpretação de Rita Lee.

Vinte, vinte, vinte quatro horas a mais
Eu quero ser sedado
Nada de amor
Nada de paz
Eu quero ser sedado

Me leva pro aeroporto, me bota no avião
Vamo, vamo, vamo eu hoje tô o cão
Eu não controlo a cuca
Eu não controlo a mão
Oh, não, não, não, não, não

Vinte, vinte, vinte quatro horas a mais
Eu quero ser sedado
Nada de amor
Nada de paz
Eu quero ser sedado

Me amarra numa maca
Me bota no avião
Vamo, vamo, vamo eu hoje tô o cão
Eu não controlo a cuca
Eu não controlo a mão
Oh, não, não, não, não, não

Vinte, vinte, vinte quatro horas a mais
Eu quero ser sedado
Nada de amor
Nada de paz
Eu quero ser sedado

Na camisa de força
Me leva para o show
Vamo, vamo, vamo, estoy mucho loco
Eu não controlo a bola
Eu não controlo o gol
Oh, não, não, não, não, não

Vinte, vinte, vinte quatro horas a mais
Eu quero ser sedado
Nada de amor
Nada de paz
Eu quero ser sedado

Me finca uma estaca
Me leva para o show
Vamo, vamo, vamo, estoy mucho loco
Eu não controlo a bola
Eu não controlo o gol
Oh, não, não, não, não, não

I wanna be sedated

E continua atual o retrato que Darcy fez da elite brasileira.

Hated in the Nation

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A tecnologia e suas distópicas consequências já povoaram muitos contos terror de ficção científica. No post Os sonhos da razão técnica, influenciado por uma palestra de Jean-Pierre Dupuy, usei a imagem:

“A possibilidade de criação de microorganismos que não evoluiriam mais mas que, como uma mancha avassaladora, fosse substituindo a vida biológica por uma “vida artificial” estagnada, daria, no final, um “brilho metálico” à Terra.”

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Talvez inspirada na destruição por nanobots no filme “Eu, robô”, baseado em conto de Asimov, de um computador malévolo, surgiu a metáfora citada acima. Ao construirmos pequenos robots que agem em grupo, e podem ser em grande número, para que eles cumpram determinadas tarefas devem, quase que obrigatoriamente, ter algum comportamento autônomo. A inteligência “emergente” pode ser muito mais difícil de prever e controlar do que nos casos em que é centralizada.

Leve spoil abaixo. Continuar lendo

AquaRio

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Na entrada o que restou de uma jubarte paira sobre a multidão. O barulho dos entusiasmados comentários é ensurdecedor por todo o périplo.

As janelas dos vários aquários, inundadas de gente, mal podiam exibir suas belezas enclausuradas. Um polvo se esconde lépido do povo. Novas classificações surgem num arroubo “científico”. Nemos e Dorys são imediatamente identificados.

Uma arraia toda rendada se apressa em se enterrar na areia. Um peixe brincalhão, apesar de tudo, dava rasantes sobre o fundo de areia onde uma Margarida, uma fêmea de tubarão, rodava sem parar, placidamente, indiferentemente.

Uma experiência que poderia ser quase uma meditação se tornou um agitado circo. Apesar disto, a beleza venceu. Para sorte dos que dependem dela. Embora nós e o peixes preferíssemos estar longe, e não rodeados por este mar de gente.

No caminho em direção à saída, que desemboca estrategicamente numa loja de souvenirs, mais um surpreendente “aquário” com “peixes” de jalecos brancos fazendo uma “pesquisa” quando, mais honestamente, deveriam declarar que meramente controlavam a qualidade da água para que tudo ali não perecesse.

Fomos hoje visitar o aquário do Rio. Eu, Iane, Carolina, Iasmin, Natacha e Leif.

P.S.: Gostei mais do museu do “Rico”, onde havia uma coleção histórica de belas pranchas de surf.

Na volta olhar os painéis do Kobra foi uma boa experiência.

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Nosedive

nosedive-208x300As vezes precisamos do fracasso para achar o nosso centro. O fracasso, sendo relativo, pode representar o sucesso em tomar as rédeas do nosso destino. Assim como Nietzsche dizia que nunca fora tão saudável quanto na doença poderíamos encarar o fracasso como uma cura. Uma outra face da moeda. Oposta àquela do nosso conformismo às coerções externas que nada tem a ver conosco.

O episódio “Nosedive” da série “Black Mirror” mostra claramente o que nós é oculto pela nossa imersão atual nas redes sociais e nos vários sistemas que tomam conta de nossa reputação das mais variadas formas. Numa hiperbólica escalada apoiada pela tecnologia mais invasiva e totalitária que já surgiu no planeta vivemos uma nova versão do “big brother” de Orwell. Uma versão “peer to peer”, de muitos para muitos e ao mesmo tempo centralizada numa ética da fama em vez da honra. Cada vez mais ˜famosos˜, e ainda anônimos, tornarmos-nos cada vez mais hamsters girando furiosamente nossa gaiola circular. Desonramos-nos pela fama agora ubíqua e acessível nas redes sociais e mediada pelo também ubíquo celular.

Charlie Brooker explicou o título da série ao The Guardian, dizendo que “se a tecnologia é uma droga – e parece mesmo ser uma – então quais são precisamente os efeitos colaterais? Este espaço – entre apreciação e desconforto – é onde Black Mirror, minha nova série de televisão, está localizada. O ‘espelho negro’ do título é um que você encontrará em todas as paredes, em todas as mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, um monitor ou um smartphone.”

Wikipedia

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Shopenhauer realça a diferença entre a ribalta e a honra:

Se as pessoas insistem que honra é mais cara que a própria vida, o que elas querem dizer é que a existência e o bem-estar são insignificantes se comparados com as opiniões dos outros. É claro que isto pode ser uma forma exagerada de exprimir a verdade prosaica de que a reputação – a opinião que os outros têm de nós – é indispensável se desejamos fazer algum progresso no mundo.

Nada na vida dá ao homem tanta coragem como a renovada convicção de que os outros o olham simpaticamente. Isso significa que todos se aliam para dar-lhe a ajuda e proteção que constituem um bastião infinitamente mais vigoroso contra as incertezas da vida do que qualquer outra coisa. Os fundamentos últimos da honra residem na convicção de que o caráter moral é inalterado: uma única má-ação implica no reconhecimento de que futuras ações do mesmo gênero, sob as mesmas circunstâncias, serão igualmente ruins. Fama é algo que deve ser conquistado; honra é apenas algo que não deve ser perdido. A ausência de fama é a obscuridade que é apenas uma negação, mas a quebra da honra é uma vergonha, que é algo concreto e positivo.

A honra concerne apenas àquelas qualidades que se espera encontrar em qualquer um em circunstâncias similares. A fama concerne apenas às qualidades que não se podem exigir em todos os homens. Qualquer um pode atribuir-se a honradez. A fama só pode ser atribuída por outros. Enquanto nossa honorabilidade se estende tão longe quanto o conhecimento que as pessoas têm de nós, a fama se antecipa correndo e faz-nos conhecidos entre gente que não nos conhece. Qualquer um pode considerar-se apto à honra, poucos porém podem considerar-se capacitados para a fama obtida somente diante de conquistas extraordinárias. Nenhuma diferença de classe, posição ou nascimento é tão grande quanto o abismo que separa os incontáveis milhões de criaturas que usam suas cabeças como instrumentos de seus estômagos e aqueles poucos e raros indivíduos que têm a coragem de dizer: “não!”

Comparados com os respectivos períodos de vida, os homens de grande intelecto assemelham-se a altos edifícios construídos num pequeno lote de terreno – o tamanho da construção não poder ser avaliado por ninguém que esteja no terreno. Por razões análogas, a grandeza dos gênios ou heróis não pode ser estimada enquanto vivem. Passado um século, o mundo reconhece os valores, mas é tarde demais.

Todo herói é um Sansão. O homem forte sucumbe à intriga e às artimanhas dos fracos e se no fim ele perde a paciência, esmaga os miúdos e se soterra. Ou então ele é como Gulliver em Liliput – um poderoso gigante dominado por um enxame de homens minúsculos.

É natural que grandes mentes – os verdadeiros mestres da humanidade menosprezem a companhia de grupos. Como o professor que não se inclina a participar da zoada dos alunos. A missão destas grandes almas é guiar seus semelhantes do mar de erros ao porto da verdade, tirá-los do abismo da vulgaridade para a luz do refinamento. Os seres de grande intelecto vivem no mundo sem contudo pertencer a ele. Desde cedo percebem uma diferença entre eles e o resto da humanidade, mas é só com o passar dos anos que compreendem suas posições: seu isolamento intelectual é uma necessidade criadora e sua vida reclusa uma imposição para salvá-la do desgaste.

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Shopenhauer compara a fama e a honra opinando que poucos podem obter a fama genuína com base em feitos extraordinários de valor para a humanidade. Nos confina, assim, à fama sem valor que conserva apenas a aura da verdadeira fama mas que, ainda assim, age como um lume que atrai e, ao mesmo tempo, queima nossas asas de mariposas.

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Outro episódio de Black Mirror começa onde este termina. Em Fifteen Million Merits quase todos estão confinados enquanto que em Nosedive há uma aparente liberdade exuberante com gosto de sabonete. A prisão real e a liberdade virtual são faces da mesma moeda que girando velozmente não nos permite distinguir  conscientemente uma imagem da nossa verdadeira indigência. Há somente uma crescente restrição da liberdade. Não há mais dentro e fora desta prisão. Só dentro. Segundo Foucault a mais cruel invenção recente foi a pena pela restrição da liberdade, antes apanágio exclusivo dos poderosos que prendiam seus inimigos nos calabouços privados nas profundezas das fortalezas. Hoje o Estado é o leviatã em que todos somos seus inimigos declarados ou latentes e, por isso, mantidos sobre estrito controle através de lianas invisíveis.

6jw6vl_dA série Black Mirror, um espelho distópico e negro como nosso futuro que já é presente com seus mecanismos sendo gradativamente engendrados, está se revelando um excelente meio de reflexão, como sugere a metáfora do espelho. Uma negra reflexão.  De um espelho negro como as profundezas abissais nos olhando de volta, como uma órbita escura num crânio vazio. Com um abissal esvaimento do sentido. A pergunta “Para quê estamos vivendo?” martelando insistentemente nos bastidores.