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‘Perdemos a internet para os capitalistas’, diz cofundador do Pirate Bay

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Peter Sunde, cofundador do The Pirate Bay, foi entrevistado pelo The Next Web (Ver tradução automática) e entregou um panorama sombrio dos próximos anos da internet. O principal ponto? Os usuários perderam o poder da internet, que está nas mãos das grandes companhias. Além disso, que as grandes companhias hoje são as ditadoras da internet.

Tudo é centralizado e a internet serve apenas aos desejos das grandes companhias

“Tudo deu errado. É isso, não é sobre o que acontecerá no futuro, é sobre o que está acontecendo agora. Nós centralizamos todos os nossos dados em um cara chamado Mark Zuckerberg, que basicamente é o maior ditador do mundo e que não foi eleito pelo povo. O Trump [Donald Trump, presidente dos EUA] tem controle de todos os dados que o Zuckerberg possui, então já estamos neste ponto. Tudo que poderia dar errado deu errado, e eu acredito que não exista uma maneira de acabar com isso”, comentou Sunde na entrevista.

O cofundador da maior plataforma de torrents que já existiu também deixou claro que a internet nasceu “para ser descentralizada”. Contudo, atualmente, tudo é centralizado e a internet serve apenas aos desejos das grandes companhias.

Como exemplo, Sunde comenta que as principais novidades na internet foram compradas e centralizadas por uma das cinco gigantes atuais: Amazon, Google, Apple, Microsoft e Facebook.
“Nós não criamos mais coisas, agora, nós apenas temos coisas virtuais. Uber, Alibaba e Airbnb, por exemplo, possuem produtos? Não. Nós saímos de um modelo baseado em produto para um produto virtual, até chegar ao ponto atual: sem produtos. Este é um processo de centralização que está acontecendo”.

Ética na internet

Peter ainda disse que é necessária uma discussão maior sobre ética na tecnologia, porque as empresas continuarão sempre colocando seus interesses financeiros sobre as necessidades das sociedades e do povo. Caso isso não seja feito, chegaremos ao ponto distópico de uma sociedade gerida por companhias — além do que ela já é.

Nós, como o povo, perdemos a internet para a sociedade capitalista

O pessoal do The Next Web tentou puxar uma declaração mais otimista de Peter Sunde, sobre a possibilidade de luta contra a descentralização. A resposta foi a seguinte: “Nós perdemos essa luta há muito tempo. A única maneira de realizarmos qualquer diferença é limitando os poderes de companhias — com ajuda de governos —, mas, infelizmente, a Europa ou os Estados Unidos não parecem ter interesse em fazer isso”.

“Nós, como o povo, perdemos a internet para a sociedade capitalista. Nós tivemos uma pequena abertura para uma internet descentralizada, mas perdemos por sermos inocentes. Estas companhias tentam soar como boas ao fazer isso, que elas estão ‘lhe dando’ algo. Como o Spotify, que te dá música e possui uma grande paixão por música… E toda a Relação Pública que eles têm. Big Data é como as grandes companhias de tabaco: nós não sabíamos como elas eram perigosas, mas agora sabemos que elas dão câncer. Nós estamos fumando nossas vidas em produtos de Big Data, e agora não conseguimos parar”.

TecMundo

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Google, um gigante golpeado

Google, um gigante golpeado

por Carlos Drummond publicado 21/07/2017 00h30, última modificação 20/07/2017 17h41

A Comissão Europeia aplica multa bilionária ao Google e traz alento a concorrentes prejudicados no Brasil

Google

Poucas multinacionais são donas da internet, o que significa riscos para os indivíduos

 

A multa recorde de 2,4 bilhões de euros aplicada pela Comissão Europeia ao Google no mês passado alimentou esperanças de alguma contenção, pela esfera pública, do poder dos monopólios globais que, no caso das empresas da internet, gera para a sociedade efeitos negativos muito além da economia e do consumo.

A punição foi aplicada por abuso da posição dominante do Google no mercado de mecanismos de busca, ao dar vantagem ilegal ao seu próprio serviço de comparação dos preços informados nos anúncios divulgados na internet, justificou a Comissão. Mais de 90% da receita da companhia provém de anúncios.

Caso o Google não interrompa a prática até setembro, receberá multa diária em valor correspondente a 5% do faturamento mundial da empresa-mãe, a Alphabet, que atingiu 26 bilhões de dólares no último trimestre do ano passado.

Desde o início dos abusos, diz o relatório da Comissão, o serviço de comparação de preços do Google conseguiu aumentar seu volume de tráfego 45 vezes no Reino Unido, 35 na Alemanha, 19 na França, 29 nos Países Baixos, 17 na Espanha e 14 na Itália. As práticas ilegais provocaram baixas súbitas do tráfego para sites concorrentes, de 85% no Reino Unido, 92% na Alemanha e 80% na França.

Não foi falha ou desleixo, mas um efeito planejado, dizem especialistas. “As pesquisas do Google não foram projetadas para fornecer os resultados mais relevantes e os melhores preços aos consumidores, mas para ele próprio ganhar mais dinheiro. Os consumidores ficam sujeitos a uma escolha reduzida de bens e serviços e, em última análise, pagam preços mais elevados do que se os resultados das buscas para compras oferecessem de fato as melhores opções”, sintetizou o FairSearch, grupo de empresas e entidades dedicadas à defesa da concorrência na busca online, a propósito da multa aplicada pela Comissão Europeia.

O Google teria abusado de sua posição dominante também nos mercados do seu sistema operacional Android, para dispositivos móveis, e do serviço próprio AdSense, que permite aos sites publicar anúncios segmentados. Os dois casos, o primeiro deles denunciado pelo FairSearch, estão sob investigação pela Comissão Europeia.

A decisão da Comissão deu novo alento a sites brasileiros e empresas que lutam no Conselho Administrativo de Defesa Econômica contra o que consideram abusos de poder do gigante da internet no País. A E-Commerce, detentora dos sites Buscapé e Bondfaro, apresentou ao Cade duas denúncias contra o Google. Em 2013, acusou-o de “raspagem” de conteúdo do Buscapé e sua apresentação no Google Shopping americano, prática conhecida como scraping. A companhia disse que isso ocorreu apenas uma vez e se deveu a um erro.

Em 2014, a E-Commerce alegou que o Google Shopping beneficiava o próprio site, em detrimento dos demais comparadores de preço, por meio do posicionamento privilegiado na modalidade chamada de “busca orgânica” e ainda com a apresentação do respectivo link na busca patrocinada, com fotos e em posição de destaque. As denúncias geraram processos em andamento no Conselho.

Outra denúncia foi encaminhada no ano passado ao Cade pela Yelp, empresa com site e aplicativos dedicados à avaliação de estabelecimentos comerciais sediada nos Estados Unidos. O Google estaria utilizando seu poder de mercado para favorecer o próprio mecanismo de buscas locais na internet por informações específicas sobre estabelecimentos no Brasil. Um processo foi aberto no órgão de defesa econômica.

O Google é objeto ainda de um inquérito do Cade instaurado em 2013, a partir de uma denúncia da Microsoft de imposição de restrições à operação entre plataformas de busca patrocinada pela interface AdWords. O resultado seria a criação de dificuldades para a realização do multihoming ou veiculação e gestão de campanhas de busca daquele tipo em mais de uma plataforma.
Lá e cá, o modo de operação é o mesmo.

“As práticas investigadas no Brasil possuem semelhanças com condutas do Google sob exame em outros países, embora em cada local os casos tenham suas particularidades. O exame dos processos, bem como as decisões proferidas sobre eles, é independente. No entanto, o andamento das investigações conduzidas por autoridades de outras jurisdições pode servir de subsídio à análise realizada pelo Cade”, informou à CartaCapital aquela autarquia, vinculada ao Ministério da Justiça.

A punição do órgão executivo da União Europeia ao Google amplia a perspectiva de alguma contenção do poder dos monopólios globais

Assegurar a concorrência em benefício do consumidor é importante, mas há um grande número de outros direitos violados. “A atenção de organismos europeus para a proteção da concorrência em ações de uso de poder dominante para autofavorecimento não se restringe ao comércio online. Há também posicionamentos acerca da coleta de dados pessoais”, sublinha Marina Pita, coordenadora do Coletivo Intervozes, parceiro de CartaCapital.A agência alemã antitruste, diz, investiga se a maior rede social do mundo, o Facebook, abusa de sua dominância, forçando os usuários a aceitar termos injustos acerca da utilização de dados pessoais.

Vários levantamentos mostram um grau de concentração da propriedade igual ou superior ao existente na mídia tradicional, reconhecido como elevado. Quanto mais rápido a sociedade se desvencilhar das ilusões de liberdade na internet e olhá-la com espírito crítico, portanto, melhor para ela. Christian Krell, diretor da Friedrich Ebert Foundation, da Alemanha, resume a situação nesta autocrítica: “Tivemos sonhos de que todos pudessem se informar de forma mais rápida e barata sobre tudo o que nos afeta.

E que pudessem compartilhar sua visão das coisas com os outros. O resultado foi um algoritmo do Facebook que usa cerca de 100 mil indicadores para escolher o que lemos com uma precisão espantosa, individualmente orientada para cada pessoa e seus pontos de vista, ao mesmo tempo que os reforça. Sem o menor vestígio de discussões ou debates mútuos sobre questões de interesse coletivo”.

O pesquisador recorre a um exemplo específico para reforçar seu argumento: “Quando a busca de nomes afro-americanos provoca o surgimento, na tela, de propaganda de agências de proteção ao crédito que fornecem informações sobre infratores, esse padrão é baseado em julgamentos de valor incorporados em uma lógica racista, segundo a qual afro-americanos são considerados com maior frequência criminosos”.

Krell propõe estabelecer uma dimensão ética para a internet, mas é necessário saber quem deverá defini-la. A autorregulação não é solução, por se tratar de um oximoro, conforme alertou o economista Joseph Stiglitz. A impossibilidade de as empresas vigiarem a si próprias, sublinhada pelo Nobel de Economia, é demonstrada todos os dias com revelações de práticas corporativas ilegais, não só contra os consumidores, mas em prejuízo também dos cofres públicos, a exemplo da sonegação sistemática.

Na especialidade de tungar governos e contribuintes, os gigantes da internet são insuperáveis, mostrou o economista Gabriel Zucman, em levantamento abrangente sobre a utilização dos paraísos fiscais. “Os grandes países europeus e os Estados Unidos, onde os reis da sonegação – os Googles, Apples e Amazons – produzem e vendem a maior parte dos seus produtos e serviços, mas com frequência pagam poucos impostos, são os maiores prejudicados.

Grande parte do lucro do Google, que é transferido para as Bermudas, é ganha na Europa; na ausência de paraísos fiscais, essa empresa pagaria mais impostos na França e na Alemanha”, denuncia Zucman.

O controle público esbarra em barreiras nacionais, enquanto as múltis da internet contam com ampla liberdade de articulação transnacional. “Tanto a infraestrutura de rede como os serviços oferecidos e os estoques de dados gerados são, sobretudo, propriedade privada de algumas empresas multinacionais. Essa estrutura faz a digitalização moldar toda a nossa vida e a torna altamente vulnerável”, alerta Krell.

Enquanto, na Europa, instituições e fóruns diversos enfrentam os monopólios, no Brasil, o governo paralisou o funcionamento do Comitê Gestor da Internet, considerado referência internacional na governança multissetorial da rede, denuncia o Intervozes. Composto de representantes do governo, do setor privado, da sociedade civil e de especialistas técnicos e acadêmicos, coordena a atribuição de endereços ou protocolos (os IPs) e o registro de nomes de domínios com o sufixo “br”. Além disso, estabelece diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da rede no Brasil, como estabelecido no Marco Civil da Internet e em seu decreto regulamentador.

O órgão corre, entretanto, risco de desmonte, pois há mais de um mês o governo segura a edição de uma portaria interministerial de nomeação dos novos integrantes do CGI e resolveu paralisar as atividades do órgão, enquanto as designações não saírem.

Resultado, na avaliação do Intervozes, do incômodo de determinados setores, notadamente os operadores privados e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com as ações do Comitê Gestor, contrário ao estabelecimento de franquia de dados na internet fixa e defensor da neutralidade de rede, rejeitada pelas empresas de telecomunicações atuantes no setor, empenhadas na adoção de modelos de negócio mais lucrativos à custa de prejuízos para os usuários.

Carta Capital

Escala versus complexidade

 

O artigo O mundo está muito complexo, de Denis Russo Burgierman, me chamou a atenção para o trabalho Y. Bar-Yam sobre a complexidade. A abordagem pela dicotomia escala versus complexidade parece bem poderosa e explicativa.

O mundo está muito complexo

Aposto que você também notou: viver está complicado. É muita senha, muita informação, muito ódio, muita opção, muita novidade, muito problema que parece ser insolúvel. Por quê? E tem cura?

Por Denis Russo Burgierman
Publicado em 29 jun 2014, 22h00

angustiaTenho quase certeza de que você sabe do que eu estou falando. Uma certa angústia, uma sensação de que tudo está escorregando do controle. E também uma pitada de desânimo com a ordem geral do mundo, como se não adiantasse fazer nada, porque qualquer esforço vai se perder numa série de consequências inesperadas, e pode até acabar tendo efeito contrário ao pretendido. Caceta, de onde vem isso?

trc3a2nsito1A vida está complicada demais. É muita senha para decorar, muita lei para seguir, muita conta para pagar. É muito trânsito. Muito carro na rua, disputando espaço com caminhão de lixo, e é também muito lixo na calçada à espera de alguém que o recolha. É muito risco, muito crime, muita insegurança.

sistemas-de-gestao-complicado-ou-complexoÉ muito partido político, e nenhum deles parece minimamente interessado nas coisas que são importantes para você. É muita opção de trabalho, mais do que em qualquer momento da história, e ao mesmo tempo é muito difícil encontrar um trabalho que faça sentido. É muita doença estranha de que eu nunca antes tinha ouvido falar, e muita gente morrendo disso. É muita indústria tradicional, de ares eternos, desmoronando de um segundo para o outro. É muita gente saindo da escola sem saber ler nem fazer conta. É muito problema, e cada um parece impossível de resolver. Estou surtando? Só eu estou sentindo isso?

É complexo, mano

examplesPor outro lado, o mundo está cheio de possibilidades, inclusive a de acessar informação ao toque de um dedo. Dei um google, encontrei um texto chamado Complexity Rising (“O aumento da complexidade”), do físico americano Yaneer Bar-Yam, fundador do Instituto de Sistemas Complexos da Nova Inglaterra.

Arrá, está lá: o mundo está mesmo ficando mais complexo, não é paranoia minha. O texto explica o que é complexidade: é o número de coisas conectadas umas às outras. Quanto mais partes um sistema tem, e quanto mais ligações existem entre essas partes, mais complexo ele é. Um exemplo de coisa complexa é o recheio do seu crânio: 86 bilhões de neurônios, cada um deles conectado a vários outros, um emaranhado quase infinito de possíveis caminhos a percorrer.

homo-sapien-huntersSegundo Bar-Yam, a sociedade humana vem constantemente aumentando de complexidade há milênios. No início, quando vovô era caçador-coletor e dava rolezinho na savana africana, vivíamos em grupos de no máximo umas dezenas de pessoas, e cada grupo era basicamente isolado dos outros. A complexidade da sociedade era mínima. Diante disso, nossas estruturas de controle eram bem simples. No geral, um chefe mandando e todo o resto da turma obedecendo – um general e os soldados, um chefe e a ralé.

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Mas a moleza não durou. Primeiro surgiram impérios vastos (Egito, Mesopotâmia, China, Índia) com maior diversidade de necessidades e papéis sociais (escribas, escultores, cozinheiros, prostitutas). A complexidade foi aumentando.

Diante disso, já não funcionava mais o sistema simples de controle direto. Segundo Bar-Yam, existe uma lei universal e sagrada dos sistemas complexos: “a complexidade de um sistema realizando uma tarefa deve ser tão grande quanto a complexidade da tarefa”. Como um faraó é menos complexo do que a sociedade egípcia, não seria possível para o faraó regular e controlar todos os aspectos dessa sociedade. Por isso, foram surgindo hierarquias intermediárias: o mestre de obras para organizar a peãozada, o capitão de navio para mandar na marujada, a madame para cuidar das garotas.

hierarquia_da_empresa_sakarolhaE a humanidade seguiu ficando cada vez mais complexa, mais intrincada, mais especializada. E, para dar conta disso, as hierarquias foram ganhando mais e mais níveis – diretor, vice-diretor, gerente, subgerente, auxiliar, terceiro-auxiliar do subgerente do vice-diretor. Só assim para cada chefe lidar com a complexidade do que está abaixo dele. Até chegar a hoje, quando vivemos na sociedade mais complexa de todos os tempos. Só que aí as hierarquias pararam de funcionar – colapsaram. O mundo ficou tão complexo que ficou impossível para um chefe dominar a complexidade abaixo dele.

Quando Bar-Yam tornou-se especialista em sistemas complexos, na década de 1980, esse não era um ramo glamouroso da ciência. Os físicos preferiam áreas ultraespecializadas e achavam o estudo de grandes sistemas uma coisa meio esotérica. Ele insistiu e sua dedicação valeu a pena. No mundo complexo de hoje, Bar-Yam e seu instituto estão atraindo um monte de clientes importantes.

O exército americano procurou-o para entender como lutar contra inimigos ligados em rede, misturados à população civil em cidades labirínticas – situação bem mais complexa do que as guerras de antigamente. Bar-Yam também tem trabalhado como consultor na reforma dos sistemas de saúde e educação dos Estados Unidos, na estratégia do Banco Mundial para ajuda humanitária e na concepção de grandes projetos de engenharia. Não está faltando trabalho.

Parecia o sujeito certo para resolver meu problema. Escrevi um e-mail para ele, perguntando se há “algumas regras simples que ensinem a lidar com complexidade?” (editores de revistas adoram fórmulas simples). Bar-Yam já chegou detonando: “não há regras simples para lidar com o que é complexo”. Mas, se eu quisesse aprender os princípios gerais da gestão da complexidade, eu poderia comprar o livro dele, Making Things Work (“Fazendo as coisas funcionarem”, sem versão em português).

225x225bbComprei. O livro é ótimo. A tese central é que todo sistema complexo tem duas características: a escala e a complexidade. Para fazer um sistema complexo funcionar, é preciso ter uma estratégia para a escala e outra para a complexidade.

Exemplo: o corpo humano tem dois sistemas de proteção, um para escala, outro para complexidade. O sistema neuromuscular (cérebro comandando nervos que acionam músculos que movem ossos) serve para escala, enquanto o sistema imunológico (glóbulos brancos independentes agindo cada um por conta própria) lida com complexidade. O neuromuscular nos defende de ameaças grandes – surras, atropelamentos, ladrões. O imunológico lida com inimigos minúsculos – bactérias, vírus, fungos. Por terem funções diferentes, os dois sistemas adotam estratégias diferentes.

No neuromuscular, a lógica é hierárquica, centralizada e linear – o cérebro manda, nervos e músculos obedecem, todos juntos, orquestrados, somando esforços numa mesma direção, para gerar uma ação em grande escala (um soco, por exemplo). Já no sistema imunológico, cada célula age com liberdade e se comunica com as outras, o que gera milhões de ações a cada segundo, uma diferente da outra, cada uma delas microscópica, em pequena escala – e o resultado final é uma imensa complexidade, com o corpo protegido de uma quantidade quase infinita de possíveis ameaças.

Para viver saudável é preciso ter os dois sistemas: neuromuscular e imunológico. Um sem o outro não adianta. Não há nada que um bíceps forte possa fazer para matar uma bactéria, assim como glóbulos brancos sarados são inúteis numa briga. É assim com todo sistema complexo: precisamos de algo hierárquico para lidar com a escala das coisas, e de algo conectado em rede para a complexidade.

O problema do mundo de hoje, e a razão para o desconforto descrito no começo deste texto, é que nossa sociedade está toda ajustada para lidar com escala, mas é absolutamente incompetente na gestão da complexidade. Estamos combatendo infecção a tapa. Tudo por causa de uma invenção que está completando 100 anos.

O século da escala

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Foi talvez a invenção mais transformadora da era contemporânea, mas ninguém registrou o nome do inventor, nem a data do “eureca”. Na verdade, ninguém nem mesmo deu um nome ao invento. Só cerca de um ano depois, uma revista técnica de engenharia fez o batismo: linha de montagem.

9780262018715_0Segundo as pesquisas do historiador David Nye em seu livro America’s Assembly Line (“A linha de montagem da América”, sem versão em português), a invenção da linha de montagem ocorreu em algum momento de novembro de 1913. A dificuldade de estabelecer uma data precisa vem do fato de que a invenção foi gradual, coletiva e aconteceu quase espontaneamente. Ela não foi uma ideia espocando do nada na mente de algum cientista brilhante – foi uma resposta social a uma necessidade premente.

A necessidade era aumentar a produção de carros. Em 1900, só 5 mil americanos tinham carro – apenas 13 anos depois, já eram mais de 1 milhão. Centenas de fábricas trabalhavam sem parar para atender a essa explosão da demanda, mas ainda assim as fábricas recebiam mais pedidos do que eram capazes de atender. Isso gerou uma corrida entre as fábricas por ganhos de produtividade.

Quem ganhou essa corrida foi a empresa de um mecânico chamado Henry Ford. No esforço de poupar segundos e assim fazer mais carros por dia, os mecânicos e engenheiros da Ford foram aprimorando seu processo. Começaram a padronizar milimetricamente cada peça do carro, para acelerar os encaixes. Cronometraram cada movimento dos mecânicos, para descobrir o melhor jeito de fazer cada tarefa. E, a cereja do bolo: inverteram a lógica da fábrica. Em vez de grupos de mecânicos andando de uma carcaça a outra para montar os carros, eram os carros que se moviam num trilho, puxados por cordas, no meio de um corredor de mecânicos. Cada mecânico realizava uma tarefa curta e repetitiva, de maneira que nenhum deles tinha mais o domínio do processo todo. Resultado: a fábrica começou a despejar nas ruas um carro novo a cada minuto.

Em 1910, a Ford tinha feito 19 mil carros. Em 1911, 34 mil. Em 1912, 76 mil. Em dezembro de 1913, a linha de montagem começou a operar. Em 1914, a empresa montou 264.972 carros – todos idênticos. Um aumento de produtividade descomunal, que possibilitou a Henry Ford dobrar o salário de seus operários e ao mesmo tempo baixar o preço dos carros, transformando operários em clientes.

O sucesso foi tão grande que, nas décadas que se seguiram, a lógica da linha de montagem se espalhou por toda a indústria, em todo o mundo. Bicicletas, geladeiras, telefones, televisores passaram a ser montados em esteiras rolantes ou trilhos, com peças sempre iguais montadas por trabalhadores superespecializados. Até mesmo a comida se encaixou nesse esquema: nossos alimentos também passaram a ser padronizados e montados industrialmente com acréscimos químicos de nutrientes. Prédios passaram a ser produzidos com peças idênticas e tarefas cronometradas, o que inaugurou a era dos arranha-céus nos anos 30.

supermercadoNossa vida está cheia de linhas de montagem – o carrinho do supermercado passando entre corredores de produtos, o automóvel trafegando em rodovias rodeadas de lojas, as filas de carros nos drive-thrus do mundo. Ao longo do último século, a lógica da linha de montagem chegou a todas as esferas da vida.

5kmd0a4rs7pz9gp09w1vubefcA educação, por exemplo. “As escolas hoje são organizadas como fábricas”, disse o educador britânico Ken Robinson numa palestra no TED. “Educamos crianças em lotes”, disse, referindo-se ao hábito de separar os alunos em séries. Saúde, governo, cidades, cultura, ciência. Praticamente tudo nessa alvorada do século 21 parece seguir o mesmo esquema: divisão do trabalho numa sequência linear de tarefas especializadas, montagem gradual das peças, ganhos constantes de eficácia, produtos padronizados. “A linha de montagem passou a ser muito mais que um arranjo físico de máquinas”, disse Nye. “Ela é o centro de um sistema cultural que se estende até muito além dos portões das fábricas.” Esse sistema cultural aumentou de maneira explosiva a escala de tudo.

E esse aumento de escala mudou o mundo de uma maneira espetacular. Quando os funcionários da Ford conceberam a linha de montagem, havia menos de 2 bilhões de pessoas no mundo inteiro. Hoje, apenas um século depois, já passamos dos 7 bilhões – um aumento populacional quase inacreditável que só foi possível graças a um espetacular ganho global de produtividade.

A produção de comida, de casas e de bens de consumo aumentou astronomicamente para atender tanta gente. E, mesmo com a explosão populacional, hoje a proporção de pessoas no mundo com acesso a saúde e educação é maior que nunca, graças ao ganho de escala alcançado pelos serviços públicos. A população global produz mais, consome mais, vive mais, sabe mais do que em qualquer outro período da história humana. Esse é o resultado de 100 anos da era da escala. Sob muitos aspectos, foi o maior salto de progresso da história da humanidade. Por que então o mal-estar?

O século da complexidade

Lembre-se do que Bar-Yam escreveu: todo sistema complexo precisa ter uma estratégia para lidar com escala e outra para a complexidade. A linha de montagem é como o sistema neuromuscular – ótima para escala.

Ela é linear e hierárquica – são os executivos que mandam nos engenheiros, que por sua vez controlam os mecânicos, assim como o cérebro comanda nervos que acionam músculos. Por isso, ela só consegue dar uma resposta de cada vez: um soco no caso do sistema neuromuscular, um carro sempre idêntico no caso da linha de montagem. Nossa sociedade moldada ao longo dos últimos 100 anos à imagem da linha de montagem é ótima para ações de escala, mas não tem flexibilidade alguma para lidar com complexidade. Estamos sem sistema imunológico.

“É fácil ficar pessimista com o mundo de hoje”, diz Bar-Yam. Em meio às inúmeras linhas de montagem que dominam a humanidade, parece que toda a complexidade do mundo está fugindo do nosso controle, enquanto nos sentimos impotentes para resolver problemas à nossa volta. É essa a história que o ilustrador Marcio Moreno procurou contar no desenho surreal que percorre estas páginas [As imagens citadas não foram localizadas].

 

Por todo lado, há exemplos de ações de escala que acabam esmagando a complexidade. Por exemplo: nosso modelo de produção industrial, que aumentou prodigiosamente nossa capacidade de fazer coisas, mas está causando um acúmulo global de lixo e gases de efeito estufa e levando milhares de espécies à extinção e quase todos os ecossistemas ao colapso. Ou nossas tentativas industriais de aumentar a segurança, o que hiperlotou o mundo de regras impossíveis de cumprir e de senhas impossíveis de lembrar.

Ou nossos sistemas de alimentação e saúde, que focaram tanto na escala da produção de alimentos, de maneira a baratear a comida, que a complexidade dos micronutrientes se perdeu. E hoje, pelo visto, estamos pagando o preço, com a explosão das “doenças complexas”: males difusos, de causas múltiplas, como câncer, doenças autoimunes, degenerativas e psiquiátricas.

Ou ainda nosso sistema de educação, concebido com uma lógica linear e padronizadora, para formar alunos idênticos, todos com os mesmos conhecimentos. Além de nivelar por baixo, detonando a qualidade da educação, esse modelo padronizador é justamente o contrário do que nosso mundo complexo precisa hoje – gente diversa, capaz de resolver problemas diversos.

Segundo Bar-Yam, desde o tempo das cavernas, sempre que algo começa a pifar porque a complexidade fica grande demais, “temos uma forte tendência de tentar descobrir quem é o responsável. Alguém tem que ser demitido, alguém tem que pagar, alguém tem que ser punido”, diz. E aí escolhemos um novo chefe ou criamos uma nova hierarquia para lidar com o problema. Só que hierarquias são péssimas para gerir complexidade. O único jeito de lidar com sistemas complexos é criando estruturas de controle complexas: redes de gente com autonomia de identificar e resolver problemas.

Perguntei a Bar-Yam como o Brasil deveria lidar com nossos frustrantes políticos. Ele respondeu que o problema não é só do Brasil. “Precisamos de um novo tipo de democracia”, disse. “Nossa democracia usa o voto para agregar a capacidade de decisão da população. Isso não é eficiente, porque reduz uma grande quantidade de informação (o conhecimento de todos os cidadãos) a um pequeno número de respostas (os seus representantes)”. Faria mais sentido imaginar um sistema político mais imunológico, no qual cada cidadão reage com autonomia às ameaças que enxerga, como um glóbulo branco. Política, economia, saúde, educação, sustentabilidade, clima, cidade. Em todo lugar onde há complexidade, parece estar ocorrendo uma espécie de colapso. Mas, assim como aconteceu 100 anos atrás com a linha de montagem respondendo à nossa necessidade de escala, desde a década de 1990, uma série de inovações parece estar surgindo espontaneamente em resposta à nossa necessidade de complexidade. Primeiro veio a internet, que nos conectou em rede, criando uma alternativa para as estruturas hierárquicas. E agora as inovações estão pipocando.

Tem todos os esquemas de compartilhamento de recursos – quartos, casas, carros, bicicletas, ferramentas, espaço para trabalhar – nos ajudando a otimizar o uso de recursos. Tem os moradores que assumem a responsabilidade por cuidar dos espaços públicos e criam praças melhores do que qualquer prefeito seria capaz. Tem os sites de crowdfunding, crowdsourcing e as outras formas de colaboração criativa, que geram um novo modelo de indústria. Tem os aplicativos de trânsito, como o Waze, que dão a cada motorista o poder de encontrar um caminho que flui, o que acaba melhorando o trânsito como um todo. Tem as redes de pacientes de doenças raras, trocando informações pela internet e muitas vezes ajudando uns aos outros mais do que nosso sistema superespecializado de medicina. Tem as manifestações parando as ruas do mundo e forçando os dirigentes políticos a repensarem sua relação com os cidadãos. Tem as grandes empresas, trocando o comando vertical por estruturas de controle mais distribuído.

E, em 2014, o mundo parece estar preparado para uma transformação profunda – possivelmente tão profunda quanto aquela de 1914. Talvez aí essa angústia com a complicação da vida passe. “Quando somos parte de um time complexo, o mundo se torna um lugar notavelmente confortável, porque conseguimos agir de maneira eficaz, ao mesmo tempo em que estamos protegidos da complexidade do mundo”, diz Bar-Yam. Enquanto isso não acontece, talvez ajude saber que a origem do problema não está em nós. É o mundo que está organizado errado.

A primeira linha

Já entramos na vida por uma linha de montagem. O Brasil é um dos países que mais fazem partos por cesárea, o que permite um ritmo industrial: procedimentos rápidos e padronizados, com hora marcada, e mulheres anestesiadas, para não atrapalharem o processo.

Alunos idênticos

A educação básica é padronizadora, com alunos divididos em séries (lotes), e o mesmo conteúdo ensinado a todos. Alunos com talentos únicos são enquadrados, nivelando o sistema por baixo e reduzindo a diversidade da sociedade.

Doping escolar

Num modelo industrial de educação, é desejável que os alunos sejam padronizados, assim como as peças numa linha de montagem. Talvez isso explique a “epidemia” de déficit de atenção nas crianças ocidentais. Remédios psiquiátricos então “padronizam” o temperamento.

Mundo hierárquico

A educação produz adultos talhados para uma sociedade hierárquica – uns são formados para mandar, outros para obedecer, como exige a sociedade industrial. Quase ninguém aprende a trabalhar de forma colaborativa e a resolver problemas juntos, como exige o mundo complexo.

Engarrafamento sem fim

Num mundo hierárquico, as pessoas são obcecadas por sinais de diferenciação social – e o mais poderoso deles é o carro. Não é à toa que 10 mil novos carros chegam às ruas do Brasil por dia, e que como consequência a velocidade média de um carro seja equivalente à de uma galinha.

Consumo em massa

Numa sociedade industrial de escala, não basta haver produção em massa – o consumo precisa ser em massa também. Por isso, os maiores prédios dos nossos tempos, equivalentes às catedrais na Idade Média, são os shopping centers, que se transformaram nas áreas preferidas para o lazer. E haja rolezinho.

A última linha
A vida segue com sua lógica industrial até o final. A maioria das pessoas morre em UTIs de hospitais, depois de uma longa e cara agonia que quase sempre consome mais recursos do que todos os gastos médicos de uma vida inteira. UTIs são lugares impessoais, que mantêm os pacientes longe das pessoas que importam para eles.

Super Interessante

Pharo 6.0 released!

Pharo 6.0 released!

Dear World,

The time has come for Pharo 6.0!

Pharo is a pure object-oriented programming language and a powerful environment, focused on simplicity and immediate feedback.

This is our most significant release yet. Here are some highlights:

  • haro is now provided in 64-bit version in Linux and OSX and brings even better performance and stability (beware, 64bits version is a new technology and a small amount of tests is still failing)
  • A new code changes management system named Epicea for easier reviewing and recovering of your code easily
  • Integrated support for Git through an easy-to-use tool for repositories and commits management named Iceberg (as a preview for Pharo 6, it will be the default in Pharo 7)
  • The unified foreign function interface (UnifiedFFI) for interfacing with the outside world is significantly improved
  • The PharoVM is now part of OpenSmalltalk initiative
  • Introduction of object immutability, alternative bytecode sets and block closures independent of outer context
  • Pharo can now be bootstrapped from source code managed by Git
  • Pharo modularity is improved
  • Pharo is faster
  • The Dark Theme was improved and set as default color theme of Pharo
These are just the more prominent highlights, but the details are just as important. We have closed 1474 issues in Pharo 6.0 (a more complete changelog can be found at https://github.com/pharo-project/pharo-changelogs/blob/master/Pharo60ChangeLogs.md).

While the technical improvements are significant (starting the transition to 64bits is a remarkable achievement), still the most impressive fact is that the new code that got in the main Pharo 6.0 image was contributed by more than 80 people.

Pharo is more than code. It is an exciting project involving energetic people. We thank all the contributors of this release:

Alberto Bacchelli, Alejandro Infante, Alexandre Bergel, Aliaksei Syrel, Alistair Grant, Andrei Chis, Ben Coman, Bernardo Contreras, Bernhard Pieber, Boris Spasojevic, Christophe Demarey, Clement Bera, Cyril Ferlicot, Dale Henrichs, Damien Cassou, Damien Pollet, Dave Lewis, Denis Kudriashov, Dirk Roeleveld, Eliot Miranda, Esteban Lorenzano, Esteban Maringolo, Evan Donahue, Federico Balaguer, Franck Warlouzet, Glenn Cavarle, Guillermo Polito, Gustavo Santos, Henrik Johansen, Henrik Nergaard, Hilaire Fernandes, Holger Hans, Jan Kurs, Jan van de Sandt, Johan Fabry, Juraj Kubelka, K. K. Subramaniam, Ken Causey, Kris Gybels, Lionel Akue, Luc Fabresse, Lucas Godoy, Marcus Denker, Mariano Martinez Peck, Marion Noirbent, Martin Dias, Max Leske, Maxime Roelandt, Merwan Ouddane, Matteo Bellotto, Miguel Campusano, Milton Mamani, Myroslava Romaniuk, Nicolai Hess, Nicolas Cellier, Nicolas Passerini, Norbert Hartl, Offray Luna, Pablo Tesone, Paul De Bruicker, Pavel Krivanek, Peter Uhnak, Philippe Back, Roger Stebler, Ronie Salgado, Sean DeNigris, Serge Stinckwich, Skip Lentz, Sophie Kaleba, Stefan Reichhart, Stephan Eggermont, Stephane Ducasse, Sven Van Caekenberghe, Thibault Arloing, Thibault Arloing, Thibault Raffaillac, Thierry Goubier, Thomas Heniart, Tommaso Dal Sasso, Torsten Bergmann, Tudor Girba, Udo Schneider, Valentin Ryckewaert, Vincent Blondeau, Werner Kassens, Yuriy Tymchuk

(If you contributed with Pharo 6.0 development in any way and we missed your name, please send us a mail and we will add you).

Enjoy!

The Pharo Team

Try Pharo: http://pharo.org/download

Learn Pharo: http://pharo.org/documentation

Snowden

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Enquanto nos divertimos com nossos brinquedinhos um grupo leva à sério sua sede de domínio das massas. Em nome das própria massas. Sua segurança. Seu bem estar. Sua apatia de rebanho a ser tosquiado pelos pastores muito mais que comido por lobos.

Os lobos são um pretexto para a tosquia.

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Celulares, drones, computadores pessoais, web cams, TVs, Internet, redes sociais, emails, chats, forums, instant messages, whatever, são seus olhos e braços. Porque agora o big brother totalitário não apenas vê. Também tem tentáculos. A comunidade de inteligência é o poder subterrâneo que não presta conta aos políticos e nem à lei. Tem a sua própria lei e um tribunal farsesco oculto. Que emite “sentenças e mandados” que você não vê em notas do NY Times. Snowden deixou para nós suas “memórias numa banheira”.

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Na União Soviética o estado policial obrigava a todos encenar uma pantomima macabra de conformação. Mas antes, também, o império britânico estabelecia uma moral para os súditos e outra para as colônias. Gandhi enfiou sua cunha nesta fissura. Os EEUU agora considera o resto do mundo, como fazia Roma, bárbaros. Anglo saxões, ascendência predominante na grande nação, eram bárbaros para os romanos. “A palavra “bárbaros” deriva do romano “bárbaroi” = estrangeiro, e designava qualquer um que não compartilhasse da cultura e da língua romanas.”. O mundo todo é bárbaro para os EEUU e esta ideologia é inculcada diuturnamente, de forma subliminar, no povo americano.

Ryno Motors

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Here at RYNO we’re all still trying to figure out why this thing elicits such a primal response. Small, sleek and unique, it looks like something that rolled off a sci-fi movie set on to your neighborhood sidewalk. But despite its hi-tech appearance, the RYNO was built to accomplish a simple mission: making motorized personal transportation accessible, enjoyable, and practical.

http://rynomotors.com/

Halvening do BitCoin

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