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Grau Zero da Política

newleftPor que o PT é tão assertivo nas questões sociais e reticente quando se trata da Lei dos Meios e monopólios midiáticos? O verdadeiro ato falho do ministro da Educação Aloízio Mercadante ao sair em defesa ao “seu” Frias frente às denúncias da Comissão da Verdade representa aquilo que o pensador francês Jean Baudrillard chamava de “grau zero da política”: as esquerdas nunca quiseram chegar ao Poder e, dizia Baudrillard, se um dia chegassem não haveria perigo porque o poder, de fato, não existe. Ele estava sendo profético.


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À primeira vista, talvez o tema dessa postagem (política partidária) cause estranheza ao leitor em um blog especializado na discussão sobre cinema e gnosticismo. As últimas discussões sobre a Lei dos Meios e os monopólios de mídia e a reticência do governo atual em debatê-la lembram um conceito de influência gnóstica do pensador francês Jean Baudrillard: a reversibilidade simbólica, o gênio maligno presente em todos os sistemas – todos os sistemas chegam a um ponto de desenvolvimento e complexidade que acabam inviabilizando sua própria finalidade, voltando-se contra si mesmo. É o caso do sistema político que chegaria ao chamado “grau zero”, onde a finalidade social foi substituída pela simulação e sedução. É a “transparência do Mal”.

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Em carta ao jornal Folha de São Paulo o ministro da educação Aloízio Mercadante saiu em defesa da memória de Octávio Frias de Oliveira, falecido dono da “Folha”, após um delegado dos tempos da ditadura militar dizer, na Comissão da Verdade, que ele colaborou ativamente na repressão e tortura aos “terroristas” e “subversivos”. Esse episódio parece que foi a gota d’água para muitos que ainda, pacientemente, esperavam que após 10 anos de governos de esquerda a questão do monopólio midiático no país já tivesse sido, pelo menos, confrontada.

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Enquanto isso o ministro da Comunicação Paulo Bernardo adota um tom genérico e não dá prazos quando trata sobre a Lei dos Meios – a promulgação do marco regulatório para concessões públicas, TVs abertas, TVs por assinatura e rádios. E para irritar ainda mais os setores de esquerda, a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República) continua com sua orientação “técnica” e “republicana” de manter o direcionamento de grossas verbas publicitárias aos monopólios midiáticos, os mesmos veículos de comunicação que diariamente fustigam o Governo com denúncias sobre escândalos e sonham com a judicialização da política e a próxima eleição presidencial sendo decidida pelo Supremo Tribunal federal.

Se no plano sócio-econômico os governos petistas são reconhecidos internacionalmente pelas medidas de inserção social, eliminação da pobreza, aumento do poder aquisitivo da chamada “nova classe média”, e crescimento do mercado de consumo interno, no plano simbólico-midiático mantém-se estático e subjugado aos “barões da mídia”. Mesmo depois de três mandatos presidenciais consecutivos.

Por que? Sadomasoquismo? Covardia? O resultado de um governo de coalização obrigado a encontrar um ponto de equilíbrio entre diferentes grupos de interesses? A sedução pelo holofote que as grandes mídias oferecem?

E se o problema do PT não for em relação à Política, mas em relação ao imaginário da Política? Ou talvez o “problema” não seja em relação ao partido. O PT hoje faz o jogo parlamentar que no passado era acusado de recusar por ser considerado um partido sectário e formado por radicais. Talvez o “problema” esteja nas nossas expectativas em relação ao que representa ser “de esquerda”, as nossas expectativas em relação ao próprio imaginário da Política.

O Poder não existe

Em 1977 em seu texto “A Luta Encantada ou a Flauta Final” o pensador francês Jean Baudrillard apresentou uma hipótese irônica e que lhe valeu a pecha de intelectual direitista: a esquerda jamais esteve interessada no poder, e que as sucessivas lutas políticas da esquerda não passam de algo artificial por excelência, marcado pelo simulacro da tensão revolucionária artificial. A ironia, para Baudrillard, está no fato de a esquerda critica o poder sempre, mas não toma a iniciativa de assumi-lo.

Mais tarde em outro texto chamado “Partidos Comunistas: Paraísos Artificiais da Política” Baudrillard apresentava três teses ao criticar o discurso de Enrico Berlinguer (secretário do partido comunista Italiano de 1972 a 1984): (1) os comunistas não mudarão nada se chegarem ao poder; (2) os comunistas não querem chegar ao poder; e (3) a tese totalmente niilista: não há perigo em ganhar o poder, porque o poder, de fato, não existe.

Em toda história, essa substância se manifestou em diversos lugares e situações: no corpo do rei (na concepção fisiológica do Poder, quem o detém é porque possui características natas no próprio corpo, o “sangue azul”, por exemplo); na inteligência instrumental do príncipe (a concepção maquiavélica do Poder, onde a política é pensada como um jogo cênico‑teatral de aparências, através do qual a vontade política se esgueira pela mentira); no Leviatã de Hobbes (Estado totalitário e centralizador, necessário para impedir a situação de anomia provocada pelo confronto dos interesses egoístas); no Estado Liberal burguês (onde o Poder é definido como espaço vazio, ocupado periodicamente pelo representante de uma vontade política pública e consensual) ou no Estado da ditadura do proletariado de Lênin e Stálin onde o Poder revolucionário é meio de liberação das forças produtivas e sociais amarradas historicamente pelas classes dominantes.
Na ciência política, o Poder sempre foi pensado como uma substância, ou um topos, em torno da qual gravita uma somatória de partidos políticos, interesses de classe, grupos, tudo enfimque se manifesta no campo político e que produz a politização geral da sociedade

Em todas essas visões o Poder e a Política são vistos como produção de alguma finalidade social. Mas a tese de Baudrillard é outra: e se a necessidade dereprodução tiver dominado o Poder (reprodução da democracia, da participação, dos direitos humanos, do acesso ao mercado, da manutenção macroeconômica) a tal ponto que alcançamos o grau zero da política? Explicando melhor, e se nesses dez anos os governos de esquerda nada mais foi feito do que modernizar um país marcado pelo anacronismo (exclusão, pobreza etc.) diante das necessidades de reprodução do valor e do capital?

Para Baudrillard, ainda pensamos o Poder como um espaço a ser preenchido por uma classe social e a Política como um campo de forças onde se produzem novas finalidades sociais (revoluções, contra-revoluções, golpes, etc.). Talvez o poder desterritorializante e sem limites do valor de troca tenha legado ao Poder a condição se tornar um mero aparelho reprodutor onde todas as ideologias, crenças ou doutrinas gravitariam em torno dessa necessidade imperiosa de reprodução macroeconômica. Em outras palavras, se Baudrillard estiver certo, o reconhecimento internacional pelos projetos de inclusão social dos governos do PT é o reconhecimento do próprio capital pela normalização das funções de reprodução de força de trabalho e consumo.

Ao chegar no poder o PT encontrou o grau zero da política. A sua reticência em relação à Lei dos Meios e os monopólios midiáticos é o primeiro sintoma disso: ele encontrou o limite estrutural do sistema político – o limite simbólico e midiático. Para entendermos um pouco mais isso, devemos ir mais fundo nessa tese de Baudrillard.

Eventos supracondutores

brasil-contra-a-corrupcao-grupo-apartidario-realiza-marcha-contra-a-corrupcao-em-brasiliaA escandalização da Política através das denúncias diárias de corrupção, tráfico de influências ou “mensalões” e a cobertura sensacionalista do terrorismo internacional pelas mídias são eventos que Baudrillard chamava de “supracondutores”.

Para ele, o escândalo das denúncias está para a Política assim como a especulação está para o sistema financeiro. Ambos os sistemas (financeiro e político) já há muito perderam sua finalidade social de produção para serem seduzidos pelo ardil das imagens, da circulação veloz de informação e notícias com um único propósito: simular a existência de algum valor de uso, de alguma finalidade para a existência do Poder, da Política e da Economia.

Para ficar apenas no sistema da Política, a imoralidade, a simulação e a sedução se tornaram componentes determinantes da política, com o propósito de, assim como no sistema financeiro, evitar crises sistêmicas: evitar que a sociedade, afinal, descubra que a inércia dominou a Política, que o Poder perdeu seu poder de atração centrípeda e que ele é apenas mais um dos personagens que gravitam em torno das ondas concêntricas da mídia.

E assim como no sistema financeiro onde a suspeita de que nada exista por trás de papéis, títulos ou compromissos resulta em pânico e corridas para sacar ativos, da mesma forma a Política convive com o fantasma de que um dia o eleitor descubra que por trás da representação democrática nada existe de produção (revoluções, transformações, História, enfim), mas apenas a reprodução da onisciente necessidade de reprodução macroeconômica do valor de troca.

Em termos mais diretos, a incrível tolerância do PT em manter polpudas verbas publicitárias às grandes mídias e a sua omissão em relação à necessidade de um marco regulador para os meios de comunicação representa um ato falho dessa necessidade sistêmica do sistema político manter a espiral de escândalos para manter a miragem referencial de que existe um lugar de Poder a ser disputado. Onde, mesmo na sua indiferença, os eleitores ainda mantenham em seu horizonte a percepção da existência de um lugar chamado Política e Poder.

O sistema político necessita da dose diária dos escândalos das denúncias. Seja quem ocupar o espaço do Poder, terá que fazer parte dessa irônica estratégia de retroalimentação do sistema. Cientistas políticos, críticos e jornalistas parecem ainda partilhar da ilusão de um valor de uso, de uma transparência final das finalidades sociais da Política e do Poder. Mas, como membros que somos de toda a midiosfera (com verbas ou sem verbas publicitárias do Governo), fazemos parte desse irônico jogo de simulação e sedução.

Cinegnose

O horror, o horror

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A terra não parecia terrestre. Habituámo-nos à forma algemada de um monstro vencido, mas ali – ali podia ver-se qualquer coisa monstruosa e livre. Não parecia terrestre e os homens… não, desumanos não eram. Bem pior do que isso – era a suspeita de não serem desumanos. Aos poucos se chegava a tê-la. E eles gritavam, saltavam, rodopiavam e faziam caretas que eram um horror; embora nos assustasse a sensação de terem uma humanidade – igual à nossa -, a ideia de termos um parentesco remoto com aquela selvagem e apaixonada refrega. Feia. Muito feia, sim; mas fôssemos bastante homens e não deixaríamos de admitir intimamente que existe em nós um traço de simpatia embora diluído pela terrível franqueza daquele barulho, a obscura suspeita de conter um significado que nós – tão afastados, já, da noite das primitivas idades – podemos compreender. E porque não? O espírito humano de tudo é capaz – porque dentro dele há tudo, não só o passado como o futuro. E ali, ao fim e ao cabo o que havia? Contentamento, dor, devoção, coragem, raiva – sei lá! – mas principalmente verdade – verdade despida da sua máscara de tempo. Deixemos o louco abrir a boca e tremer – pois o homem compreende e pode ver sem pestanejar.

Joseph Conrad

em O coração das trevas

No coração das trevas em que se está transformando o Brasil, resvalando para se tornar o antigo Congo Belga, os policiais humilham e violentam ad nausean um morador de rua. A postura revela e traduz o desejo de parte da sociedade de tirar as condições dos sem teto de sobreviverem nas ruas. Fazê-los desaparecer. Da invisibilidade psicológica para a invisibilidade física. Para a morte… Isto me lembra, na contracorrente, o texto de Daniel Quinn, que cito abaixo, do seu livro Além da civilização:

Deixe meu povo ir embora!

Os moradores de rua estão “além da civilização” porque estão além do alcance da hierarquia da civilização, que tem-se mostrado incapaz de criar uma extensão estrutural que os inclua. O máximo que consegue fazer é oprimi-los, atormentá-los e obstruí-los. Para entrar em acordo com os moradores de rua seria necessário “deixá-los ir embora”, de forma bem parecida com o faraó bíblico que deixou os israelitas irem embora.

Estou dizendo que, na verdade, os moradores de rua querem ser moradores de rua? Não exatamente. Alguns são “temporários”: aterrissaram nas ruas depois de uma maré de azar e tudo quanto querem é voltar à estrada do sucesso da classe média. Nenhuma de minhas propostas atrapalharia isso. O resto deles está nas ruas não necessariamente porque adoram ser moradores de rua, mas porque as alternativas são piores do que ser morador de rua — internamento, infindáveis maus-tratos familiares, envolvimento com sistemas de assistência social cegos ou indiferentes às suas necessidades, e labuta num mercado de trabalho que não oferece nenhuma esperança real de mobilidade ascendente.

Mas persiste o fato de que muitos que se tornam moradores de rua inicialmente contra a vontade mais tarde adquirem uma nova perspectiva da situação.

“Gosto do jeito que a minha vida é agora”

Foi isso o que um morador de galerias subterrâneas disse à repórter Jennifer Toth. E explicou: “Sou independente e faço o que quero. Não que eu seja preguiçoso ou não queira trabalhar. Ando por toda a cidade quase todos os dias para catar latas. É a vida que eu quero”. Outro morador de galerias subterrâneas contou ter sido perseguido por um irmão que queria que ele voltasse a ter uma vida normal: “Ele me ofereceu dez mil dólares. Ele não entende! É aqui que eu quero estar agora. Talvez não para sempre, mas agora, sim”.

Um dos sujeitos de David Wagner, que fugiu de espancamentos constantes que recebia em casa, descobriu que a vida nas ruas “era legal, eu dormia quando queria, saía com as pessoas, bebia. Era livre como um passarinho”. Outro, que fugiu de um lar abusivo aos doze anos de idade, disse: “Era ótimo. Eu viajava, descia até o litoral, até o sul. Era maravilhoso, e eu não voltava nunca, acontecesse o que acontecesse”.

Mesmo quando a rua seja apenas a alternativa menos ruim, as pessoas sentem muitas vezes que tem mais apoio aqui do que tinham em casa. Um garoto que fugiu de casa, ao descrever seus amigos da rua para Katherine Coleman Lundy, disse: “Se eles precisavam de comida, precisavam de uns dólares, eu dava uns dólares pra eles… Sempre que eu precisava de alguma coisa, se eu precisasse, e eles tivessem, eles me davam”. Outro garoto que fugiu de casa disse a Jennifer Toth: “Temos apoio de verdade uns dos outros, não de um assistente social por uma hora só, mas de pessoas que gostam de você pra valer e te entendem”.

Que vai resultar disso?

Se deixarmos os moradores de rua encontrarem seus próprios refúgios e os ajudarmos a tornar esses lugares habitáveis (em vez de afugentá-los sempre que se estabelecerem), se os dirigirmos para as enormes quantidades de comida que são jogadas fora diariamente (em vez de obrigá-los a mendigar comida nos abrigos), se os auxiliarmos ativamente a se sustentar de acordo com seus próprios termos (e não de acordo com os nossos), pense bem: os moradores de rua deixarão de existir em grande medida como “um problema”. Seriam pessoas com quem sempre estaríamos trabalhando nas cidades, como a manutenção das ruas. As ruas de nossas cidades nunca vão ficar “em perfeito estado”. Sempre vão precisar de reparos — e nós sempre vamos cuidar de sua manutenção. Não pensamos na manutenção das ruas como “um problema” porque é algo com que entramos em acordo.

Se quisermos entrar em acordo com os moradores de rua, nós e eles (para variar) vamos trabalhar juntos em vez de entrarmos em desavença. Manter as pessoas abrigadas, alimentadas e protegidas se tornaria uma preocupação comum e uma tarefa comum.

Entrar em acordo com os moradores de rua não significa que os mendigos, as mulheres sem teto que andam com todos os seus pertences numa sacola e os bêbedos vão desaparecer — assim como a manutenção das ruas não significa que os buracos, as filas duplas e os engarrafamentos vão desaparecer. Entrar em acordo com os moradores de rua (como entrar em acordo com os terremotos) significa enfrentar a realidade, não significa eliminá-la.

Não estou COMPLETAMENTE sozinho!

Quase ao final de seu estudo notável sobre moradores de rua, Checkerboard Square: Culture and resistance in a homeless community, David Wagner escreve:

“E se os moradores de rua… tivessem a oportunidade de ter mobilidade coletiva e recursos coletivos em vez de fiscalização, vigilância e tratamento individual? E se as redes sociais densas e as sub-culturas coesas que constituem as comunidades de moradores de rua fossem utilizadas por advogados, assistentes sociais e outros? E se fosse oferecida moradia perto das áreas geográficas em que os grupos de moradores de rua se reúnem, moradias decentes que não exijam abandonar o grupo, mas que pudessem ser partilhadas com os amigos da rua… E se os benefícios sociais fossem distribuídos, não individual, mas coletivamente, de modo que a renda de manutenção ou recursos para comida, abrigo e outros bens fossem dados a um grupo inteiro de pessoas, não a indivíduos? Isto é, não seria necessário uma pessoa esperar horas a fio, fazer um relatório detalhado de todos os aspectos de sua vida pessoal e ir constantemente ao escritório de um assistente social para receber um novo atestado — bastaria obter um subsídio coletivo como parte de um grupo de moradores de rua (ou qualquer outro grupo de pessoas pobres)”.

Todas essas sugestões (que até Wagner concorda que são radicais) representam entrar em acordo com as realidades dos moradores de rua. Pretendem ajudá-los a viver decentemente enquanto são moradores de rua — e viver da maneira que eles querem viver (e não como os funcionários do governo pensam que eles devem viver).

Objeções

A idéia de entrar em acordo com os moradores de rua vai levantar objeções de todos os lados. Os liberais vão entendê-la como “desistir” de resolver o problema dos moradores de rua, mas isso seria o mesmo que dizer que entrar em acordo com a deterioração das ruas significa desistir de resolver o problema das ruas. Entrar em acordo com os moradores de rua significa ouvir os pobres, que acreditam ter condições de cuidar de si mesmos — com a ajuda que desejam em vez da ajuda que os habitantes de casas respeitáveis pensam que eles “devem ter”.

Na outra extremidade do leque político, os conservadores vão interpretar a proposta de entrar em acordo com os moradores de rua como passar a mão na cabeça dos que vivem de graça e que devem ser disciplinados e punidos até “arranjarem um emprego”. Vão acabar entendendo que é o mesmo que ajudar um pescador pobre a conseguir um equipamento de pesca em vez de lhe dar um peixe para comer.

No entanto, as objeções das autoridades do governo serão muito ruidosas porque sua questão com os moradores de rua vai além de meros princípios. Muita gente vive “combatendo” o problema dos moradores de rua e vêem seu desaparecimento como ameaça ao seu ganha-pão (embora seja evidente que não são bobos para colocar a questão dessa forma).

Na Los Angeles de 1998, roubar um carrinho de supermercado custava uma multa de mil dólares e cem dias atrás das grades. Quando um doador anônimo distribuiu “legalmente” cem carrinhos de supermercado a moradores de rua, as autoridades amarraram a cara e denunciaram a atitude como “bem intencionada, mas equivocada”.

A mais forte de todas as objeções

Entrar em acordo com os moradores de rua — permitir realmente que os pobres ganhem a vida nas ruas — abriria as portas da prisão da nossa cultura. Os excluídos e os insatisfeitos viriam todos para fora. Seria o primeiro grande movimento de pessoas para aquela terra de ninguém social e econômica que chamo de “além da civilização”.

A Tribo do Corvo, deixando de ser reprimida, cresceria — talvez explosivamente.

Não queremos que isso aconteça, queremos? Deus do céu, não. Seria caótico. Poderia até ser excitante.

Carlos, um garoto que fugiu de casa e vivia num bueiro do Riverside Park de Manhattan, disse a Jennifer Toth: “Eu mudaria o mundo para haver um lugar para nós. Um lugar bom onde a gente pudesse ter liberdade mesmo, e não viver num buraco”.

Algumas idéias perigosas aqui… um lugar para os moradores de rua… um lugar bom… liberdade mesmo… não num buraco…

Ponham mais guardas vigiando os muros. Reforcem os portões.

Daniel Quinn

Necrológio para o povo brasileiro

necrologio_1293676843bRemexendo e tentando organizar a minha biblioteca, que está um caos depois da mudança, encontrei este livro que não via há anos. Sabia que estava soterrado por outros livros em algum lugar. Victor Giudice me impressionou muito com sua forma original de escrever. Eu, na época, vivia repetindo a frase “os vinhos e oz gueijos” de um de seus contos no livro Necrológio. O conto “O arquivo”, que reproduzo abaixo, parece antecipar aproximadamente o tema do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, com sua inversão da trajetória de um trabalhador de escritório. Giudice já inova começando o conto na capa do livro. O conto parece descrever alegoricamente o que está acontecendo com o povo brasileiro que vê atônito e apático um retrocesso que parece um destino inexorável. Algo que caminha para reduzi-lo a um ponto geométrico sem dimensão. O grau zero da vida. Abaixo, talvez, da sobrevivência.

O arquivo

No fim de um ano de trabalho, joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos.

joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.

No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.

Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.

Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.

O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.

Dessa vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.

Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.

Agora, joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. A pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.

Prosseguiu a luta.

Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.

joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.

Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.

Respirou descompassado.
– Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.

joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
– Sabemos de todos os seus esforços. é nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.

O coração parava.
– Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.

A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
– De hoje em diante, o senhor vai passar a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?

Radiante, João gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.

Nessa noite, não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.

Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixou de jantar. O almoço era um sanduíche. Emagreceu, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminou certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.

Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência.

A vida foi passando, com novos prêmios.

Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.

O corpo era um monte de rugas sorridentes.

Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho.

Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
– Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.

O crânio comprimiu-se. Do olho amarelado escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
– Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas eu vou requerer minha aposentadoria.

O chefe não compreendeu:
– Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses já vai ter de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?

A emoção impediu qualquer resposta.

joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, tornou-se lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Ficou cinzento.

joão transformou-se num arquivo de metal.

Victor Giudice

A Essência da Realidade, David Deutsch

a_essencia_da_realidade_1284239045bHá mais de 10 anos entrei numa livraria para dar uma olhada nas novidades na estante de Informática. Sim, naquela época a Informática era destaque e havia uma estante separada. Na estante do lado estavam os livros de Administração. Por acaso vi um livro com o título A Essência da Realidade. Talvez fosse sobre alguma “realidade” afetando a administração de alguma empresa. Resolvi dar uma olhada no livro. Conclui que estava na estante errada. Falava de Física, Mecânica Quântica, Teoria de Tudo, Teoria da Informação, Games com Realidade Virtual, viagem no tempo, multiversos etc. Eu simplesmente não conseguia parar de ler. Só não comprei porque era bem caro, e ainda é (Na Estante Virtual custa mais de R$ 300,00 hoje). Anotava a página e voltava na livraria para ler mais.

Cito abaixo alguns fragmentos de textos do livro que me capturaram:

Prefácio

Se há uma única motivação para a visão de mundo descrita neste livro, é que graças principalmente a uma sucessão de descobertas científicas extraordinárias, agora possuímos algumas teorias extremamente profundas sobre a estrutura da realidade. Se tivermos de entender o mundo em um nível mais do que superficial, deve ser por meio dessas teorias e da razão, e não dos nossos preconceitos, opiniões recebidas ou até do senso comum. Nossas melhores teorias não são somente mais verdadeiras que o senso comum, elas fazem muito mais sentido. Devemos levá-las a sério, não meramente como fundamentos pragmáticos para seus respectivos campos, mas como explicações do mundo. E acredito que podemos alcançar o mais amplo entendimento se não as considerarmos isoladamente, mas em conjunto, pois elas estão inextricavelmente relacionadas.

Pode parecer estranho que esta sugestão – de que devemos tentar formar uma visão de mundo racional e coerente com base nas nossas melhores e mais fundamentais teorias – deva ser nova ou controversa. Contudo, na prática ela é. Um motivo é que cada uma dessas teorias tem, quando levada a sério, implicações muito contra-intuitivas. Consequentemente, foram feitos todos os tipos de tentativas para evitar enfrentar essas implicações, fazendo modificações “ad hoc” ou reinterpretações das teorias ou estreitando arbitrariamente seu domínio de aplicabilidade, ou simplesmente usando-as na prática, mas não extraindo nenhuma conclusão mais ampla. Deverei criticar algumas dessas tentativas (nenhuma das quais, acredito, tem muito mérito), mas apenas quando isso for um meio conveniente de explicar as próprias teorias. Pois este livro não é primordialmente uma defesa dessas teorias: é uma investigação sobre como seria a estrutura da realidade se elas fossem verdadeiras.

[…]

A Teoria de Tudo

Lembro-me que me disseram, quando criança, que nos tempos antigos era possível a uma pessoa muito instruída saber tudo o que era conhecido. Também me disseram que hoje em dia existe tanto conhecimento que ninguém seria capaz de aprender mais do que uma pequena fração dele, mesmo durante uma vida longa. Esta última afirmação me surpreendeu e desapontou. Na verdade, recusei-me a acreditar nela. Não sabia como justificar a minha descrença, mas sabia que não queria que as coisas fossem assim e invejava as pessoas instruídas de antigamente. Não que eu quisesse memorizar todos os fatos descritos nas enciclopédias do mundo; ao contrário, eu odiava memorizar fatos. Não era nesse sentido que eu esperava ser possível saber tudo o que era conhecido. Não me desapontaria ouvir que todos os dias aparecem mais publicações do que qualquer um poderia ler em uma vida inteira ou que existem 600.000 espécies conhecidas de besouros. Eu não tinha desejo de acompanhar a queda de cada pardal. Nem imaginava que um sábio antigo que supostamente sabia tudo o que era conhecido teria sabido tudo a respeito desse tipo de coisa. Eu tinha em mente uma ideia mais discriminadora do que deveria ser considerado como sendo conhecido. Por “conhecido” eu queria dizer entendido.

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Pharo By Example 5

Book Updated

Pharo By Example 5 is a new, updated version of Pharo By Example for Pharo 5. This book is the ideal introduction for anyone starting with Pharo, as well as a very useful reference for more experienced developers. The print version of this important community resource is still under work but the PDF is fully stable and released.

http://files.pharo.org/books/updated-pharo-by-example/

Black Blocs

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Como a imagem borrada da capa do livro do Francis Dupuis-Déri acima são vistos os black blocs através da lente da imprensa e de todos os seus detratores irritados principalmente pelo que não podem apreender.

Em outros posts (Ver a série começando no post A rebelião das massas, uma ironia com o título do livro de Ortega Y Gasset) abordei o assunto do ponto de vista dos protagonistas. Agora um livro com a paralaxe de um acadêmico. Abaixo fragmentos do livro:

Quem tem medo dos Black Blocs?

[…] Os Black Blocs são os melhores filósofos políticos da atualidade.

Nicolas Tavaglione

Segundo um mito muito difundido, só existiria um Black Bloc, uma única organização permanente com múltiplas ramificações internacionais. Na verdade, porém, o termo Black Blocs representa uma realidade mutável e efêmera.

A expressão designa uma forma específica de ação coletiva, uma tática que consiste em formar um bloco em m nome  movimento no qual as pessoas preservam seu anonimato, graças, em parte, às máscaras e roupas pretas.

O principal objetivo de um Black Bloc é indicar a presença de uma crítica radical ao sistema econômico e político.

Não existe uma organização social permanente que atenda pelo de Black Bloc ou que reivindique esse título, embora, em algumas ocasiões, as pessoas envolvidas em um Black Bloc publiquem um comunicado anônimo depois do protesto para explicar e justificar suas ações.

O Black Bloc não é um tratado de filosofia política, muito menos uma estratégia. É uma tática.

Uma tática não envolve uma revolução global. Isso, porém, não implica em renunciar à ação e ao pensamento políticos. Uma tática como a dos Black Blocs é uma forma de se comportar nos protestos de rua.

Um participante de um Black Bloc em Toronto, em 2010, afirmou:

“O Black Bloc não vai fazer a revolução. Seria ingênuo pensar que, por si só, o ataque seletivo contra a propriedade privada poderia mudar as coisas. Isto continua sendo propaganda”.

Para os ativistas, a importância política dessas ações é inequívoca. “Não é violência”, diz um. “É vandalismo contra corporações violentas. Não machucamos ninguém. São eles que machucam as pessoas.”

Quando um Black Bloc entra em ação, a resposta da mídia costuma seguir um padrão típico. Na mesma tarde ou na manhã seguinte, os editores, colunistas e repórteres falam mal dos arruaceiros dos Black Blocs, chamando-os de “vândalos”.

Quem diz o que sobre os Black Blocks?

A imagem pública dos Black Blocs foi distorcida pelo ódio e pelo desprezo que seus muitos críticos alimentam por eles: políticos, policiais, intelectuais de direita, jornalistas, acadêmicos e porta-vozes de diversas organizações progressistas institucionalizadas, assim como outros manifestantes que acham que eles colocam em risco pessoas que não estão preparadas para enfrentar a violência policial.

Esses detratores se unem para atacar os Black Blocks, ou qualquer manifestação que recorra à força física, retratando-os como pessoas sem convicções políticas cujo único objetivo ao participar de uma manifestação é satisfazer seus desejos de destruição.

O que é explicitamente negado aqui é o caráter político dessas ações diretas, que são relegadas para fora do campo e da racionalidade políticos.

A gigantesca maioria dos jornalistas não foge à regra, que consiste em negar toda a dimensão política das ações dos “vândalos”.

A mídia tradicional sistematicamente descreve a maioria dos manifestantes que recorrem à violência com “muito jovens”. Variações comuns incluem “jovens extremistas”, “jovens briguentos”e “jovens vândalos”.

Os jornalistas também divulgam opiniões de cidadãos “simples” ou manifestantes “não violentos” que reprovam o uso da força.

Embora alguns porta-vozes de instituições sociais-democratas tradicionais, como partidos socialistas e sindicatos, tenham censurado tanto a violência policial como a brutalidade do capitalismo, seus ataques aos Black Blocs não diferem dos perpetrados pelos policiais e políticos de centro ou direita.

Assim, o círculo se fecha, desde o policial e o político até o comunista, passando pelo ideólogo capitalista, pelo bom manifestante, pelo porta-voz de forças progressistas, pelo editor, pelo repórter e pelo padre. Todos compartilham os mesmos sentimentos e chegam às mesmas conclusões.

“Câncer”, “idiotas”, “bandidos irracionais”, “anarquistas”, “jovens vadios”. “desprovidos de crenças políticas”, “sede de violência”, “vandalismo”, “covardia”… Meros epítetos sob o disfarce de explicações? Talvez. Mas palavras como essas têm efeitos políticos muito reais, pois privam uma ação coletiva de toda a credibilidade, reduzindo-a à expressão única de uma violência supostamente brutal e irracional da juventude.

A esse discurso unânime falta, porém, uma única voz: as das pessoas que participaram dos Black Blocs. A realidade se torna mais complexa e interessante quando se aceita dar ouvidos aos discurso deles, um esforço que permite compreender melhor suas origens, sua dinâmica e seus objetivos.

Black Blocs, Francis Dupuis-Déri

Amyr Klink na Travessa

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[p 18]

A busca por segurança total é uma ficção, assim como a liberdade sem limites nos engana. Podemos nos considerar seguros, confortáveis, vendo televisão no sofá, postando fotos no facebook, adiando decisões importantes só por mais um dia, mais uma hora, sem plena consciência do risco. O tempo escorrendo. E há o risco de você não seguir adiante com aquele plano, não apostar na ideia. Não insistir, construir, finalizar. Para quem ficou de braços cruzados em Jurumirim, o mundo simplesmente não saiu do lugar. Se a gente não se movimenta, não persegue, não arrisca, as coisas continuam do mesmo modo onde sempre estiveram.

Sempre que deixei o Brasil para realizar uma viagem mais complexa, ou aparentemente impossível de ser levada a cabo, alguns amigos, conhecidos, desconhecidos, não hesitaram em aconselhar que eu desistisse: “isso não vai dar certo!”. Os maiores problemas que enfrentamos nem sempre são de natureza financeira ou técnica – o desânimo e as opiniões negativas também nos agridem de forma espetacular. É muito fácil encontrar desculpas para não fazer as coisas. Achar motivos para deixar para amanhã ou deixá-las como estão. É fácil cruzar os braços e ficar esperando soluções de algum lugar fora daqui. Sorte? Você é que constrói as suas oportunidades. Novos caminhos não vão aparecer pela sorte.

Amyr Klink estaria na livraria Travessa do Shopping Leblon para autografar seu mais recente livro. Comprei (não tinha tempo a perder) e fui para a fila (que cresceu rapidamente enquanto eu ia ao caixa). Não sei muito sobre o livro. Mas como nesta altura da minha vida também não tenho tempo a perder acho que vai ser inspirador ou estimulante. Amyr Klink é um realizador pragmático capaz de uma certa dureza com os negligentes que parece arrogância. Mas é apenas um modus operandi de alguém que não está na vida a passeio. 

Amyr Klink parecia deslocado, tímido (não sei se ele se declara assim mas me pareceu). Conversamos um pouco enquanto ele escrevia a dedicatória. Disse que não sabia que ele era canhoto. Ele perguntou se eu era. Falei que meu filho é que era canhoto. E que os canhotos tinham dificuldades ao escrever com caneta tinteiro pois a mão vinha borrando a escrita. E que as esferográficas foram a salvação dos canhotos. Aí ele me mostrou a mão manchada de tinta da esferográfica.

Sei que sessões de autógrafos são uma tortura para os escritores. Se a fila for muito grande torna-se uma maratona estafante. Noblesse oblige.