Arquivo da categoria: Uncategorized

Os dias eram assim

17-de-dezembro-latuff-midia-ditadura-militar-foto-5

“Assim como a criança repete as palavras da mãe, e os mais jovens repetem as maneiras grosseiras dos mais velhos que os submetem, assim o alto-falante gigantesco da cultura industrial, berrando através da recreação comercializada e dos anúncios populares – que cada vez menos se distinguem uns dos outros – replicam infinitamente a superfície da realidade. Todos os engenhosos artifícios da indústria de diversão reproduzem continuamente cenas banais da vida, que são ilusórias, contudo, pois a exatidão técnica da reprodução mascara a falsificação do conteúdo.

Essa reprodução nada tem em comum com a grande arte realista, que retrata a realidade a fim de julgá-la. A moderna cultura de massas, embora sugando livremente cediços valores culturais, glorifica o mundo como ele é. Os filmes, o rádio, as biografias e os romances populares têm todos o mesmo refrão: esta é a nossa trilha, a rota do que é grande e do que pretende ser grande – esta é a realidade como ela é, como deve ser, e será.” (Panacéias em conflito, Horkheimer: 1976, p.69)

[…]

“Os produtos da indústria cultural podem ter a certeza de que até mesmo os distraídos vão consumi-los alertamente. Cada qual é um modelo da gigantesca maquinaria econômica que, desde o início, não dá folga a ninguém, tanto no trabalho, quanto no descanso, que tanto se assemelha ao trabalho. É possível depreender de qualquer filme sonoro, de qualquer emissão de rádio, o impacto que não se poderia atribuir a nenhum deles isoladamente, mas só a todos em conjunto na sociedade. Inevitavelmente, cada manifestação da indústria cultural reproduz as pessoas tais como as modelou a indústria em seu todo” (Adorno & Horkheimer: 2006, p. 105).

Tecnologia e dominação ideológica na Escola de Frankfurt

A Globo brande o título de sua série como uma corroboração. “Os dias eram assim”. Ou seria melhor “Os dias eram assim mesmo”? Não poderiam ter sido diferentes aqueles dias. O passado congelado e, tal como gravado na pedra, não pode ser mudado. Mas de sua pétrea perspectiva lança um anátema ao presente e aos futuro. Sem tocar no que poderia ter sido ou desejado mostra uma banalização lateral ao principal tema de uma ditadura: tornar a vida bem estreita, como um tapa olho das bestas, os antolhos, para ver o mundo só em uma direção, que interessa aos que querem fazer da sua dominação a única opção. E naturalizá-la. Impingida e fragilizante da vida que se quer como algo além da sobrevivência.

20 anos sem Darcy. Série especial para lembrar um brasileiro inesquecível – “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

darcy-20-anos1

O primeiro dia, 15, terá duas mesas de discussão.

A primeira, “Darcy semeia escolas” enfoca seu trabalho como educador, desde 1955, a colaboração com Anísio Teixeira, no  governo JK e na criação da Universidade de Brasília, sua ação mesmo nos tempos de exílio, a concepção e implantação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), ao lado de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro e, no Senado, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

A segunda, o debate “Os fazimentos de Darcy” cuida da sua ação na academia; na militância política; na vida pública; e na criação de espaços e equipamentos públicos como o Sambódromo, Memorial da América Latina, Memorial dos Povos Indígenas, a UnB, a Universidade do Norte Fluminense e outros, dentro e fora doBrasil.

No dia seguinte, “Darcy em prosa e verso”, discute seus livros e trabalhos, nos campos da etnologia e da antropologia além dos  quatro romances, entre eles “Maíra”  que completa 40 anos de seu lançamento. À tarde,  “Darcy dos índios” vai abordar sua longa e apaixonada convivência com os índios Kadiwéu, no sul do Mato Grosso, e os índios Urubu-Kaapor, na floresta amazônica e sua paixão eterna em entender e defender os povos e a matriz cultural dos mais legítimos brasileiros.

Tijolaço

darcy-20-anos-banners-etc-3

Acho que vale a pena assistir o debate e ler os artigos.

Darcy é um paradigma de político que faria muito bem na atual conjuntura mas que parece impossível de ser engendrado hoje nestes tempos tão bicudos…

Artigos relacionados:

 

O bico do tentilhão

725217_479

lugar_250814

Terminei de ler o livro onde é contada a história da pesquisa dos Grant sobre os tentilhões da ilha Dafne Maior, em Galápagos. A evolução a olhos vistos e não por eras geológicas infindáveis. O feito é impressionante e a dedicação do casal de cientistas beira o ascetismo. Sobre uma pedra inóspita, configurada em ilha com uma cratera extensa e dominando toda ilha a ponto de sobrar uma área plana muito restrita para um acampamento, são testemunhados bandos variados de pássaros, nos seus ciclos de nascimento e morte ao sabor de estações chuvosas e secas inclementes e dos niños, evoluindo sobre pressões seletivas em convolução com seus alimentos que conformam seus bicos, a mais proeminente característica que é alterada.

image419

Retrospectiva 2016

Desde 2009 que não faço uma retrospectiva do ano que passou. Veja abaixo:

Dezembro

Além dos posts citados acima há os sobre os tétricos acontecimentos políticos no Brasil, entre outros. E estou me preparando para mudar de cidade em janeiro.

Novembro

Os posts sobre a política do fim de mundo no Brasil foram necessários além de outros.

Outubro

Outros posts:

Setembro

Neste mês os posts foram em boa parte sobre o contexto político calamitoso do Brasil.

Agosto

O Brasil sob o golpe influencia os temas de alguns posts.

Julho

 

Junho

 

Maio

Abril

Março

Fevereiro

Janeiro

De bicicleta até a Rua Vitória Régia

Rua Vitória Régia By Bike.png

Estava circundando a lagoa quando resolvi tentar chegar no alto onde havia um prédios sobre pilotis na encosta do morro. Não consegui acertar o lugar e fui acabar na Chácara Sacopã (área privada) e depois, na Rua Vitória Régia. A subida era de ladeiras de paralelepípedos. Muito incômodo. Não recomendo a subida de bicicleta. E nem a vista, apesar do dia ensolarado, era muito acessível.

dahon-speed-d7-baltic-600x325

Rare Exports: The Official Safety Instructions (2005)

Cinegnose

Papai-Noel Pode Matar

rare-exports

Se Papai Noel é um personagem tão altruísta, por que ele trabalha na clandestinidade? Por que muitas crianças temem a figura de Papai Noel em shoppings e parques? Por que a constante presença de papais-noéis assassinos e aterrorizantes na cinematografia? Essas questões em relação ao mito do Papai Noel são as motivações para o jovem diretor finlandês Jalmari Helander a desconstruir o imaginário desse personagem. Jalmari vai buscar as origens do mito natalino no folclore pagão, anterior à conversão cristã e norte-americana através da publicidade da Coca-Cola: há um imaginário subterrâneo e esquecido em torno do mito do Papai-Noel que insistentemente ressurge na cultura.

Cinegnose