Arquivo da categoria: Uncategorized

Insulina: A raiz de todo o mal

insulina-82-470x260

Parte 1

A função da gordura

Agora que já contei minha história mais de uma vez e demonstrei que existem estudos que demonstram que o nível de atividade física não é determinante para a perda de peso,  vamos falar sobre o que realmente faz diferença: a “raiz de todo o mal”, a INSULINA.

Nesta série de posts, vamos discutir um pouco de endocrinologia e biologia básicas, com base no livro Why We Get Fat, de Gary Taubes. O assunto pode ser um pouco espinhoso, mas uma vez que você preste bem atenção, você vai entender praticamente tudo o que você precisa saber para entender porque as pessoas engordam e o que devemos fazer para combater a obesidade.

Tudo o que vamos falar se baseia em pesquisas científicas publicadas entre 1920 e 1980 e que não são consideradas como tópicos controversos na literatura medica. O grande problema é que a maioria das “autoridades” em obesidade dos últimos 50 anos achavam que sabiam o que tornava as pessoas gordas e simplesmente ignoraram (conscientemente ou não) os fatos científicos de que vamos falar.

As primeiras perguntas que me vêm à mente são:

  1. Por que a gente armazena gordura?
  2. Sim, precisamos de um pouco de gordura pra nos manter aquecidos e proteger órgãos vitais de impactos. Mas por que o excesso?
  3. Por que a gordura tende a ficar localizada em alguns pontos e em outros não?
  4. Por que eu engordo e algumas pessoas não?

A maioria dos especialistas acreditam (e talvez você tenha sido educado pensando que se tratava de verdade incontestável) que a gordura armazenada no corpo é uma espécie de aplicação de longo prazo, que nosso corpo guarda para sobreviver quando passarmos fome, ou fizermos uma dieta, exercícios ou ficarmos presos em uma ilha deserta. Ou seja, algo como um fundo de aposentadoria que possa nos prover sustento quando deixarmos de ganhar dinheiro (no caso nutrientes) trabalhando (ou seja, comendo).

No entanto, por mais que isto tenha sido ensinado para nós como verdade, dados científicos da década de 1930 nos mostram que esta ideia não é nem remotamente precisa. Sabe-se que de fato a gordura está continuamente entrando e saindo das células de nosso tecido adiposo (gordura corporal), circulando por todo o corpo para ser usada como combustível, e o que sobra é retornado às células adiposas (ou seja, volta a ser estocado). Este processo acontece mesmo que não tenhamos comido ou nos exercitado recentemente.

Mesmo que durante um período de 24 horas, a gordura armazenada em nossas células provenha uma considerável parte do combustível que nossas células queimam para gerar energia, os “especialistas” cismam em nos dizer que os carboidratos (amido e açúcares) são a “fonte de energia preferida de nosso corpo” (o que é simplesmente um erro).

O motivo pelo qual eles dizem isso é a forma pela qual nosso corpo controla os níveis de açúcar no sangue após uma refeição. Se você ingere muitos carboidratos (o que a maioria das pessoas faz), suas células terão muito mais carboidratos para queimar antes de queimarem gordura.

Em outras palavras: quando os carboidratos são digeridos, eles são transformados em um carboidrato mais simples, chamado glicose, vulgarmente conhecida como o açúcar no sangue (a frutose é um caso a parte, mas não menos preocupante, falaremos sobre isto no futuro) e a gordura é quebrada em moléculas menores, chamadas ácidos graxos, que também circulam pela corrente sanguínea.

Como é de conhecimento comum, o excesso de glicose no sangue é diretamente relacionado com o diabetes, por exemplo, e tem efeitos danosos ao nosso corpo, como o comprometimento de vasos sanguíneos (angiopatia), distúrbios nos rins (nefropatia), problemas de visão (retinopatia), problemas no sistema nervoso (neuropatia) como formigamentos, problemas de pele (como lesões ulcerosas nos pés e pernas) e até mesmo levar à necessidade de amputação de membros.

Ou seja, a glicose no sangue é tóxica e nosso corpo precisa “se livrar dela” o mais rápido que puder. Para fazer isto, nosso pâncreas passa a produzir a insulina, um hormônio que tem várias funções, mas cujo principal papel é manter o nível de açúcar no sangue sob controle. Na verdade, o açúcar no sangue é tão nocivo que nosso corpo começa a secretar insulina (produzir e injetar no sangue) até mesmo quando pensamos em comer carboidratos. Quando a glicose da refeição começa a entrar em nossa corrente sanguínea, mais insulina ainda é secretada.

A insulina então sinaliza às células do corpo para aumentar a velocidade em que elas consomem a glicose do sangue. Algumas células passam então a usar a glicose como fonte de combustível, enquanto dois tipos de célula específicos passam a armazená-la para uso futuro: as células musculares (e o fígado) transformam a glicose em uma molécula chamada glicogênio e as armazenam; as células de gordura a transformam então em uma molécula chamada glicerol e então estocam este glicerol para uso futuro. Como parte deste processo de regulação do açúcar, o fígado passa também a converter parte da glicose do sangue em gordura e devolvê-la ao sangue.

À medida que o nível de açúcar no sangue passa a diminuir (e o nível de insulina junto com ele), mais e mais gordura armazenada em nosso corpo passa a ser liberada das células adiposas (ou seja, de gordura) e a ser usada como fonte de energia. Em outras palavras: enquanto houver muito açúcar no sangue (e este açúcar vem dos carboidratos), o corpo PARA de consumir gordura. Além disto, o corpo passa a transformar açúcar em gordura para poder estocá-la nas células gordurosas. E tudo isto ocorre para “limpar” do sangue os níveis tóxicos de glicose.

Fazendo uma analogia simples, em condições normais, nossa gordura corporal não funciona como uma poupança de longo prazo, como alguns especialistas sugerem, mas sim como sua carteira. Nós sacamos dinheiro no caixa eletrônico (comemos) e então guardamos na carteira (células de gordura) para ir gastando ao longo do dia (ou de alguns dias).

Mas como esta gordura é armazenada?

A gordura em nosso corpo é armazenada na forma de triglicerídeos, ou seja: uma molécula composta por três ácidos graxos ligados por uma molécula de glicerol. O glicerol (C3H8O3), por sua vez, é criado quando a molécula de glicose (C6H12O6) é “quebrada” e “remontada” como glicerol.

Em outras palavras: quanto mais carboidratos, mais glicose e mais insulina. Quanto mais glicose e insulina, mais glicerol. Quanto mais glicerol, mais nossas células gordurosas podem estocar triglicerídeos (ou seja, gordura). Quanto mais gordura armazenada, mais gordos ficamos.

9e92e-info-wwgf

 

Em resumo:

  1. Nosso corpo armazena gordura como uma forma de se nutrir durante o tempo em que não estamos comendo, da mesma forma que guardamos o dinheiro na carteira para usarmos quando não estivermos próximo a um caixa eletrônico ou em um estabelecimento que não aceite cartão de débito.
  2. Quando você ouvir alguém falar que “os carboidratos (ou seja, a glicose) são a fonte de combustível preferida de nosso corpo”, saiba que na realidade a glicose não é a “fonte preferida” e, sim, a que mais causa prejuízo e que, por isto, nosso corpo precisa usá-la primeiro (a fim de se livrar de uma quantidade tóxica de açúcar no sangue).
  3. Quando nosso corpo queima açúcar (que vem dos carboidratos), ele para de queimar gordura, mas não para de armazenar gordura. Ou seja: quanto mais carboidratos você comer, mais gordo você vai ficar.

Esses três pontos devem responder à primeira pergunta “por que a gente armazena gordura?” e sugerir um caminho de resposta para a segunda pergunta “por que o excesso de gordura?”.

No próximo capítulo da série:

Por enquanto, falamos do lado bom da insulina no corpo: reduzir os níveis tóxicos de açúcar no sangue. Falamos também de dois efeitos colaterais da insulina: suspender a queima de gordura e causar o aumento da quantidade de matéria-prima que nosso corpo usa pra produzir a gordura.

No próximo capítulo vamos entender um pouco mais por que engordamos em excesso e como é feita esta transformação de glicose em gordura.

Parte 2

O acúmulo de gordura

No post anterior da série, fomos apresentados à insulina e entendemos como funciona o processo de acúmulo de gordura. Além disso, apresentamos também um conjunto de perguntas a serem respondidas:

  1. Por que a gente armazena gordura?
  2. Sim, precisamos de um pouco de gordura pra nos manter aquecidos e proteger órgãos vitais de impactos. Mas por que o excesso?
  3. Por que a gordura tende a ficar localizada em alguns pontos e em outros não?
  4. Por que eu engordo e algumas pessoas não?

A primeira pergunta foi respondida: nosso tecido adiposo (a gordura em nosso corpo) cumpre um papel fundamental para manter as células de nosso corpo abastecidas de energia enquanto não estamos comendo.

Para respondermos a segunda e a terceira perguntas, precisamos entender o mecanismo de regulação do tecido adiposo. Para tanto, pensemos na seguinte sequência de fatos:

  1. Pensamos em comer uma refeição contendo carboidratos;
  2. Nosso corpo começa a secretar insulina;
  3. A insulina sinaliza para as células gordurosas que elas devem suspender a liberação de ácidos graxos (a forma na qual a gordura é queimada como fonte de energia) e, ao invés disso, começar a armazenar ainda mais ácidos graxos, retirando-os da corrente sanguínea;
  4. Ficamos com fome (ou com mais fome);
  5. Começamos a comer;
  6. Nosso corpo secreta mais insulina;
  7. Os carboidratos são digeridos e entram na circulação como glicose, aumentando os níveis de açúcar no sangue;
  8. Nosso corpo secreta ainda mais insulina;
  9. Devido à ação da insulina descrita no passo 3, a gordura que comemos é armazenada como triglicerídeos nas células gordurosas, assim como parte dos carboidratos, que foram convertidos em gordura pelo fígado;
  10. As células gordurosas armazenam mais gordura (e por consequência engordamos);
  11. A gordura permanece “presa” nas células até o nível de insulina baixar.

A grosso modo, podemos dizer que engordamos demais porque comemos carboidratos, pois estes causam um aumento da concentração de insulina no sangue, e esta causa não só a suspensão do uso de gordura como combustível, mas também a “estocagem” desta gordura na forma de triglicerídeos em nossas células gordurosas. Desta forma, entramos em um ciclo vicioso em que passamos a acumular mais gordura do que queimamos e assim acumulamos gordura em excesso.

No entanto, ainda falta responder uma das perguntas propostas: por que a gordura tende a ficar localizada em alguns pontos e em outros não?

A resposta simples para esta pergunta está relacionada a uma enzima que nosso corpo produz, chamada lipase lipoproteica (LPL). Esta enzima se fixa às membranas de diferentes células e é responsável por quebrar os triglicerídeos (ou seja, a gordura) da corrente sanguínea e transformá-los em ácidos graxos, a fim de facilitar sua entrada nas células, pois os triglicerídeos são moléculas “grandes” e tem mais dificuldade de passar pela membrana das células de gordura. Ao quebrá-los em três ácidos graxos e uma molécula de glicerol, eles ficam “menores” e passam com mais facilidade pela membrana.

Se a LPL estiver na superfície de um músculo, ela direciona os ácidos graxos para que sejam usados como combustível pela célula muscular. No entanto, se estiver em uma célula gordurosa, os ácidos graxos serão ligados novamente a um glicerol dentro da célula, ou seja, sendo transformados em triglicerídeos (que como sabemos, não passam pela membrana para serem liberados).

Dependendo da pessoa, a distribuição da LPL é diferente e parece estar ligada aos hormônios sexuais. Em homens, por exemplo, a maior atividade de LPL se dá acima da cintura, enquanto nas mulheres, a atividade é maior nos seios e abaixo da cintura. Depois da menopausa, por exemplo, a atividade de LPL na região abdominal das mulheres se assemelha à dos homens e, por isto, as mulheres tendem a engordar. Na gravidez, a atividade aumenta nas nádegas e quadris, ajudando-as a nutrir o bebê e até mesmo a compensar o peso na barriga. Após o parto, a atividade de LPL nas mulheres reduz nas nádegas e quadris e aumenta nos seios. Desta forma, elas podem usar esta gordura para produzir leite para o bebê.

Assim como a insulina é o principal regulador do metabolismo da gordura, a insulina também é o regulador principal da atividade da LPL. A insulina ativa o LPL nas células gordurosas, particularmente nas do abdome. Ou seja, quanto mais insulina secretamos, maior a atividade da LPL nas células de gordura, e mais gordura sai da corrente sanguínea para ser armazenada. Para completar o cenário, a insulina também suprime a atividade da LPL nas células musculares, a fim de aumentar a quantidade de glicose utilizada pelos músculos como combustível (lembre-se: glicose em excesso é tóxica e o corpo precisa gastá-la o mais rápido possível).

Em outras palavras, se a insulina estiver alta, quando as células gordurosas liberarem ácidos graxos para serem usados como combustível pelo corpo, os músculos não irão utilizá-los (pois a atividade de LPL está baixa neles) e eles acabarão sendo utilizados onde a atividade da LPL for alta; ou seja, sendo armazenados como triglicerídeos novamente.

Além da LPL, a insulina também influencia uma outra enzima: a lipase hormônio-sensível (HSL). Assim como a LPL ajuda a entrada da gordura nas células quebrando os triglicerídeos para passarem pela membrana, a HSL atua dentro das células, transformando de volta os triglicerídeos estocados em ácidos graxos para que estes passem para fora através da membrana.

Em outras palavras: quanto mais ativa a HSL, mais gordura liberamos e mais gordura podemos usar como combustível. No entanto, a insulina tem o efeito de suspender a atividade da HSL, a fim de diminuir a quantidade de ácidos graxosdisponíveis e maximizar a queima da glicose.

Resumo

O papel da insulina é reduzir os níveis tóxicos de glicose (proveniente dos carboidratos) no sangue a todo custo, mesmo que isto signifique que toda a gordura que ingerirmos ou produzirmos seja armazenada nas células gordurosas.

Além disso, existem duas enzimas que determinam o modo como nossas células irão lidar com a gordura chamada: a LPL, que é responsável por facilitar a entrada de gordura nas células, e a HSL, que é responsável por facilitar a saída de gordura das células. Estas enzimas são distribuídas de maneira diferente por nosso corpo, e a insulina atua sobre as duas enzimas, aumentando a atividade da LPL nas células gordurosas e diminuindo nas musculares, além de diminuir a atividade da HSL por todo o corpo. A insulina realiza esta alteração nas enzimas a fim de cumprir sua atividade básica: suspender o uso de gordura como combustível a fim de queimar o máximo da glicose disponível no sangue e reduzir os níveis de glicose a patamares seguros.

Como resultado, enquanto a insulina está elevada acima dos níveis naturais (ou seja, quando temos uma dieta rica em carboidratos, mesmo os INTEGRAIS), nosso corpo não queima gordura até que a glicose no sangue seja toda consumida. Então, o corpo começará a eliminar a insulina, e, enquanto a insulina não for toda eliminada, nossas células ficarão sem nutrientes. Então, sentimos fome e a tendência (e também a recomendação dos nutricionistas) é comermos mais: fazendo-nos comer mais do que precisamos (afinal, se a insulina estivesse baixa, os ácidos graxos seriam usados como combustível).

Além disso, nossos corpos começam a crescer (pois estamos acumulando gordura nas células) e com isto, nosso peso aumenta, desenvolvemos mais músculo para sustentar nosso próprio peso, nossas necessidades de energia aumentam e isto nos faz comer mais, criando um ciclo vicioso.

Sendo assim:

Não engordamos porque comemos demais. Comemos demais porque engordamos.

No próximo capítulo

No próximo post iremos falar sobre a consequência deste ciclo vicioso: a resistência à insulina, que torna necessária uma maior quantidade de insulina no sangue, acelerando ainda mais o processo de engorde. A resistência à insulina é a pré-condição para o surgimento de diabetes tipo 2.

Parte 3

Por que eu engordo e ele não? Bem-vindo à resistência!

Por que algumas pessoas engordam e outras não? Se você leu o restante da série, Insulina: a raiz de todo o mal, você pode ter ficado com esta pergunta na cabeça. No primeiro e no segundo posts da série, você foi apresentado à insulina e entendeu como ela funciona para nos fazer engordar. No entanto, ainda nos falta explicar por que algumas pessoas engordam e outras não.

Neste post, adaptado do livro Why We Get Fat, de Gary Taubes, vamos entender um pouco mais sobre uma condição que se desenvolve em nossos organismos quando consumimos carboidratos em excesso por muito tempo.

Ao falar sobre o tema, o autor faz a seguinte proposição:

Se a insulina faz as pessoas engordarem, porque ela torna apenas alguns de nós gordos? Todos secretamos insulina, afinal, e mesmo assim muitos de nós são magros e continuam magros pela vida inteira. Esta é uma questão de natureza – nossa predisposição genética – não são a nutrição ou aspectos da dieta e/ou estilo de vida que disparam esta natureza.

A resposta para esta pergunta deriva, segundo o autor, do fato de que “os hormônios não trabalham no  vácuo, e a insulina não é exceção”. O efeito de um hormônio em qualquer tecido depende de uma série de fatores, tanto internos, quanto externos às células (lembre-se do LPL e do HSL que apresentamos no post anterior da série). Estes fatores intra e extracelulares tornam o efeito da insulina diferente dependendo da célula, do tecido e até mesmo do estágio de nossa vida ou desenvolvimento.

A insulina pode ser considerada como o hormônio que determina como os combustíveis são distribuídos por nosso corpo. Após uma refeição, a insulina e diversas enzimas que ela influencia (como o LPL e o HSL) determinam em que proporção e para que células os diferentes nutrientes serão enviados, quanto desse combustível será queimado, quanto será armazenado e como isto irá mudar ao longo do tempo.

 

Imagine um indicador de combustível como o da foto acima, em que um dos lados tem um “E”, que significa Energia, e o outro tem um “G”, que significa Gordura. Se o ponteiro se posiciona à direita (em direção ao “G”),  devemos entender que a insulina está enviando quantidades desproporcionais das calorias que você consome para serem armazenadas como gordura, ao invés de serem usadas como energia para seu corpo. Sendo assim, podemos dizer que você tem tendência a engordar. Além disso, você terá menos energia disponível para fazer atividade física; ou seja, você também tem tendência a ser sedentário. Se você não quiser ser sedentário, você terá que comer mais, a fim de compensar a perda das calorias que são transformadas em gordura. As pessoas que tem obesidade mórbida são aquelas que estão do lado “G” do indicador.

No entanto, se o ponteiro se posiciona no lado oposto do indicador (em direção ao “E”), você está queimando as calorias que você ingere como combustível de maneira desproporcional. Você tem energia suficiente para fazer exercícios e muito pouco desta energia será armazenada como gordura. Você será magro e ativo e comerá em moderação. Quanto mais você aponta na direção do “E”, mais energia você tem para atividade física e menos será armazenado como gordura (ou seja, mais magro você será). Deste lado do espectro estão os maratonistas.

Ok, se o “ponteiro” da minha insulina aponta para o lado “E”, eu emagreço, se aponta para o lado “G” eu engordo. Mas, como a posição do ponteiro é determinada?

À primeira vista, poderíamos pensar que quanto mais insulina secretarmos, mais gordos ficaremos. No entanto, não é bem assim que as coisas funcionam. Esta é parte da resposta, mas tem muito mais a ver com a consequência do problema do que com a causa.

Se diferentes pessoas comerem a mesma quantidade de carboidratos, algumas pessoas secretarão mais insulina do que outras e terão uma maior predisposição a armazenarem mais energia como gordura do que deixar disponível para ser gasta em atividade física. Seus corpos trabalham para manter o nível de açúcar no sangue sob controle (afinal, muito açúcar no sangue é tóxico), e, conforme explicamos no post Insulina, Gatos e Darth Vader, se for necessário para isto aumentar nossa massa gordurosa, a insulina vai fazê-lo.

No entanto, outro fator importante nesta equação é o quão sensível à insulina nossas células são e o quão rapidamente elas se tornam insensíveis em resposta à insulina secretada, condição esta chamada de “resistência à insulina“.

Quanto mais insulina secretarmos, maior a probabilidade de que nossas células tornem-se resistentes à insulina. Assim como um alcoólatra precisa de quantidades muito maiores de bebida para ficar alcoolizado, uma pessoa resistente à insulinaprecisa de quantidades muito maiores de insulina para manter o nível de açúcar sob controle.

Outra forma de pensar neste problema é que as células têm uma forma de decidir que não querem receber mais glicose do que já recebem (afinal, glicose em excesso faz mal para as células também) e, para isto, elas tornam mais difícil o trabalho da insulina de retirar a glicose da corrente sanguínea.

O “problema (ou a solução)”, como coloca Taubes, é que o pâncreas responde à quantidade de açúcar elevada no sangue injetando ainda mais insulina. O resultado deste processo é um ciclo vicioso: quando muita insulina é secretada (em resposta à ingestão de carboidratos de fácil digestão, como amido e açúcar), nossas células têm a tendência de rapidamente tornarem-se resistentes à insulina (especialmente as células musculares), pois elas já tem glicose suficiente.

Além disso, enquanto as células resistentes “não querem” receber mais glicose e seu pâncreas ainda está secretando mais insulina para remover a glicose do sangue, seu fígado continua transformando glicose em gordura e a insulina continua armazenando-a em suas células gordurosas (a não ser que elas também estejam resistentes à insulina). Em outras palavras, durante este processo, a insulina trabalha para lhe deixar mais gordo.

Para somar a este cenário, para cada célula e tecido de nosso corpo, a velocidade em que as células ficam resistentes à insulina é diferente. Se suas células musculares são mais sensíveis (isto é, menos resistentes) à insulina, elas vão “capturar” mais glicose do sangue e você se manterá magro. No entanto, se suas células de gordura são mais sensíveis, elas vão armazenar mais energia na forma de gordura (a fim de eliminar a glicose) do que seu corpo consegue gastar (e aí você engorda).

Por fim, se imaginarmos que nossas células são organismos vivos e que também sofrem o proceso de seleção natural, pode-se dizer que as células resistentes à insulina são melhor adaptadas a um ambientem em que a glicose é abundante e, por isto, ao longo do tempo, elas irão se reproduzir como células menos sensíveis à insulina. Ou seja, à medida que o tempo passa, você vai se tornando cada vez mais resistente à insulina.

Somando-se a isto o fato de que as células musculares têm uma tendência maior a se tornarem resistentes à insulina do que as células de gordura, teremos então a explicação para o fato de pessoas que são magras na juventude engordarem ao longo do tempo.

O conhecimento tradicional nos diz que ao longo do tempo, nosso metabolismobasal vai ficando cada vez mais lento e, por isto, queimamos menos energia à medida que envelhecemos. No entanto, provavelmente os defensores desta visão estão invertendo a causa e a consequência: é mais provável que nossos músculos vão se tornando cada vez mais resistentes à insulina, deixando uma parte maior da energia que consumimos ser convertida em gordura para ser armazenada. Isto então deixa menos energia disponível para consumirmos e, por isto, nosso metabolismo desacelera.

Ou seja, como diz Taubes:

O que parece ser a causa de engordar (a redução da velocidade do nosso metabolismo) é na verdade um efeito. Você não engorda porque seu metabolismo desacelera; seu metabolismo desacelera porque você está engordando.

Você deve estar se perguntando agora: “como posso evitar a resistência à insulina?“.

A resposta é simples: coma menos carboidratos, afinal, todo o carboidrato que ingerimos (à exceção da fibra) torna-se glicose em nosso sangue e quanto mais glicose, mais insulina secretamos e mais nossas células ficam resistentes a ela. Se simplesmente ingerirmos menos carboidratos, a taxa de glicose no sangue diminuirá e, por consequência, o nível de insulina no sangue também será reduzido. Desta forma, os efeitos da insulina ficam atenuados e você voltará a queimar gordura. É importante salientar que quanto mais resistente à insulina você for, menos carboidratos poderá comer e que quanto menos carboidratos você comer, mais rápido irá emagrecer.

Obs: sempre que fizer qualquer alteração em sua dieta, faça com o acompanhamento de um profissional de saúde. Mesmo que ele não concorde com sua dieta, ele poderá solicitar exames e você e o profissional poderão acompanhar a evolução de sua dieta.

Insulina: A raiz de todo o mal

Leonardo Pires | Fatopia

Anúncios

Os dias eram assim

17-de-dezembro-latuff-midia-ditadura-militar-foto-5

“Assim como a criança repete as palavras da mãe, e os mais jovens repetem as maneiras grosseiras dos mais velhos que os submetem, assim o alto-falante gigantesco da cultura industrial, berrando através da recreação comercializada e dos anúncios populares – que cada vez menos se distinguem uns dos outros – replicam infinitamente a superfície da realidade. Todos os engenhosos artifícios da indústria de diversão reproduzem continuamente cenas banais da vida, que são ilusórias, contudo, pois a exatidão técnica da reprodução mascara a falsificação do conteúdo.

Essa reprodução nada tem em comum com a grande arte realista, que retrata a realidade a fim de julgá-la. A moderna cultura de massas, embora sugando livremente cediços valores culturais, glorifica o mundo como ele é. Os filmes, o rádio, as biografias e os romances populares têm todos o mesmo refrão: esta é a nossa trilha, a rota do que é grande e do que pretende ser grande – esta é a realidade como ela é, como deve ser, e será.” (Panacéias em conflito, Horkheimer: 1976, p.69)

[…]

“Os produtos da indústria cultural podem ter a certeza de que até mesmo os distraídos vão consumi-los alertamente. Cada qual é um modelo da gigantesca maquinaria econômica que, desde o início, não dá folga a ninguém, tanto no trabalho, quanto no descanso, que tanto se assemelha ao trabalho. É possível depreender de qualquer filme sonoro, de qualquer emissão de rádio, o impacto que não se poderia atribuir a nenhum deles isoladamente, mas só a todos em conjunto na sociedade. Inevitavelmente, cada manifestação da indústria cultural reproduz as pessoas tais como as modelou a indústria em seu todo” (Adorno & Horkheimer: 2006, p. 105).

Tecnologia e dominação ideológica na Escola de Frankfurt

A Globo brande o título de sua série como uma corroboração. “Os dias eram assim”. Ou seria melhor “Os dias eram assim mesmo”? Não poderiam ter sido diferentes aqueles dias. O passado congelado e, tal como gravado na pedra, não pode ser mudado. Mas de sua pétrea perspectiva lança um anátema ao presente e aos futuro. Sem tocar no que poderia ter sido ou desejado mostra uma banalização lateral ao principal tema de uma ditadura: tornar a vida bem estreita, como um tapa olho das bestas, os antolhos, para ver o mundo só em uma direção, que interessa aos que querem fazer da sua dominação a única opção. E naturalizá-la. Impingida e fragilizante da vida que se quer como algo além da sobrevivência.

20 anos sem Darcy. Série especial para lembrar um brasileiro inesquecível – “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”

darcy-20-anos1

O primeiro dia, 15, terá duas mesas de discussão.

A primeira, “Darcy semeia escolas” enfoca seu trabalho como educador, desde 1955, a colaboração com Anísio Teixeira, no  governo JK e na criação da Universidade de Brasília, sua ação mesmo nos tempos de exílio, a concepção e implantação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), ao lado de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro e, no Senado, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

A segunda, o debate “Os fazimentos de Darcy” cuida da sua ação na academia; na militância política; na vida pública; e na criação de espaços e equipamentos públicos como o Sambódromo, Memorial da América Latina, Memorial dos Povos Indígenas, a UnB, a Universidade do Norte Fluminense e outros, dentro e fora doBrasil.

No dia seguinte, “Darcy em prosa e verso”, discute seus livros e trabalhos, nos campos da etnologia e da antropologia além dos  quatro romances, entre eles “Maíra”  que completa 40 anos de seu lançamento. À tarde,  “Darcy dos índios” vai abordar sua longa e apaixonada convivência com os índios Kadiwéu, no sul do Mato Grosso, e os índios Urubu-Kaapor, na floresta amazônica e sua paixão eterna em entender e defender os povos e a matriz cultural dos mais legítimos brasileiros.

Tijolaço

darcy-20-anos-banners-etc-3

Acho que vale a pena assistir o debate e ler os artigos.

Darcy é um paradigma de político que faria muito bem na atual conjuntura mas que parece impossível de ser engendrado hoje nestes tempos tão bicudos…

Artigos relacionados:

 

O bico do tentilhão

725217_479

lugar_250814

Terminei de ler o livro onde é contada a história da pesquisa dos Grant sobre os tentilhões da ilha Dafne Maior, em Galápagos. A evolução a olhos vistos e não por eras geológicas infindáveis. O feito é impressionante e a dedicação do casal de cientistas beira o ascetismo. Sobre uma pedra inóspita, configurada em ilha com uma cratera extensa e dominando toda ilha a ponto de sobrar uma área plana muito restrita para um acampamento, são testemunhados bandos variados de pássaros, nos seus ciclos de nascimento e morte ao sabor de estações chuvosas e secas inclementes e dos niños, evoluindo sobre pressões seletivas em coevolução com seus alimentos que conformam seus bicos, a mais proeminente característica que é alterada.

image419

Retrospectiva 2016

Desde 2009 que não faço uma retrospectiva do ano que passou. Veja abaixo:

Dezembro

Além dos posts citados acima há os sobre os tétricos acontecimentos políticos no Brasil, entre outros. E estou me preparando para mudar de cidade em janeiro.

Novembro

Os posts sobre a política do fim de mundo no Brasil foram necessários além de outros.

Outubro

Outros posts:

Setembro

Neste mês os posts foram em boa parte sobre o contexto político calamitoso do Brasil.

Agosto

O Brasil sob o golpe influencia os temas de alguns posts.

Julho

 

Junho

 

Maio

Abril

Março

Fevereiro

Janeiro

De bicicleta até a Rua Vitória Régia

Rua Vitória Régia By Bike.png

Estava circundando a lagoa quando resolvi tentar chegar no alto onde havia um prédios sobre pilotis na encosta do morro. Não consegui acertar o lugar e fui acabar na Chácara Sacopã (área privada) e depois, na Rua Vitória Régia. A subida era de ladeiras de paralelepípedos. Muito incômodo. Não recomendo a subida de bicicleta. E nem a vista, apesar do dia ensolarado, era muito acessível.

dahon-speed-d7-baltic-600x325

Rare Exports: The Official Safety Instructions (2005)

Cinegnose