Arquivo do mês: setembro 2006

Kit de detecção de mentiras

Nesses tempos de eleições coletei várias citações e apuds como forma de estimular a leitura do excelente artigo “A Arte Refinada de Detectar Mentiras”.

Em nossa época, temos padrões menos severos. Contamos às crianças histórias sobre Papai Noel, o coelhinho da Páscoa e a fada do dente por razões que achamos emocionalmente sadias, mas depois, antes de crescerem, nós os desiludimos sobre esses mitos. Por que nos desdizemos? Porque o seu bem-estar como adultos depende de eles conhecerem o mundo tal como é. Nós nos preocupamos, e com razão, com os adultos que ainda acreditam em Papai Noel.

Sobre as religiões doutrinárias, escreveu o filósofo David Hume que

“os homens não ousam confessar, nem mesmo a seus corações, as dúvidas que têm a respeito desses assuntos. Eles valorizam a fé implícita; e disfarçam para si mesmos a sua real descrença, por meio das afirmações mais convictas e do fanatismo mais positivo”.

Essa descrença tem conseqüências morais profundas, como escreveu o revolucionário americano Tom Paine em The age of reason:

“A descrença não consiste em acreditar, nem em desacreditar; consiste em professar que se crê naquilo que não se crê. É impossível calcular o dano moral, se é que posso chamá-lo assim, que a mentira mental tem causado na sociedade. Quando o homem corrompeu e prostituiu de tal modo a castidade de sua mente, a ponto de empenhar a sua crença profissional em coisas que não acredita, ele está preparado para a execução de qualquer outro crime”.

A formulação de T.H. Huxley foi:

“O fundamento da moralidade é […] renunciar a fingir que se acredita naquilo que não comporta evidências, e a repetir proposições ininteligíveis sobre coisas que estão além das possibilidades do conhecimento”.

E mais para o final do artigo temos o “kit” (do qual mostro o início);

Na ciência, podemos começar com resultados experimentais, dados, observações, medições, “fatos”. Inventamos, se possível, um rico conjunto de explicações plausíveis e sistematicamente confrontamos cada explicação com os fatos. Ao longo de seu treinamento, os cientistas são equipados com um kit de detecção de mentiras. Este é ativado sempre que novas idéias são apresentadas para consideração. Se a nova idéia sobrevive ao exame das ferramentas do kit, nós lhe concedemos aceitação calorosa, ainda que experimental. Se possuímos essa tendência, se não desejamos engolir mentiras mesmo quando são confortadoras, há precauções que podem ser tomadas; existe um método testado pelo consumidor, experimentado e verdadeiro.

O que existe no kit? Ferramentas para o pensamento cético.

O pensamento cético se resume no meio de construir e compreender um argumento racional e – o que é especialmente importante – de reconhecer um argumento falacioso ou fraudulento. A questão não é se gostamos da conclusão que emerge de uma cadeia de raciocínio, mas se a conclusão deriva da premissa ou do ponto de partida e se essa premissa é verdadeira.

Eis algumas das ferramentas:

● Sempre que possível, deve haver confirmação independente dos “fatos”.

● Devemos estimular um debate substantivo sobre as evidências, do qual participarão notórios partidários de todos os pontos de vista.

● Os argumentos de autoridade têm pouca importância – as “autoridades” cometeram erros no passado. Voltarão a cometê-los no futuro. Uma forma melhor de expressar essa idéia é talvez dizer que na ciência não existem autoridades; quando muito, há especialistas.(…)

Veja mais em A Arte Refinada de Detectar Mentiras.

 

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Netvibes

Netvibes é um desktop online baseado na tecnologia AJAX e é um exemplo da chamada Web 2.0. Graças a sua tecnologia permite um alto nível de personalização, uma vez que nele é possível alterar o título da página, adicionar, mover, remover conteúdos dos mais variados etc. Entre os similares, estão o PageFlakes, o Live.com, da Microsoft, e os desktops do Yahoo e do Google.

Netvibes na Wikipedia

Ruby e Rails no Blinklist

Veja meus  social bookmarks sobre Ruby e Rails no Blinklist, uma aplicação similar ao del.icio.us.

NetBeans Collaboration Module

Veja uma análise em NetBeans Collaboration Module.

Mais…

RubyOnBr

Há um novo site sobre Ruby e Rails em português. É o RubyOnBr onde se quer começar uma comunidade em torno da linguagem Ruby.

Nulo, branco ou o que?

A campanha pelo voto nulo tem suscitado a campanha pelo voto consciente pelas autoridades e meios de comunicação num engajamento que pode até levantar uma suspeição: se o voto nulo não anula a eleição (a nulidade e o voto nulo só têm em comum o radical conforme atesta a lei eleitoral) de que têm medo as autoridades e afins? Têm medo da tese anarquista do esvaziamento moral do ato de votar e talvez mais das suas consequências no imaginário do eleitor. Se a democracia se restringe a votar e não permite (a não ser de forma extremamente dificultosa) grandes controles posteriores o eleitor a cada dia se descobre como “vaca de presépio” que não muge e nem dá leite. O eleitor talvez comece a reivindicar mais poder no processo todo do que apenas dar carta-branca periodicamente. Os anarquistas sonham com mais. Que uma destruição criativa surja daí. Alguém colocou de forma pragmática e cristalina seu dilema: não tinha nenhum candidato que merecesse sua confiança ou que tivesse minimamente propostas factíveis ou mesmo interessantes e, por isso, não queria votar em nenhum deles. Votar no menos pior, nestes tempos de nivelamento dos políticos a uma canalha, era também uma tarefa dificílima, as diferenças parecendo ser infinitesimais. Uma minoria de “andorinhas” que “não podem fazer o verão” também não representa uma solução contra uma revoada de abutres. E o que dizer do eleitor que não acredita mais no sistema? Os políticos é claro que acreditam no sistema pois se não iriam fazer outra coisa. Acreditam que podem mudar alguma coisa no interesse coletivo, de grupos ou até mesmo no interesse individual como está se tornando mais comum. O parlamento, mais exposto que o executivo e o judiciário dado o seu caráter verboso, é que aparenta mais a imundície reinante e talvez seja órgão que mais se mostre talvez dispensável: uma contradição já que a democracia é confundida bastante com um processo contencioso onde todos são iguais perante o direito de reclamar e argumentar. Na execução a história é outra e o totalitarismo burocrático muitas vezes se impôe. Lênin, citado um pouco fora do contexto, parece estar congelando para sempre um juízo contundente sobre o parlamento e suas relações com outros poderes e com a “plebe”:

(…) a verdadeira tarefa “governamental” é feita por detrás dos bastidores, e são os ministérios, as secretárias, os estados-maiores que a fazem. Nos parlamentos, só se faz tagarelar, com o único intuito de enganar a “plebe”. Tanto isso é verdade que, mesmo na república burguesa democrática, todos esses pecados do parlamentarismo já se fazem sentir, antes mesmo que a república tenha conseguido criar um verdadeiro parlamento. (…)

Lênin, em O Estado e a Revolução,

3. Supressão do Parlamento

Veja também Eleições e democracia.

 

Armandinho e Yamandu

Ontem fui ao show de Armandinho e Yamandu no Teatro Tobias Barreto. Já tinha ouvido Yamandu em CD quando estava em Floripa e tinha gostado muito. O show foi ótimo inclusive pela participação de Armandinho.