Arquivo do mês: agosto 2010

Entrevistas com Nietzsche

Tive a idéia de procurar na Web simulações de entrevistas (imaginárias) com Nietzsche.

Achei que seria uma forma interessante de transformar aforismos em diálogos que, em geral, costumam ser mais atraentes para alguns tipos de leitores.

Em filosofia os diálogos são artisticamente mais difíceis de realizar como literatura porque quebram muito a fluência do pensamento de quem escreve. Mas uma entrevista tem um quê de superficialidade em relação à formulação do diálogo por tornar mais subliminar o jogo dialético (digamos socrático) baseado em refutações. Numa entrevista muitas vezes um entrevistador inteligente procura tornar-se uma escada (no sentido teatral) para o interlocutor. Minha idéia era criar eu mesmo, no futuro, uma entrevista que usasse, de forma não distorcida, os textos de Nietzsche como respostas a perguntas de um hipotético entrevistador.

Resolvi fazer uma busca na Web com o texto “entrevista com Nietzsche” e achei coisas interessantes tanto na direção pretendida como em outras que surgiram como “presas” não previstas pelo “tiro” com o buscador. Abaixo o que encontrei:

O texto alcançado pelo primeiro link é o que mais se aproximou do que eu tinha pensado.

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Joey Skaggs


Na “era da informação” não há como diferenciar o que é desinformação. O termo “informação” já carrega no seu bojo uma “vontade de verdade”. Não seria informação se não fosse “verdade” (desculpem o “pântano” de aspas, mas é necessário). Não existe um DNA para um teste de paternidade (chega de aspas) capaz de dirimir dúvidas. O mundo louco em que vivemos supera nossas fantasias mais arrojadas e nos torna crédulos para as maiores bizarrices: credo quia absurdum est (creio porque é absurdo)”. Joey Skaggs não nos deixa esquecer nossa falibilidade em tal assunto.

“A mídia não é apenas a mensagem. A mídia é uma massagem. Estamos constantemente sendo acariciados, manipulados, ajustados, realinhados, e manobrados.”
Joey Skaggs

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Estilo

Procurando o significado de uma palavra da qual tinha alguma idéia mas que queria tornar exata me deparo com um texto hilariante. Dupla ignorância e vergonha me acossaram: a de não saber com exatidão e de memória o significado de tal palavra e por não ter antes tomado contato com este texto muito divertido e admirável.

Era uma vez um mestre-escola, residente em Chapéu d’Uvas, que se lembrou de abrir entre os alunos um torneio de composição e de estilo; idéia útil, que não somente afiou e desafiou as mais diversas ambições literárias, como produziu páginas de verdadeiro e raro merecimento.

— Meus rapazes disse ele. Chegou a ocasião de brilhar e mostrar que podem fazer alguma coisa. Abro o concurso e dou quinze dias aos concorrentes. No fim dos quinze dias, quero ter em minha mão os trabalhos de todos; escolherei um júri para os examinar, comparar e premiar.

— Mas o assunto? perguntaram os rapazes batendo palmas de alegria.

— Podia dar-lhes um assunto histórico; mas seria fácil, e eu quero experimentar a aptidão de cada um. Dou-lhes um assunto simples, aparentemente vulgar, mas profundamente filosófico.

— Diga, diga.

— O assunto é este: — UM CÃO DE LATA AO RABO. Quero vê-los brilhar com opulências de linguagem e atrevimentos de idéia. Rapazes, à obra! Claro é que cada um pode apreciá-lo conforme o entender.

O mestre-escola nomeou um júri, de que eu fiz parte. Sete escritos foram submetidos ao nosso exame. Eram geralmente bons; mas três, sobretudo, mereceram a palma e encheram de pasmo o júri e o mestre, tais eram — neste o arrojo do pensamento e a novidade do estilo — naquele a pureza da linguagem e a solenidade acadêmica — naquele outro a erudição rebuscada e técnica — tudo novidade, ao menos em Chapéu d’Uvas. Nós os classificamos pela ordem do mérito e do estilo. Assim, temos:

1º Estilo antitético e asmático.
2º Estilo ab ovo.
3º Estilo largo e clássico.

Para que o leitor fluminense julgue por si mesmo de tais méritos, vou dar adiante os referidos trabalhos, até agora inéditos, mas já agora sujeitos ao apreço público.

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Ainda há catástrofes naturais?

Quanto a Günther Anders, ao regressar de Hiroxima em 1958 escrevia: «O carácter inverosímil da situação é de cortar o fôlego. No mesmo instante em que o mundo se torna apocalíptico, e isto por culpa nossa, oferece a imagem… de um paraíso habitado por assassinos sem maldade e por vítimas sem ódio. Em nenhuma parte há traços de maldade, não há senão escombros.» E Anders anuncia: «A guerra por teleassassinato que aí vem será a guerra mais despojada de ódio que alguma vez aconteceu na história […] esta ausência de ódio será a ausência de ódio mais inumana que alguma vez existiu; ausência de ódio e ausência de escrúpulos serão uma só.»

Dupuy em Ainda há catástrofes naturais?

Ao ler o artigo acima consegui entender melhor Dupuy. Quero até me redimir de um préconceito velado em um post  anterior. Livrar-se do conceito de uma moral absoluta, pregada pelas religiões, é um parto para quase toda uma vida. Mas outra moral absoluta subliminarmente se impõe nos tempos atuais: a ciência. Um respeito dogmático por tudo que é rotulado como ” científico” é mais difícil de se contrapor. A ciência e seu braço tecnológico, a tecno-ciência, é a nova religião do homem massa de Gasset.

Outro conceito que clareou minha mente foi o do “mal sem ódio”. Uma idéia fantasiosa me ocorreu. Imaginar um grupo de garotos jogando video games de guerra enquanto seus gestos exímios comandavam uma guerra real, sem que o saibam. Nenhum ódio seria necessário. Só a técnica e a vontade do lúdico. A competição neutra de um game.

Hiper

No dia 18 de agosto passado fui assistir Poesia no SESI (que acontece nas quartas, 12:00).

Neste mês estão homenageando Bukowski.

Normalmente distribuem brindes para quem responde corretamente uma pergunta sobre o homenageado e sua obra. Desta vez ganhei o livro de poesias Hiper. Respondi rápido o nome do personagem alter ego do Bukowski: Chinaski. Tinha acabado de ler o livro Misto quente.

No livro Hiper, dentre várias poesias que gostei, gostaria de citar uma que tem um “achado” interesssante:

Hedonismo

À minha frente, à esquerda,

a minha frente, esquerda:

imagem invertida,

apenas um duplo,

amor limitado,

coisa pouca,

Espelho

só se pode beijar na boca

Eduardo Tornaghi

A invenção das crenças

O Ciclo “Mutações – A origem das crenças” de hoje, 16 de agosto debaterá sobre “Fé e saber”, com a presença do professor Oswaldo Giacoia Junior.

“Mutações: a invenção das crenças” vai debater um dos efeitos da revolução tecnocientífica que está na mudança das ideias e práticas da crença. No caso, entendendo-se por crença não apenas as religiões, mas também, e principalmente, os ideais políticos, os valores morais e éticos, as novas visões do mundo, as construções imaginárias nas artes, enfim, tudo aquilo que Paul Valéry define como coisas vagas, tudo que se opõe aos fatos ou à “realidade”.

O seminário vai reunir no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, alguns dos mais importantes pensadores brasileiros e estrangeiros que, a convite de Adauto Novaes, tem trabalhado o tema das Mutações.

Confira a programação (RJ):

  • Fé e saber, Oswaldo Giacoia Junior 16 ago
  • Ciência e religião: crença contra crença? Sergio Paulo Rouanet    17 ago
  • Armadilhas da história universal, Marcelo Jasmin    18 ago
  • Evidência, experiência e criação do espaço público, Renato Lessa    23 ago
  • Crenças e substituição, Abdelwahab Meddeb    24 ago
  • As portas da crença, Pascal Dibie    25 ago
  • Opinião e crença, Marcelo Coelho    30 ago
  • A crença no melhor argumento: sobre o fundamento fantasmático da autoridade, Vladimir Safatle 31 ago
  • Sagração da economia, violência sem limites, Jean-Pierre Dupuy 1 set
  • Sobre a religião, a política e a ciência, Frédéric Gros    8 set
  • Incerteza e descrença, Luiz Alberto Oliveira    13 set
  • Santo combate, Eugênio Bucci     14 set
  • Crença na palavra, aposta no sujeito, Maria Rita Kehl    15 set
  • A crença e o ócio, Olgária Matos    20 set
  • Razão crítica, razão instrumental e crença, Antonio Cicero    21 set
  • Crenças e crendices em Wittgenstein, João Carlos Salles    22 set
  • Aquém e além da razão (Europa na China – ida e volta), François Jullien    27 set
  • Ceticismo, erro, verdade, José Raimundo Maia Neto    28 set
  • Triste e sorridente metafísica, Jorge Coli    29 set

Fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=10530&sid=672

Nossa Senhora do Offline