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Escala versus complexidade

 

O artigo O mundo está muito complexo, de Denis Russo Burgierman, me chamou a atenção para o trabalho Y. Bar-Yam sobre a complexidade. A abordagem pela dicotomia escala versus complexidade parece bem poderosa e explicativa.

O mundo está muito complexo

Aposto que você também notou: viver está complicado. É muita senha, muita informação, muito ódio, muita opção, muita novidade, muito problema que parece ser insolúvel. Por quê? E tem cura?

Por Denis Russo Burgierman
Publicado em 29 jun 2014, 22h00

angustiaTenho quase certeza de que você sabe do que eu estou falando. Uma certa angústia, uma sensação de que tudo está escorregando do controle. E também uma pitada de desânimo com a ordem geral do mundo, como se não adiantasse fazer nada, porque qualquer esforço vai se perder numa série de consequências inesperadas, e pode até acabar tendo efeito contrário ao pretendido. Caceta, de onde vem isso?

trc3a2nsito1A vida está complicada demais. É muita senha para decorar, muita lei para seguir, muita conta para pagar. É muito trânsito. Muito carro na rua, disputando espaço com caminhão de lixo, e é também muito lixo na calçada à espera de alguém que o recolha. É muito risco, muito crime, muita insegurança.

sistemas-de-gestao-complicado-ou-complexoÉ muito partido político, e nenhum deles parece minimamente interessado nas coisas que são importantes para você. É muita opção de trabalho, mais do que em qualquer momento da história, e ao mesmo tempo é muito difícil encontrar um trabalho que faça sentido. É muita doença estranha de que eu nunca antes tinha ouvido falar, e muita gente morrendo disso. É muita indústria tradicional, de ares eternos, desmoronando de um segundo para o outro. É muita gente saindo da escola sem saber ler nem fazer conta. É muito problema, e cada um parece impossível de resolver. Estou surtando? Só eu estou sentindo isso?

É complexo, mano

examplesPor outro lado, o mundo está cheio de possibilidades, inclusive a de acessar informação ao toque de um dedo. Dei um google, encontrei um texto chamado Complexity Rising (“O aumento da complexidade”), do físico americano Yaneer Bar-Yam, fundador do Instituto de Sistemas Complexos da Nova Inglaterra.

Arrá, está lá: o mundo está mesmo ficando mais complexo, não é paranoia minha. O texto explica o que é complexidade: é o número de coisas conectadas umas às outras. Quanto mais partes um sistema tem, e quanto mais ligações existem entre essas partes, mais complexo ele é. Um exemplo de coisa complexa é o recheio do seu crânio: 86 bilhões de neurônios, cada um deles conectado a vários outros, um emaranhado quase infinito de possíveis caminhos a percorrer.

homo-sapien-huntersSegundo Bar-Yam, a sociedade humana vem constantemente aumentando de complexidade há milênios. No início, quando vovô era caçador-coletor e dava rolezinho na savana africana, vivíamos em grupos de no máximo umas dezenas de pessoas, e cada grupo era basicamente isolado dos outros. A complexidade da sociedade era mínima. Diante disso, nossas estruturas de controle eram bem simples. No geral, um chefe mandando e todo o resto da turma obedecendo – um general e os soldados, um chefe e a ralé.

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Mas a moleza não durou. Primeiro surgiram impérios vastos (Egito, Mesopotâmia, China, Índia) com maior diversidade de necessidades e papéis sociais (escribas, escultores, cozinheiros, prostitutas). A complexidade foi aumentando.

Diante disso, já não funcionava mais o sistema simples de controle direto. Segundo Bar-Yam, existe uma lei universal e sagrada dos sistemas complexos: “a complexidade de um sistema realizando uma tarefa deve ser tão grande quanto a complexidade da tarefa”. Como um faraó é menos complexo do que a sociedade egípcia, não seria possível para o faraó regular e controlar todos os aspectos dessa sociedade. Por isso, foram surgindo hierarquias intermediárias: o mestre de obras para organizar a peãozada, o capitão de navio para mandar na marujada, a madame para cuidar das garotas.

hierarquia_da_empresa_sakarolhaE a humanidade seguiu ficando cada vez mais complexa, mais intrincada, mais especializada. E, para dar conta disso, as hierarquias foram ganhando mais e mais níveis – diretor, vice-diretor, gerente, subgerente, auxiliar, terceiro-auxiliar do subgerente do vice-diretor. Só assim para cada chefe lidar com a complexidade do que está abaixo dele. Até chegar a hoje, quando vivemos na sociedade mais complexa de todos os tempos. Só que aí as hierarquias pararam de funcionar – colapsaram. O mundo ficou tão complexo que ficou impossível para um chefe dominar a complexidade abaixo dele.

Quando Bar-Yam tornou-se especialista em sistemas complexos, na década de 1980, esse não era um ramo glamouroso da ciência. Os físicos preferiam áreas ultraespecializadas e achavam o estudo de grandes sistemas uma coisa meio esotérica. Ele insistiu e sua dedicação valeu a pena. No mundo complexo de hoje, Bar-Yam e seu instituto estão atraindo um monte de clientes importantes.

O exército americano procurou-o para entender como lutar contra inimigos ligados em rede, misturados à população civil em cidades labirínticas – situação bem mais complexa do que as guerras de antigamente. Bar-Yam também tem trabalhado como consultor na reforma dos sistemas de saúde e educação dos Estados Unidos, na estratégia do Banco Mundial para ajuda humanitária e na concepção de grandes projetos de engenharia. Não está faltando trabalho.

Parecia o sujeito certo para resolver meu problema. Escrevi um e-mail para ele, perguntando se há “algumas regras simples que ensinem a lidar com complexidade?” (editores de revistas adoram fórmulas simples). Bar-Yam já chegou detonando: “não há regras simples para lidar com o que é complexo”. Mas, se eu quisesse aprender os princípios gerais da gestão da complexidade, eu poderia comprar o livro dele, Making Things Work (“Fazendo as coisas funcionarem”, sem versão em português).

225x225bbComprei. O livro é ótimo. A tese central é que todo sistema complexo tem duas características: a escala e a complexidade. Para fazer um sistema complexo funcionar, é preciso ter uma estratégia para a escala e outra para a complexidade.

Exemplo: o corpo humano tem dois sistemas de proteção, um para escala, outro para complexidade. O sistema neuromuscular (cérebro comandando nervos que acionam músculos que movem ossos) serve para escala, enquanto o sistema imunológico (glóbulos brancos independentes agindo cada um por conta própria) lida com complexidade. O neuromuscular nos defende de ameaças grandes – surras, atropelamentos, ladrões. O imunológico lida com inimigos minúsculos – bactérias, vírus, fungos. Por terem funções diferentes, os dois sistemas adotam estratégias diferentes.

No neuromuscular, a lógica é hierárquica, centralizada e linear – o cérebro manda, nervos e músculos obedecem, todos juntos, orquestrados, somando esforços numa mesma direção, para gerar uma ação em grande escala (um soco, por exemplo). Já no sistema imunológico, cada célula age com liberdade e se comunica com as outras, o que gera milhões de ações a cada segundo, uma diferente da outra, cada uma delas microscópica, em pequena escala – e o resultado final é uma imensa complexidade, com o corpo protegido de uma quantidade quase infinita de possíveis ameaças.

Para viver saudável é preciso ter os dois sistemas: neuromuscular e imunológico. Um sem o outro não adianta. Não há nada que um bíceps forte possa fazer para matar uma bactéria, assim como glóbulos brancos sarados são inúteis numa briga. É assim com todo sistema complexo: precisamos de algo hierárquico para lidar com a escala das coisas, e de algo conectado em rede para a complexidade.

O problema do mundo de hoje, e a razão para o desconforto descrito no começo deste texto, é que nossa sociedade está toda ajustada para lidar com escala, mas é absolutamente incompetente na gestão da complexidade. Estamos combatendo infecção a tapa. Tudo por causa de uma invenção que está completando 100 anos.

O século da escala

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Foi talvez a invenção mais transformadora da era contemporânea, mas ninguém registrou o nome do inventor, nem a data do “eureca”. Na verdade, ninguém nem mesmo deu um nome ao invento. Só cerca de um ano depois, uma revista técnica de engenharia fez o batismo: linha de montagem.

9780262018715_0Segundo as pesquisas do historiador David Nye em seu livro America’s Assembly Line (“A linha de montagem da América”, sem versão em português), a invenção da linha de montagem ocorreu em algum momento de novembro de 1913. A dificuldade de estabelecer uma data precisa vem do fato de que a invenção foi gradual, coletiva e aconteceu quase espontaneamente. Ela não foi uma ideia espocando do nada na mente de algum cientista brilhante – foi uma resposta social a uma necessidade premente.

A necessidade era aumentar a produção de carros. Em 1900, só 5 mil americanos tinham carro – apenas 13 anos depois, já eram mais de 1 milhão. Centenas de fábricas trabalhavam sem parar para atender a essa explosão da demanda, mas ainda assim as fábricas recebiam mais pedidos do que eram capazes de atender. Isso gerou uma corrida entre as fábricas por ganhos de produtividade.

Quem ganhou essa corrida foi a empresa de um mecânico chamado Henry Ford. No esforço de poupar segundos e assim fazer mais carros por dia, os mecânicos e engenheiros da Ford foram aprimorando seu processo. Começaram a padronizar milimetricamente cada peça do carro, para acelerar os encaixes. Cronometraram cada movimento dos mecânicos, para descobrir o melhor jeito de fazer cada tarefa. E, a cereja do bolo: inverteram a lógica da fábrica. Em vez de grupos de mecânicos andando de uma carcaça a outra para montar os carros, eram os carros que se moviam num trilho, puxados por cordas, no meio de um corredor de mecânicos. Cada mecânico realizava uma tarefa curta e repetitiva, de maneira que nenhum deles tinha mais o domínio do processo todo. Resultado: a fábrica começou a despejar nas ruas um carro novo a cada minuto.

Em 1910, a Ford tinha feito 19 mil carros. Em 1911, 34 mil. Em 1912, 76 mil. Em dezembro de 1913, a linha de montagem começou a operar. Em 1914, a empresa montou 264.972 carros – todos idênticos. Um aumento de produtividade descomunal, que possibilitou a Henry Ford dobrar o salário de seus operários e ao mesmo tempo baixar o preço dos carros, transformando operários em clientes.

O sucesso foi tão grande que, nas décadas que se seguiram, a lógica da linha de montagem se espalhou por toda a indústria, em todo o mundo. Bicicletas, geladeiras, telefones, televisores passaram a ser montados em esteiras rolantes ou trilhos, com peças sempre iguais montadas por trabalhadores superespecializados. Até mesmo a comida se encaixou nesse esquema: nossos alimentos também passaram a ser padronizados e montados industrialmente com acréscimos químicos de nutrientes. Prédios passaram a ser produzidos com peças idênticas e tarefas cronometradas, o que inaugurou a era dos arranha-céus nos anos 30.

supermercadoNossa vida está cheia de linhas de montagem – o carrinho do supermercado passando entre corredores de produtos, o automóvel trafegando em rodovias rodeadas de lojas, as filas de carros nos drive-thrus do mundo. Ao longo do último século, a lógica da linha de montagem chegou a todas as esferas da vida.

5kmd0a4rs7pz9gp09w1vubefcA educação, por exemplo. “As escolas hoje são organizadas como fábricas”, disse o educador britânico Ken Robinson numa palestra no TED. “Educamos crianças em lotes”, disse, referindo-se ao hábito de separar os alunos em séries. Saúde, governo, cidades, cultura, ciência. Praticamente tudo nessa alvorada do século 21 parece seguir o mesmo esquema: divisão do trabalho numa sequência linear de tarefas especializadas, montagem gradual das peças, ganhos constantes de eficácia, produtos padronizados. “A linha de montagem passou a ser muito mais que um arranjo físico de máquinas”, disse Nye. “Ela é o centro de um sistema cultural que se estende até muito além dos portões das fábricas.” Esse sistema cultural aumentou de maneira explosiva a escala de tudo.

E esse aumento de escala mudou o mundo de uma maneira espetacular. Quando os funcionários da Ford conceberam a linha de montagem, havia menos de 2 bilhões de pessoas no mundo inteiro. Hoje, apenas um século depois, já passamos dos 7 bilhões – um aumento populacional quase inacreditável que só foi possível graças a um espetacular ganho global de produtividade.

A produção de comida, de casas e de bens de consumo aumentou astronomicamente para atender tanta gente. E, mesmo com a explosão populacional, hoje a proporção de pessoas no mundo com acesso a saúde e educação é maior que nunca, graças ao ganho de escala alcançado pelos serviços públicos. A população global produz mais, consome mais, vive mais, sabe mais do que em qualquer outro período da história humana. Esse é o resultado de 100 anos da era da escala. Sob muitos aspectos, foi o maior salto de progresso da história da humanidade. Por que então o mal-estar?

O século da complexidade

Lembre-se do que Bar-Yam escreveu: todo sistema complexo precisa ter uma estratégia para lidar com escala e outra para a complexidade. A linha de montagem é como o sistema neuromuscular – ótima para escala.

Ela é linear e hierárquica – são os executivos que mandam nos engenheiros, que por sua vez controlam os mecânicos, assim como o cérebro comanda nervos que acionam músculos. Por isso, ela só consegue dar uma resposta de cada vez: um soco no caso do sistema neuromuscular, um carro sempre idêntico no caso da linha de montagem. Nossa sociedade moldada ao longo dos últimos 100 anos à imagem da linha de montagem é ótima para ações de escala, mas não tem flexibilidade alguma para lidar com complexidade. Estamos sem sistema imunológico.

“É fácil ficar pessimista com o mundo de hoje”, diz Bar-Yam. Em meio às inúmeras linhas de montagem que dominam a humanidade, parece que toda a complexidade do mundo está fugindo do nosso controle, enquanto nos sentimos impotentes para resolver problemas à nossa volta. É essa a história que o ilustrador Marcio Moreno procurou contar no desenho surreal que percorre estas páginas [As imagens citadas não foram localizadas].

 

Por todo lado, há exemplos de ações de escala que acabam esmagando a complexidade. Por exemplo: nosso modelo de produção industrial, que aumentou prodigiosamente nossa capacidade de fazer coisas, mas está causando um acúmulo global de lixo e gases de efeito estufa e levando milhares de espécies à extinção e quase todos os ecossistemas ao colapso. Ou nossas tentativas industriais de aumentar a segurança, o que hiperlotou o mundo de regras impossíveis de cumprir e de senhas impossíveis de lembrar.

Ou nossos sistemas de alimentação e saúde, que focaram tanto na escala da produção de alimentos, de maneira a baratear a comida, que a complexidade dos micronutrientes se perdeu. E hoje, pelo visto, estamos pagando o preço, com a explosão das “doenças complexas”: males difusos, de causas múltiplas, como câncer, doenças autoimunes, degenerativas e psiquiátricas.

Ou ainda nosso sistema de educação, concebido com uma lógica linear e padronizadora, para formar alunos idênticos, todos com os mesmos conhecimentos. Além de nivelar por baixo, detonando a qualidade da educação, esse modelo padronizador é justamente o contrário do que nosso mundo complexo precisa hoje – gente diversa, capaz de resolver problemas diversos.

Segundo Bar-Yam, desde o tempo das cavernas, sempre que algo começa a pifar porque a complexidade fica grande demais, “temos uma forte tendência de tentar descobrir quem é o responsável. Alguém tem que ser demitido, alguém tem que pagar, alguém tem que ser punido”, diz. E aí escolhemos um novo chefe ou criamos uma nova hierarquia para lidar com o problema. Só que hierarquias são péssimas para gerir complexidade. O único jeito de lidar com sistemas complexos é criando estruturas de controle complexas: redes de gente com autonomia de identificar e resolver problemas.

Perguntei a Bar-Yam como o Brasil deveria lidar com nossos frustrantes políticos. Ele respondeu que o problema não é só do Brasil. “Precisamos de um novo tipo de democracia”, disse. “Nossa democracia usa o voto para agregar a capacidade de decisão da população. Isso não é eficiente, porque reduz uma grande quantidade de informação (o conhecimento de todos os cidadãos) a um pequeno número de respostas (os seus representantes)”. Faria mais sentido imaginar um sistema político mais imunológico, no qual cada cidadão reage com autonomia às ameaças que enxerga, como um glóbulo branco. Política, economia, saúde, educação, sustentabilidade, clima, cidade. Em todo lugar onde há complexidade, parece estar ocorrendo uma espécie de colapso. Mas, assim como aconteceu 100 anos atrás com a linha de montagem respondendo à nossa necessidade de escala, desde a década de 1990, uma série de inovações parece estar surgindo espontaneamente em resposta à nossa necessidade de complexidade. Primeiro veio a internet, que nos conectou em rede, criando uma alternativa para as estruturas hierárquicas. E agora as inovações estão pipocando.

Tem todos os esquemas de compartilhamento de recursos – quartos, casas, carros, bicicletas, ferramentas, espaço para trabalhar – nos ajudando a otimizar o uso de recursos. Tem os moradores que assumem a responsabilidade por cuidar dos espaços públicos e criam praças melhores do que qualquer prefeito seria capaz. Tem os sites de crowdfunding, crowdsourcing e as outras formas de colaboração criativa, que geram um novo modelo de indústria. Tem os aplicativos de trânsito, como o Waze, que dão a cada motorista o poder de encontrar um caminho que flui, o que acaba melhorando o trânsito como um todo. Tem as redes de pacientes de doenças raras, trocando informações pela internet e muitas vezes ajudando uns aos outros mais do que nosso sistema superespecializado de medicina. Tem as manifestações parando as ruas do mundo e forçando os dirigentes políticos a repensarem sua relação com os cidadãos. Tem as grandes empresas, trocando o comando vertical por estruturas de controle mais distribuído.

E, em 2014, o mundo parece estar preparado para uma transformação profunda – possivelmente tão profunda quanto aquela de 1914. Talvez aí essa angústia com a complicação da vida passe. “Quando somos parte de um time complexo, o mundo se torna um lugar notavelmente confortável, porque conseguimos agir de maneira eficaz, ao mesmo tempo em que estamos protegidos da complexidade do mundo”, diz Bar-Yam. Enquanto isso não acontece, talvez ajude saber que a origem do problema não está em nós. É o mundo que está organizado errado.

A primeira linha

Já entramos na vida por uma linha de montagem. O Brasil é um dos países que mais fazem partos por cesárea, o que permite um ritmo industrial: procedimentos rápidos e padronizados, com hora marcada, e mulheres anestesiadas, para não atrapalharem o processo.

Alunos idênticos

A educação básica é padronizadora, com alunos divididos em séries (lotes), e o mesmo conteúdo ensinado a todos. Alunos com talentos únicos são enquadrados, nivelando o sistema por baixo e reduzindo a diversidade da sociedade.

Doping escolar

Num modelo industrial de educação, é desejável que os alunos sejam padronizados, assim como as peças numa linha de montagem. Talvez isso explique a “epidemia” de déficit de atenção nas crianças ocidentais. Remédios psiquiátricos então “padronizam” o temperamento.

Mundo hierárquico

A educação produz adultos talhados para uma sociedade hierárquica – uns são formados para mandar, outros para obedecer, como exige a sociedade industrial. Quase ninguém aprende a trabalhar de forma colaborativa e a resolver problemas juntos, como exige o mundo complexo.

Engarrafamento sem fim

Num mundo hierárquico, as pessoas são obcecadas por sinais de diferenciação social – e o mais poderoso deles é o carro. Não é à toa que 10 mil novos carros chegam às ruas do Brasil por dia, e que como consequência a velocidade média de um carro seja equivalente à de uma galinha.

Consumo em massa

Numa sociedade industrial de escala, não basta haver produção em massa – o consumo precisa ser em massa também. Por isso, os maiores prédios dos nossos tempos, equivalentes às catedrais na Idade Média, são os shopping centers, que se transformaram nas áreas preferidas para o lazer. E haja rolezinho.

A última linha
A vida segue com sua lógica industrial até o final. A maioria das pessoas morre em UTIs de hospitais, depois de uma longa e cara agonia que quase sempre consome mais recursos do que todos os gastos médicos de uma vida inteira. UTIs são lugares impessoais, que mantêm os pacientes longe das pessoas que importam para eles.

Super Interessante

O flagelo da agricultura

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Há algum tempo citei o Manning e agora encontrei uma excelente entrevista com o autor (em abril de 2004). Inicialmente colocarei aqui uma tradução automática que aos poucos irei burilando. [Atualização: revisão completada].

Vejo uma relação de afinidade com o filme Demain no que toca à agricultura. Manning não propões abandonar a agricultura. Mas imprimir uma direção correta. Como também é feito no filme, que não critica a agricultura em geral mas a forma atual com ênfase na monocultura, antagônica da diversidade, chave para a sustentabilidade. Ao escrever este post em paralelo com o relativo ao filme Demain [a publicar] notei uma afinidade imensa, como se o que está na entrevista, e talvez no livro [que ainda não li], fosse precursor do filme. Nos post sobre o filme Demain (de 2015) exploro mais esta, suposta por mim, afinidade.

O flagelo da agricultura

Richard Manning argumenta que olhar para o que a “natureza já imaginou” poderia ser a solução para um mundo devastado pela agricultura.

O conceito do selvagem nobre existe há algum tempo na nomenclatura da civilização ocidental. Na cultura popular, a frase pode conjurar imagens de índios americanos de filmes como Dances with Wolves , ou aborígenes de The Gods Must Be Crazy . Um nativo escassamente vestido corre ao redor da mata com um arco e flecha, vivendo uma vida simples que é melhor descrita como “próxima à natureza”. Mas de onde exatamente nossa concepção de povos tribais como inerentemente “nobre” veio? E isto é exato?

Richard Manning, que escreveu extensivamente sobre cultura, agricultura e meio ambiente, acredita que “o selvagem nobre” não é uma maneira particularmente satisfatória de descrever os povos tribais. “É mais complicado do que isso”, diz ele. No entanto, em seu novo livro, Contra o Grão: Como a Agricultura seqüestrou a civilização , ele cita o caso de tribos – particularmente tribos caçadoras-coletoras – que vivem de forma fundamentalmente sustentável, considerando que o sistema social que se desenvolveu com o advento da agricultura gerou desigualdade e fome, e teve um imenso impacto ambiental em um período de tempo (cerca de 10.000 anos) que contrasta com a história da vida humana no planeta (cerca de 4 milhões de anos). Enquanto os argumentos contra a agricultura ganharam força nas últimas décadas, centraram-se principalmente no debate sobre os desenvolvimentos do século XX, como a Revolução Verde ou as culturas geneticamente modificadas. O escopo da Manning é muito mais amplo do que isso, e se estende à própria origem das sociedades agrícolas. Ele argumenta que ocorreu uma grande mudança entre os seres humanos quando descobrimos a agricultura – e começamos a avançar em direção a um ethos de domínio baseado na prática da domesticação.

“A domesticação é uma evolução humana”, escreve Manning, “uma mudança fundamental na qual a seleção humana exerce pressão suficiente sobre a planta selvagem que é visivelmente e irreversivelmente alterada, seus genes são alterados”. Paradoxalmente, Manning explica que a domesticação ajudou a criar uma sociedade que foi ainda mais afetada pelos caprichos da natureza do que pelas sociedades caçadoras e coletoras. Isso ocorre porque o tipo de agricultura que viemos praticar estava vinculada a uma relação catastrófica com a Terra: o desmatamento de grandes extensões de terra para colocar uma única planta. Essa prática começou a destruir a diversidade – a força fundamental de todos os sistemas naturais.

Em Contra o Grão , Manning olha além dos efeitos ambientais da agricultura e da civilização, que já foram bem documentados, e explora o que essas invenções têm feito para a qualidade da vida humana no planeta. A agricultura nos deu o excedente, o excedente nos deu riqueza, e a riqueza nos deu hierarquias que necessariamente criaram uma subclasse. “Se quisermos buscar maneiras pelas quais os seres humanos diferem de todas as outras espécies, essa dicotomia [entre ricos e pobres] lideraria a lista”, escreve Manning. “A evolução não nos capacita para lidar com a abundância”. A agricultura industrial mostrada na América do século XX – alimentada por subsídios do governo e o “dumping” de grãos excedentes em mercados estrangeiros e caracterizada pela mudança para alimentos processados ​​- resultou na obesidade do mundo desenvolvido e na desnutrição dos em desenvolvimento. Os leitores podem achar as soluções propostas por Manning para os problemas causados ​​pela agricultura surpreendentes. Embora se possa esperar que ele encoraje a civilização a abandonar a agricultura em favor de algo mais “nobre”, nesta entrevista ele sugere que devemos abraçá-la. Na verdade, a chave para combater os problemas que criamos através da agricultura consiste em utilizar as manipulações ambientais que nós confiamos para domesticar nosso ambiente – mas de maneiras diferentes.

Manning é o autor de Last Stand, A Good House, Grassland, One Round River, e Food’s Frontier. Ele mora em Montana. Falamos por telefone em 5 de março de 2004.

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Richard Manning

Achei seu subtítulo, “Como a agricultura seqüestrou a civilização”, um pouco confuso, já que você parece dizer que a agricultura e a civilização são basicamente sinônimas. Você pode explicar o que você quis dizer?

Na verdade, eu concordo com você. No entanto, há uma ressalva interessante para isso: sempre pensamos que a agricultura permitiu o sedentarismo, o que deu às pessoas tempo para criar civilização e arte. Mas a evidência que está emergindo do registro arqueológico sugere que o sedentarismo veio primeiro, e depois a agricultura. Isso ocorreu perto das foz dos rios, onde as pessoas dependiam de frutos do mar, especialmente o salmão. Estas foram provavelmente culturas extremamente abundantes que tiveram uma enorme quantidade de tempo de lazer – eles apenas tiveram que esperar que as corridas de salmão ocorressem. Existem alguns bons registros dessas comunidades, e dos restos de esqueleto podemos ver que eles conseguiram até 95 por cento de seus nutrientes de fontes de salmão e derivados do oceano. Ao longo do caminho, eles desenvolveram arte altamente refinada – algo que sempre associamos à agricultura.

A descoberta da agricultura, você escreve, levou a uma mudança na forma como interagimos com o nosso ambiente, em direção a um ethos de “dominância”. É difícil não imaginar a agricultura como algo que reflete um impulso inerente dentro do homem para derrotar, ou pelo menos, domar a natureza. Mas você também argumenta que o desenvolvimento da agricultura foi apenas “oportunismo”. A agricultura vem do desejo de dominar, ou foi apenas uma grande coincidência?

Podemos abordar isso com cerca de cinquenta ângulos diferentes e não apresentar uma resposta satisfatória. Mas acho que é realmente importante pensar nesses termos. Uma visão é dizer que todo o dano que vemos no planeta é o resultado de nossos números e da natureza humana – e que a agricultura é o pior sintoma da condição humana, porque tem o maior impacto no planeta. Nesta análise, não culpamos a agricultura – culpamos os humanos.

Mas não acho que seja essa a explicação completa. Isso fica muito mais rico quando você olha a co-evolução: não são apenas genes humanos no trabalho aqui. São genes de trigo e genes de milho – e como eles têm uma influência sobre nós. Eles aproveitaram nossa capacidade de viajar, nossa inventividade, nossa capacidade de usar ferramentas, viver em um amplo número de ambientes e nossa enorme necessidade de carboidratos. Devido à capacidade dos nossos cérebros, fomos capazes de espalhar não só nossos genes, mas também os genes do trigo. É por isso que faço o argumento de que você tem que ver isso em termos do trigo que nos domina também. Esse processo co-evolutivo entre humanos e nossas culturas primárias de alimentos é o que criou a agricultura que vemos hoje.

O maior problema com a agricultura – e a civilização – parece ser o excedente que ela cria. Você faz questão de dizer que os seres humanos ainda não desenvolveram uma forma de lidar com o excedente. Você acha que algum dia iremos?

Desde que a civilização começou, o excedente esteve conosco. Uma espécie de “necessidade cega de excesso” tem conduzido nossa cultura exatamente na direção errada. Ele cria sociedades estratificadas. O CEO de uma empresa ganha mil vezes mais do que um de seus trabalhadores. Esse tipo de disparidade não existe em nenhum outro tipo de espécie. E isso sugeriria que não conseguimos melhorar o consumo do excedente – na verdade, ficamos piores nisso.

Lidar com excedentes é uma tarefa difícil. O problema começa com o fato de que, assim como o desejo sexual, o impulso alimentar aumentou na evolução. Se você tem uma necessidade profunda e ansiosa de comida, você vai se dar bem melhor do que seu vizinho, e ao longo dos anos esse gene será transmitido. Então você obtém essa criatura que ficou bem ajustada para realmente precisar de comida, especialmente carboidratos. O que nos leva à questão mais fundamental: podemos lidar com o açúcar? Ao fazer formas mais concentradas de carboidratos, estamos jogando em algo que é bastante viciante e poderoso. É por isso que somos tão obesos. Temos acesso a todo esse açucar, e simplesmente não podemos controlar a nossa necessidade, é genética.

Agora, podemos ganhar a capacidade de superar isso? Não tenho certeza. Você tem que adicionar a isso o fato de que há muito dinheiro a ser ganho por pessoas que sabem como concentrar o açúcar. Eles têm um interesse real em perceber que não superamos esses tipos de vícios. Na verdade, é assim que você controla as sociedades – você explora esse impulso básico para a alimentação. É assim que treinamos cães – se você quer fazer um cachorro se comportar corretamente, você o priva ou dá comida. Os seres humanos não são tão diferentes. Nós simplesmente gostamos de pensar que somos. Assim, como elemento de controle político, os alimentos e as imagens de alimentos são extremamente importantes.

E quanto ao controle religioso? Se a agricultura cria o excedente, o que cria hierarquias sociais, então, como a religião afetou isso?

O controle de um enorme suprimento de alimentos foi tecido na observância religiosa. No início da agricultura, foi o sacerdote que decidiu quando o plantio ocorreria, e todas as observações religiosas estavam voltadas para mudanças sazonais. Tudo é tecido em uma história muito rica – é mesmo em nossas orações: “Dê-nos hoje o nosso pão de cada dia”.

Mas a religião também entra em comportamento exibicionista. Parte disso é a abnegação que acompanha a observância religiosa. As pessoas são rápidas porque é o oposto do que as pessoas normais fariam, então é uma exibição de fidelidade. E embora eu não pretenda desprezar os vegetarianos, todos nós também vimos esse tipo de comportamento exibicionista: o vegetariano, por exemplo, que faz o pedido em voz muito alta em um restaurante para que todos saibam que ele é moralmente superior de alguma forma.

Isso é interessante. Você acha que o vegetarianismo tanto não é socialmente responsável como está falido?

Depende de como é feito. Nos EUA, usamos alimentos altamente processados ​​como substituições. Você sabe, creme de arroz e hambúrgueres de soja e tudo isso. Uma vez que você está nesse tipo de processo, então os ganhos de energia do vegetarianismo são removidos quase imediatamente. Mas além disso, você tem que olhar para a maneira como fazemos a agricultura nos EUA. Nós eliminamos enormes áreas de habitat. Iowa tem algo menos de 1% de seu habitat nativo. Bem, esse habitat sustentava animais selvagens. Então, você tem dificuldade em argumentar a favor do vegetarianismo como uma espécie de “bondade para com os animais” quando você está destruindo todo o habitat desse forma.

Se a agricultura e a civilização causaram tantos problemas, e os caçadores-coletores? O seu modo de vida funciona melhor?

Vamos considerar o que aconteceu na América. Quando os colonos europeus vieram aqui, tornou-se uma política muito ativa do governo tentar fazer com que os índios começassem a cultivar. Thomas Jefferson era explícito nisso, e ele não estava sozinho. Mas os índios simplesmente fugiram – e não só deixaram a agricultura branca, mas deixaram sua própria agricultura. Uma vez que eles tinham cavalos, eles tinham a opção de caçar muito mais efetivamente. Eles depuseram suas enxadas, e foram em seus cavalos, adentraram nas planícies ocidentais e tornaram-se nômades em lugares que não se via ninguém há anos. Eles se tornaram caçadores. Eles “descobriram algo”, ou eles conseguiram um acordo com a natureza que de alguma forma era sustentável? Não, é mais complicado do que isso, porque assim que o mercado de carne de caça entrou na área e permitiu que eles vendessem vestes de bisonte aos brancos, eles realmente participaram da extinção do bisonte – mesmo antes que os caçadores brancos entrassem em cena.

Mas mesmo essa prática foi resultado do contato com a civilização.

E habilidade. Assim, uma vez dada a tecnologia, o mercado e a capacidade de explorar esse recurso de uma maneira diferente, eles simplesmente aproveitaram.

Então, há algo que a civilização pode aprender com o modo de vida tribal?

Sim, acho que há algo realmente importante que as culturas caçadoras e coletoras aprenderam de que poderíamos nos beneficiar. É a ideia fundamental da insegurança. Nós negociamos uma enorme quantidade de liberdade em nossa sociedade por segurança. Esse é sempre o trade-off. É nossa incapacidade de lidar com nossa falta de controle sobre como e quando morremos, que é fundamentalmente responsável por tudo isso. Então, desistimos de muita liberdade para as falsas garantias de que não vamos morrer dessa ou daquela maneira. Eu acho que podemos aprender com os caçadores-coletores que é realmente uma ilusão. Esse tipo de segurança não pode ser obtido em um sistema natural – e estamos em um sistema natural e sempre estaremos. Portanto, precisamos aceitar uma boa parte dessa instabilidade e ameaça e perigo em nossas vidas.

Parece uma venda difícil.

Sim. É absolutamente uma venda difícil. Quero dizer, você olha como as pessoas vendem carros hoje, algo assim, “Este carro não vai matar você” – eles não se importam com mais nada. Esqueça os quilômetros por litro. E olhe o que estamos dispostos a desistir neste país em termos de liberdades civis, por exemplo, apenas por causa da ameaça do terrorismo. Você não pode mudar a realidade de que o mundo é um lugar perigoso. Então, é uma ilusão pensar que podemos estar seguros. Seria muito melhor se simplesmente abandonássemos essa ilusão e dissessemos: “Eu vou morrer, eu poderia morrer a qualquer momento – agora vou continuar a aproveitar a vida”.

Eu me pergunto o quanto poderia demorar para retornarmos a essa visão de mundo? Na natureza, quando uma espécie adota uma prática insustentável, a natureza eventualmente morde de volta com uma catástrofe, como um acidente populacional. É isso o que vai levar os humanos a mudar a forma como produzem alimentos?

As pessoas sempre dizem: “Bem, se houver alguma catástrofe terrível, então aprenderemos”. Mas a catástrofe já está aqui. A África é uma catástrofe. Ásia, América Latina … Os lugares mais pobres do mundo estão constantemente experimentando essas coisas que imaginamos serem desastrosas.

Mas não na América.

Não, não na América. Até agora, estamos confortavelmente capacitados em manter isso fora da vista. É por isso que não lemos notícias internacionais neste país, é por isso que não aparece nos nossos aparelhos de televisão – porque somos capazes de manter uma espécie de negação sobre o fato de que um terço da humanidade vive com menos de um dólar um dia. Nós nos separamos. Está ao nosso redor – nós simplesmente ignoramos isso.

De que forma o Primeiro Mundo “sentirá na própria carne” os problemas que decorrem da agricultura industrial?

Eu acho que os efeitos do aquecimento global vão crescer nos próximos quinze a vinte anos. Haverá falhas generalizadas por causa do aquecimento global, isso é bem claro. E haverá  enormes mudanças climáticas e cada vez mais incêndios florestais.

Alguns podem afirmar que o capitalismo de livre mercado é a melhor maneira de criar civilizações mais igualitárias. É tentador ver o mercado livre como o reflexo societal mais próximo da “sobrevivência do mais apto” da natureza. O que você acha?

O capitalismo é um processo muito linear – nós construímos fábricas com ele. Não pensa em termos de complexidade, e certamente não aceita insegurança. Isso nos leva de volta aos fundamentos da agricultura. É um sistema de fábrica, um sistema linear. Pensamos em insumos, saídas e uma única planta de cada vez.

A natureza não funciona assim. A promessa da natureza é algo chamado de “excesso de rendimento”, sendo o todo maior que a soma de suas partes. É por isso que eu valorizo ​​muito os sistemas naturais. Eles trabalham em combinação com muitas coisas diferentes, e quando essas coisas estão juntas e finamente sintonizadas, elas tendem a produzir mais do que qualquer coisa com que possamos substituí-las. Por exemplo, as pradarias fornecem seu próprio fertilizante.

A co-evolução traz soluções para os problemas que são muito melhores do que o que podemos encontrar. Então, dessa forma, é diferente do que concebemos a partir do capitalismo.

Você escreve que as soluções para os problemas da agricultura industrial não virão do governo, já que a própria idéia de governo brotou das civilizações agrícolas. Existem maneiras de aplicar nossa compreensão da natureza à sociedade atual?

Bem, existem algumas coisas esperançosas lá fora. Já estamos começando a acomodar nossa compreensão da natureza na tecnologia da informação. Quando começamos a brincar com coisas como a inteligência artificial, por exemplo, sabemos que temos que lidar com a complexidade e que temos que projetar esses sistemas orgânicos que se parecem com a natureza.

Mas os grandes passos provêm da compreensão do genoma. Isso nos dá uma incrível apreciação da natureza, e também a capacidade de aproveitar a produtividade da natureza de maneiras únicas.

Tipo, como?

Por exemplo, quando você vai à sua loja local de alimentos saudáveis, você vê dois tipos de beterraba – dourados e listrados. Isso aconteceu porque algumas pessoas estavam observando alguns parentes selvagens e mutações naturais em beterraba, e descobriram que havia dois genes que criavam a cor vermelha nas beterrabas e se trocavam de um lado para o outro (não usando engenharia genética, mas um simples “knock-out“), ela se tornava listrada. Acontece que esta variação codifica um produto químico chamado betalin, que é um agente de combate ao câncer. Então, ao entender a manipulação desse gene, e ao colocar mais betalin na beterraba, eles aumentaram a capacidade de combater câncer. Se olharmos mais em culturas “esquecidas” e também em parentes selvagens de culturas, todos esses pigmentos são codificados em genes. E esses genes têm muitas capacidades de combate à doença que criamos fora de nossas plantas. Nós podemos trazer esses de volta às nossas colheitas com bastante facilidade e rapidez com a tecnologia que temos.

Ao mesmo custo para o consumidor?

Sim, absolutamente o mesmo. O criador que conheço que fez isso em Wisconsin diz que é tão fácil que ele não precisa lidar com companhias de sementes. No “velho mundo” você tinha que trabalhar com empresas de sementes, e a empresa de sementes tinha que recuperar seu investimento – portanto, as coisas eram caras. Mas ele pode fazê-lo muito rapidamente, liberá-lo para os agricultores orgânicos, e depois continuar crescendo, e é uma semente grátis.

Isso é interessante. Acho que a minha primeira reação sempre que ouço sobre manipulações da natureza é negativa. No seu livro, você ressalta que mesmo algo tão básico quanto o uso do fogo – algo que as sociedades tribais fizeram e ainda fazem – é uma manipulação da natureza. E aqui você parece estar pressionando por mais manipulação.

Eles são apenas manipulações mais sábias. Um dos princípios fundamentais aqui é que essas manipulações não são guiadas tanto por nossa imaginação como pelo que existia antes – a sabedoria coletiva da natureza. Então, estamos voltando e olhando para os genes mais amplos e complexos que ignoramos antes e dizendo: “O que há aqui que não sabíamos?” O princípio aqui é a humildade. Não somos capazes de imaginar as soluções definitivas: temos que ver o que a natureza já imaginou e imitar isso.

As soluções de que você fala parecem ter muito a ver com agricultura orgânica e alternativa. Isso é bom para o hipster em Manhattan, que pode pagar toda a loja de alimentos, ou o fazendeiro em Minnesota, que pode cultivar milho orgânico em solo fértil, e quanto a quem vive na pobreza? Em seu livro, você desenvolve a crônica da opressão dos pobres pelas civilizações agrícolas. Que esperança existe para eles agora?

Eu conheço um projeto na Índia, que é um caso interessante porque a Índia, como a maioria dos países pobres, é tão fortemente dependente do arroz. Mas na Índia, verifica-se que os mais pobres dos pobres dependem do arroz seco. É um tipo de conceito estranho; Não é irrigado. Algo como 40 por cento da área terrestre dada ao arroz no mundo é arroz seco. Os pobres dependem disso por um motivo: eles não podem pagar as melhores terras, não podem pagar a irrigação, de modo que eles se aproximam das coisas muito marginais, e há milhares de anos.

Claro, a ciência nos últimos trinta ou quarenta anos tem procurado intensamente o arroz irrigado, porque esse arroz oferece mais lucro. Mas há alguns pesquisadores em Bangalore, na Índia, que vem coletando as variedades locais de arroz seco que as pessoas crescem nas comunidades pobres. Em seguida, compararam-nos contra as melhores variedades “melhoradas” do melhor da ciência, e descobriram que as variedades locais eram melhores. Elas sempre floresceram – não importa o quão ruim as condições – e elas tinham certos valores nutricionais que as outras variedades não possuíam.

Então eles estão catalogando os genomas de todas essas variedades selvagens e criando essas variedades com as melhores características em uma variedade de arroz que, embora muito próximo das locais, também possui algumas das capacidades resistentes a doenças e resistentes a insetos das variedades melhoradas. Em outras palavras, eles estão fazendo uma variedade “super local”. E então eles estão devolvendo para essas pessoas pobres de graça. É um caso interessante em que as pessoas estão pensando em maneiras de usar a tecnologia para intervir a favor dos pobres.

Mas melhorar o rendimento apenas criando mais alimentos, o que, por sua vez, não cria mais pessoas?

Essa é uma questão fascinante – se você olhar para o crescimento da população no mundo, ocorre não apenas nos lugares mais agrícolas do globo, mas também nos lugares mais pobres. O crescimento populacional está ficando louco em lugares como Índia, África e Sudeste Asiático. Você precisa encontrar maneiras de acelerar a renda dos mais pobres apenas um pouco, porque o registro é muito claro que, se pudermos melhorar sua renda, sua taxa de natalidade diminui drasticamente. Eu vi isso. Eu estava em uma aldeia no México, onde um fazendeiro estava fazendo algo como 15 por cento mais do que seu vizinho, e ele tinha dois filhos enquanto o vizinho tinha treze. Isso é muito comum no mundo em desenvolvimento. A taxa de natalidade está mais intimamente relacionada com o rendimento da família – e isso é verdade em todo o mundo. Quanto melhor for sua renda, menos crianças você tende a ter. A educação também é importante, especialmente entre as mulheres. Se você pode educar as mulheres, então o controle de natalidade entra em jogo muito mais facilmente, e elas têm opções para se exercitar. Uma boa agricultura é extremamente importante para que isso aconteça – mas não a agricultura industrial, o que apenas piora. Se pudermos intervir, temos que entender que, se cultivarmos bem a agricultura, melhoraremos a vida. Mas se o fizermos mal, vamos piorar.

Festival Varilux de Cinema Francês em Aracaju

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O Festival

FESTIVAL VARILUX 2017 TRAZ OS MAIS RECENTES FILMES DE CATHERINE DENEUVE, GÉRARD DEPARDIEU, JULIETTE BINOCHE, MARION COTILLARD, GUILLAUME CANET E OMAR SY

EVENTO CHEGA A 55 CIDADES E APRESENTA 19 PRODUÇÕES DA CINEMATOGRAFIA FRANCESA. PROMOVE AINDA SESSÕES EDUCATIVAS E DEMOCRÁTICAS, LABORATORIO DE ROTEIROS E MESA-REDONDA COM ‘AMANHÃ’, DOCUMENTÁRIO VISTO POR MAIS DE UM MILHÃO DE PESSOAS

O Festival Varilux de Cinema Francês segue em pleno crescimento e registra um recorde do evento no Brasil. A edição de 20ic17, entre os dias 7 e 21 de junho, chega a mais de 55 cidades, distribuídas em 21 estados e Distrito Federal. A programação deste ano é composta por 19 produções inéditas nos cinemas brasileiros, incluindo um documentário e um clássico. Os maiores astros do cinema francês estarão presentes na seleção: o público poderá conferir os mais recentes trabalhos de Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Juliette Binoche, Marion Cotillard, Guillaume Canet, Omar Sy e Cécile de France. Outro destaque é à última atuação da inesquecível Emmanuelle Riva, falecida em janeiro último, em “Perdidos em Paris”.

São Paulo e Rio de Janeiro recebem a delegação formada por diretores e atores das várias  produções e que participam de debates com o público. Como nas edições anteriores, algumas cidades realizam sessões educativas e sessões de democratização em locais alternativos ou com pouco acesso a cinemas, gratuitas ou com preço especial. As sessões educativas estão previstas com o filme “A Viagem de Fanny”, de Lou Doillon, e o documentário “Amanhã”, codirigido por Cyril Dion e pela atriz Mélanie Laurent.

O Festival oferece ao público novas atividades paralelas este ano, com a organização de mesas-redondas e sessões democráticas em varias cidades, em parceria com as Alianças Francesas do Brasil e ColaborAmerica, também para refletir sobre temas ambientais abordados em “Amanhã”. A primeira será dia 10 de junho, no Rio de Janeiro. Sucesso na França, o filme já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas e premiado com o César de melhor documentário em 2016. Para realizar a obra, a dupla de diretores viajou por vários países para retratar pioneiros que reinventam agricultura, energia, economia, democracia e educação. Conheceram iniciativas positivas e concretas já funcionamento e que sinalizam o que pode se  tornar o mundo no futuro.

Sucesso de público em 2016, quando levou 156 mil pessoas aos cinemas, o festival repete o formato do ano passado com duas semanas de exibição. Produzido pela Bonfilm, o evento tem patrocínio principal da Varilux/Essilor, Ministério da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

 FILMES E ARTISTAS CONFIRMADOS

O Festival conta com 19 filmes na programação. Entre eles, “Um Instante de Amor”, de Nicole Garcia, com atuação elogiada de Marion Cotillard, ganhadora do Oscar de 2008 por “Piaf – Um hino ao amor”; “Rock’n roll – Por trás da fama, comédia auto-satírica de Guillaume Canet, e “Frantz”, o mais recente filme de François Ozon, uma surpreendente adaptação do filme de Ernest Lubitsch de 1932, com o novo astro do cinema francês Pierre Niney (“Yves Saint Laurent”).

Seguindo a tradição de exibir um clássico do cinema francês, o Festival Varilux traz a reconhecida comédia-musical “Duas Garotas Românticas” (“Les Demoiselles de Rochefort”), de Jacques Demy e Agnès Varda, que completa 50 anos em 2017. O longa, com Catherine Deneuve, foi indicado ao Oscar de melhor trilha sonora em 1969.

Até o momento, a delegação conta com sete artistas franceses que irão apresentar seus filmes. São eles: Dominique Abel e Fiona Gordon, diretores e atores de “Perdidos em Paris” (“Paris Pieds Nus”, de 2017), que completam 40 anos de carreira; o rapper e ator Sadek, de “Tour de France” (2016); a diretora Noémie Saglio e a atriz  Camille Cottin, de “Tal Mãe, tal Filha” (“Telle Mère, telle Fille”, de 2016); e o diretor Olivier Peyon ator Ramzy Bedia e a atriz Maria Dupláa de “O Filho Uruguaio” (“Une Vie Ailleurs”, de 2017). A delegação estará presente na abertura do Festival em São Paulo, dia 7 de junho, e no Rio de Janeiro, no dia 8, assim como em sessões de seus filmes nas duas cidades.

http://variluxcinefrances.com/2017/

Filmes vistos:

Programação (com stars do IMDB):

11/6 Domingo

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS 7.7
  2. 16:40 UM PERFIL PARA DOIS 6.4
  3. 18:55 RODIN 4.5
  4. 21:30 FRANTZ 7.5

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2
  2. 15:35 O FILHO URUGUAIO 6.5
  3. 17:35 UM INSTANTE DE AMOR 6.7
  4. 19:55 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3

12/6 Segunda

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 UM PERFIL PARA DOIS 6.4
  2. 16:15 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3
  3. 18:25 NA CAMA COM VICTORIA 6.5
  4. 20:40 UM INSTANTE DE AMOR 6.7

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 AMANHà8.1
  2. 15:50 FRANTZ 7.5
  3. 18:00 A VIAGEM DE FANNY 6.8
  4. 20:00 CORAÇÃO E ALMA 7.3

13/6 Terça

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 CORAÇÃO E ALMA 7.3
  2. 16:15 O FILHO URUGUAIO 6.5
  3. 18:30 A VIDA DE UMA MULHER 7.1
  4. 21:05 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 O FILHO URUGUAIO 6.5
  2. 15:30 O REENCONTRO 7.3
  3. 17:50 NA CAMA COM VICTORIA 6.5
  4. 19:50 NA VERTICAL 6.5

14/6 Quarta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 NA CAMA COM VICTORIA 6.5
  2. 16:15 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5
  3. 18:55 O FILHO URUGUAIO 6.5
  4. 21:10 TOUR DE FRANCE 5.7

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 UM INSTANTE DE AMOR 6.7
  2. 15:50 RODIN 4.5
  3. 18:10 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2
  4. 20:15 NA CAMA COM VICTORIA 6.5

15/6 Quinta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:00 CORAÇÃO E ALMA 7.3
  2. 15:00 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5
  3. 17:25 FRANTZ 7.5
  4. 19:40 A VIDA DE UMA MULHER 7.1

16/6 Sexta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5

CINEMA VITÓRIA

  1. 14:00 PERDIDOS EM PARIS 6.6
  2. 15:45 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2
  3. 17:50 NA VERTICAL 6.5
  4. 19:50 O REENCONTRO 7.3

17/6 Sábado

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 UMA FAMÍLIA DE DOIS 6.4

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 A VIDA DE UMA MULHER 7.1
  2. 15:50 A VIAGEM DE FANNY 6.8
  3. 17:25 NA CAMA COM VICTORIA 6.5

18/6 Domingo

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 O REENCONTRO 7.3

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:00 O REENCONTRO 7.3
  2. 15:20 AMANHà8.1
  3. 17:30 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5

19/6 Segunda

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45  RODIN 4.5

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5
  2. 15:45 O FILHO URUGUAIO 6.5
  3. 17:35 A VIDA DE UMA MULHER 7.1

20/6 Terça

CINEMARK SHOPPING JARDINS

CINEMA VITÓRIA

  1. 14:00 TOUR DE FRANCE 5.7
  2. 15:45 UM INSTANTE DE AMOR6.7
  3. 18:00 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3

21/6 Quarta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 TOUR DE FRANCE 5.7

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:20 CORAÇÃO E ALMA 7.3
  2. 15:15 TOUR DE FRANCE 5.7
  3. 17:10 DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS 7.7

22/6 Quinta

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:00 A VIDA DE UMA MULHER 7.1
  2. 13:00 O REENCONTRO 7.3
  3. 17:40 RODIN 4.5

Circuito Cultural Centro acontecerá nos dias 7 a 8 de junho em Aracaju

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Circuito Cultural Centro será realizado de 7 a 9 de junho em Aracaju (SE). O evento será uma intervenção cultural e artística em meio às discussões sobre arquitetura e urbanismo, literatura, teatro, cinema, dança, música e museologia.

A programação inclui exposições de arte e oficinas e visitas guiadas, ofertadas ao público em geral em diversos espaços culturais. O acesso é gratuito e não é necessária inscrição prévia, basta ir ao local da atividade e participar.

Confira abaixo a programação completa do Circuito Cultural Centro. Mais informações através do telefone (79) 3218-1551.

7 de junho

10h às 12h
Aula aberta de desenho artístico para iniciantes
Pedro Boeira (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Galeria Álvaro Santos

14h às 16h
Apresentação dança moderna e ballet adulto
Ju Menezes e Adriano (Escola de Artes Valdice Teles)
Local: Palácio Museu Olímpio Campos

Mostra Sesc de Cinema Serigy
Para Leopoldina I 2014 I 23′ I 12 anos
Super Frente, Super 8 I 2015 I 20’ I 12 anos
Passe I 2015 I 20’ I 12 anos
Tototear I 2017 I 16’ I Livre
Local: Cine Vitória

15h às 17h
1º Movimento de teatro da Escola Oficina de Artes Valdice Teles
Tânia Maria e Raimundo Venâncio
Local: Escola Oficina de Artes Valdice Teles

16h às 17h
Coral Encantos da Valdice
Roger (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Palácio Museu Olímpio Campos

Minhas primeiras canções ao violão
Ítalo Barros (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Centro Cultural de Aracaju

Bate papo com realizadores e convidados da Mostra Sesc de Cinema Serigy
Local: Cine Vitória

17h
Apresentação do Coral da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Corales)
Músicas em homenagem a Luiz Gonzaga
Local: Escola do Legislativo

Mostra Sergipana de Curtas
Núcleo de Produção Digital
Local: Centro Cultural de Aracaju

17h às 17h30
Aula abertas dos aprendizes iniciantes de violão popular
Bob Zé (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

17h30 às 18h

Apresentação da Orquestra da Escola Valdice Teles
Maestro Álvaro (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Centro Cultural de Aracaju

Apresentação dos aprendizes de violão popular e contra baixo
Bob Zé (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

18h
Apresentação Musical Renantique
Música Medieval e Renascentista
Local: Escola do Legislativo

Premiação, coquetel e apresentação musical da Mostra Sesc de Cinema Serigy
Local: Cine Vitória

19h às 22h (de 1 a 13 de junho)
Exposição ‘Treze noites com Antônio’
Otávio Luiz
Local: Centro de Cultura e Arte (Cultart)

8 de junho
8h às 10h
“A Casa de Sergipe recebe e presenteia” Visita Guiada pelo presidente do IHGSE e oferta de livros sobre Sergipe
Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

10h
Roda de Capoeira
Zé Pequeno
Centro Cultural de Aracaju

Aula aberta de desenho artístico para iniciantes
Pedro Boeira (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Galeria Álvaro Santos

14h
Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

Roda de Conversa e Mediação “Restauro e Ressignificação – 90 anos de história, memória e educação do Atheneuzinho”
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

15h
Apresentação do coletivo Soroôdory com performace dos atores Rivaldo Santos e Felipe Santos sobre Arthur Bispo do Rosário
Escola do Legislativo

Roda de Capoeira
Zé Pequeno
Centro Cultural de Aracaju

Apresentação das turmas iniciantes e iniciados de musicalização infantil
Maria das Graças (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

Apresentação das turmas iniciantes e iniciados de ballet
Adriano e Jusiana (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

15h30
Apresentação de dança moderna e contemporânea com a prof.ª Cleanis
Escola do Legislativo

16h
Mostra Sergipana de Curtas
Núcleo de Produção Digital
Centro Cultural de Aracaju

Apresentação da peça teatral “As aventuras da leitura”
Cia de Arte da Alese
Escola do Legislativo

Visita à Sede da OAB
Casarão na Praça do Mini Golf

OAB – Sede
Festival Varilux de Cinema Francês

Cine Vitória
Apresentação das turmas de violão popular
Ítalo Barros (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)

Centro Cultural de Aracaju
Aula aberta dos aprendizes de flauta

Denise (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Escola de Artes Valdice Teles

17h
Apresentação e cortejo
Grupo Percussivo Burundanga

OAB – Sede
Apresentação da turma de iniciados em dança moderna
Cleanis (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

18h
Apresentação da turma de violão erudito
Eliana Argolo (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Escola de Artes Valdice Teles

Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

19h
Grupo de estudo de movimento com aprendizes da Escola Oficina de Artes Valdice Teles
Grupo Nova Era
Centro Cultural de Aracaju

9 de junho
10h às 11h
Aula aberta de teatro
Tetê Nahas (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

14h
Apresentação do Grupo Experimental Canto
Clara Raquel (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

15h às 16h
Aula aberta de teatro
Tetê Nahas (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

16h
Apresentação dos alunos de trompete
Roger (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Palácio Museu Olímpio Campos

Apresentação de piano, teclado, acordeom e percussão
Mackou, Cleston, Pequeno (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

Esquete de dança contemporânea e afro
Cleanis (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

17h
Aula aberta dos alunos de corda da Escola de Artes Valdice Teles
Bruno, Lucyanne, Fabíola
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

Sarau de encerramento do I Colóquio Cidades: Coexistência e Interfaces
Praça General Valadão

Mostra Sergipana de Curtas
Núcleo de Produção Digital
Centro Cultural de Aracaju

18h
Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

G1

Cine Vitória recebe 13ª edição do Festival de Cinema Europeu em Aracaju

cineuropeu

Imagine viajar pela Europa por uma semana. Pense na diversidade histórica e cultural, a beleza da música e da arte, as delícias da culinária e as ricas reflexões sobre filosofia, política e economia. O Cine Vitória irá lhe proporcionar esse passeio durante a 13ª edição do Festival de Cinema Europeu que ocorrerá de 29 a 31 de junho. O Cine Vitória está situado na Rua do Turista, localizada na Rua Laranjeiras, 307, no Centro de Aracaju. A entrada é totalmente gratuita.

G1

Programação

  • 29/05 – Segunda
    • 14h – Nossa Estrangeira. Dir. Sarah Bouyain. Drama. França, Burkina Faso. 2010. 82. Livre
    • 16h – Amália – O Filme. Dir, Carlos Coelho da Silva. Drama / Biografia. Portugal. 2008. 127min. 12 anos
    • 18h – Belleville Baby. Dir. Mia Engberg. Drama. Suécia. 2013.75min. 15 anos
  • 30/05 – Terça
  • 31/05 – Quarta
    • 14h – A Excêntrica Família de Antônia. Dir. Marleen Gorris. Comédia dramática. Países Baixos.1995. 102min. Livre
    • 16h – Pânico. Dir. Barbara Zemljic. Drama/comédia. Eslovênia.2013. 103min. 15 anos
    • 18h – O Caminho de Halima. Dir. Arsen Anton Ostojic. Ficção/Drama. Croácia. 2012. 93 minutos. Livre
Citação

Olhos dirigidos ao paraíso gelado

389518-r_640_600-b_1_d6d6d6-f_jpg-q_x-xxyxxO filme Kfraftidioten (2014) não pode ser resenhado por incultos. Pois no máximo eles dirão que se trata de um “gênero Tarantino”. Tem lances de humor e sangue que de fato seguem o estilo de Tarantino, mas a película norueguesa e sueca, do diretor Hans Petter Moland, traduzida por “O cidadão do ano” (procure traduzir você mesmo “Kfraftidioten”), é uma peça original e uma boa crítica do presente. Uma ficção mais próxima do chão (!), digamos assim.  

Escrevi esses dias que nos Estados Unidos de hoje há um candidato socialista que fustiga Hilary Clinton (artigo aqui). Ele diz que gostaria de ver os Estados Unidos antes como uma social-democracia nórdica que como um centro do liberalismo avançado socialmente. Ao mesmo tempo, uma das melhores séries de gansters do momento, produzida em associação americana e norueguesa, é a Lilyhammer (de Eilif SkodvinAnne Bjørnstad, 2012), que diz respeito à Noruega atual (com um fantástico capítulo no Brasil). Nos dois casos, do filme Kfraftidioten e da série, o que observamos? Que há americanos olhando para os países ricos do Atlântico Norte, e que o candidato Bernie Sanders, que fustiga Hilary, não fala algo que não está no ar.

Entre políticos, intelectuais e diretores de cinema, há os que estão mostrando que os Estados Unidos já deveriam estar naquela situação nórdica, civilizados e sem pobres, outros estão apontando para o fato de que, naquela paraíso, alguns problemas permanecem, e até estão sendo importados da América, Europa e até do Brasil. O paraíso social-democrata não é o de Adão. Bom sinal: o paraíso, ainda que desejável, está sendo visto com senso crítico e humor. É um sinal de que podemos sonhar e ao mesmo tempo sem sermos ingênuos?

O que existe nas democracias ricas nórdicas é o Welfare State efetivamente alcançado, e como algo diferente de outros que, até bem pouco tempo, pareciam poder funcionar fora do gelo, como o da França, Itália, Inglaterra ou até mesmo o do esboço americano. É mais estável que outros. Funciona segundo uma social democracia que absorveu padrões do “politicamente correto” sem que este tenha se deteriorado na versão criticada até por tolos (ou melhor, criticada mais por tolos) no Brasil, uma vez que não serve para garantir só os que estão livres, mas também os que vão presos. Todavia, em meio ao paraíso, como a série e o filme citados mostram, alguns problemas do mundo moderno permanecem vivos: frustrações típicas do nosso tempo envolvido em burocracias aparentemente sem rosto, crimes não puníveis, homossexualismo reprimido, solidão da mulher, maridos isolados, famílias passivas, pequenos e grandes Al Capones soltos dividindo territórios, drogas em uso assustadoramente alto e segundo um comércio que se autoprotege de modo sofisticado.

A série e o filme mostram que a social-democracia pode mesmo realizar o que prometeu, mas que se tenha na cabeça que um regime político, de esquematização do estado, não tem poder para fazer da terra dos homens uma terra de bondade, sem problemas. Não estou usando aqui do cliché “o mundo dos mortais é sempre o mesmo”. Nada disso. Estou dizendo que os problemas postos pela modernidade se mostram presentes no Estado de Bem Estar Social que funciona. O que vale dizer que talvez a filosofia política tenha menos a dizer agora, mas a filosofia de um modo geral não disse tudo.

images-31Tanto a série quanto o filme mostram que o gangsterismo dos anos trinta, imortalizado pelo cinema americano, não é uma ficção reposta desterritorializada nesse novo cinema atual, mas que ele efetivamente existe, na realidade, e isso porque há situações que perderam suas raízes e, afastadas de seus rituais, atingiram a condição separada, alienada, que torna tudo perigoso. A droga e os seus problemas derivados tem a ver com isso. Não há mais ritual para a droga, nem religioso e nem hippie, nem místico e nem “produtivo”. A droga aparece em uma situação moderna típica do que deve ocorrer com aquilo que Hannah Arendt chamou de elemento de consumo, não elemento de uso. É a droga pela droga para quem a consome. Para quem a trafica, é a droga pelo dinheiro. Mas isso em uma situação em que ambos já são equivalentes universais do mercado. Desse modo, tanto faz o dinheiro pelo dinheiro ou a droga pela droga. Ninguém mais sabe o se faz com o que se tem.

Claro, na sociedade em que, como Debord disse, o ser e o ter não precisam mais se oporem, porque tudo é da ordem do aparecer e parecer, pode-se ter dinheiro para aparecer e ter a droga para aparecer de modo melhor, isto é, feliz. A felicidade, ou melhor, sua aparência, se tornou uma obrigação. Mas a questão é que esse é o consumo que consome o consumidor. Não existe usuário de droga. Ninguém usa a droga, nem a droga usa alguém. A droga e o mundo produzido por ela consomem suas vítimas e heróis.

Mas, não é a droga o problema moderno. Ele é pedaço pequeno dele. O problema moderno que essas películas das séries de TV-internet e cinema mostram, que está vigente na social democracia rica, é que os ritos todos perderam o sentido no mundo, e que no território gelado isso se mostra de maneira muito mais escancarada. O homem moderno não tem expediente, não tem procedimentos que se devam obedecer por mais de um mês. Tratados podem ser desfeitos, ordens podem ser cumpridas ou não, palavras empenhadas não valem e ao mesmo tempo valem um assassinato ou vários. Há uma extrema passividade no interior de um frenesi para se manter a passividade. O gangsterismo dos filmes mostra bem o funcionamento do entretenimento moderno, o celular cheio de joguinhos e ligado ao Facebook e ao WhatsApp e coisas do gênero, onde todos simulam estar na adrenalina máxima; é um globo da morte em alta velocidade, mas como todo globo da morte, tendo as motos girando no mesmo círculo. No mundo da novidade, nada é realmente novo.

Há certo tédio gelado no mundo gelado de tipo norueguês, uma cena alegórica para o resto do mundo, como se a mensagem fosse a seguinte: o paraíso, aguardem os que acham que vão chegar nele, é frio.

Paulo Ghiraldelli

Como e por que os mórmons estão catalogando todos os registros civis do Brasil

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As pessoas conhecem os mórmons como aqueles jovens que vagam o mundo, de camisas engomadas para dentro das calças pretas, batendo de porta em porta para converter os fiéis à palavra de Joseph Smith. Há, porém, uma face menos conhecida e mais impressionante da fé professada pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: a obsessão por catalogar todo e qualquer documento que comprove a passagem de uma alma pela Terra.

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