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A Essência da Realidade, David Deutsch

a_essencia_da_realidade_1284239045bHá mais de 10 anos entrei numa livraria para dar uma olhada nas novidades na estante de Informática. Sim, naquela época a Informática era destaque e havia uma estante separada. Na estante do lado estavam os livros de Administração. Por acaso vi um livro com o título A Essência da Realidade. Talvez fosse sobre alguma “realidade” afetando a administração de alguma empresa. Resolvi dar uma olhada no livro. Conclui que estava na estante errada. Falava de Física, Mecânica Quântica, Teoria de Tudo, Teoria da Informação, Games com Realidade Virtual, viagem no tempo, multiversos etc. Eu simplesmente não conseguia parar de ler. Só não comprei porque era bem caro, e ainda é (Na Estante Virtual custa mais de R$ 300,00 hoje). Anotava a página e voltava na livraria para ler mais.

Cito abaixo alguns fragmentos de textos do livro que me capturaram:

Prefácio

Se há uma única motivação para a visão de mundo descrita neste livro, é que graças principalmente a uma sucessão de descobertas científicas extraordinárias, agora possuímos algumas teorias extremamente profundas sobre a estrutura da realidade. Se tivermos de entender o mundo em um nível mais do que superficial, deve ser por meio dessas teorias e da razão, e não dos nossos preconceitos, opiniões recebidas ou até do senso comum. Nossas melhores teorias não são somente mais verdadeiras que o senso comum, elas fazem muito mais sentido. Devemos levá-las a sério, não meramente como fundamentos pragmáticos para seus respectivos campos, mas como explicações do mundo. E acredito que podemos alcançar o mais amplo entendimento se não as considerarmos isoladamente, mas em conjunto, pois elas estão inextricavelmente relacionadas.

Pode parecer estranho que esta sugestão – de que devemos tentar formar uma visão de mundo racional e coerente com base nas nossas melhores e mais fundamentais teorias – deva ser nova ou controversa. Contudo, na prática ela é. Um motivo é que cada uma dessas teorias tem, quando levada a sério, implicações muito contra-intuitivas. Consequentemente, foram feitos todos os tipos de tentativas para evitar enfrentar essas implicações, fazendo modificações “ad hoc” ou reinterpretações das teorias ou estreitando arbitrariamente seu domínio de aplicabilidade, ou simplesmente usando-as na prática, mas não extraindo nenhuma conclusão mais ampla. Deverei criticar algumas dessas tentativas (nenhuma das quais, acredito, tem muito mérito), mas apenas quando isso for um meio conveniente de explicar as próprias teorias. Pois este livro não é primordialmente uma defesa dessas teorias: é uma investigação sobre como seria a estrutura da realidade se elas fossem verdadeiras.

[…]

A Teoria de Tudo

Lembro-me que me disseram, quando criança, que nos tempos antigos era possível a uma pessoa muito instruída saber tudo o que era conhecido. Também me disseram que hoje em dia existe tanto conhecimento que ninguém seria capaz de aprender mais do que uma pequena fração dele, mesmo durante uma vida longa. Esta última afirmação me surpreendeu e desapontou. Na verdade, recusei-me a acreditar nela. Não sabia como justificar a minha descrença, mas sabia que não queria que as coisas fossem assim e invejava as pessoas instruídas de antigamente. Não que eu quisesse memorizar todos os fatos descritos nas enciclopédias do mundo; ao contrário, eu odiava memorizar fatos. Não era nesse sentido que eu esperava ser possível saber tudo o que era conhecido. Não me desapontaria ouvir que todos os dias aparecem mais publicações do que qualquer um poderia ler em uma vida inteira ou que existem 600.000 espécies conhecidas de besouros. Eu não tinha desejo de acompanhar a queda de cada pardal. Nem imaginava que um sábio antigo que supostamente sabia tudo o que era conhecido teria sabido tudo a respeito desse tipo de coisa. Eu tinha em mente uma ideia mais discriminadora do que deveria ser considerado como sendo conhecido. Por “conhecido” eu queria dizer entendido.

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In Memoriam – Lynn Margulis e a mitocôndria

Uma das descobertas mais fascinantes da biologia foi sobre a origem das mitocôndrias. Pela Margulis, que morreu hem 22 de novembro passado e foi esposa de Carl Sagan.

Nem transgênica, nem natural

soja

Apesar da forte mídia em favor do uso da soja, podemos hoje em dia, usando novos conhecimentos e  o velho, mas esquecido bom senso, dizer que não há porque se preocupar com a soja transgênica, já que a soja em si pode ser um grave equívoco quando pensamos em alimentação natural ou suplementos alimentares para melhorar a saúde.

Em outubro de 1999 o FDA (órgão fiscalizador dos medicamentos e alimentos nos EEUU) aprovou uma propaganda nos alimentos que tivessem baixa quantia de gordura saturada e colesterol. Era o que o maior conglomerado industrial americano precisava para dar os contornos necessários para a consolidação da soja no mercado mundial. A fantasia popular é de poder ter um produto que represente saúde e boa alimentação. A necessidade da indústria, de todo o setor secundário que vive do agronegócio é ter um “commodity” em cujo entorno seja investido todo o conhecimento tecnológico possível (agrotóxicos, tecnologia de produção, aditivos para qualificar sabor, textura etc.)

A soja é esta síntese.

Se apoiou numa estratégia de marketing super engenhosa que envolveu desde a medicina até grupos new age.

Alimentou ou alterou verdades. Foi sendo incrementada por décadas. O vilão mais óbvio foi o colesterol. O ingênuo útil foi o movimento vegetariano, o mais forte “apoiador” da concentração absoluta do poder de produção agrícola, e da plantação de transgênicos, em todo o mundo. O lado obscuro da “rainha”  alimentar usou e abusou de naturalistas alimentares. Os naturalistas se esqueceram de se perguntar se alterar de forma tão “carnívora” a paisagem do Rio Grande do Sul, com uma praga não alimentar como a soja seria uma atitude ecológica. Eles também se esqueceram de perguntar como viviam os verdadeiros homens naturais das Américas antes da invasão e destruição que os europeus introduziram de norte a sul no novo continente. Os naturalistas new age, numa  lógica higienista e purificadora típica da Santa Inquisição, também não se perguntaram como poderiam aproveitar os mais de 4000 vegetais nativos que poderiam de forma harmoniosa dar alimento e equilíbrio ecológico ao Brasil. Apoiaram ingenuamente a destruição maciça do natureza local. Estes mesmos naturalistas alimentares também deixaram de entender a inata biologia humana, e devem supor que os esquimós (que praticamente não comem vegetais e têm ótima saúde cardíaca) são um equívoco de Deus e não deveriam existir. Ou que os “malsais” (povo africano com os melhores perfis de colesterol do planeta), que só se alimentam daquilo que o pobre natureza local lhe oferece (carne e leite gordo de um bovino local), jamais deveriam ter a concessão da vida. Devem, no entanto, entender que  a Monsanto e seus aliados produzem soja para o seu bem estar e para a salvação de suas frágeis saúdes. Equívocos em todas as frentes.

A medicina tem sido uma outra força de apoio importante. Hoje em dia, qualquer produto alimentar quer ter o status de medicamento. Isto possivelmente se baseia na idéia obscura de que o ser humano é vítima fácil de alvos maléficos externos. Como não seria possível se livrar desses ofensores, nós seríamos protegidos pelos alimentos. Hoje em dia se procura comida que combata ao câncer e a velhice. O homem não cogita em mudar a si mesmo e o seu jeito pervertido de manejar o meio ambiente. Não quer saber se não seria ele próprio a causa de suas doenças. Numa lógica paranóica, busca protetores que possam ser ingeridos. Naturalmente estes produtos tem que ser comprados. Rendendo  muito a quem produz e vende.

Na contra-mão do FDA americano, o DOH da Inglaterra (Departamento de saúde) através do seu comunicado a todos os médicos do Reino Unido (CMO’s Update 37, de Janeiro de 2004) adverte que não se deva utilizar alimentos infantis baseado em fórmulas com soja (o famigerado leite de soja) como escolha para aquelas crianças que tenham qualquer dificuldade com a ingestão de leite de vaca (alergia, intolerância etc.), e muito menos para crianças saudáveis, tendo em vista que a alta concentração de fitoestrogênios que tais fórmulas contém pode ser perigosa a longo prazo para a saúde reprodutiva destas crianças.

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Existem outros estudos que falam de outros potenciais problemas, mas este parece ser o primeiro a ser reconhecido por um órgão oficial dos países aliados à soja. Um castelo de areia – a santidade da soja – está começando a desmoronar. Não seria um problema, se isto não significasse o quanto a saúde de muita gente já pode te sido danificada nas últimas décadas às custas da ganância do homem, que há séculos destrói muito mais do que ele acha que construiu, lastreada em uma ciência subserviente, totalmente ancorada às demandas do consumismo.

(Para mais informação consulte: www.sacn.gov.uk ou www.foodstandards.gov.uk)

Uma outra visão

A carne apodrece no seu cólon?

carne

Cito abaixo excertos de um excelente artigo que desvenda os mitos e fatos sobre a carne apodrecer nos nossos intestinos.

[…] isso não só é simplesmente falso, como é uma inversão da verdade. Como diz o provérbio:

“Quando aponta o seu dedo, os seus outros três dedos apontam para si.”

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Nós esmagamos o alimento na boca, onde a amilase (uma enzima) divide alguns dos amidos. No estômago, a pepsina (outra enzima) desintegra as proteínas, e o forte ácido clorídrico (pH 1,5-3, média de 2 … é por isso que sabe mal quando vomitamos) dissolve tudo o restante. A resultante polpa ácida é chamada de ‘chyme’ e podemos imediatamente ver que a teoria da “carne apodrece no estômago” é falsa. Nada “apodrece” numa cuba de pH 2 com  ácido clorídrico e pepsina.

Em média, uma “refeição mista (incluindo carne), demora 4-5 horas para sair totalmente do estômago […]

A bile emulsifica gorduras e ajuda a neutralizar o ácido do estômago; a lipase degrada as gorduras; a tripsina e a quimotripsina decompõem as proteínas e enzimas como a amilase, maltase, sacarase, e (nos tolerantes à lactose) a lactase decompõem alguns açúcares. Enquanto isso, a superfície do intestino delgado absorve tudo o que nossas enzimas dividiram em componentes suficientemente pequenos.

Finalmente, a nossa válvula ileocecal abre, e o nosso pequeno intestino delgado liberta o que sobrou no nosso intestino grosso, que é uma colónia de bactérias gigantes, contendo literalmente triliões de bactérias!

Desta forma, as bactérias da nossa flora intestinal trabalham e digerirem algum do conteúdo restante, produzindo por vezes, resíduos de produtos que podemos absorver. (E, muitas vezes, uma quantidade substancial de “gases”). A matéria vegetal remanescente indigestível (“fibras”), bactérias intestinais mortas, e outros resíduos surgem como fezes.

[…] a carne é digerida por enzimas produzidas pelo nosso próprio corpo. A principal razão pela qual precisamos das nossas bactérias dos intestinos é para digerir os açúcares, amidos e a fibra encontrados em cereais, leguminosas e vegetais, e que nossas enzimas digestivas não conseguem decompor.

Pelo dicionário Inglês

apodrecer \ (verbo) – que sofre uma decomposição pela acção de bactérias ou fungos.

Por outras palavras, a carne não apodrece no seu cólon. São os CEREAIS, LEGUMINOSAS e VEGETAIS que apodrecem o seu cólon. E isso é um facto.

… E é por isso que os feijões lhe provocam gases.

Mas espere! Há uma outra coisa engraçada! Sempre que comemos cereais, leguminosas e vegetais, não estamos a digerir e absorver quase nada da matéria da planta … estamos sim a  absorver resíduos bacterianos. Reformulando esta afirmação de forma menos diplomática:

Você não está a comer plantas: você está a comer excrementos de bactérias.

[…] a única maneira através do qual qualquer animal pode digerir plantas é recorrendo a bactérias para decomporem a celulose e aos intestinos para absorverem os resíduos.

Os animais ruminantes, incluindo bovinos, búfalos, veados, antílopes, cabras e outros animais de carne vermelha, possuem um “estômago extra” especial chamado de rúmen.

Eles mastigam e engolem ervas e folhas para o rúmen, fermentam-nas um pouco, vomitam-na de volta, voltam a mastigá-la um pouco mais (chamado de “ruminando”), e engolem-no novamente, onde é digerida pela segunda vez.

Fermentadores do intestino grosso, como cavalos, possuem um intestino grosso extra longo. E os coelhos fazem a digestão duas vezes: comem o seu próprio cocô, com o fim de obterem mais nutrientes a partir da matéria vegetal que comem.

Os seres humanos, em contrapartida, não possuem as bactérias intestinais que podem digerir a celulose. É por isso que não podemos comer erva, e porque os vegetais contêm tão pouco valor calórico para nós, e por isso designamos a celulose de “fibra insolúvel”: ela sai intacta tal como entrou.

Este fato por si só, prova que os seres humanos, enquanto omnívoros, são principalmente carnívoros: nós temos uma capacidade limitada para digerir alguma matéria da planta (amidos e dissacarídeos), de forma a ultrapassarmos tempos complicados, mas não podemos extrair quantidades significativas de energia a partir da celulose, que forma a maior parte dos elementos vegetais comestíveis, tal como os verdadeiros herbívoros conseguem.

Nós só podemos comer frutas, nozes, tubérculos e sementes (que chamamos de “grãos” e “feijão”) e as sementes só são comestíveis para nós, após uma laboriosa moagem, demolhagem e cozimento, porque ao contrário dos pássaros e roedores adaptados a esses alimentos, são tóxicos para os seres humanos no seu estado natural.

Você pode demonstrar a finalidade e os limites da digestão humana com uma experiência simples: coma um bife com alguns grãos de milho inteiros, e ver o que sai na outra extremidade. Não será o bife.

Extraido de

A CARNE APODRECE NO SEU CÓLON? NÃO. O QUE APODRECE? LEGUMINOSAS, CEREAIS E VEGETAIS!

Pint of Science Brasil 2016

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Que a ciência é uma atividade muito divertida os cientistas já sabem! Agora, eles vão sair dos seus laboratórios durante três noites especiais só para contar a você como é o trabalho que eles fazem e os impactos disso na sua vida! É o Pint of Science, um festival internacional de divulgação científica que nasceu na Inglaterra em 2013.

http://pintofscience.com.br/

Programação Rio de Janeiro

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https://pintofscience.us/events/san-fran

Zika e a Dieta Paleolítica

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Não, não vamos relacionar a Zika e a dieta dos nossos ancestrais. Apenas relacionar uma semelhança de atitude em dois episódios distantes no tempo. A semelhança é na prática de má ciência. No artigo Zika e Microcefalia: Fato ou Ficção Científica?  a frase

“(…) o diretor da OPAS diz: “alguns cientistas acreditam que é preciso mais provas, mas como profissional de saúde não tenho dúvida.”

tem uma semelhança gritante com esta outra

“Quando os cientistas alertaram o ABSURDO que estava sendo feito, MCGovern respondeu: “Não podemos nos dar ao luxo de vocês cientistas de esperar que todas as teses sejam discutidas antes de tomar uma atitude.”

https://www.instagram.com/p/uckvMdlYHn/

McGovern, que era um senador, influenciado por má ciência e convicções pessoais sem embasamento jogou a população dos EEUU, e talvez o resto do mundo, na epidemia de obesidade, sintoma da síndrome metabólica. Por causa de uma recomendação dietética completamente duvidosa.

O Dr. Souto, em seu blog, já mostrou de forma abundante que correlação não prova relação causal.

E a dieta paleolítica com isso? Nada. Apenas é fruto de boa ciência.

A má ciência pode ser um vetor mais insidioso do que milhões de mosquitos.

Relacionados:

Elizabeth Loftus: How reliable is your memory?

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Psychologist Elizabeth Loftus studies memories. More precisely, she studies false memories, when people either remember things that didn’t happen or remember them differently from the way they really were. It’s more common than you might think, and Loftus shares some startling stories and statistics — and raises some important ethical questions.

https://www.ted.com/talks/elizabeth_loftus_the_fiction_of_memory