Arquivo do mês: novembro 2013

Aruba, 30 de novembro

aruba-mojito

11:20. Acho que Mateus foi reclamar de danos na sua bagagem.

Alugamos um carro na Hertz e fomos para perto do Renaissance. Fizemos compras de lembranças. Planejamos almoçar por aqui.

13:32. Entramos no Mojito no casarão rosa para comer. Pedi um drink que Mateus experimentou em Bonaire e que eu gostei. Sex on the beach. O garçom, um “malandro coca cola”, ficou fazendo piadas inconvenientes envolvendo o nome da bebida e a bar woman. Não dei corda para brincadeira tremendamente constrangedora que ele fazia. Depois compramos lembranças. Camisas e uma máscara decorativa para Iane. Em Bonaire já havia comprado um para de brincos de pérola para ela também.

Anúncios

Curaçao – Aruba, 30 de novembro

A conexão em Curaçao foi curiosa. Descemos do avião e ficamos ao pé da escada com nossa bagagem de mão. Voltamos ao avião em assentos diferentes. Vimos a Klein Curaçao da janela. Parece ser inabitada. Muito bonita e havia alguns barcos.

Bonaire – Curaçao, 30 de novembro

9:36 Estamos voando no rumo 280 num Fokker 50. O mar está de um azul claro muito bonito. Mateus filmou a decolagem.

Bonaire, 30 de novembro

8:00. Estamos no embarque do Flamingo Airport. Aproveito a rede wifi livre do aeroporto. Já saiu um voo. O nosso é o 71 304. O avião da Insel Air é um turbo-hélice bimotor. Tivenos que pagar 40 uSD por que tinha dois volumes a despachar. O limite é de um único volume com no máximo 23 kg.

Bonaire, 29 de novembro

No grande silêncio.

Vocês são mestres maliciosos! Ensinam o homem a deixar de ser homem! Ele deve se abandonar a vocês? Deve tornar-se como vocês são agora, pálidos, cintilantes, mudos, imensos, repousando em si mesmos? Deve elevar-se acima de si mesmo cores vermelhas, amarelas e verdes seu eterno e mudo jogo do crepúsculo, não pode falar. Os pequenos escolhos e os recifes que correm no mar, como para encontrar o local mais solitário, todos não podem falar. Esse enorme mutismo que de repente nos surpreende, como é belo e cruel para dilatar a alma! — Ai! que duplicidade há nessa muda beleza! Como poderia falar bem, e mal também, se o quisesse! Sua língua presa e a felicidade sofredora marcam seu rosto, tudo isso não passa de malícia para zombar de tua compaixão! — Que importa! Não me envergonho de atrair o riso de semelhantes forças. Mas tenho dó de ti, natureza, pois tens de te calar, mesmo que fosse somente tua malícia que te prende a língua: sim, tenho dó de ti, por causa de tua malícia! — Ai! o silêncio aumenta mais ainda e meu coração se dilata de novo: espanta-se com uma nova verdade, ele também não pode falar, se põe de acordo com a natureza desafiar, quando a boca quer lançar palavras no meio dessa beleza, ele próprio goza da doce malícia do silêncio. A palavra, o próprio pensamento se tornam odiosos para mim: não será que ouço, por trás de cada palavra, rir e não escuto o erro, a imaginação e o espírito de ilusão? Não devo zombar de minha compaixão? Que eu zombe de minha zombaria? — Ó mar! Ó tarde!

Vocês são mestres maliciosos! Ensinam o homem a deixar de ser homem! Ele deve se abandonar a vocês? Deve tornar-se como vocês são agora, pálidos, cintilantes, mudos, imensos, repousando em si mesmos? Deve elevar-se acima de si mesmo?

Nietzsche

7:15. Mateus foi botar gasolina na scooter para a devolvermos às 9:00.

Acordei e verifiquei que minha camisa com a qual dormi estava do lado do avesso. Costumo brincar lá em casa que serve para espantar os maus espíritos. Confundí-los durante a noite quando estamos vulneráveis a suas influências. É só uma brincadeira que faço. Desvirei a camisa. E mal levantei recebi a notícia: “a verba de campanha estourou”. Acho que vou desvirar de novo a camisa.

Devolvi a scooter. Estamos a pé…

Hoje vamos fazer nossa programação perto do barco. De forma mais relaxante. Snorkel. Stand up paddle…

Fui na Budget Marine ver se os eletrônicos que faltavam iriam chegar pelo menos até o dia 3/12. Não chegariam. Só consegui o VHF que vou levando comigo. Comprei também a antena do VHF.

18:00. O por do sol fazia uma festa incendiária por traz das nuvens rentes ao horizonte. Rosando as nuvens dava uma sensação de um ambiente tépido e aconchegante. Dói despedir-se de um por do sol destes emoldurado por um plácido mar do Caribe.

Ainda saí um pouco e tomei um Creamy não sei o que com Bayles Café e creme chamado Ponche Cuba. Fui dormir antes de todo mundo embalado suavemente pela pequenas ondas que empurravam o barco.

Bonaire, 28 de novembro

5:52. Ontem fui dormir cedo. Não que estivesse muito cansado mas por ter acordado cedo e o chamado do sono devia ser respeitado para que Morpheu não fizesse a sua cobrança em pleno dia. Por isso pensei que o meu alarme de 7:00 estava tocando quando na verdade era o de 5:15 que ativei por engano.

Hoje planejamos alugar uma scooter e conhecer a ilha e pontos de snorkel. Acho que não vou fazer mais um mergulho com garrafa. Mateus provavelmente não iria pois da ultima vez sentiu o ouvido e o dente. Sem querer repetir que “as uvas estão verdes”, o mergulho para iniciantes é bom mas limita bastante a experiência. No futuro pretendo fazer a certificação. Meu “barato” mesmo é velejar. Fico toda hora sentindo o vento mas me lembrando de manter o foco no mergulho. A experiência com o snorkel é boa e o conforto melhorou quando comprei outra nadadeira e Mateus outra máscara. A máscara anterior dele eu agora estou usando e é melhor que a minha.

Pensei que iria escrever coisas mais inspiradas aqui no blog sobre esta viagem mas as melhores musas não são ambulantes. O movimento constante para a fruição do lugar não deixa espaço para um divagação mais contemplativa ou poética, como recomenda Onfray para uma melhor apreensão da viagem. Vou me contentar em registrar eventos de uma forma mais prosaica mas que sirvam de esqueleto para o exercício da memória caso eu me disponha a reminiscências posteriores. Estamos também fotografando e filmando bastante e esperamos que sejam um bom registro para relembrar do que se viu.

Como agora está tudo calmo estou conseguindo escrever um pouco mais tranquilo mas ainda sem que a substância do Caribe consiga inundar o texto. Está água salgada e alcalina, azul e verde, uma piscina azulejada de arrecifes e pela areia branquinha e tépida mesmo ao sol inclemente, tão feita de uma matéria dos sonhos não conseguiu nem mesmo agredir minha garganta quando me engasguei com um pouco dela numa subida afoita por ar. Meu maior medo é querer estender demais a apnéia para ficar no fundo, entre os amigáveis cardumes, uma armadilha pintada de azul. Tartarugas, moréias que ainda não vi, peixes que não sei o nome mas que me dizem serem trombetas, cofres, e outras antropomórficas denominações, desfilam tranquilos como se eu ali não estivesse. O mar é mesmo um outro planeta. Deslizar com o peso de um lunático no meio dos seres alienígenas, marcianos submersos, que não atacam (os que vi até agora pelo menos) é uma grande sensação. Passar perto dos corais, com seus “dentes” prontos para uma mordida urticante, acrescenta um pouco mais de perigo, mas é debaixo destas flores avermelhadas, taças a oferecer um vinho de diversidade, onde pululam mais criaturas.

Fomos para o Sul da ilha, perto das salinas. O ponto onde mergulhamos foi o Winsocks conforme o conselho de dois irmãos britânicos que iam fazer scuba da praia. Depois fomos para o norte e mergulhamos no Tolo. Gostei mais do primeiro onde avistamos uma arraia e um polvo. Voltamos ao barco para almoçar e descansar um pouco. Pretendemos ir ver os lagos de tarde e talvez mergulhar de novo.

Não conseguimos chegar em Lac Bay. O caminho de terra que nós indicaram tinha muitas bifurcações. Disseram que era fácil se perder. Desistimos e voltamos para o barco.

Jantamos um xaréu e uma barracuda. Agora planejamos tomar um sorvete.

Dormi cedo. Bateu um cansaço devido a ter acordado muito cedo por causa do engano com o alarme. Acho que andar na garupa da scooter também foi muito cansativo. Pilotar nem tanto.

Bonaire, 27 de novembro

Hoje saímos de bote e contornamos a Klein Bonaire, uma ilha junto à Bonaire.  A caminho da ilha entramos na Harbour Village para olhar os barcos. Paramos na ilha para o snorkeling. Havia muitos turistas. Estávamos eu, Mateus, Materna e Anildo. Braz e Waltinho estavam fazendo mergulho de scuba em algum lugar. Ao voltarmos mergulhamos de novo perto da ilha principal.

Falamos pelo Skype com todo mundo lá em casa. Eles nos faziam inveja mostrando as comidas e doces da festa de aniversário de Carolina. Falei que quando voltarmos vamos comemorar a nossa chegada incólumes.