Arquivo do mês: janeiro 2010

Hoje não velejei. Brinquei com Iasmim na piscina.

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Fui ao Crasto e Terra Caída. Cai na armadilha da maré enchente. O barco fazia muita água. A muito custo consegui chegar numa praia deserta de Mangue Seco. A base do mastro rachou de novo. Fiz muito esforço para puxar o barco para a praia e incliná-lo para que a água saisse do interior. Liguei para Mário Jorge que arranjou uma janga para me rebocar. Fui puxado quase 7 km até uma rampa depois de uma ponte em Porto do Mato. Um chafariz subia forte pelo buraco da bolina me molhando todo (eu fiquei dentro do barco para equilibrá-lo e usar o leme). O lancheiro era maluco e corria muito. Achei que era porque estava já escuro. Quando chegou perto de Porto do Mato parecia que ele tinha se esquecido que o barco tinha mastro e foi com tudo para passar debaixo da ponte. Fiquei apavorado e acabei virando o barco. Ele só percebeu depois. Ficaram me procurando no escuro sem me ver. Fui nadando com o colete me atrapalhando muito. Retiramos o Laser da água para a carreta rodoviária que Mateus trouxe.

Almocei jantarado.

Velejei até o Mangue Seco. Não almocei. Comi um sanduiche. Durante o lanche recebi um telefonema sobre uma consulta ao dentista no Rio que desmarquei. Havia um casco de Laser abandonado perto de uma cerca. Depois tomei sorvete.

Planejei voltar no dia seguinte com Carolina até a Pousada O Forte para falar com Jaci.

Fui a Praia do Saco de tarde. Cheguei após o poente.

Do Mangue Seco à Praia do Saco na lua nova

pousada-o-forte

Praia em frente à pousada O Forte

Eu e Mateus tentamos colocar o barco no Rio Sergipe para eu velejar. Desistimos. A estrada para uma prainha perto da ponte da Coroa do Meio estava com muita areia e podíamos atolar. Além disso havia dois caras suspeitos e podíamos ser assaltados. Quando íamos tentar uma rampa de cimento antes da referida ponte Mateus sugeriu que eu fosse para o Saco. Pensando na sujeira do Rio Sergipe (há 3 anos já era sujo ainda mais agora depois de tantos prédios novos) e nas águas limpas da foz do Rio Real não titubeei, fui para o Saco.

Do ponto de espera da balsa do Mosqueiro dava para ver a ponte em construção (termina em março de 2010 segundo me informou alguém de Laranjeiras que estava indo para o Abaís). Outra ponte em Terra Caída está começando a ser construída. Novos points para velejadas ficarão acessíveis, eu acho (tenho que pesquisar). A travessia foi tranqüila e fui comendo roletes de cana com casadinhos que comprei junto com uma água de coco.

Vista do alto da maior duna de Mangue Seco

Chegando ao Saco, com a ajuda de Neguinho, coloquei logo o Butuca na água (um Laser Radial). Tive que descer perto da igrejinha pois o resto da orla está cheio de pedras para proteger as casas na beirada da rebentação (o mar está avançando sobre as casas, uma já foi até engolida num “poltergeist marinho” no passado). Na saída o leme soltou por causa do bate-bate da rebentação e a rolha do casco quebrou. Recoloquei o leme velejando mesmo e voltei para arranjar outra rolha. Neguinho conseguiu uma no lixo de um bar próximo.

Eu no Butuca (meu Laser Radial) no poente

Parti para o Mangue Seco. Eram 16:10. A maré estava alta e quando cheguei do outro lado da foz do Rio Real procurei uma prainha perto de um restaurante de um francês atrás das dunas.

Outra vista do alto da duna de Mangue Seco

O francês (Yves Niort) estava na praia e quase de imediato me ofereceu uma velejada no seu Hobie Cat 14 em troca de velejar com sua família no meu Laser.

Minitransat

Hobie Cat 14

Hobie Cat 14

Topei logo e montamos o Hobie Cat juntos. Nas nossas conversas enquanto montávamos o barco descobri que ele já participou de uma Minitransat em 1999 (parece que foi logo depois dessa regata que ele se radicou no Brasil) e que foi buscar o velejador desgarrado perto de Abrolhos na regata de 2009. Ele me animou um pouco sobre meu projeto de ter um Minitransat falando que dá para construir bem rápido e com um custo baixo. Vou averiguar. Ele me mostrou como velejar no Hobie e meti as caras. O moitão da escota e o carrinho do ‘traveller’ estavam travados e velejei com a vela em posição fixa. Achei chato ter que passar a cana do leme por trás da escota toda vez que dava um jibe (não me lembrava mais disso embora tivesse velejado de carona num Hobie há alguns anos) mas deve haver uma técnica para isso (fiquei todo enrolado e me ralei bastante no trapézio durante as migrações de bordo). O francês tinha recomendado que eu usasse jibes para mudar a direção. Fiquei intrigado porque não falou para eu dar um ‘bordo’ e depois de algumas voltas tentei assim mesmo, sem problemas. Depois ele me disse que os iniciantes tem mais dificuldades com a cambada no Hobie. Achei uma delicia o deslizar do Hobie mesmo com pouco vento (ainda bem pois assim não virei nem uma vez). No meio de um jibe Iane me telefona. Apesar de já ser 17h ela não se preocupa por eu ainda estar no Mangue Seco. Tive que encerrar a ligação pois estava me aproximando da margem e precisava virar. Enquanto isso o francês botou varias pessoas para velejar no Laser. Ele próprio, um menino filho dele e a senhora mãe dele (que o ensinou a velejar e que disse sobre o Laser ou sobre velejar: ‘j’aime’).

Pousada O Forte

Encorajado pelo francês não me preocupei em voltar com o sol se pondo para o Saco. Ainda fui tomar um sorvete na loja da D. Ana. Um canoeiro me aconselhou partir só no dia seguinte porque a maré estava vazante e poderia ganhar do vento, que ele achava que estava brando demais. Resolvi testar o vento para ver se dava para atravessar. Achava difícil dormir no Mangue Seco com minhas roupas molhadas.

Quando sai (já estava tudo escuro, era lua nova) achei o vento ótimo. Avisei Neguinho que estava indo e fiquei de avisá-lo quando estivesse chegando perto da igrejinha para que ele piscasse os farol do carro. Guiei-me pelas luzes no Saco e confiei no Butuca para me levar de volta. Nunca velejei com ele após o poente mas achei que ele estava correndo mais que de dia. Apesar do risco não tive medo algum e confesso que foi uma das melhores velejadas que já fiz. A temperatura do ar e da água estavam paradisíacas. Sei que era ilusório mas os ventos estavam bons e quando botei o vento no través ele voou. Calculei mal o momento de virar e a bolina encostou no fundo perto da praia do outro lado. No meio do trajeto fiquei com receio de bater em algum banco de areia mas parece que a maré não tinha descido bastante ainda ou eu me desviei bem, mesmo no escuro. No raso a escota se embolou na cana do leme e o barco acabou virando duas vezes e molhando a vela (que tive que lavar na chegada).

Quando estava perto avisei Neguinho mas cheguei em frente a igrejinha, onde queria aportar, antes dele. A maré me arrastou para mais adiante e tive que ‘empopar um pouco’ para voltar. Por causa disso Neguinho já estava na igrejinha piscando o farol e achei que ainda não tinha me visto. Coloquei o Laser na orça e surfei nas pequena rebentação. Botamos o Laser na carreta com a carreta de encalhe precariamente amarrada, e sem desmontar, encima do casco. No meio do caminho ela caiu e danificou a peça que prende a fita onde o casco se apóia. Vou ter que obter outra peca quando voltar ao Rio. O Laser está fazendo um pouco de água (descobri depois que é pelo nipple do esgoto do cockpit e não pelos parafusos de fixação da fêmea do leme recentemente colocados a moda do Trindade).

Mais tarde fui comer no restaurante novo (Coqueiral), indicado por Neguinho. Fui dormir com a sensação de ter tido um dia ótimo.