Arquivo do mês: novembro 2014

Montagem do mastro e primeira velejada do Dawn I

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Dawn antes da colocação do mastro

Nos dias 27 e 28 foi montado o mastro do Dawn I. No dia 29 aconteceu a primeira velejada.

Saí com antecedência para pegar o técnico e um dos donos do estaleiro no Galeão. Gastei uma hora na Lagoa só para chegar na entrada do Rebouças. O voo estava previsto para chegar 20:00. Cheguei na hora.

Escolhi o estacionamento muito longe do local de desembarque. Tive que andar muito dentro do aeroporto e as esteiras rolantes estavam paradas.

Vi que o voo estava atrasado. Previsão para 21:00. Fui comer algo numa loja de queijos mineiros recém inaugurada. Ofereceram degustação de queijos e comprei um pacote de mussarela em tubinhos para comer na viagem até Bracuí.

Estava esperando a hora do voo atrasado quando recebi uma mensagem dizendo que o técnico já estava desembarcando. Depois soube que veio em outro voo direto e por isso chegara antes das 21:00.

Fomos para o estacionamento e já estava saindo mas tive que voltar porque esqueci de pagar a estada num quiosque dentro do aeroporto. Conseguimos sair 21:00.

A viagem de volta levou 3 horas ou um pouco mais. Fomos pela Avenida Brasil até pegar a Rio Santos. Chegamos mais meia-noite. Choveu a beça na estrada. A visibilidade estava horrível em alguns trechos.

Levei o técnico no hotel e fui para a marina dormir no barco. Antes fui tomar um banho quente para relaxar. Consegui dormir lá para as 2:00. Desta vez já tinha preparado o cabo de energia e dormi com o ventilador ligado para espantar os mosquitos.

No primeiro dia o mastro foi colocado no lugar e os brandais ajustados entre outras coisas.

Mastro a caminho da enora

Mastro a caminho da enora

Mastro no lugar

Mastro no lugar

Dawn I mastreado

Dawn I mastreado

No segundo dia mais ajustes e preparação para a velejada do sábado deixando todos os cabos no lugar e as vela com talas e enroladas em tubos.

Nos dois dias a chuva fina não deu trégua. No sábado parou de chover e o tempo melhorou. A velejada foi com muito pouco vento. Não passamos de 2 nós de velocidade nos melhores ventos. Milagrosamente conseguimos sair do cais na vela mesmo com vento quase nenhum. Alguém no cais gritou, admirado: “E eu que pensei que sabia velejar…” O barco ainda não tem motor. Usamos todas as velas e no final velejamos com a mestra e o balão, com a genoa baixada. Também aprendi um ditado: “Velejar com pouco vento é para quem sabe, com muito é para quem pode.”

Saindo no canal de Bracuí

Saindo no canal de Bracuí

Mestra e balão

Mestra e balão

A volta para o Galeão foi bem mais tranquila e chegamos bem antes do horário.

Dawn I

Hoje fomos receber o Dawn I em Bracuí. Não pôde ser Dawn somente. Já há um Dawn em Maceió.

Saímos bem cedo, eu e Mateus. 5:00 já estávamos na estrada.

Faltando cerca de 2 km para a entrada da marina Mateus viu um barco encima de um caminhão parado em um posto de gasolina. Falou: “Acho que é o seu barco”. Olhei imediatamente, não podendo acreditar. Quando vi a janela escura da rota de fuga acreditei que era mesmo o barco. Parei no acostamento e cruzei a via para entrar no posto. Paramos perto do caminhão e confirmamos que era mesmo o Dawn I, que já tinha o nome pintado no costado. E o caminhão era mesmo da transportadora contratada. Começamos a filmá-lo e fotografá-lo. O motorista parecia estar dormindo na cabine com as cortinas baixadas. Pensei em ligar ou enviar uma mensagem para a transportadora e neste momento vi que tinham me enviado o telefone do motorista. Quando pensei em ligar para ele, pois já era quase 8:00, a hora combinada para ele estar na marina, percebi um movimento na cabine. Era o motorista acordando.

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Abordei o motorista e expliquei que era eu que iria me encontrar com ele na marina. Mandei uma mensagem para a transportadora dizendo que eu o tinha encontrado no posto. Combinei com o motorista que ele me seguiria até a marina.

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Chegando na marina combinei a entrada do caminhão com o barco e a colocação do barco na água para ser rebocado até a vaga.

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Com o Dawn atracado pudemos voltar ao Rio.

61 anos

Meu inimagináveis 61 anos ocorrem hoje. Muitos sonhos de grandeza ainda me percorrem. Mas de uma grandeza pequena e individualística, sem coro. Saúde, aventura, vida, tudo ainda parece possível. Talvez… Mas para comemorar esta idade poderia brincar, como já fizeram comigo, e dizer que tenho 16 anos. E diante da perplexidade de quem ouve sugerir: inverta! Mas para melhor comemorar gostaria de citar alguns textos e impressões que me são caros por refletirem alguns valores interessantes:

Se as pessoas insistem que honra é mais cara que a própria vida, o que elas querem dizer é que a existência e o bem-estar são insignificantes se comparados com as opiniões dos outros. É claro que isto pode ser uma forma exagerada de exprimir a verdade prosaica de que a reputação – a opinião que os outros têm de nós – é indispensável se desejamos fazer algum progresso no mundo. Nada na vida dá ao homem tanta coragem como a renovada convicção de que os outros o olham simpaticamente. Isso significa que todos se aliam para dar-lhe a ajuda e proteção que constituem um bastião infinitamente mais vigoroso contra as incertezas da vida do que qualquer outra coisa. Os fundamentos últimos da honra residem na convicção de que o caráter moral é inalterado: uma única má-ação implica no reconhecimento de que futuras ações do mesmo gênero, sob as mesmas circunstâncias, serão igualmente ruins. Fama é algo que deve ser conquistado; honra é apenas algo que não deve ser perdido. A ausência de fama é a obscuridade que é apenas uma negação, mas a quebra da honra é uma vergonha, que é algo concreto e positivo. A honra concerne apenas àquelas qualidades que se espera encontrar em qualquer um em circunstâncias similares. A fama concerne apenas às qualidades que não se podem exigir em todos os homens. Qualquer um pode atribuir-se a honradez. A fama só pode ser atribuída por outros. Enquanto nossa honorabilidade se estende tão longe quanto o conhecimento que as pessoas têm de nós, a fama se antecipa correndo e faz-nos conhecidos entre gente que não nos conhece. Qualquer um pode considerar-se apto à honra, poucos porém podem considerar-se capacitados para a fama obtida somente diante de conquistas extraordinárias. Nenhuma diferença de classe, posição ou nascimento é tão grande quanto o abismo que separa os incontáveis milhões de criaturas que usam suas cabeças como instrumentos de seus estômagos e aqueles poucos e raros indivíduos que têm a coragem de dizer: “não!” Comparados com os respectivos períodos de vida, os homens de grande intelecto assemelham-se a altos edifícios construídos num pequeno lote de terreno – o tamanho da construção não poder ser avaliado por ninguém que esteja no terreno. Por razões análogas, a grandeza dos gênios ou heróis não pode ser estimada enquanto vivem. Passado um século, o mundo reconhece os valores, mas é tarde demais. Todo herói é um Sansão. O homem forte sucumbe à intriga e às artimanhas dos fracos e se no fim ele perde a paciência, esmaga os miúdos e se soterra. Ou então ele é como Gulliver em Liliput – um poderoso gigante dominado por um enxame de homens minúsculos. É natural que grandes mentes – os verdadeiros mestres da humanidade – menosprezem a companhia de grupos. Como o professor que não se inclina a participar da zoada dos alunos. A missão destas grandes almas é guiar seus semelhantes do mar de erros ao porto da verdade, tirá-los do abismo da vulgaridade para a luz do refinamento. Os seres de grande intelecto vivem no mundo sem contudo pertencer a ele. Desde cedo percebem uma diferença entre eles e o resto da humanidade, mas é só com o passar dos anos que compreendem suas posições: seu isolamento intelectual é uma necessidade criadora e sua vida reclusa uma imposição para salvá-la do desgaste.

Arthur Schopenhauer

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Nietzsche

Mas este meu gosto por citações faz com que eu me surpreenda com achados literários conectados em autores aparentemente insensíveis entre si. Em Os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski, a frase do diabo “Satanas sum et nihil humani a me alienum, puto” (Sou Satanas e nada do que é humano reputo alheio a mim.) lembra imediatamente uma frase de Marx que diz Nihil humani a me alienum puto” (Nada do que é humano me é estranho). Vi há um tempo esta mesma frase no prédio do Corpo de Bombeiros próximo ao Corte do Cantagalo, no Rio. Já retiraram. Devem ter descoberto a citação. Mas “Nada do que é humano me é estranho”, parece remontar a  Terêncio, que é mais antigo. E Nietzsche, que admirava Dostoiévski e cultivava os gregos cunha o nome de um de seus livros como “Humano, demasiado humano”. Para fazer mais dessas associações precisaria de uma outra vida com bastante tempo para conectar, sinapticamente, estas referências tão ricas em significados e imaginação.

E novamente, nos karamazov o diabo fala “Pensas sempre na nossa terra atual! A terra reproduziu-se talvez 1 milhão de vezes; gelou-se, fendeu-se, desagregou-se, depois decompôs-se em seus elementos, e de novo as águas recobriram a terra. Em seguida, foi novamente um cometa, depois um sol donde saiu o globo. Esse ciclo se repete talvez uma infinidade de vezes, sob a mesma forma, até o mínimo detalhe. É mortalmente aborrecedor…” e parece que Nietzsche deve ter lido isto.

As associações são intermináveis embora a minha visão particular é que as mantém coesas sem esperança de consenso, é claro. E nem chega a me interessar. O consenso.


Ganhei os livros:

  • A rainha do castelo de ar, Stieg Larson
  • As armas secretas, Julio Cortázar
  • A caixa preta, Amós Oz