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Dawn I em Aratu

Dawn I in Aratu

A regata Aratu-Maragogipe de 2017, dita RAM 2017, foi adiada para o dia 9 de setembro. Estávamos na Marina de Aratu com antecedência. A regata seria no sábado, dia 26 de agosto. Um acidente em Mar Grande com uma embarcação de passageiros causou grande  comoção na Bahia e o pesar geral levou ao adiamento pelos organizadores da regata.

Chegamos à marina no início da semana para alguns treinos. Tivemos a orientação valiosa de Luis Poesia, velejador de cruzeiro e skipper com vasta .experiência e sabedoria bem-humorada. Inexplicavelmente ou estranhamente, como achou o Kan Chuh, durante os treinos o estai de proa foi visto balançando pelo Poesia lá na frente causando extremo nervosismo a todos. Poesia bradava que o mastro iria cair, muito preocupado. Relatou depois que já teve experiência com queda de mastro e encontramos  uma referência a isto no veleiro, net. Não teríamos muito o que contar do nosso cotidiano não fossem os imprevistos perigos a nos espreitar do recôndito do reino dos eventos silenciosos e discretos que afloram de repente se expressando como um pino solto e uma uma cupilha misteriosamente desaparecida.

Como Hermes é o eterno viajante, sempre na estrada entre o aquém e o além, ele é o deus do périplo, da viagem além do último horizonte, do existir como travessia contínua. Sob sua tutela, “viver é muito perigoso” (ROSA, 1970), porque se concebe prenhe de experiências, que conduzem o homem a atravessar o derradeiro limite do humano. Périplo, perigo, experiência são palavras que atuam dentro do mesmo campo semântico, porque constelam-se ao redor do radical per –:

De fato, perigoso e experiência têm o mesmo radical: per-. De per- se formou o verbo grego perao, que significa originariamente: atravessar, e o substantivo peras: limite. O viver é perigoso porque se dá como experiência (CASTRO, 2002, 67).

Fonte: O UNIVERSO ROSIANO DAS TERCEIRAS ESTÓRIAS(PARTE 1)

Mar fosforescente

Sob a orientação sábia do Poesia, e a minha estupefação, Mateus correu para baixar a vela grande e assim evitar uma pressão que derrubasse o cambaleante mastro. Optou por manter a genoa no lugar como uma espécie de substituta de “fortuna” do estai agora inoperante. Poesia não conseguiu me confiar o timão apesar de eu pedir com o intuito de liberá-lo para ajudar Mateus. Os cabos ociosos usados com o balão foram presos no proa para substituir o estai. Depois baixou-se a genoa e voltamos ao cais no motor. Fiquei imaginando o que aconteceria se o estai soltasse durante as nossas velejadas que fizemos pela manhã sem o Poesia. Ao chegar no cais e durante a atracação Mateus viu o improvável. O pino do estai de proa ameaçava ir para água a dois centímetros da borda da proa.

Depois que o Poesia terminou com a gente embarcou o Carlinhos, nascido numa canoa, que “tocou” o barco como um virtuosi dos violinos trimando para a máxima performance, principalmente na orça, sua especialidade. Ganhando sempre corremos em match race contra Kan Chuh, Rafael e Murillo Novaes num outro Skipper 6.5. Uma vez até a bóia número 2 na Baía de Todos os Santos e outra na Baía de Aratu. Depois fomos ao churrasco oferecido pelo Barreto. Nas conversas durante o churrasco Barreto falou de um minitransat de madeira que um francês queria vender mas não podia por causa de lei ou normas fiscalizadas pela Receita Federal.

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Uma curiosidade também foi sobre uma estratégia para enfrentar furacões: plantar barcos.

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Mateus, depois das velejadas, teve despertado o interesse pela literatura de vela que possuo. Tem lido pesadamente Navegar é Fácil, Nigel Calder e sobre nós, inclusive no Ashley.

 

Achamos também, perdidos na minha “vasta biblioteca” os livros “Vela e prancha para todos”, do Bob Bond, e “Cartilha de navegação”, de Luciene Strada.

 

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I Fim de Semana de Vela

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Divulgada a programação completa do I Fim de Semana de Vela da Baía de Aratu! O evento, que acontece nos dias 18, 19 e 20 de agosto traz três dias intensos de palestras, regatas, Feira do Rolo, música e muita troca de experiência entre os participantes, que podem aproveitar a oportunidade para disputarem um belo esquente para a Regata Aratu-Maragojipe! Participe!

PROGRAMAÇÃO

Sexta-Feira |18 / 08 / 2017

• 19h: Palestra sobre Meteorologia (AIC) | Palestrante: David Xará
• 20h: Som ao Vivo (AIC)

Sábado | 19/ 08 / 2017

• 08h – Feira do Rolo – Produtos Novos e Usados (AIC)
• 10h – Palestra: Regras de Regata | Travessias e Delivery (AIC)
Palestrante: Leonardo Chicourel

• 13h – Regata de Percurso Baía de Aratu (Veleiros de Oceano) | Regatas Barla – Sota (Optmist)
(Chegada na Marina Aratu)
• 16h – Happy Hour com Coquetel (Marina Aratu)

Domingo | 20/ 08 / 2017

• 08h – Feira do Rolo – Produtos Novos e Usados (AIC)
• 12h – 02 Barla-Sota (Dentro da Baía de Aratu) / Regatas Barla – Sota (Optmist)
• 16h – Coquetel de Premiação (AIC)

Aratu Iate Clube

Regata Aratu-Maragogipe 2017 (48 anos)

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O Evento

Origem

A regata nasceu no ano de 1969 com a denominação de “Regata de São Bartolomeu”, em homenagem ao Santo padroeiro da cidade de Maragojipe. Nas primeiras edições do evento a grande maioria das embarcações participantes era composta pelos tradicionais saveiros, muito comuns e numerosos na época. Decorridos os anos, os modernos veleiros de Oceano passaram a ser os protagonistas, distribuídos em mais de vinte classes. Os tradicionais “Saveiros de Vela de Içar”, hoje em extinção, também dão grande beleza ao evento. Abertura Oficial O evento tem início no dia 25 de agosto, à noite, com uma grande Cerimônia de Abertura na qual reunirá autoridades governamentais, velejadores, imprensa, patrocinadores e convidados, na sede do Aratu Iate Clube. Público estimado em 1.200 pessoas.

A Competição

A competição será no sábado, dia 26 de agosto, com três largadas para as diversas classes inscritas, a partir das 10 horas da manhã, na raia montada entre o Farolete da Base Naval de Aratu e Ilha de Maré. A 48ª Regata Aratu-Maragojipe é uma realização do Aratu Iate Clube, em parceria com a Via Náutica Consultoria & Eventos, empresa coordenadora do evento. A expectativa é reunir cerca de 300 embarcações, entre veleiros de Oceano, saveiros e escunas a Vela. Participam mais de 1.500 tripulantes, o que faz dela um dos maiores eventos náuticos da América Latina. As inscrições são feitas exclusivamente pelo site www.aratumaragojipe.com.br. Belos posts e informações atualizadas também podem ser acessados na página do Facebook – Regata Aratu Maragojipe.

Bolsa de Tripulantes

A Regata Aratu-Maragojipe é uma competição democrática! Os interessados em acompanhar a prova, que não têm embarcação, podem participar do evento como tripulantes. Para isso, basta acessar o link da Bolsa de Tripulantes aqui no site e preencher um breve formulário com suas experiências a bordo. O que não vale é ficar de fora!

Ações Sócio-Ambientais

Preocupados com as questões ligadas à preservação ambiental, em particular com a escassez de água que assola boa parte do planeta, a Regata Aratu-Maragojipe, como um evento de grande visibilidade e de profunda ligação com a natureza, não poderia se esquivar da obrigação de colaborar na conscientização do uso racional da água. Dessa forma, lança em paralelo à realização do evento, a campanha “Quem é do mar sabe economizar”. Ter água limitada a bordo faz com que os velejadores criem automaticamente uma cultura de economia e uso racional da maior riqueza natural da humanidade. Tal comportamento acaba sendo levado para o seu dia a dia, para a sua casa, a sua família, o seu trabalho, tornando-se um importante multiplicador dessa prática salutar e necessária dentro da sociedade. A 48ª Regata Aratu-Maragojipe é uma das mensageiras e catalisadoras dessa positiva campanha.

Abre-alas da 48ª Aratu-Maragojipe terá presença de campeão mundial

O campeão mundial Bruno Jacob será o grande destaque do “Abre-Alas” da 48ª Regata Aratu-Maragojipe no próximo dia 26 de agosto, quando cerca de 100 jet skis farão, mais uma vez, uma participação especial no evento. A intenção da Organização da regata é chamar a atenção para o uso correto do equipamento. Todos os participantes estarão com adesivos trazendo a mensagem “Sou um piloto consciente, seja também!”

Grandes nomes do Iatismo

A Regata Aratu-Maragojipe é também conhecida por atrair grandes nomes do Iatismo mundial, como Torben Grael e Lars Grael. Torben, juntamente com sua família, competiu em 2010 a bordo de um Saveiro Vela de Içar e ficou encantado com a beleza do evento. Já Lars Grael participou de diversas edições. Em 2014, Lars Grael fez questão de competir em seu próprio veleiro, o Tangará II, sagrando-se campeão em sua classe. Em diversas oportunidades, inclusive em praça pública, utilizando os microfones no momento de receber o seu prêmio, declarou que a Regata Aratu-Maragojipe é uma das melhores regatas do mundo!

Percurso Ímpar

A Regata Aratu-Maragojipe tem uma grande e marcante particularidade. É uma competição de mar e rio. Metade do percurso nas águas da bela Baía de Todos os Santos, a outra dentro das águas do Rio Paraguaçu, de muitas lendas, mas também muitos fatos históricos, como as batalhas pela Independência da Bahia. Quem participa desta regata não esquece a beleza das paisagens, das construções seculares, das ilhas e farta vegetação, do vento constante e temperatura agradável, das águas calmas do Rio Paraguaçu, do entardecer calmo na enseada do Rio Guaí, tendo a cidade de Maragojipe como pano de fundo.

Premiação

Com a chegada dos velejadores em Maragojipe a festa está completa! A cidade celebra o seu santo padroeiro, São Bartolomeu, e durante todo o mês de agosto permanece em clima de euforia. A regata oferece um jantar aos participantes até às 21h e logo em seguida inicia-se a Cerimônia de Premiação nas proximidades do cais de Maragojipe, com muita alegria, comemoração e sensação de dever cumprido. Encerrada a premiação, os velejadores seguem para a praça central da cidade para juntar-se ao grande público a fim de prestigiarem as apresentações de grandes nomes da música baiana e brasileira em um palco montado ao lado da Igreja Matriz. Os velejadores pernoitam em seus barcos e no domingo tem o seu retorno livre para Salvador.

Contatos: Via Náutica Consultoria & Eventos

Marcelo Fróes | (71) 99912-4126 | vianautica.nautica@yahoo.com.br

PROGRAMAÇÃO | 48ª REGATA ARATU MARAGOJIPE

CERIMÔNIA DE ABERTURA

Dia 25 de Agosto – Sexta-Feira
Local: Sede do Aratu Iate Clube
18h30 – Apresentação da Banda “Terra Brasilis”, com o melhor do samba tradicional.
19h00 – Reunião de Comandantes – Aspectos técnicos da competição com o Gerente Técnico da Regata, André Costa.
20h30 – Abertura Oficial com a presença de autoridades, patrocinadores, Imprensa e comunidade náutica.
21h30 – Show Musical com a banda “Estakazero Acústico”, com Léo Macedo.
00h00 – Encerramento

COMPETIÇÃO

Dia 26 de Agosto – Sábado
Largadas
Vide Aviso de Regata e Instruções de Regata para maiores detalhes sobre Classes x Largadas.

CHEGADA EM MARAGOJIPE

Dia 26 de Agosto – Sábado
18h00 – Fechamento da raia
18h00 às 21h00 – Jantar para Velejadores (Antigo Mercado Municipal), em frente ao píer. (Apresentação obrigatória do cupom de acesso ao local do jantar, entregues juntamente com o kit para as embarcações inscritas).
21h30 – Cerimônia e Premiação
22h30 – Encerramento

FESTA DE SÃO BARTOLOMEU

Após o encerramento da premiação, os velejadores estão convidados a assistir os shows que acontecem na praça principal de Maragojipe, parte alta da cidade, cerca de 1,5 km do local da premiação.
Maiores informações entrar em contato com o Aratu Iate Clube (71) 3216-7444 / aratuclube@uol.com.br ou com a Via Náutica Consultoria & Eventos (71) 9.912-4126 / vianautica.nautica@yahoo.com.br

Minitransats inscritos:

  1. 042 MARATU BARRETO DOREA
  2. 055 VMAX-5 SERGIO VINICIUS
  3. 056 NINA KAN CHUH
  4. 057 DAWN I FRANCISCO ARY
  5. 068 VMAX-6 KARINA SANTOS

Nota: Os minitransats largam no Grupo 2 às 10:30.

[Atualização]

Em razão do pesar pelas vítimas de Mar Grande a regata foi adiada.

Veja abaixo a nova programação:

08/09/17 – Sexta feira 19:00 horas Reunião de comandantes – Aratu Iate Clube

09/09/17 – Sábado

  • 10:00 horas Largada do Grupo 1
  • 10:30 horas Largada do Grupo 2
  • 10:45 horas Largada do Grupo 3

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Barco e bike

O raio e seus efeitos no barco

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Uma matéria ainda altamente controvertida, é a que diz respeito às descargas elétricas sobre uma embarcação que se encontra na água. A dúvida que perdura é: qual a proteção que dá o pára-raios?  Ele atrai o raio?  Um barco sem pára-raios tem mais ou menos chance de ser atingido?

Há entendidos que afirmam ser o pára-raios um   equipamento essencial de segurança.  Por outro lado, não conheço nenhum barco que vem equipado com pára-raios de fábrica;  nem mesmo de estaleiros conceituados e famosos..  Será que eles não prezam a vida dos seus clientes?  Para as companhias de seguro não faz diferença se um barco está equipado com pára-raios ou não. Vamos detalhar um pouco mais essa questão e os fatores que a influenciam.

O raio e o relâmpago, já que este último é a luz emitida pelo raio, é uma faisca de altíssima voltagem que pode ter mais de uma milha de comprimento.  Quando horizontal, isto é, entre uma nuvem e outra, pode chegar a 20 milhas!  Esta centelha é produzida pelo acúmulo de carga elétrica em nuvens cúmolos-nimbos.

Numa tempestade com fortes correntes verticais, as nuvens ficam com cargas positivas e negativas nos extremos:  topo e base.  Na medida em que as cargas vão aumentando, elas vão procurar um equilíbrio.  São cargas extremamente elevadas, que vão ficar opostas às cargas de outra massa dentro do mesmo grupo de nuvens, em relação a outras nuvens ou em relação ao solo.  Quando este desequilíbrio chega a um grau até hoje indeterminado (pode ser muito variável), a corrente vai de uma massa para a outra na forma de uma centelha.

Esse acúmulo de eletricidade atmosférica chega a níveis estarrecedores;  na ordem de 20 milhões de volts!  Quando estas cargas atingem o ponto crítico mencionado acima, a massa de ar isolante que separa as cargas opostas entre a nuvens ou entre as nuvens e o solo é rompida pela centelha, com uma corrente média de 10.000 ampéres.

Esta descarga para a terra, ou água, se processa a uma velocidade de 60.000 milhas por segundo.  A duração de um raio é pois ridiculamente curta;  ele mal seria visível.  O que realmente se vê são apenas coriscos e luminescências brilhantes, decorrentes do raio original.

O tempo durante o qual é aplicada esta tremenda corrente elétrica é demasiadamente curto para uma transferência de energia danosa, a não ser que encontre uma resistência interposta ao seu caminho, que poderia ser, por exemplo, um barco.  O raio sempre procura o caminho mais curto e direto para a terra, ou água, levando “de roldão” tudo que estiver no seu caminho lhe oferecendo resistência. O caminho mais óbvio seria pelo mastro de alumínio.  Se o mastro não tiver uma direta e sólida ligação para a água, via quilha de ferro ou chumbo, esta monstruosa corrente vai ramificar-se para todos os lados.

O raio atingirá todo o sistema elétrico;  irá torrar o VHF, ligado ou não;  destruirá o alternador, o arranque do motor e fundirá a bateria, além de estragar os instrumentos, as bombas elétricas e a regulagem da bússola.

No seu implacável caminho para a água poderá seguir pelo eixo da hélice ou por uma saída de casco e até pelo transducer do eco, fazendo nesse processo um rombo que poderá afundar o barco e ainda será uma sorte enorme se não atingir uma pessoa. Um verdadeiro caos, acompanhado do forte e tétrico cheiro de ozônio.  Num barco de fibra, um cabo incandescente pode carbonizar o laminado, desenvolvendo gases extremamente tóxicos e perigosos.

A esta altura, se estiverem querendo vender o barco, sem falar em raio para o eventual comprador, aguardem um pouco e leiam adiante.

Vejamos também o lado mais animador da questão.  Em primeiro lugar vêm as estatísticas.  Nos Estados Unidos, onde existem milhares de centenas de barcos de recreio, em média, são atingidos 30 a 100 barcos por ano.  Assim como há gente que consegue acertar na loto, também há quem pode ser atingido por um raio.

Como proteger-se é a questão, pois um sistema totalmente garantido não existe. Um casco de alumínio ou ferro leva uma vantagem muito grande, pois esses metais são ótimos condutores.

De acordo com as recomendações da ABYC, American Boat and Yacht Councyl, o ideal seria um pára-raios no topo do mastro, com conexão direta para a água. O raio passa pela parte externa de um condutor;  isto faz com que o mastro de alumínio oco, seja equivalente a uma barra sólida, portanto um excelente condutor.

O pé do mastro deve ser ligado diretamente à quilha de ferro ou chumbo (não vale quilha encapsulada em fibra).  Quando isso não for possível, é preciso Ter um condutor de fio AWG nº 4. Da base do mastro, da maneira mais direta possível, sem ângulos agudos, mas com curvas suaves e sempre descendentes, até a uma chapa de aterramento de cobre, submersa na água.  Essa chapa é usada quando a quilha não é adequada ou em lanchas. Deve ter no mínimo 280 cm2.  Existem chapas específicas para este fim, de material poroso, com aproximadamente 1 cm de espessura, que são bem menores e eqüivalem a uma superfície de lisa de cobre bem maior. Um mastro de madeira ou fibra necessita um cabo condutor AWG nº 4.  É importante que seja feito um serviço de bonding, interligando todas as peças metálicas entre si, incluindo, fuzis, púlpitos, lastro de ferro ou chumbo, motor, tanques metálicos, etc.   Observe ainda que o amantilho deveria ser de náilon e não cabo de aço.

Nestas condições, o barco ficaria protegido 99,9% por um cone de proteção de 45 graus da vertical do mastro.  Com um cone mais aberto de 60 graus (lanchas), a proteção seria de 99%.

Isso tudo é muito simples de recomendar; mas não é fácil de realizar.  É uma mão de obra tremenda e bastante dispendioso.  Então bate o raio no barco superprotegido.  Que é que vai acontecer?  Certamente haverá alguns danos de menor monta, principalmente nos equipamentos elétricos e eletrônicos.  Note que estamos falando de um impacto direto.  Quando se trata de uma descarga estática devido às condições carregadas da atmosfera ou devido ao impacto de um raio nas proximidades, as condições são bem mais favoráveis.

Do exposto, podemos concluir que não adianta pegar o fiozinho da antena do VHF e aterra-lo com a finalidade de proteger o barco ou o equipamento;  é uma mera ilusão.  O rádio deve estar desligado, a antena e a eletricidade desconectadas.  É um bom lembrete desconectar o microfone também; não que seja necessário; apenas para lembrar que a antena está desconectada e não voltar a transmitir antes de refazer a ligação, que certamente danificaria o tranceptor.

E que fazemos nós, simples seres mortais, que não temos um barco superprotegido?  Diria que deve-se fazer o melhor possível.  Em primeiro lugar, um pouco de fé nas estatísticas.  Depois seria recomendável o aterramento das partes metálicas principais, sendo prioridade número um a ligação direta do mastro à quilha (ou chapa de aterramento).  Depois, tudo que for razoavelmente possível.  Um dos pontos mais críticos são os fuzis nas anteparas ou costados, sem conexão com a quilha.  O raio, ou uma ramificação, que desce pelos estais aos fuzis, saltará destes para a água, levando e carbonizando no seu caminho pedaços de madeira ou fibra, causando um estrago enorme e eventualmente até um rombo no casco.

Durante uma tempestade elétrica, o lugar mais seguro é dentro da cabine.  Acima de tudo, não se deve pegar em nada metálico.  Jamais ficar nas proximidades do mastro ou encostado no púlpito de proa ou popa, navegando ou não.  Tomar banho durante uma tempestade é desafiar as estatísticas e a sorte.  Outro risco em potencial são as velas molhadas, que tem características de boa condutividade.

E o pára-raios propriamente dito, aquela ponteira  afinada no topo do mastro, ajuda?  O próprio mastro já é eficiente, mas a ponteira é uma sofisticação.  Quando um condutor tem uma extremidade aguda, grande parte da sua carga passará por essa ponta.  Os ions presentes no ar adjacente serão grandemente acelerados, criando mais ions por efeito de colisão acumulativa.  Essa condição pode ser acompanhada de uma nebulosidade azul em torno da ponteira, chamada de corona.    Mesmo havendo ainda alguma divergência sobre o efeito da corona, o mais difundido é que o ar ionizado em volta da ponta vai atrair para si um raio que poderia atingir outros objetos próximos.  Com a montagem de uma ponteira de cobre num mastro de alumínio vão surgir problemas de corrosão galvânica.  A ponteira não deve fazer contato direto com o alumínio;  devem ser usados espaçadores, em forma de arruelas de aço inoxidável e também parafusos desse material.

Pergunta-se:  uma embarcação com pára-raios que for atingida, poderia não ter sido, caso estivesse sem esse equipamento?  A resposta é afirmativa, se bem que especulativa, pois não existem ainda estatísticas sobre a freqüência com que isto poderia acontecer.

Dentro de tudo isso, entretanto, considera-se, hoje, como certo:  um barco equipado com pára-raios e aterramento adequado tem mais chances de ser atingido por existir um caminho de baixa resistência para a água.  Mas, quando atingido, certamente sofrerá danos muito menores que um barco não aterrado, no qual o impacto direto causaria estragos consideráveis.

Cabem mais algumas considerações sobre dois aspectos que podem não ser evidentes sobre o que é divulgado a respeito.

Em primeiro lugar, a maioria dos argumentos e das estatísticas referem-se a barcos navegando ou ancorados em água salgada que tem características de condutibilidade muito superior à água doce dos nossos rios. Publicações conservadoras sugerem que a superfície das chapas de aterramento submersas, nesse caso, deve ter no mínimo o dobro do tamanho das que são usadas em água salgada. Mesmo não havendo dúvidas sobre esta condição, não existem hoje dados estatísticos com valores exatos.

Em segundo lugar, muitos autores idealizam uma forma de aterramento ideal para os seus barcos e consideram o sistema como a solução mais adequada, argumentando como prova, que os seus barcos assim equipados, nunca foram atingidos por raios. Na realidade, considerando a remota possibilidade de um impacto direto, podemos colocar lado a lado um barco com aterramento X, outro com aterramento Y e mais outro sem aterramento algum. O mais provável é que nenhum dos três jamais será atingido por qualquer faisca elétrica, devido à pouca probabilidade estatística para isto acontecer. Dados mais confiáveis somente poderiam ser obtidos se as três modalidades fossem testadas simultaneamente em mais de 3.000 barcos. Um projeto de difícil execução.

Também são controvertidas as argumentações de que um barco navegando está menos sujeito a ser atingido que um barco imóvel. Isto numericamente é verdade, mas a estatística é falha por ser generalizada, pois sempre existem mais barcos de recreio atracados que navegando. Observem os trapiches dos nossos clubes: para cada 100 barcos atracados, dificilmente há mais que 2 ou 3 navegando (durante a semana).

Mais uma palavra sobre os “dissipadores” de carga estática e artefatos condutores multiponto. É indiscutível que estes equipamentos dissipam a carga estática acumulada mas não conseguem evitar um impacto direto. Este assunto foi detalhadamente investigado pela NASA pelo FAA, pela Força Aérea e pelo NFPA (nos EE.UU.) Cientistas como Donald Zipse e Abdul Mousa concluem que “o impacto natural de uma raio, de cima para baixo, não pode ser prevenido”. A fraseologia “impacto natural de cima para baixo” foi cuidadosamente escolhida e cobre o caso de um mastro de veleiro, onde os estragos seriam amenizados por um aterramento correto, como citado mais acima.

Mesmo considerando tudo que foi dito e argumentado, não é motivo para pânico; o caro leitor provavelmente jamais será atingido por um impacto direto de um raio, estatisticamente!

Agradecemos ao velejador e escritor Capitão Am. Geraldo Knippling pelo direito à publicação deste artigo no popa.com.br. O texto é parte integrante da obra “Descobrindo o Guaíba”, de sua autoria. A reprodução deste artigo é um privilégio para o site.

O Cmte. Knippling, ex-comandante da Varig e agraciado com a Ordem do Mérito Aeronáutico, tem mais de 40.000h de vôo. Sua obra, que consideramos indispensável à navegação no Guaíba e Lagoa dos Patos, é fartamente ilustrada e apresenta cartas detalhadas da região, waypoints e informações preciosíssimas à navegação. Seus livros podem ser encontrados nas livrarias e na Secretaria do Veleiros do Sul.

Fonte: popa.com

Dawn I partindo no caminhão

Após infrutíferas tentativas de desmontar a quilha o Dawn I foi embarcado num berço emprestado.

Dawn I sendo preparado para o embarque rodoviário

No dia 7 passado o Dawn I deixou definitivamente a sua vaga no Cais D da Porto Marina Bracuhy. O trajeto até o local do embarque rodoviário é aproximadamente mostrado na imagem abaixo:

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