Arquivo do mês: fevereiro 2016

SmallIPFS: a Smalltalk Interplanetary File System API – Part 4

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Neste post vamos iniciar a implementação do comando “add:”. Primeiramente vamos implementar para um único arquivo. As outras modalidades serão implementadas mais adiante. Veja abaixo a ajuda do comando:

ipfs-add-command-help

add: na linha de comando

ipfs-add-file-command-line

O comando ipfs add <file-path> devolve um hash: QmRTtvzZTrgYtGZ1hFDSAVYvpQMonwmDSZBZ4HNpNHTy3K.

hash é um digest do conteúdo do arquivo. O comando ipfs cat <hash> serve para recuperar o conteúdo (Veja na imagem acima). Este comando já foi implementado no primeiro post.

Comando cURL para adicionar um arquivo

O comando é baseado no que pode ser encontrado em  IPFS API wrapper library in JavaScript | Tooling | add.

curl 'http://localhost:5001/api/v0/add?stream-channels=true' \
-H 'content-type: multipart/form-data; boundary=a831rwxi1a3gzaorw1w2z49dlsor' \
-H 'Connection: keep-alive' \
--data-binary $'--a831rwxi1a3gzaorw1w2z49dlsor\r\nContent-Type: application/octet-stream\r\nContent-Disposition: file; name=&amp;amp;amp;amp;amp;quot;file&amp;amp;amp;amp;amp;quot;; filename=&amp;amp;amp;amp;amp;quot;file.txt&amp;amp;amp;amp;amp;quot;\r\n\r\nfile.txt content--a831rwxi1a3gzaorw1w2z49dlsor--' --compressed

ipfs-add-file-with-curl

Comando “add” em Smalltalk

ipfs-add-smalltalk-method

O comando add: foi implementado usando SocketStream em vez de Zinc.

Exemplo de uso

ipfs-add-example

Resultado exibido

ipfs-add-transcript

Arquivo em subdiretório

Vamos copiar o arquivo file.txt, sem mudar o seu conteúdo, no subdiretório test/subdir e criar outro exemplo:

ipfs-add-example2

O resultado:

ipfs-add-transcript2

Note que o “Name” mudou mas o “Hash”é o mesmo já que corresponde a um “digest” do mesmo conteúdo.

Próximo post (brevemente).

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O ornitorrinco

01461945200

Juntar um filósofo e uma animal quimérico num mesmo título, esta é a façanha de um semiótico. Muito de sua obra é desconhecida ou pouco conhecida por alguns. “O pêndulo de Foucault” é uma delas onde mostra que se pode inventar de forma desbragada e mesmo assim encontrar crédulos. A credulidade é mais comum do que o ceticismo. Embora todos se jactem de ser “realistas” e antenados, não acreditando em qualquer balela. Mas o homem é um animal crédulo por excelência na mesma medida que se afastou dos animais, estes desconfiados mas ingênuos, o homem, também desconfiado, seu lado animal, mas crédulo, seu lado civilizado. Afinal o crédito incondicional é sua civilizada invenção. Que o faz negar até a mais cética de suas “aberrações”: a ciência.

“Quem tenta penetrar no Rosal dos Filósofos sem possuir a chave, lembra o homem que procura caminhar sem pés.”

(Michael Maier, Atalanta Fugiens, Oppenheim, De Bry, 1618, emblema XXVII)

A descoberto, só havia isto. O resto tinha de procurar nos disquetes do word processor. Estavam dispostos em ordem numérica e pensei que tanto fazia começar pelo primeiro, já que Belbo havia mencionado a senha. Sempre fora cioso dos segredos de Abu.

Com efeito, mal premi a máquina, apareceu uma mensagem que me solicitava: “Tens a senha?” Fórmula não imperativa, Belbo era uma pessoa educada.

A máquina não colabora, sabe que deve receber a palavra, não a recebe, fecha-se. Como se acaso me dissesse: “Ouve lá, tudo o que queres saber eu trago aqui na minha pança, mas cava cava, velha toupeira, jamais o encontrarás.” Vire-se, disse para mim, gostavas tanto de jogar permutações com Diotallevi, eras o Sam Spade da editora, como disse Jacopo Belbo, trata de encontrar o falcão.

A senha de Abulafia podia ser de sete letras. Quantas permutações de sete letras se poderiam fazer com as vinte e cinco letras do alfabeto, calculando ainda as repetições, pois nada impedia que a palavra fosse “cadabra”? Existe a fórmula em alguma parte, e o resultado deve dar seis bilhões e pouco. Se tivesse um computador gigante, capaz de encontrar seis bilhões de permutações a um milhão por segundo, teria mesmo assim de comunicar uma por uma a Abulafia, para experimentá-las, e sabia que ele precisava de cerca de dez segundos para perguntar e em seguida checar a password. Logo, sessenta bilhões de segundos. Visto que num ano há pouco mais de trinta e um milhões, digamos trinta para arredondar, o tempo de trabalho seria algo como dois mil anos. Nada mau.

Era necessário proceder por conjecturas. Em que palavra poderia ter pensado Belbo? Antes de mais nada, seria uma palavra que tivesse encontrado ao princípio, quando começou a usar a máquina, ou que havia descoberto, e mudado, nos últimos dias, ao se dar conta de que os disquetes continham material explosivo e o jogo, pelo menos para ele, já não era mais um jogo? Seria aliás muito diverso.

Melhor optar pela segunda hipótese. Belbo sente-se perseguido pelo Plano, leva o Plano a sério (porquanto assim me havia deixado perceber pelo telefone), e pensa então em algum termo que tem relação com a nossa história.”

Ou talvez não: um termo ligado à Tradição podia da mesma forma ocorrer à mente deles. Por um momento pensei que talvez Eles tivessem entrado no apartamento, copiado os disquetes, e naquele instante mesmo estariam provando todas as combinações possíveis em algum sítio remoto. O calculador máximo num castelo dos Cárpatos.

Que tolice, admiti comigo, aquilo não era gente de calculador, antes teriam procedido com o Notarikon, a Gematria, a Temurah, tratando os disquetes como se fosse a Torah. E teriam gasto tanto tempo nisto quanto gastaram na redação do Sefer Ietzirah. Contudo, a conjectura não era de desprezar. Se Eles existissem, certamente haveriam de seguir uma inspiração cabalística, e se Belbo estava convencido de que, de fato existiam, possivelmente teria seguido a mesma via.

Por desencargo de consciência, tentei com as dez sefirot: Keter, Hokmah, Binah, Hesed, Geburah, Tiferet, Nezah, Hod, Jesod, Malkut, e ainda introduzi a Shekinah de lambujem… Não funcionava, é claro, era a primeira ideia que poderia ocorrer à mente de qualquer um.

Contudo, a palavra devia ser qualquer coisa de óbvio, que vem à mente por força das circunstâncias, pois quando trabalhas num texto, de maneira obsessiva, como devia ter trabalhado Belbo nos últimos dias, não te podes esquivar do universo do discurso em que vives. Seria desumano pensar que ele tivesse enlouquecido por causa do Plano e que lhe viesse à mente apenas, sei lá, Lincoln ou Mombasa. Deveria ser algo relacionado com o Plano. Mas o quê?

Busquei identificar-me com os processos mentais de Belbo, que havia escrito fumando compulsivamente, bebendo e olhando à sua volta. Fui à cozinha e despejei o último gole de uísque no último copo limpo que encontrei, voltei para o console, as costas contra o espaldar, as pernas sobre a mesa, bebendo a curtos goles (não era assim que fazia Sam Spade — ou talvez fosse o Marlowe?) e girando o olhar em torno. Os livros estavam distantes demais e não lhes podia ler os títulos nas lombadas.

Tomei a última gota de uísque, fechei os olhos, reabri-os. Diante de mim a estampa seiscentista. Era uma típica alegoria rosa cruciana daquele período, tão rico de mensagens em código, destinada aos membros da Fraternidade. Representava evidentemente o Templo dos Rosa-Cruzes, onde aparecia uma torre da qual ascendia uma cúpula, segundo o modelo iconográfico renascentista, cristão e hebraico, no qual o Templo de Jerusalém aparecia reconstruído segundo o modelo da Mesquita de Omar.

A paisagem em torno à torre era incôngrua e incongruamente povoada, como ocorre naqueles rébus onde se veem um palácio, uma rã em primeiro plano, um mulo com a albarda e um rei que recebe a dádiva de um pajem. Neste, à esquerda, embaixo, um cavaleiro, seguro a uma roldana presa a um perno, saía de um poço por força de estranhos cabrestantes puxados para um ponto no interior da torre, através de uma janela circular. No centro um cavaleiro e um viandante, à direita um peregrino ajoelhado que segura uma âncora à guisa de bordão. Do lado direito, quase em frente, um pico, uma rocha da qual se precipita um personagem com espada, e, do lado oposto, em perspectiva, o Ararat, com a Arca encalhada no topo. Ao alto, nos ângulos, duas nuvens, cada qual iluminada por uma estrela, irradiando sobre a torre os seus raios oblíquos, ao longo dos quais levitam duas figuras, um homem nu envolvido por uma serpente, e um cisne. No alto, ao centro, um nimbo sobre o qual havia a palavra “oriens” em caracteres hebraicos, donde despontava a mão de Deus que sustinha a torre por meio de um fio.

A torre movia-se sobre rodas, tinha uma primeira elevação quadrangular, com janelas, uma porta, uma ponte levadiça, na ala direita, depois uma espécie de balaustrada com quatro torreões de observação, cada qual guardado por um soldado tendo numa das mãos um escudo (gravado com caracteres hebraicos), e agitando uma palma com a outra. Mas só três dos quatro soldados eram visíveis, sendo que o quarto se adivinhava apenas, oculto pela mole da cúpula octogonal, sobre a qual se elevava um tibúrio, da mesma forma octogonal, e deste despontava um grande par de asas. Por cima, havia outra cúpula menor, com uma torrezinha quadrangular que, aberta em grandes arcos suspensos por delgadas colunas, deixava ver no próprio interior um sino. Depois uma cupulazinha final, de quatro gomos, acima da qual se estendia o fio mantido no alto pela mão divina. Dos lados da cupulazinha, a palavra “Fa/ma”, e sobre a cúpula um friso: “Collegium Fraternitatis”.

Não acabavam aí as bizarrices, porque das outras duas janelas redondas da torre despontavam, à esquerda, um braço enorme, desproporcional em relação às outras figuras, empunhando uma espada, como se pertencesse ao ser alado inserido na torre, e à direita uma imensa corneta. A corneta, por sua vez…

Comecei a suspeitar do número de aberturas da torre: rigorosamente regulares nos tibúrios, casuais no entanto nos lados da base. A torre era vista apenas de dois quartos, em perspectiva ortogonal, e era possível imaginar-se que por motivos de simetria as portas, as janelas e a vigia que se viam de um lado, embaixo, estivessem reproduzidas igualmente do lado oposto na mesma ordem. Portanto, quatro arcos
no tibúrio do sino, oito janelas no tibúrio inferior, quatro torrezinhas, seis aberturas entre a fachada oriental e a ocidental, quatorze entre a fachada setentrional e a meridional. Fiz os cálculos: trinta e seis aberturas.

Trinta e seis. Há mais de dez anos que esse número me obceca. E também o cento e vinte. Os Rosa-Cruzes. Cento e vinte dividido por trinta e seis dava —mantendo sete dígitos — 3,333333. Exageradamente perfeito, mas talvez valesse a pena experimentar. Sem resultado.

Ocorreu-me que aquela cifra, multiplicada por dois, dava aproximadamente o número da Besta, 666. Mas essa conjectura também se revelou por demais fantasiosa.

Impressionou-me de repente o nimbo central, sede divina. Eram muito evidentes as letras hebraicas, que eu podia ver até mesmo da cadeira onde estava. Mas Belbo não podia escrever letras hebraicas no Abulafia. Observei melhor: eu as conhecia, sem dúvida, da direita para a esquerda, jod, he, waw, he. Iahveh, o nome de Deus.

Com as vinte e duas letras fundamentais que gravou, piasniou, combinou, sopeaou e permutou, ele deu forma a todo o criado e ao que se há de formar no futuro.

(Sefer Jetzirah, 2.2)”

O nome de Deus… É claro. Lembrei-me do primeiro diálogo entre Belbo e Diotallevi, no dia em que instalaram Abulafia no escritório.

(…)

Judá Leon deu-se a permutações

De letras e a complexas variações

E o nome pronunciou enfim que é a Chave,

A Porta, o Eco, o Hóspede e o Palácio…

(J.L. Borges, El Golem)

Agora, por ódio a Abulafia, diante da enésima obtusa pergunta (“Tens a senha?”) respondi: “Não.”

A tela começou a encher-se de palavras, de linhas, de índices, de uma enxurrada de frases.

Conseguira violar o segredo de Abulafia.

O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco

“Kant e o ornitorrinco “é um tratado semiótico. Mas não um tratado qualquer. Não se escrito por um Umberto Eco. Que também escreveu “Como se faz uma tese” que foge do esperado num texto destes. E o inusitado e fabuloso romance nominalista (está cifrado no próprio título): “O nome da rosa”. Que parece uma citação de Shakespeare:

O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.

Umberto Eco morreu anteontem. Eu, dietético consumidor de notícias, só soube hoje e me cobri de luto interno por alguém que me proporcionou grandes prazeres de uma opinião esclarecedora e uma verve literária esplêndida (desculpem desfazer-me em elogios, se é que há alguém lendo, como é comum até para os mortos sem valor, e também pelo maus aspecto de frases repletas de adjetivos). Este é meu adeus ao Umberto Eco de Alexandria, o que nos remete a bibliotecas, um dos seus personagens.

Acredito que algumas obras qua citei acima não sejam tão desconhecidas mas a que junta um animal de um continente que parece ter caído do céu montado num meteoro e com toda a sua fauna diferente quase grotesca quando comparada com as de outros continentes, quase alienígena, ao filósofo metódico de Königsberg. Quanto ao primeiro animal, nada que Darwin não explique mas ao mesmo tempo cutucando nosso pendor pelo maravilhoso. Somos crédulos, lembra?. Mas “Kant e o ornitorrinco”, um filósofo quimérico e um animal  quimérico, na minha opinião, cabem bem numa mesma frase. Aqui desminto o propósito semiótico admirável do Umberto Eco. Mas só de brincadeira. O livro, um pouco árido quando mostra esquemas semióticos, é incrível em alguma passagens excelentes (os elogios de novo!). Para encurtar vou citar alguns trechos do ornitorrinco Umberto Eco, um mamífero com veneno, mas também com um simpático bico de pato.

[Kant] Teria tratado de imaginar o seu esquema, partindo de impressões sensíveis, mas estas impressões sensíveis não se adaptavam a algum esquema precedente (como poderíamos colocar junto o bico e as patas espalmadas com o pelo e a cauda de castor, ou a idéia de castor com aquela de um animal ovíparo, como poderíamos ver um pássaro lá onde aparecia um quadrúpede, e um quadrúpede onde aparecia um pássaro?). Kant se encontraria na mesma situação de Aristóteles quando, traçando cada regra possível para distinguir os ruminantes dos outros animais, não conseguia nunca colocar o camelo, que fugia a qualquer definição por gênero e diferença, não obstante se movesse, e se adequava alguma regra a ele, expulsava daquele mesmo espaço definidor o boi, que também rumina.

Kant e ornitorrinco, Umberto Eco

Montezuma e os cavalos

Os primeiros astecas percebidos na costa assistiram ao desembarque do conquistadores. Apesar de restarem pouquíssimos traços das suas primeiras reações, e o melhor que sabemos depende das relações dos espanhóis e das crônicas indígenas escritas posteriormente, sabemos com certeza que várias coisas devem ter-lhes maravilhado muito: os navios, as medonhas e majestosas barbas dos espanhóis, as armaduras de ferro que tornavam terríveis aqueles “estranhos” catafractários, de pele de um branco que era inatural, as espingardas e os canhões; e, por fim, monstros nunca vistos, além de cães muito raivosos, cavalos, em terrífica simbiose com seus cavaleiros.

Kant e ornitorrinco, Umberto Ecoontezuma

Nota:

As citações acima foram adequadas à norma ortográfica vigente.

E agora vamos conhecer “Número zero”, sua obra póstuma sobre a “máquina de lama”. Sobre um jornalismo que fabrica uma “lama” mais insidiosa do que a que saiu de Mariana.

— Não nego, mas meu pai me acostumou a não acreditar em todas as notícias. Os jornais mentem, os historiadores mentem, a televisão hoje mente. Você não viu nos telejornais há um ano, com a Guerra do Golfo, o pelicano coberto de óleo, agonizando no golfo Pérsico? Depois foi apurado que naquela estação era impossível haver pelicanos no Golfo, e as imagens eram de oito anos antes, no tempo da Guerra Irã-Iraque. Ou então, como disseram outros, pegaram uns pelicanos no zoológico e lambuzaram de petróleo. O mesmo devem ter feito com os crimes fascistas. Veja bem, não é que me afeiçoei às ideias do meu pai ou do meu avô, nem quero fazer de conta que não houve massacre de judeus. Por outro lado alguns dos meus melhores amigos são judeus, imagine. Mas não confio em mais nada. Os americanos foram mesmo até a Lua? Não é impossível que tenham construído tudo num estúdio, se você observar as sombras dos astronautas depois da alunissagem não são verossímeis. E a Guerra do Golfo aconteceu mesmo ou nos mostraram só trechos de velhos repertórios? Vivemos na mentira e, se você sabe que lhe estão mentindo, precisa viver desconfiado. Eu desconfio, desconfio sempre. A única coisa verdadeira da qual posso dar testemunho é essa Milão de tantas décadas atrás. Os bombardeios existiram de verdade e, entre outras coisas, quem bombardeava eram os ingleses, ou os americanos.

(…)

Não são as notícias que fazem o jornal, e sim o jornal que faz as notícias.

Número Zero, Umberto Eco

 

Carta aberta a um gringo que fala do brasileiro

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“Eis que um gringo, sabe-se lá quem é, escreveu sobre o “brasileiro”.

E a análise do forasteiro está se propagando nas redes sociais. O texto, em resumo, afirma que o Brasil é um país simpático e só não é uma grande nação porque seu povo tem uma mentalidade atrasada e periférica. Em outras palavras, o brasileiro não possui os altos valores da cultura do “centro” civilizado.

Visão ingênua, etnocêntrica e comete o erro grave de avaliar “o brasileiro” como se houvesse, de fato, um tipo único que pudesse ser classificado como tal, sem levar em conta a estrutura de classes do país, a desigualdade social, os processos históricos e, portanto, as vicissitudes inerentes a um país tão heterogêneo geográfica e socialmente.

Parte de um suposto indivíduo, “o brasileiro”, definido por ele a partir de suas experiências pessoais, para inferir sobre as características da sociedade brasileira como um todo. Um atentado a qualquer método de investigação social.

Em relação à economia, o autor volta ao ideal de uma ética capitalista, baseada no trabalho duro, no esforço pessoal e na capacidade de poupar, que, se um dia já foi pressuposto das condições iniciais do capitalismo primitivo (ver O capitalismo e a ética protestante, de Max Weber), já não corresponde mais à dinâmica do funcionamento de uma economia de mercado, nem no Brasil, nem no resto do mundo, cuja força motriz é justamente o consumo e o endividamento. Público e privado.

E sobre a vaidade, apontada como uma falha tipicamente “nossa”, mas que desde a tradição do Antigo Testamento é citada como uma categoria universal da humanidade: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Eclesiastes). A quem ele se refere? A vaidade do catador de lixo? Do ambulante? Do bancário? Do Neymar? Ou do Eike Batista? E quanto aos vaidosos do resto do mundo. O que dizer de Donald Trump, dos astros de Hollywood, dos magnatas do mercado financeiro e da vaidade do próprio autor, que se julga tão moralmente superior a ponto de discorrer sobre a moralidade de um povo que absolutamente desconhece.

Depois afirma que o brasileiro vive de emoções fabricadas artificialmente. E desde quando a “selfie” é um fenômeno particular do brasileiro, que substitui a experiência real pela artificial das imagens? É só caminhar pela orla de Ipanema para ver turistas do mundo inteiro deixando o belo pôr do sol no Arpoador passar incólume porque estão absorvidos pelos seus Smartphones.

Interessante que em dado momento ele pega emprestado alguns clássicos da sociologia e da antropologia brasileira para transformá-los em receita de auto-ajuda para tornar o brasileiro um povo melhor. Utiliza-se, superficialmente, das teses de Sérgio Buarque, para afirmar que o brasileiro age com o coração em vez da razão, e de Roberto DaMatta, para decretar que aqui é o país do “jeitinho”. Teses de fato interessantes, mas que já foram devidamente relativizadas e criticadas por estudos científicos recentes, baseados em pesquisas empíricas, cujas conclusões apontam para uma total falta de evidência que dê suporte às conclusões de nossos cientistas sociais clássicos e rejeitam qualquer tentativa de se generalizar o comportamento do brasileiro em uma única categoria ou tipo (ver Jessé Souza, A tolice da inteligência brasileira).

Em um determinado momento, o sujeito se defende de uma possível acusação de parcialidade, alegando que já escreveu também sobre os EUA, como se isso lhe desse, automaticamente, o álibi da objetividade e o absolvesse de todas as aberrações metodológicas que comete em seu texto sobre o “Brasil”.

O autor continua seu arrazoado com uma previsão sombria, de que a crise política e econômica enfrentada pelo país só tenderia a piorar, já que nós, brasileiros, não fizemos nosso dever de casa e agimos de forma perdulária e irresponsável. De acordo com esse ilustre “brasilianista”, somente com uma mudança na Constituição Federal é que o país poderia sair da situação “insustentável” em que se encontra. Embora não explicite no texto, conclui-se que nosso amigo americano está se referindo ao fato de o Brasil ter uma Constituição que trata das políticas sociais como um dever intransferível do Estado e um direito universal de cada cidadão, o que tornaria o país, na opinião ortodoxa do autor, pouco eficiente e com baixos índices de produtividade. Visão obtusa que já vem sendo rejeitada, sistematicamente, até por entidades conservadoras como o FMI e o Banco Mundial. Nas principais universidades do mundo, aí incluídas Harvard, MIT, Columbia, Princeton, London School of Economics, e até mesmo a Universiade de Chicago, já se considera seriamente que a desigualdade é um dos mais graves fatores de ineficiência econômica (ver Joseph Stiglitz, O preço da desigualdade).

Enfim, daria para continuar a crítica, parágrafo a parágrafo, mas acredito que o essencial já esteja dito aqui.

O melhor indício de que o texto do estrangeiro é intelectualmente frágil é o fato de Rodrigo Constantino, ex-blogueiro da Revista Veja, tê-lo compartilhado em sua página pessoal. Incrível como a superficialidade encontra seu duplo instantaneamente.

P.S.

Post Sriptum

 “A vaidade dos outros só vai contra o nosso gosto quando vai contra a nossa vaidade.” (Friedrich Nietzsche)
Será que Zygmunt Bauman escreveu seu livro “Vida para consumo” pensando em nós brasileiros, consumistas e perdulários? E a “Fogueira das vaidades” de Tom Wolfe? Também foi escrito em nossa homenagem, um povo que acha bonito ser vaidoso?
Francis Bacon, grande filósofo e ensaísta, também corrupto histórico, provavelmente deve ter praticado atos ilícitos na Inglaterra do século XVI inspirado em um país do futuro chamado Brasil.
O cardeal Richelieu, virtual governante da França no século XVII, conhecido por distribuir cargos para familiares e amigos próximos, também deve ter sido influenciado pelas práticas de apadrinhamento de um certo país da América Latina, cuja certidão de nascimento data de 1822.
Certamente Woody Allen escreveu o roteiro de “Celebridades” pensando na futilidade do povo brasileiro.
Será que as falcatruas financeiras, as maquiagens de balanços, as fraudes aos pequenos poupadores e os desfalques à economia popular, chancelados pelas agências de risco internacionais, causados por empresas como a Enron e o Lehman Brothers, saíram de cérebros brasileiros infiltrados nas grandes corporações da América do Norte?
Provavelmente os países do Hemisfério Norte, como EUA, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Grécia, todos com uma dívida pública superior a 70% em relação ao PIB também devem ter sido mal influenciados por um país tropical, endividado por Deus, cuja débito imoral atualmente está em torno de 59% do PIB. Tragédia. Talvez também sejamos culpados pelo colonialismo, escravismo, imperialismo, nazismo, fascismo, stalinismo, neoliberalismo. Por Auschwitz, Guernica, Hiroshima, Nagazaki, Chernobyl. Pela bomba de hidrogênio, o Napalm, a Coca-cola, o DDT, a Disneylândia, o Botóx, o SUV, a Ku Klux Klan.
Seremos os inventores da sociedade de consumo, da publicidade, do crediário, dos juros sobre juros, do cartão de crédito, do cartão de ponto? Os pais do individualismo, do utilitarismo e da mão invisível do mercado?
Quem sabe não somos a causa das crises de 1929, de 2008, das maiores emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, do aquecimento global e do culto à celebridade? Hora de assumirmos nossas culpas. Nós brasileiros, do catador de lixo ao presidente da maior empresa nacional, somos todos vaidosos, ineficientes, improdutivos, perdulários, injustos, irracionais, corruptos, egoístas, impontuais e preguiçosos (exceto no carnaval).
Ainda bem.
Basta olhar o mundo ao redor e perceber que nada disso nos particulariza. Serve apenas para confirmar o fato de que somos parte incontestável da espécie mais imperfeita e contraditória do planeta Terra. A única espécie moralista: a humana.

Blog do Ulysses Ferraz

Zika e a Dieta Paleolítica

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Não, não vamos relacionar a Zika e a dieta dos nossos ancestrais. Apenas relacionar uma semelhança de atitude em dois episódios distantes no tempo. A semelhança é na prática de má ciência. No artigo Zika e Microcefalia: Fato ou Ficção Científica?  a frase

“(…) o diretor da OPAS diz: “alguns cientistas acreditam que é preciso mais provas, mas como profissional de saúde não tenho dúvida.”

tem uma semelhança gritante com esta outra

“Quando os cientistas alertaram o ABSURDO que estava sendo feito, MCGovern respondeu: “Não podemos nos dar ao luxo de vocês cientistas de esperar que todas as teses sejam discutidas antes de tomar uma atitude.”

https://www.instagram.com/p/uckvMdlYHn/

McGovern, que era um senador, influenciado por má ciência e convicções pessoais sem embasamento jogou a população dos EEUU, e talvez o resto do mundo, na epidemia de obesidade, sintoma da síndrome metabólica. Por causa de uma recomendação dietética completamente duvidosa.

O Dr. Souto, em seu blog, já mostrou de forma abundante que correlação não prova relação causal.

E a dieta paleolítica com isso? Nada. Apenas é fruto de boa ciência.

A má ciência pode ser um vetor mais insidioso do que milhões de mosquitos.

Relacionados:

A arte de ser incrédulo

Beehcraft crash

Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade

A notícia Caça fabricado no Brasil cai na Indonésia e deixa mortos mostrava, até o momento em que alguém comentou sobre a incoerência, duas fotos discrepantes. O avião espatifado no chão  na primeira foto que foi substituída após o comentário exibia os restos de uma fuselagem bem maior do que a do caça citado como aquele que caiu.
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Buscando notícias em português só se encontra a reverberação “memética” da mesma notícia. Mas as fotos discrepantes na edição original da notícia indicam que “algo não cheira bem”. Como foram citadas agência internacionais nas fotos (AFP e Reuters, sendo que a última teve a foto removida) podemos buscar as notícias internacionais. A busca retornou vários sites com a notícia. Em Four dead in Myanmar military plane crash descobrimos que o avião que caiu é um Beechcraft (Ver também na Wikipedia).

Concluímos que não é só de agora mas de há muito tempo não é uma tarefa fácil manter-se informado. A “desimprensa” nos inunda com desinformação alimentando (ou para alimentar) os discursos precipitados dos “revoltados” de plantão. Já espero comentários sobre a nossa incompetência em fazer aviões e sobre quem é o culpado disto.

ATUALIZAÇÃO: Enquanto ainda editava este post a noticia evoluiu para incluir uma acidente em Malang (“somebody love”). Este post corre o risco de tornar-se obsoleto com tantas alterações que a notícia vem sofrendo. No entanto o impacto inicial da notícia cheia de incorreções está feito (E o título ainda não foi mudado!). Quem não teve tempo para “uma investigação”, mesmo que superficial, e só “passou a notícia” olhando os títulos no celular ficou mal impressionado.

 

SmallIPFS: a Smalltalk Interplanetary File System API – Part 3

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Neste post vamos implementar o comando “object get:”.

Object get: no gateway local

ipfs-object-get-local-gateway

Comando “objetc get:” em Smalltalk

ipfs-object-get-command

Exemplo de uso

ipfs-object-get-example

Resultado exibido

ipfs-object-get-transcript

Para outro hash obtemos uma Merkle DAG mais interessante:

ipfs-object-get-transcript2

Próximo post.

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Ethereum is a “world computer”

ethereum-1-e1415906203392

O que é Ethereum?

Ethereum, como qualquer sistema avançado, significará coisas diferentes para pessoas diferentes. Enquanto você lê esta seção, algumas partes podem não impressionar você ou até mesmo não fazer sentido. Tudo bem, pule para o próximo parágrafo e que esperamos que seja mais esclarecedor. Se você chegar ao final desta seção e ainda se sentir confuso, então vá até um fórum e comece a fazer perguntas.

Um Computador Mundial

“É muito possível que … uma máquina seria suficiente para resolver todos os problemas … de todo o [mundo]” – Sir Charles Darwin, 1946 *

Em um sentido técnico, Ethereum é um “Computador Mundial”. Voltando aos dias do mainframe, e provavelmente tão rápido quanto, Ethereum pode ser visto como um único computador que todo o mundo pode usar. Teoricamente tem apenas um único processador (sem multi-threading ou execução paralela), mas tanta memória quanto necessário. Qualquer pessoa pode fazer upload de programas para o Ethereum World Computer e qualquer um pode solicitar que um programa que foi carregado seja executado. Isso não significa que qualquer um pode solicitar a qualquer programa para fazer qualquer coisa; pelo contrário: o autor do programa pode especificar que as solicitações de qualquer um, exceto ele próprio, sejam ignoradas, por exemplo. Além disso, em um sentido muito forte, cada programa tem seu próprio armazenamento permanente que persiste entre execuções. Além disso, o Ethereum World Computer estará sempre lá: ele não pode sofrer um shutdown ou ser desligado.

Você pode perguntar, “por que alguém iria usar tal sistema?” e, novamente, há muitas razões. A principal razão é porque ele faz o que você quer fazer mais barato e mais fácil. Esta declaração deve ser detalhada um pouco, que é o que os seguintes parágrafos vão explorar.

Uma Plataforma de Serviços de Internet

“Tecnologia nos dá as facilidades que diminuem as barreiras de tempo e distância – o telégrafo eo cabo, o telefone, o rádio, e o resto.” – Emily Greene Balch

Em um sentido mais prático, Ethereum é uma plataforma de serviços de Internet para computação garantida. Mais do que isso, como uma plataforma, que fornece um conjunto de funções integrais que são muito úteis para o desenvolvedor:

  • autenticação de usuário, via integração de assinaturas criptográficas
  • lógica de pagamento totalmente personalizável; crie facilmente o seu próprio sistema de pagamento sem qualquer dependência de terceiros
  • 100% resistente a ddos (denial-of-service), garantido por ser uma plataforma baseada blockchain totalmente descentralizada
  • sem complicações de armazenamento: esqueça ter que criar bases de dados seguras; Ethereum dá-lhe o máximo de armazenamento que precisar
  • interoperabilidade definitiva: tudo no ecossistema do Ethereum pode trivialmente interagir com tudo o mais, de reputação a moedas personalizados
  • zona livre de servidor: o aplicativo inteiro pode ser implantado no blockchain significando que não há nenhuma necessidade de criação ou manutenção de servidores; deixe que seus usuários paguem o custo do uso do seu serviço.

Ao longo dos últimos vinte anos, em particular, vimos uma aceleração no desenvolvimento de serviços e infra-estrutura para tornar a sobrecarga de lidar com equipes ou com empresas mais simples e menos cara, principalmente graças à internet. Assim como eBay, Drivy e Airbnb fizeram a criação de uma loja, empresa de locação de carro ou hotel muito mais fácil. Estas são plataformas que permitem às pessoas implementarem suas ideias rapidamente, desde que o serviço que deseja fornecer se encaixe no modelo oferecido pela plataforma. Sem o Ethereum é muito custoso criar uma nova plataforma se aquelas que já existem não atendem às suas necessidades. Ethereum pode ser visto como uma plataforma para plataformas: ele permite que as pessoas facilmente criem a infra-estrutura para tornar fácil de configurar novos serviços na internet. Além disso, qualquer infra-estrutura criada em Ethereum fica lado a lado com as criações de todo mundo, e por isso pode interagir com essas outras plataformas de uma maneira garantida e sem costuras. Importante, porque não há uma empresa ou mesmo qualquer entidade responsável ou controlando o Ethereum, o custo de funcionamento da infra-estrutura não tem de incluir qualquer margem de lucro, por isso estamos propensos a ver custos mais baixos.

Com a vinda do Mix IDE e o Mist browser, a funcionalidade do Ethereum como uma plataforma de implementação para os serviços de internet vai se tornar mais clara. A mensagem para levar para casa a partir deste ponto, porém, é que Ethereum está prestes a perturbar indústrias tão diversas como as finanças e supply chains.

Contratos Sociais Opt-in

“Esta é uma época de organização” – Theodore Roosevelt de 1912 **

Em um nível mais abstrato, é uma facilidade para permitir a organização inteligente, no sentido de grupos de entidades que trabalham juntos por uma causa particular. No cenário mais simples, temos duas pessoas trabalhando em conjunto para alcançar um objetivo comercial. Em última instância, Ethereum poderia ser usada para governar países. Em grau menor existem grupos de pessoas que querem organizar círculos de baby-sitting, coletivos de produção de filmes, grupos de discussão, casas comunais, etc, e todos eles têm de decidir as regras com as quais eles vão operar juntos. Sem dúvida, a tarefa mais difícil é como implementar e fazer cumprir as regras, especialmente tendo em conta a variedade de personagens, habilidades e motivações que os seres humanos proporcionam. Em outras palavras, como você parar Jo monopolizando o equipamento de filmagem, ou Dave não cumprindo o seu turno no cuidado de crianças? Ethereum fornece uma plataforma na qual as regras podem ser definidas e, a um grau cada vez maior a medida que a tecnologia evolui, são reforçadas. Por exemplo, a câmera pode ser conectada ao blockchain e só gravar se o coletivo DApp de tomada de filme aprovar o código de acesso de Jo.

Crowdfunding é um exemplo-chave nas ferramentas organizacionais avançadas. Ele fornece algumas de funções muito importantes: uma maneira das pessoas trabalharem em conjunto para uma causa específica (neste caso dando um “maço de dinheiro” para uma pessoa ou grupo) e um mecanismo para que os indivíduos potencialmente interajam significativamente com  grandes empresas (como um estúdio de jogos). O primeiro decorre do disposto no parágrafo anterior, mas o segundo ponto é impressionante também, porque em geral os indivíduos só podem se comunicar com grandes organizações nos próprios termos da organização, que muitas vezes os “ignoram” como norma; da mesma forma que você ignora as bactérias em sua pele. Da forma que atualmente acontece, você pode estar descontente pelo destinatário do crowdfunding tomar o seu dinheiro e gastá-lo de uma forma inadequada e, portanto, ineficiente. No entanto, é difícil de obter da empresa que opera o crowdfunding  que aja em seu nome contra o beneficiário. Afinal de contas, o prestador de serviços crowdfunding é provável que seja uma grande empresa e não há um mecanismo universal com o qual você pode se comunicar significativamente com ele se ele não quer que você o faça. Ethereum pode ajudar, permitindo que você defina metas ou condições pós-financiamento para regular o pagamento do montante total captado, e em seguida aplicar essas condições para você. A medida que o tempo passar, vamos ser mais criativos nas formas em que Ethereum pode interagir com o mundo real e a capacidade de Ethereum em verificar se os marcos foram concluídos irá estender para além do óbvio, como “30% das pessoas que financiaram o projeto (por valor) votaram que o marco foi cumprido”.

Parte da Revolução da Descentralização

“Não importa quem você vota para, o governo sempre fica no poder” – The Dog Bonzo Doo-Dah Band, 1992

Filosoficamente, este é o próximo passo na re-descentralização da internet. Um sistema descentralizado é aquele que qualquer um pode unilateralmente aderir e participar, no qual todos os participantes contribuem para o funcionamento e manutenção, e na qual qualquer participante pode unilateralmente sair e quando o fazem, o sistema continua independentemente. Em um sistema descentralizado, não existe uma entidade que pode impedir a participação ou arbitrariamente censurar o conteúdo ou o uso. A internet foi concebida para ser descentralizada, mas a forma como é usada a tornou cada vez mais centralizada, até o ponto onde a censura e a exclusão são aceitas e esperadas. A tecnologia Blockchain, introduzida por Satoshi Nakamoto com a implementação de prova de conceito de um sistema de transferência de valores simples conhecido como bitcoin, representa o melhor sistema digital que temos (após a própria internet) para administrar interações multi-usuário, sem qualquer necessidade de uma coordenação centralizada ou supervisão. Efetivamente, um sistema descentralizado é a sua própria autoridade para fazer cumprir as regras (por exemplo, “você só pode gastar o seu dinheiro uma vez em bitcoin”, ou “qualquer regra que você programou no seu contrato inteligente (smart contract)” em Ethereum), de modo que os participantes podem ter certeza que o regras que eles esperam que sejam executadas o serão, sem qualquer perigo de corrupção, suborno, nepotismo, polarização política, exclusão, exceções arbitrárias, descuido humano ou ausência de pessoal.

Ethereum permite que as pessoas interajam com segurança sem precisar confiar ao celebrar acordos  exequiveis de forma neutra completamente peer-to-peer. Agora, deve-se lembrar que Ethereum só pode valer dentro de seus próprios limites digitais; O Ethereum não remove a necessidade de uma autoridade externa para julgamento devido a disputas fora do seu âmbito — “a outra parte me deu um soco na cara depois de colocar no contrato Ethereum que ele não iria fazê-lo” é non-sense, mas existem regras em outros lugares para cobrir estes casos — mas o que Ethereum faz é permitir-nos a ampliar o limite sobre o que o mundo digital pode cobrir.

 

Conclusão

Gavin Wood condensou a descrição do Ethereum como sendo uma coleção de estruturas de dados programáveis únicas não localizadas. O que isto significa vai depender de sua experiência, mas seja ela qual for, provavelmente vai ser melhor com Ethereum.

https://github.com/ethereum/wiki/wiki/What-is-Ethereum

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