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Gorduras saturadas para que te quero

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Se você faz dieta low-carb ou paleo a busca pelas gorduras saturadas, as melhores, e a restrição ou eliminação do resto é uma meta que pode ser auxiliada pelo gráfico acima.

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Insulina: A raiz de todo o mal

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Parte 1

A função da gordura

Agora que já contei minha história mais de uma vez e demonstrei que existem estudos que demonstram que o nível de atividade física não é determinante para a perda de peso,  vamos falar sobre o que realmente faz diferença: a “raiz de todo o mal”, a INSULINA.

Nesta série de posts, vamos discutir um pouco de endocrinologia e biologia básicas, com base no livro Why We Get Fat, de Gary Taubes. O assunto pode ser um pouco espinhoso, mas uma vez que você preste bem atenção, você vai entender praticamente tudo o que você precisa saber para entender porque as pessoas engordam e o que devemos fazer para combater a obesidade.

Tudo o que vamos falar se baseia em pesquisas científicas publicadas entre 1920 e 1980 e que não são consideradas como tópicos controversos na literatura medica. O grande problema é que a maioria das “autoridades” em obesidade dos últimos 50 anos achavam que sabiam o que tornava as pessoas gordas e simplesmente ignoraram (conscientemente ou não) os fatos científicos de que vamos falar.

As primeiras perguntas que me vêm à mente são:

  1. Por que a gente armazena gordura?
  2. Sim, precisamos de um pouco de gordura pra nos manter aquecidos e proteger órgãos vitais de impactos. Mas por que o excesso?
  3. Por que a gordura tende a ficar localizada em alguns pontos e em outros não?
  4. Por que eu engordo e algumas pessoas não?

A maioria dos especialistas acreditam (e talvez você tenha sido educado pensando que se tratava de verdade incontestável) que a gordura armazenada no corpo é uma espécie de aplicação de longo prazo, que nosso corpo guarda para sobreviver quando passarmos fome, ou fizermos uma dieta, exercícios ou ficarmos presos em uma ilha deserta. Ou seja, algo como um fundo de aposentadoria que possa nos prover sustento quando deixarmos de ganhar dinheiro (no caso nutrientes) trabalhando (ou seja, comendo).

No entanto, por mais que isto tenha sido ensinado para nós como verdade, dados científicos da década de 1930 nos mostram que esta ideia não é nem remotamente precisa. Sabe-se que de fato a gordura está continuamente entrando e saindo das células de nosso tecido adiposo (gordura corporal), circulando por todo o corpo para ser usada como combustível, e o que sobra é retornado às células adiposas (ou seja, volta a ser estocado). Este processo acontece mesmo que não tenhamos comido ou nos exercitado recentemente.

Mesmo que durante um período de 24 horas, a gordura armazenada em nossas células provenha uma considerável parte do combustível que nossas células queimam para gerar energia, os “especialistas” cismam em nos dizer que os carboidratos (amido e açúcares) são a “fonte de energia preferida de nosso corpo” (o que é simplesmente um erro).

O motivo pelo qual eles dizem isso é a forma pela qual nosso corpo controla os níveis de açúcar no sangue após uma refeição. Se você ingere muitos carboidratos (o que a maioria das pessoas faz), suas células terão muito mais carboidratos para queimar antes de queimarem gordura.

Em outras palavras: quando os carboidratos são digeridos, eles são transformados em um carboidrato mais simples, chamado glicose, vulgarmente conhecida como o açúcar no sangue (a frutose é um caso a parte, mas não menos preocupante, falaremos sobre isto no futuro) e a gordura é quebrada em moléculas menores, chamadas ácidos graxos, que também circulam pela corrente sanguínea.

Como é de conhecimento comum, o excesso de glicose no sangue é diretamente relacionado com o diabetes, por exemplo, e tem efeitos danosos ao nosso corpo, como o comprometimento de vasos sanguíneos (angiopatia), distúrbios nos rins (nefropatia), problemas de visão (retinopatia), problemas no sistema nervoso (neuropatia) como formigamentos, problemas de pele (como lesões ulcerosas nos pés e pernas) e até mesmo levar à necessidade de amputação de membros.

Ou seja, a glicose no sangue é tóxica e nosso corpo precisa “se livrar dela” o mais rápido que puder. Para fazer isto, nosso pâncreas passa a produzir a insulina, um hormônio que tem várias funções, mas cujo principal papel é manter o nível de açúcar no sangue sob controle. Na verdade, o açúcar no sangue é tão nocivo que nosso corpo começa a secretar insulina (produzir e injetar no sangue) até mesmo quando pensamos em comer carboidratos. Quando a glicose da refeição começa a entrar em nossa corrente sanguínea, mais insulina ainda é secretada.

A insulina então sinaliza às células do corpo para aumentar a velocidade em que elas consomem a glicose do sangue. Algumas células passam então a usar a glicose como fonte de combustível, enquanto dois tipos de célula específicos passam a armazená-la para uso futuro: as células musculares (e o fígado) transformam a glicose em uma molécula chamada glicogênio e as armazenam; as células de gordura a transformam então em uma molécula chamada glicerol e então estocam este glicerol para uso futuro. Como parte deste processo de regulação do açúcar, o fígado passa também a converter parte da glicose do sangue em gordura e devolvê-la ao sangue.

À medida que o nível de açúcar no sangue passa a diminuir (e o nível de insulina junto com ele), mais e mais gordura armazenada em nosso corpo passa a ser liberada das células adiposas (ou seja, de gordura) e a ser usada como fonte de energia. Em outras palavras: enquanto houver muito açúcar no sangue (e este açúcar vem dos carboidratos), o corpo PARA de consumir gordura. Além disto, o corpo passa a transformar açúcar em gordura para poder estocá-la nas células gordurosas. E tudo isto ocorre para “limpar” do sangue os níveis tóxicos de glicose.

Fazendo uma analogia simples, em condições normais, nossa gordura corporal não funciona como uma poupança de longo prazo, como alguns especialistas sugerem, mas sim como sua carteira. Nós sacamos dinheiro no caixa eletrônico (comemos) e então guardamos na carteira (células de gordura) para ir gastando ao longo do dia (ou de alguns dias).

Mas como esta gordura é armazenada?

A gordura em nosso corpo é armazenada na forma de triglicerídeos, ou seja: uma molécula composta por três ácidos graxos ligados por uma molécula de glicerol. O glicerol (C3H8O3), por sua vez, é criado quando a molécula de glicose (C6H12O6) é “quebrada” e “remontada” como glicerol.

Em outras palavras: quanto mais carboidratos, mais glicose e mais insulina. Quanto mais glicose e insulina, mais glicerol. Quanto mais glicerol, mais nossas células gordurosas podem estocar triglicerídeos (ou seja, gordura). Quanto mais gordura armazenada, mais gordos ficamos.

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Em resumo:

  1. Nosso corpo armazena gordura como uma forma de se nutrir durante o tempo em que não estamos comendo, da mesma forma que guardamos o dinheiro na carteira para usarmos quando não estivermos próximo a um caixa eletrônico ou em um estabelecimento que não aceite cartão de débito.
  2. Quando você ouvir alguém falar que “os carboidratos (ou seja, a glicose) são a fonte de combustível preferida de nosso corpo”, saiba que na realidade a glicose não é a “fonte preferida” e, sim, a que mais causa prejuízo e que, por isto, nosso corpo precisa usá-la primeiro (a fim de se livrar de uma quantidade tóxica de açúcar no sangue).
  3. Quando nosso corpo queima açúcar (que vem dos carboidratos), ele para de queimar gordura, mas não para de armazenar gordura. Ou seja: quanto mais carboidratos você comer, mais gordo você vai ficar.

Esses três pontos devem responder à primeira pergunta “por que a gente armazena gordura?” e sugerir um caminho de resposta para a segunda pergunta “por que o excesso de gordura?”.

No próximo capítulo da série:

Por enquanto, falamos do lado bom da insulina no corpo: reduzir os níveis tóxicos de açúcar no sangue. Falamos também de dois efeitos colaterais da insulina: suspender a queima de gordura e causar o aumento da quantidade de matéria-prima que nosso corpo usa pra produzir a gordura.

No próximo capítulo vamos entender um pouco mais por que engordamos em excesso e como é feita esta transformação de glicose em gordura.

Parte 2

O acúmulo de gordura

No post anterior da série, fomos apresentados à insulina e entendemos como funciona o processo de acúmulo de gordura. Além disso, apresentamos também um conjunto de perguntas a serem respondidas:

  1. Por que a gente armazena gordura?
  2. Sim, precisamos de um pouco de gordura pra nos manter aquecidos e proteger órgãos vitais de impactos. Mas por que o excesso?
  3. Por que a gordura tende a ficar localizada em alguns pontos e em outros não?
  4. Por que eu engordo e algumas pessoas não?

A primeira pergunta foi respondida: nosso tecido adiposo (a gordura em nosso corpo) cumpre um papel fundamental para manter as células de nosso corpo abastecidas de energia enquanto não estamos comendo.

Para respondermos a segunda e a terceira perguntas, precisamos entender o mecanismo de regulação do tecido adiposo. Para tanto, pensemos na seguinte sequência de fatos:

  1. Pensamos em comer uma refeição contendo carboidratos;
  2. Nosso corpo começa a secretar insulina;
  3. A insulina sinaliza para as células gordurosas que elas devem suspender a liberação de ácidos graxos (a forma na qual a gordura é queimada como fonte de energia) e, ao invés disso, começar a armazenar ainda mais ácidos graxos, retirando-os da corrente sanguínea;
  4. Ficamos com fome (ou com mais fome);
  5. Começamos a comer;
  6. Nosso corpo secreta mais insulina;
  7. Os carboidratos são digeridos e entram na circulação como glicose, aumentando os níveis de açúcar no sangue;
  8. Nosso corpo secreta ainda mais insulina;
  9. Devido à ação da insulina descrita no passo 3, a gordura que comemos é armazenada como triglicerídeos nas células gordurosas, assim como parte dos carboidratos, que foram convertidos em gordura pelo fígado;
  10. As células gordurosas armazenam mais gordura (e por consequência engordamos);
  11. A gordura permanece “presa” nas células até o nível de insulina baixar.

A grosso modo, podemos dizer que engordamos demais porque comemos carboidratos, pois estes causam um aumento da concentração de insulina no sangue, e esta causa não só a suspensão do uso de gordura como combustível, mas também a “estocagem” desta gordura na forma de triglicerídeos em nossas células gordurosas. Desta forma, entramos em um ciclo vicioso em que passamos a acumular mais gordura do que queimamos e assim acumulamos gordura em excesso.

No entanto, ainda falta responder uma das perguntas propostas: por que a gordura tende a ficar localizada em alguns pontos e em outros não?

A resposta simples para esta pergunta está relacionada a uma enzima que nosso corpo produz, chamada lipase lipoproteica (LPL). Esta enzima se fixa às membranas de diferentes células e é responsável por quebrar os triglicerídeos (ou seja, a gordura) da corrente sanguínea e transformá-los em ácidos graxos, a fim de facilitar sua entrada nas células, pois os triglicerídeos são moléculas “grandes” e tem mais dificuldade de passar pela membrana das células de gordura. Ao quebrá-los em três ácidos graxos e uma molécula de glicerol, eles ficam “menores” e passam com mais facilidade pela membrana.

Se a LPL estiver na superfície de um músculo, ela direciona os ácidos graxos para que sejam usados como combustível pela célula muscular. No entanto, se estiver em uma célula gordurosa, os ácidos graxos serão ligados novamente a um glicerol dentro da célula, ou seja, sendo transformados em triglicerídeos (que como sabemos, não passam pela membrana para serem liberados).

Dependendo da pessoa, a distribuição da LPL é diferente e parece estar ligada aos hormônios sexuais. Em homens, por exemplo, a maior atividade de LPL se dá acima da cintura, enquanto nas mulheres, a atividade é maior nos seios e abaixo da cintura. Depois da menopausa, por exemplo, a atividade de LPL na região abdominal das mulheres se assemelha à dos homens e, por isto, as mulheres tendem a engordar. Na gravidez, a atividade aumenta nas nádegas e quadris, ajudando-as a nutrir o bebê e até mesmo a compensar o peso na barriga. Após o parto, a atividade de LPL nas mulheres reduz nas nádegas e quadris e aumenta nos seios. Desta forma, elas podem usar esta gordura para produzir leite para o bebê.

Assim como a insulina é o principal regulador do metabolismo da gordura, a insulina também é o regulador principal da atividade da LPL. A insulina ativa o LPL nas células gordurosas, particularmente nas do abdome. Ou seja, quanto mais insulina secretamos, maior a atividade da LPL nas células de gordura, e mais gordura sai da corrente sanguínea para ser armazenada. Para completar o cenário, a insulina também suprime a atividade da LPL nas células musculares, a fim de aumentar a quantidade de glicose utilizada pelos músculos como combustível (lembre-se: glicose em excesso é tóxica e o corpo precisa gastá-la o mais rápido possível).

Em outras palavras, se a insulina estiver alta, quando as células gordurosas liberarem ácidos graxos para serem usados como combustível pelo corpo, os músculos não irão utilizá-los (pois a atividade de LPL está baixa neles) e eles acabarão sendo utilizados onde a atividade da LPL for alta; ou seja, sendo armazenados como triglicerídeos novamente.

Além da LPL, a insulina também influencia uma outra enzima: a lipase hormônio-sensível (HSL). Assim como a LPL ajuda a entrada da gordura nas células quebrando os triglicerídeos para passarem pela membrana, a HSL atua dentro das células, transformando de volta os triglicerídeos estocados em ácidos graxos para que estes passem para fora através da membrana.

Em outras palavras: quanto mais ativa a HSL, mais gordura liberamos e mais gordura podemos usar como combustível. No entanto, a insulina tem o efeito de suspender a atividade da HSL, a fim de diminuir a quantidade de ácidos graxosdisponíveis e maximizar a queima da glicose.

Resumo

O papel da insulina é reduzir os níveis tóxicos de glicose (proveniente dos carboidratos) no sangue a todo custo, mesmo que isto signifique que toda a gordura que ingerirmos ou produzirmos seja armazenada nas células gordurosas.

Além disso, existem duas enzimas que determinam o modo como nossas células irão lidar com a gordura chamada: a LPL, que é responsável por facilitar a entrada de gordura nas células, e a HSL, que é responsável por facilitar a saída de gordura das células. Estas enzimas são distribuídas de maneira diferente por nosso corpo, e a insulina atua sobre as duas enzimas, aumentando a atividade da LPL nas células gordurosas e diminuindo nas musculares, além de diminuir a atividade da HSL por todo o corpo. A insulina realiza esta alteração nas enzimas a fim de cumprir sua atividade básica: suspender o uso de gordura como combustível a fim de queimar o máximo da glicose disponível no sangue e reduzir os níveis de glicose a patamares seguros.

Como resultado, enquanto a insulina está elevada acima dos níveis naturais (ou seja, quando temos uma dieta rica em carboidratos, mesmo os INTEGRAIS), nosso corpo não queima gordura até que a glicose no sangue seja toda consumida. Então, o corpo começará a eliminar a insulina, e, enquanto a insulina não for toda eliminada, nossas células ficarão sem nutrientes. Então, sentimos fome e a tendência (e também a recomendação dos nutricionistas) é comermos mais: fazendo-nos comer mais do que precisamos (afinal, se a insulina estivesse baixa, os ácidos graxos seriam usados como combustível).

Além disso, nossos corpos começam a crescer (pois estamos acumulando gordura nas células) e com isto, nosso peso aumenta, desenvolvemos mais músculo para sustentar nosso próprio peso, nossas necessidades de energia aumentam e isto nos faz comer mais, criando um ciclo vicioso.

Sendo assim:

Não engordamos porque comemos demais. Comemos demais porque engordamos.

No próximo capítulo

No próximo post iremos falar sobre a consequência deste ciclo vicioso: a resistência à insulina, que torna necessária uma maior quantidade de insulina no sangue, acelerando ainda mais o processo de engorde. A resistência à insulina é a pré-condição para o surgimento de diabetes tipo 2.

Parte 3

Por que eu engordo e ele não? Bem-vindo à resistência!

Por que algumas pessoas engordam e outras não? Se você leu o restante da série, Insulina: a raiz de todo o mal, você pode ter ficado com esta pergunta na cabeça. No primeiro e no segundo posts da série, você foi apresentado à insulina e entendeu como ela funciona para nos fazer engordar. No entanto, ainda nos falta explicar por que algumas pessoas engordam e outras não.

Neste post, adaptado do livro Why We Get Fat, de Gary Taubes, vamos entender um pouco mais sobre uma condição que se desenvolve em nossos organismos quando consumimos carboidratos em excesso por muito tempo.

Ao falar sobre o tema, o autor faz a seguinte proposição:

Se a insulina faz as pessoas engordarem, porque ela torna apenas alguns de nós gordos? Todos secretamos insulina, afinal, e mesmo assim muitos de nós são magros e continuam magros pela vida inteira. Esta é uma questão de natureza – nossa predisposição genética – não são a nutrição ou aspectos da dieta e/ou estilo de vida que disparam esta natureza.

A resposta para esta pergunta deriva, segundo o autor, do fato de que “os hormônios não trabalham no  vácuo, e a insulina não é exceção”. O efeito de um hormônio em qualquer tecido depende de uma série de fatores, tanto internos, quanto externos às células (lembre-se do LPL e do HSL que apresentamos no post anterior da série). Estes fatores intra e extracelulares tornam o efeito da insulina diferente dependendo da célula, do tecido e até mesmo do estágio de nossa vida ou desenvolvimento.

A insulina pode ser considerada como o hormônio que determina como os combustíveis são distribuídos por nosso corpo. Após uma refeição, a insulina e diversas enzimas que ela influencia (como o LPL e o HSL) determinam em que proporção e para que células os diferentes nutrientes serão enviados, quanto desse combustível será queimado, quanto será armazenado e como isto irá mudar ao longo do tempo.

 

Imagine um indicador de combustível como o da foto acima, em que um dos lados tem um “E”, que significa Energia, e o outro tem um “G”, que significa Gordura. Se o ponteiro se posiciona à direita (em direção ao “G”),  devemos entender que a insulina está enviando quantidades desproporcionais das calorias que você consome para serem armazenadas como gordura, ao invés de serem usadas como energia para seu corpo. Sendo assim, podemos dizer que você tem tendência a engordar. Além disso, você terá menos energia disponível para fazer atividade física; ou seja, você também tem tendência a ser sedentário. Se você não quiser ser sedentário, você terá que comer mais, a fim de compensar a perda das calorias que são transformadas em gordura. As pessoas que tem obesidade mórbida são aquelas que estão do lado “G” do indicador.

No entanto, se o ponteiro se posiciona no lado oposto do indicador (em direção ao “E”), você está queimando as calorias que você ingere como combustível de maneira desproporcional. Você tem energia suficiente para fazer exercícios e muito pouco desta energia será armazenada como gordura. Você será magro e ativo e comerá em moderação. Quanto mais você aponta na direção do “E”, mais energia você tem para atividade física e menos será armazenado como gordura (ou seja, mais magro você será). Deste lado do espectro estão os maratonistas.

Ok, se o “ponteiro” da minha insulina aponta para o lado “E”, eu emagreço, se aponta para o lado “G” eu engordo. Mas, como a posição do ponteiro é determinada?

À primeira vista, poderíamos pensar que quanto mais insulina secretarmos, mais gordos ficaremos. No entanto, não é bem assim que as coisas funcionam. Esta é parte da resposta, mas tem muito mais a ver com a consequência do problema do que com a causa.

Se diferentes pessoas comerem a mesma quantidade de carboidratos, algumas pessoas secretarão mais insulina do que outras e terão uma maior predisposição a armazenarem mais energia como gordura do que deixar disponível para ser gasta em atividade física. Seus corpos trabalham para manter o nível de açúcar no sangue sob controle (afinal, muito açúcar no sangue é tóxico), e, conforme explicamos no post Insulina, Gatos e Darth Vader, se for necessário para isto aumentar nossa massa gordurosa, a insulina vai fazê-lo.

No entanto, outro fator importante nesta equação é o quão sensível à insulina nossas células são e o quão rapidamente elas se tornam insensíveis em resposta à insulina secretada, condição esta chamada de “resistência à insulina“.

Quanto mais insulina secretarmos, maior a probabilidade de que nossas células tornem-se resistentes à insulina. Assim como um alcoólatra precisa de quantidades muito maiores de bebida para ficar alcoolizado, uma pessoa resistente à insulinaprecisa de quantidades muito maiores de insulina para manter o nível de açúcar sob controle.

Outra forma de pensar neste problema é que as células têm uma forma de decidir que não querem receber mais glicose do que já recebem (afinal, glicose em excesso faz mal para as células também) e, para isto, elas tornam mais difícil o trabalho da insulina de retirar a glicose da corrente sanguínea.

O “problema (ou a solução)”, como coloca Taubes, é que o pâncreas responde à quantidade de açúcar elevada no sangue injetando ainda mais insulina. O resultado deste processo é um ciclo vicioso: quando muita insulina é secretada (em resposta à ingestão de carboidratos de fácil digestão, como amido e açúcar), nossas células têm a tendência de rapidamente tornarem-se resistentes à insulina (especialmente as células musculares), pois elas já tem glicose suficiente.

Além disso, enquanto as células resistentes “não querem” receber mais glicose e seu pâncreas ainda está secretando mais insulina para remover a glicose do sangue, seu fígado continua transformando glicose em gordura e a insulina continua armazenando-a em suas células gordurosas (a não ser que elas também estejam resistentes à insulina). Em outras palavras, durante este processo, a insulina trabalha para lhe deixar mais gordo.

Para somar a este cenário, para cada célula e tecido de nosso corpo, a velocidade em que as células ficam resistentes à insulina é diferente. Se suas células musculares são mais sensíveis (isto é, menos resistentes) à insulina, elas vão “capturar” mais glicose do sangue e você se manterá magro. No entanto, se suas células de gordura são mais sensíveis, elas vão armazenar mais energia na forma de gordura (a fim de eliminar a glicose) do que seu corpo consegue gastar (e aí você engorda).

Por fim, se imaginarmos que nossas células são organismos vivos e que também sofrem o proceso de seleção natural, pode-se dizer que as células resistentes à insulina são melhor adaptadas a um ambientem em que a glicose é abundante e, por isto, ao longo do tempo, elas irão se reproduzir como células menos sensíveis à insulina. Ou seja, à medida que o tempo passa, você vai se tornando cada vez mais resistente à insulina.

Somando-se a isto o fato de que as células musculares têm uma tendência maior a se tornarem resistentes à insulina do que as células de gordura, teremos então a explicação para o fato de pessoas que são magras na juventude engordarem ao longo do tempo.

O conhecimento tradicional nos diz que ao longo do tempo, nosso metabolismobasal vai ficando cada vez mais lento e, por isto, queimamos menos energia à medida que envelhecemos. No entanto, provavelmente os defensores desta visão estão invertendo a causa e a consequência: é mais provável que nossos músculos vão se tornando cada vez mais resistentes à insulina, deixando uma parte maior da energia que consumimos ser convertida em gordura para ser armazenada. Isto então deixa menos energia disponível para consumirmos e, por isto, nosso metabolismo desacelera.

Ou seja, como diz Taubes:

O que parece ser a causa de engordar (a redução da velocidade do nosso metabolismo) é na verdade um efeito. Você não engorda porque seu metabolismo desacelera; seu metabolismo desacelera porque você está engordando.

Você deve estar se perguntando agora: “como posso evitar a resistência à insulina?“.

A resposta é simples: coma menos carboidratos, afinal, todo o carboidrato que ingerimos (à exceção da fibra) torna-se glicose em nosso sangue e quanto mais glicose, mais insulina secretamos e mais nossas células ficam resistentes a ela. Se simplesmente ingerirmos menos carboidratos, a taxa de glicose no sangue diminuirá e, por consequência, o nível de insulina no sangue também será reduzido. Desta forma, os efeitos da insulina ficam atenuados e você voltará a queimar gordura. É importante salientar que quanto mais resistente à insulina você for, menos carboidratos poderá comer e que quanto menos carboidratos você comer, mais rápido irá emagrecer.

Obs: sempre que fizer qualquer alteração em sua dieta, faça com o acompanhamento de um profissional de saúde. Mesmo que ele não concorde com sua dieta, ele poderá solicitar exames e você e o profissional poderão acompanhar a evolução de sua dieta.

Insulina: A raiz de todo o mal

Leonardo Pires | Fatopia

O flagelo da agricultura

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Há algum tempo citei o Manning e agora encontrei uma excelente entrevista com o autor (em abril de 2004). Inicialmente colocarei aqui uma tradução automática que aos poucos irei burilando. [Atualização: revisão completada].

Vejo uma relação de afinidade com o filme Demain no que toca à agricultura. Manning não propões abandonar a agricultura. Mas imprimir uma direção correta. Como também é feito no filme, que não critica a agricultura em geral mas a forma atual com ênfase na monocultura, antagônica da diversidade, chave para a sustentabilidade. Ao escrever este post em paralelo com o relativo ao filme Demain [a publicar] notei uma afinidade imensa, como se o que está na entrevista, e talvez no livro [que ainda não li], fosse precursor do filme. Nos post sobre o filme Demain (de 2015) exploro mais esta, suposta por mim, afinidade.

O flagelo da agricultura

Richard Manning argumenta que olhar para o que a “natureza já imaginou” poderia ser a solução para um mundo devastado pela agricultura.

O conceito do selvagem nobre existe há algum tempo na nomenclatura da civilização ocidental. Na cultura popular, a frase pode conjurar imagens de índios americanos de filmes como Dances with Wolves , ou aborígenes de The Gods Must Be Crazy . Um nativo escassamente vestido corre ao redor da mata com um arco e flecha, vivendo uma vida simples que é melhor descrita como “próxima à natureza”. Mas de onde exatamente nossa concepção de povos tribais como inerentemente “nobre” veio? E isto é exato?

Richard Manning, que escreveu extensivamente sobre cultura, agricultura e meio ambiente, acredita que “o selvagem nobre” não é uma maneira particularmente satisfatória de descrever os povos tribais. “É mais complicado do que isso”, diz ele. No entanto, em seu novo livro, Contra o Grão: Como a Agricultura seqüestrou a civilização , ele cita o caso de tribos – particularmente tribos caçadoras-coletoras – que vivem de forma fundamentalmente sustentável, considerando que o sistema social que se desenvolveu com o advento da agricultura gerou desigualdade e fome, e teve um imenso impacto ambiental em um período de tempo (cerca de 10.000 anos) que contrasta com a história da vida humana no planeta (cerca de 4 milhões de anos). Enquanto os argumentos contra a agricultura ganharam força nas últimas décadas, centraram-se principalmente no debate sobre os desenvolvimentos do século XX, como a Revolução Verde ou as culturas geneticamente modificadas. O escopo da Manning é muito mais amplo do que isso, e se estende à própria origem das sociedades agrícolas. Ele argumenta que ocorreu uma grande mudança entre os seres humanos quando descobrimos a agricultura – e começamos a avançar em direção a um ethos de domínio baseado na prática da domesticação.

“A domesticação é uma evolução humana”, escreve Manning, “uma mudança fundamental na qual a seleção humana exerce pressão suficiente sobre a planta selvagem que é visivelmente e irreversivelmente alterada, seus genes são alterados”. Paradoxalmente, Manning explica que a domesticação ajudou a criar uma sociedade que foi ainda mais afetada pelos caprichos da natureza do que pelas sociedades caçadoras e coletoras. Isso ocorre porque o tipo de agricultura que viemos praticar estava vinculada a uma relação catastrófica com a Terra: o desmatamento de grandes extensões de terra para colocar uma única planta. Essa prática começou a destruir a diversidade – a força fundamental de todos os sistemas naturais.

Em Contra o Grão , Manning olha além dos efeitos ambientais da agricultura e da civilização, que já foram bem documentados, e explora o que essas invenções têm feito para a qualidade da vida humana no planeta. A agricultura nos deu o excedente, o excedente nos deu riqueza, e a riqueza nos deu hierarquias que necessariamente criaram uma subclasse. “Se quisermos buscar maneiras pelas quais os seres humanos diferem de todas as outras espécies, essa dicotomia [entre ricos e pobres] lideraria a lista”, escreve Manning. “A evolução não nos capacita para lidar com a abundância”. A agricultura industrial mostrada na América do século XX – alimentada por subsídios do governo e o “dumping” de grãos excedentes em mercados estrangeiros e caracterizada pela mudança para alimentos processados ​​- resultou na obesidade do mundo desenvolvido e na desnutrição dos em desenvolvimento. Os leitores podem achar as soluções propostas por Manning para os problemas causados ​​pela agricultura surpreendentes. Embora se possa esperar que ele encoraje a civilização a abandonar a agricultura em favor de algo mais “nobre”, nesta entrevista ele sugere que devemos abraçá-la. Na verdade, a chave para combater os problemas que criamos através da agricultura consiste em utilizar as manipulações ambientais que nós confiamos para domesticar nosso ambiente – mas de maneiras diferentes.

Manning é o autor de Last Stand, A Good House, Grassland, One Round River, e Food’s Frontier. Ele mora em Montana. Falamos por telefone em 5 de março de 2004.

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Richard Manning

Achei seu subtítulo, “Como a agricultura seqüestrou a civilização”, um pouco confuso, já que você parece dizer que a agricultura e a civilização são basicamente sinônimas. Você pode explicar o que você quis dizer?

Na verdade, eu concordo com você. No entanto, há uma ressalva interessante para isso: sempre pensamos que a agricultura permitiu o sedentarismo, o que deu às pessoas tempo para criar civilização e arte. Mas a evidência que está emergindo do registro arqueológico sugere que o sedentarismo veio primeiro, e depois a agricultura. Isso ocorreu perto das foz dos rios, onde as pessoas dependiam de frutos do mar, especialmente o salmão. Estas foram provavelmente culturas extremamente abundantes que tiveram uma enorme quantidade de tempo de lazer – eles apenas tiveram que esperar que as corridas de salmão ocorressem. Existem alguns bons registros dessas comunidades, e dos restos de esqueleto podemos ver que eles conseguiram até 95 por cento de seus nutrientes de fontes de salmão e derivados do oceano. Ao longo do caminho, eles desenvolveram arte altamente refinada – algo que sempre associamos à agricultura.

A descoberta da agricultura, você escreve, levou a uma mudança na forma como interagimos com o nosso ambiente, em direção a um ethos de “dominância”. É difícil não imaginar a agricultura como algo que reflete um impulso inerente dentro do homem para derrotar, ou pelo menos, domar a natureza. Mas você também argumenta que o desenvolvimento da agricultura foi apenas “oportunismo”. A agricultura vem do desejo de dominar, ou foi apenas uma grande coincidência?

Podemos abordar isso com cerca de cinquenta ângulos diferentes e não apresentar uma resposta satisfatória. Mas acho que é realmente importante pensar nesses termos. Uma visão é dizer que todo o dano que vemos no planeta é o resultado de nossos números e da natureza humana – e que a agricultura é o pior sintoma da condição humana, porque tem o maior impacto no planeta. Nesta análise, não culpamos a agricultura – culpamos os humanos.

Mas não acho que seja essa a explicação completa. Isso fica muito mais rico quando você olha a co-evolução: não são apenas genes humanos no trabalho aqui. São genes de trigo e genes de milho – e como eles têm uma influência sobre nós. Eles aproveitaram nossa capacidade de viajar, nossa inventividade, nossa capacidade de usar ferramentas, viver em um amplo número de ambientes e nossa enorme necessidade de carboidratos. Devido à capacidade dos nossos cérebros, fomos capazes de espalhar não só nossos genes, mas também os genes do trigo. É por isso que faço o argumento de que você tem que ver isso em termos do trigo que nos domina também. Esse processo co-evolutivo entre humanos e nossas culturas primárias de alimentos é o que criou a agricultura que vemos hoje.

O maior problema com a agricultura – e a civilização – parece ser o excedente que ela cria. Você faz questão de dizer que os seres humanos ainda não desenvolveram uma forma de lidar com o excedente. Você acha que algum dia iremos?

Desde que a civilização começou, o excedente esteve conosco. Uma espécie de “necessidade cega de excesso” tem conduzido nossa cultura exatamente na direção errada. Ele cria sociedades estratificadas. O CEO de uma empresa ganha mil vezes mais do que um de seus trabalhadores. Esse tipo de disparidade não existe em nenhum outro tipo de espécie. E isso sugeriria que não conseguimos melhorar o consumo do excedente – na verdade, ficamos piores nisso.

Lidar com excedentes é uma tarefa difícil. O problema começa com o fato de que, assim como o desejo sexual, o impulso alimentar aumentou na evolução. Se você tem uma necessidade profunda e ansiosa de comida, você vai se dar bem melhor do que seu vizinho, e ao longo dos anos esse gene será transmitido. Então você obtém essa criatura que ficou bem ajustada para realmente precisar de comida, especialmente carboidratos. O que nos leva à questão mais fundamental: podemos lidar com o açúcar? Ao fazer formas mais concentradas de carboidratos, estamos jogando em algo que é bastante viciante e poderoso. É por isso que somos tão obesos. Temos acesso a todo esse açucar, e simplesmente não podemos controlar a nossa necessidade, é genética.

Agora, podemos ganhar a capacidade de superar isso? Não tenho certeza. Você tem que adicionar a isso o fato de que há muito dinheiro a ser ganho por pessoas que sabem como concentrar o açúcar. Eles têm um interesse real em perceber que não superamos esses tipos de vícios. Na verdade, é assim que você controla as sociedades – você explora esse impulso básico para a alimentação. É assim que treinamos cães – se você quer fazer um cachorro se comportar corretamente, você o priva ou dá comida. Os seres humanos não são tão diferentes. Nós simplesmente gostamos de pensar que somos. Assim, como elemento de controle político, os alimentos e as imagens de alimentos são extremamente importantes.

E quanto ao controle religioso? Se a agricultura cria o excedente, o que cria hierarquias sociais, então, como a religião afetou isso?

O controle de um enorme suprimento de alimentos foi tecido na observância religiosa. No início da agricultura, foi o sacerdote que decidiu quando o plantio ocorreria, e todas as observações religiosas estavam voltadas para mudanças sazonais. Tudo é tecido em uma história muito rica – é mesmo em nossas orações: “Dê-nos hoje o nosso pão de cada dia”.

Mas a religião também entra em comportamento exibicionista. Parte disso é a abnegação que acompanha a observância religiosa. As pessoas são rápidas porque é o oposto do que as pessoas normais fariam, então é uma exibição de fidelidade. E embora eu não pretenda desprezar os vegetarianos, todos nós também vimos esse tipo de comportamento exibicionista: o vegetariano, por exemplo, que faz o pedido em voz muito alta em um restaurante para que todos saibam que ele é moralmente superior de alguma forma.

Isso é interessante. Você acha que o vegetarianismo tanto não é socialmente responsável como está falido?

Depende de como é feito. Nos EUA, usamos alimentos altamente processados ​​como substituições. Você sabe, creme de arroz e hambúrgueres de soja e tudo isso. Uma vez que você está nesse tipo de processo, então os ganhos de energia do vegetarianismo são removidos quase imediatamente. Mas além disso, você tem que olhar para a maneira como fazemos a agricultura nos EUA. Nós eliminamos enormes áreas de habitat. Iowa tem algo menos de 1% de seu habitat nativo. Bem, esse habitat sustentava animais selvagens. Então, você tem dificuldade em argumentar a favor do vegetarianismo como uma espécie de “bondade para com os animais” quando você está destruindo todo o habitat desse forma.

Se a agricultura e a civilização causaram tantos problemas, e os caçadores-coletores? O seu modo de vida funciona melhor?

Vamos considerar o que aconteceu na América. Quando os colonos europeus vieram aqui, tornou-se uma política muito ativa do governo tentar fazer com que os índios começassem a cultivar. Thomas Jefferson era explícito nisso, e ele não estava sozinho. Mas os índios simplesmente fugiram – e não só deixaram a agricultura branca, mas deixaram sua própria agricultura. Uma vez que eles tinham cavalos, eles tinham a opção de caçar muito mais efetivamente. Eles depuseram suas enxadas, e foram em seus cavalos, adentraram nas planícies ocidentais e tornaram-se nômades em lugares que não se via ninguém há anos. Eles se tornaram caçadores. Eles “descobriram algo”, ou eles conseguiram um acordo com a natureza que de alguma forma era sustentável? Não, é mais complicado do que isso, porque assim que o mercado de carne de caça entrou na área e permitiu que eles vendessem vestes de bisonte aos brancos, eles realmente participaram da extinção do bisonte – mesmo antes que os caçadores brancos entrassem em cena.

Mas mesmo essa prática foi resultado do contato com a civilização.

E habilidade. Assim, uma vez dada a tecnologia, o mercado e a capacidade de explorar esse recurso de uma maneira diferente, eles simplesmente aproveitaram.

Então, há algo que a civilização pode aprender com o modo de vida tribal?

Sim, acho que há algo realmente importante que as culturas caçadoras e coletoras aprenderam de que poderíamos nos beneficiar. É a ideia fundamental da insegurança. Nós negociamos uma enorme quantidade de liberdade em nossa sociedade por segurança. Esse é sempre o trade-off. É nossa incapacidade de lidar com nossa falta de controle sobre como e quando morremos, que é fundamentalmente responsável por tudo isso. Então, desistimos de muita liberdade para as falsas garantias de que não vamos morrer dessa ou daquela maneira. Eu acho que podemos aprender com os caçadores-coletores que é realmente uma ilusão. Esse tipo de segurança não pode ser obtido em um sistema natural – e estamos em um sistema natural e sempre estaremos. Portanto, precisamos aceitar uma boa parte dessa instabilidade e ameaça e perigo em nossas vidas.

Parece uma venda difícil.

Sim. É absolutamente uma venda difícil. Quero dizer, você olha como as pessoas vendem carros hoje, algo assim, “Este carro não vai matar você” – eles não se importam com mais nada. Esqueça os quilômetros por litro. E olhe o que estamos dispostos a desistir neste país em termos de liberdades civis, por exemplo, apenas por causa da ameaça do terrorismo. Você não pode mudar a realidade de que o mundo é um lugar perigoso. Então, é uma ilusão pensar que podemos estar seguros. Seria muito melhor se simplesmente abandonássemos essa ilusão e dissessemos: “Eu vou morrer, eu poderia morrer a qualquer momento – agora vou continuar a aproveitar a vida”.

Eu me pergunto o quanto poderia demorar para retornarmos a essa visão de mundo? Na natureza, quando uma espécie adota uma prática insustentável, a natureza eventualmente morde de volta com uma catástrofe, como um acidente populacional. É isso o que vai levar os humanos a mudar a forma como produzem alimentos?

As pessoas sempre dizem: “Bem, se houver alguma catástrofe terrível, então aprenderemos”. Mas a catástrofe já está aqui. A África é uma catástrofe. Ásia, América Latina … Os lugares mais pobres do mundo estão constantemente experimentando essas coisas que imaginamos serem desastrosas.

Mas não na América.

Não, não na América. Até agora, estamos confortavelmente capacitados em manter isso fora da vista. É por isso que não lemos notícias internacionais neste país, é por isso que não aparece nos nossos aparelhos de televisão – porque somos capazes de manter uma espécie de negação sobre o fato de que um terço da humanidade vive com menos de um dólar um dia. Nós nos separamos. Está ao nosso redor – nós simplesmente ignoramos isso.

De que forma o Primeiro Mundo “sentirá na própria carne” os problemas que decorrem da agricultura industrial?

Eu acho que os efeitos do aquecimento global vão crescer nos próximos quinze a vinte anos. Haverá falhas generalizadas por causa do aquecimento global, isso é bem claro. E haverá  enormes mudanças climáticas e cada vez mais incêndios florestais.

Alguns podem afirmar que o capitalismo de livre mercado é a melhor maneira de criar civilizações mais igualitárias. É tentador ver o mercado livre como o reflexo societal mais próximo da “sobrevivência do mais apto” da natureza. O que você acha?

O capitalismo é um processo muito linear – nós construímos fábricas com ele. Não pensa em termos de complexidade, e certamente não aceita insegurança. Isso nos leva de volta aos fundamentos da agricultura. É um sistema de fábrica, um sistema linear. Pensamos em insumos, saídas e uma única planta de cada vez.

A natureza não funciona assim. A promessa da natureza é algo chamado de “excesso de rendimento”, sendo o todo maior que a soma de suas partes. É por isso que eu valorizo ​​muito os sistemas naturais. Eles trabalham em combinação com muitas coisas diferentes, e quando essas coisas estão juntas e finamente sintonizadas, elas tendem a produzir mais do que qualquer coisa com que possamos substituí-las. Por exemplo, as pradarias fornecem seu próprio fertilizante.

A co-evolução traz soluções para os problemas que são muito melhores do que o que podemos encontrar. Então, dessa forma, é diferente do que concebemos a partir do capitalismo.

Você escreve que as soluções para os problemas da agricultura industrial não virão do governo, já que a própria idéia de governo brotou das civilizações agrícolas. Existem maneiras de aplicar nossa compreensão da natureza à sociedade atual?

Bem, existem algumas coisas esperançosas lá fora. Já estamos começando a acomodar nossa compreensão da natureza na tecnologia da informação. Quando começamos a brincar com coisas como a inteligência artificial, por exemplo, sabemos que temos que lidar com a complexidade e que temos que projetar esses sistemas orgânicos que se parecem com a natureza.

Mas os grandes passos provêm da compreensão do genoma. Isso nos dá uma incrível apreciação da natureza, e também a capacidade de aproveitar a produtividade da natureza de maneiras únicas.

Tipo, como?

Por exemplo, quando você vai à sua loja local de alimentos saudáveis, você vê dois tipos de beterraba – dourados e listrados. Isso aconteceu porque algumas pessoas estavam observando alguns parentes selvagens e mutações naturais em beterraba, e descobriram que havia dois genes que criavam a cor vermelha nas beterrabas e se trocavam de um lado para o outro (não usando engenharia genética, mas um simples “knock-out“), ela se tornava listrada. Acontece que esta variação codifica um produto químico chamado betalin, que é um agente de combate ao câncer. Então, ao entender a manipulação desse gene, e ao colocar mais betalin na beterraba, eles aumentaram a capacidade de combater câncer. Se olharmos mais em culturas “esquecidas” e também em parentes selvagens de culturas, todos esses pigmentos são codificados em genes. E esses genes têm muitas capacidades de combate à doença que criamos fora de nossas plantas. Nós podemos trazer esses de volta às nossas colheitas com bastante facilidade e rapidez com a tecnologia que temos.

Ao mesmo custo para o consumidor?

Sim, absolutamente o mesmo. O criador que conheço que fez isso em Wisconsin diz que é tão fácil que ele não precisa lidar com companhias de sementes. No “velho mundo” você tinha que trabalhar com empresas de sementes, e a empresa de sementes tinha que recuperar seu investimento – portanto, as coisas eram caras. Mas ele pode fazê-lo muito rapidamente, liberá-lo para os agricultores orgânicos, e depois continuar crescendo, e é uma semente grátis.

Isso é interessante. Acho que a minha primeira reação sempre que ouço sobre manipulações da natureza é negativa. No seu livro, você ressalta que mesmo algo tão básico quanto o uso do fogo – algo que as sociedades tribais fizeram e ainda fazem – é uma manipulação da natureza. E aqui você parece estar pressionando por mais manipulação.

Eles são apenas manipulações mais sábias. Um dos princípios fundamentais aqui é que essas manipulações não são guiadas tanto por nossa imaginação como pelo que existia antes – a sabedoria coletiva da natureza. Então, estamos voltando e olhando para os genes mais amplos e complexos que ignoramos antes e dizendo: “O que há aqui que não sabíamos?” O princípio aqui é a humildade. Não somos capazes de imaginar as soluções definitivas: temos que ver o que a natureza já imaginou e imitar isso.

As soluções de que você fala parecem ter muito a ver com agricultura orgânica e alternativa. Isso é bom para o hipster em Manhattan, que pode pagar toda a loja de alimentos, ou o fazendeiro em Minnesota, que pode cultivar milho orgânico em solo fértil, e quanto a quem vive na pobreza? Em seu livro, você desenvolve a crônica da opressão dos pobres pelas civilizações agrícolas. Que esperança existe para eles agora?

Eu conheço um projeto na Índia, que é um caso interessante porque a Índia, como a maioria dos países pobres, é tão fortemente dependente do arroz. Mas na Índia, verifica-se que os mais pobres dos pobres dependem do arroz seco. É um tipo de conceito estranho; Não é irrigado. Algo como 40 por cento da área terrestre dada ao arroz no mundo é arroz seco. Os pobres dependem disso por um motivo: eles não podem pagar as melhores terras, não podem pagar a irrigação, de modo que eles se aproximam das coisas muito marginais, e há milhares de anos.

Claro, a ciência nos últimos trinta ou quarenta anos tem procurado intensamente o arroz irrigado, porque esse arroz oferece mais lucro. Mas há alguns pesquisadores em Bangalore, na Índia, que vem coletando as variedades locais de arroz seco que as pessoas crescem nas comunidades pobres. Em seguida, compararam-nos contra as melhores variedades “melhoradas” do melhor da ciência, e descobriram que as variedades locais eram melhores. Elas sempre floresceram – não importa o quão ruim as condições – e elas tinham certos valores nutricionais que as outras variedades não possuíam.

Então eles estão catalogando os genomas de todas essas variedades selvagens e criando essas variedades com as melhores características em uma variedade de arroz que, embora muito próximo das locais, também possui algumas das capacidades resistentes a doenças e resistentes a insetos das variedades melhoradas. Em outras palavras, eles estão fazendo uma variedade “super local”. E então eles estão devolvendo para essas pessoas pobres de graça. É um caso interessante em que as pessoas estão pensando em maneiras de usar a tecnologia para intervir a favor dos pobres.

Mas melhorar o rendimento apenas criando mais alimentos, o que, por sua vez, não cria mais pessoas?

Essa é uma questão fascinante – se você olhar para o crescimento da população no mundo, ocorre não apenas nos lugares mais agrícolas do globo, mas também nos lugares mais pobres. O crescimento populacional está ficando louco em lugares como Índia, África e Sudeste Asiático. Você precisa encontrar maneiras de acelerar a renda dos mais pobres apenas um pouco, porque o registro é muito claro que, se pudermos melhorar sua renda, sua taxa de natalidade diminui drasticamente. Eu vi isso. Eu estava em uma aldeia no México, onde um fazendeiro estava fazendo algo como 15 por cento mais do que seu vizinho, e ele tinha dois filhos enquanto o vizinho tinha treze. Isso é muito comum no mundo em desenvolvimento. A taxa de natalidade está mais intimamente relacionada com o rendimento da família – e isso é verdade em todo o mundo. Quanto melhor for sua renda, menos crianças você tende a ter. A educação também é importante, especialmente entre as mulheres. Se você pode educar as mulheres, então o controle de natalidade entra em jogo muito mais facilmente, e elas têm opções para se exercitar. Uma boa agricultura é extremamente importante para que isso aconteça – mas não a agricultura industrial, o que apenas piora. Se pudermos intervir, temos que entender que, se cultivarmos bem a agricultura, melhoraremos a vida. Mas se o fizermos mal, vamos piorar.

Surprise!

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Hoje vi o post de 12/06/2017 do Dr. Souto sobre o livro mais importante da década. Já o tinha lido em inglês.

Desta leitura da Teicholz e do Taubes, dois jornalistas especializados  em nutrição, ficou claro para mim que o assunto não pode ser destrinchado somente com antropologia ou ciência.

A história da origem dos nossos preconceitos em nutrição e a indução goebbeliana dos interesses da indústria dos alimentos na mídia é um fator primordial para entender melhor o que vem acontecendo e que está enredando a todos nós numa teia de desinformação.

É uma boa surpresa. Relê-lo em português e poder recomendar a sua leitura, agora sem a barreira da língua, vai ajudar muito a divulgar e combater o assédio da mídia para inculcar maus conselhos em nutrição.

[Atualização] O livro chegou em 27/6/2017.

Veja abaixo um vídeo com uma entrevista com a Teicholz com legendas em português.

Há também uma palestra dela no TEDxEast com legenda automática em português.

Ou veja abaixo com legenda automática em inglês.

A seguir alguns trechos:

Introdução

Lembro-me do dia em que parei de me preocupar com a ingestão de gordura. Isto muito antes de começar a ler milhares de estudos científicos e fazer centenas de entrevistas para escrever este livro. Como a maioria dos americanos, eu seguia o conselho de limitar o consumo de gorduras de acordo com a pirâmide alimentar divulgada pelo US Department of Agriculture (USDA); e, quando a dieta mediterrânea se tornou conhecida,na década de 1990, acrescentei azeite de oliva e porções extras de peixe a minha dieta, diminuindo ainda mais o consumo de carne vermelha. Ao seguir estas diretrizes, eu estava convencida de que estava fazendo o melhor que pude para o meu coração e minha cintura, já que fontes oficiais nos dizem há anos que a ótima dieta enfatiza carnes magras, frutas, vegetais e grãos e que as mais saudáveis são as gorduras provenientes de óleos vegetais. Evitar as gorduras saturadas encontradas em alimentos de origem animal, especialmente, parecia ser a medida mais óbvia que uma pessoa poderia tomar para uma boa saúde.

Então, em torno de 2000, mudei-me para a cidade de Nova York e comecei a escrever uma coluna de crítica de restaurantes para um pequeno jornal. Eu não tinha um orçamento para pagar as refeições, então eu costumava comer o que o chef decidia. De repente, eu estava comendo refeições gigantescas com alimentos que eu nunca antes deixaria passar pelos meus lábios: patê, carne de cada corte preparada de todas as maneiras imagináveis, molhos de creme, sopas de creme, foie gras – todos os alimentos que eu evitei minha vida inteira.

Comer esses pratos ricos e substanciosos foi uma revelação. Eles eram complexos e notavelmente satisfatórios. Comi com abandono. E ainda assim, estranhamente, eu me achei perdendo peso. De fato, logo perdi 10 libras [4,5 kg] que me perseguiam há anos, e meu médico me disse que meus números de colesterol estavam bem.

Talvez eu não teria mais pensado sobre isso se o meu editor da Gourmet não me pedisse que escrevesse uma história sobre as gorduras trans, que eram pouco conhecidas na época e, certamente, não eram tão famosas quanto hoje. Meu artigo recebeu muita atenção e levou a um contrato para um livro.

SOBRE MACROS, CETOSE, EXERCÍCIOS E NECESSIDADE DE CARBOIDRATOS

Hoje o guest post é do coach Rafael Araújo!

macroAntes de tudo gostaria de dizer que o que será apresentado abaixo é fruto de meses de estudo, análise, bom senso e a intrépida busca pela informação real, verdadeira, sensata, que esclarece e realmente agrega valores. Uma busca que me atormentava, e nela muitas foram as referências – principalmente “The Anabolic Diet” do Dr. Di Pasquale, muitos textos do site do Dr. José Carlos Souto, o livro “Paleo for Lifters” do Justin Lascek dentre outros.

Para qualquer análise, sobre qualquer individuo, gosto de imaginar que cada pessoa está em uma esfera diferente. Cada pessoa tem uma necessidade diferente e uma relação diferente com a comida. Cada pessoa está em uma ETAPA diferente, principalmente. Em primeira instancia qualquer um que inicie uma mudança nos hábitos alimentares, normalmente terá bons resultados. Se ela iniciou uma mudança baseada em comida de verdade, possivelmente é porque as coisas não estavam legais. Logo, para uma pessoa obesa, sedentária, até mesmo medidas erradas, acabarão culminando em resultados positivos. Entretanto essa realidade não persistirá por muito tempo: em algum momento haverá estagnação ou dificuldades para chegar a um novo objetivo.

Para a maioria de nós, o melhor resultado de uma vida LCHF baseada em comida de verdade ou Paleo, foi ter se livrado da comida industrializada e principalmente das amarras do açúcar. Somente isso já valeria todo o esforço. Então, primeira parte resolvida: passamos a comer melhor, ganhamos disposição, nosso perfil lipídico possivelmente melhorou, nossos níveis glicêmicos também, nossa gordura corporal baixou. Uau, quanta coisa conquistada até aqui não é mesmo? Agora, após tantas mudanças é normal que algumas pessoas criem novas metas, passando a ver a comida com nova perspectiva; que comecem a se interessar pelo show e queiram saber o que acontece por trás das cortinas. Comer comida de verdade já é normal, então é hora de buscar alimentos ainda melhores, controlar porções, aprender sobre informações nutricionais e ir além.

O principal passo de entrada em uma nova vida, após a mudança alimentar, deve ser a saída do sedentarismo. Saindo deste estado, quase todos querem sempre a mesma coisa: Perder um pouco mais de gordura e ganhar mais músculos. Bem, são estratégias diferentes, métodos diferentes, mas de qualquer modo, o que irei apresentar abaixo será o básico que você precisa saber para qualquer um dos dois processos.

O primeiro passo é entender o que são macros e como entender essa informação sem complicar o que estava funcionando.

Então, o que são macros?

Eles são a base do seu corpo. Se você fosse um prédio, eles seriam a pedra, cimento e lajotas. Eles vêm antes do acabamento, ok? Então afirmaremos que eles são fundamentais para o organismo. Resumindo, dentre suas diversas funções, os carboidratos fornecem energia para as células executarem suas funções (que fique claro: COMER carboidratos não é essencial, já que o seu corpo consegue produzir os carboidratos de que necessita a partir dos outros nutrientes que você ingere); já as proteínas ajudam na construção dos tecidos, como pele e músculos, enzimas e hormônios; e a gordura que também é fonte de energia, também é responsável por transportar nutrientes, isolamento térmico e tem funções hormonais também. Sendo super resumido, é isso.

Esse macro nutrientes são muito importantes para o nosso funcionamento. Saber controlá-los, mesmo sem medir e pesar, possivelmente seja o caminho mais importante para uma boa saúde. Afinal, é o que você possivelmente vem fazendo desde que inciou uma dieta LCHF/Paleo. Sem perceber, reduziu os carboidratos, aumentou a proteína e a gordura.

Antes que pessoas digam que podemos viver sem carboidrato, bem… Podemos, mas não há necessidade. Há uma vida mais simples, confortável e alegre consumindo carboidratos. Lembrando que uma dieta de até 150g de carboidrato por dia é considerada uma dieta low-carb.

Para saber os valores nutricionais de um alimento, será preciso ler seu rótulo ou pesquisar alguma tabela confiável na internet. Além disso, há aplicativos que podem te ajudar. Para ser direto, usando a tabela TACO de alimentos, um OVO FRITO grande possui 240 calorias, sendo que seus macros são: 15g de proteína, 18g de gordura e 1g de carboidratos. Simples assim.

E o que são micro nutrientes?

Bem, aí então entram os minerais e vitaminas principalmente. Se o macros são a estrutura bruta de um prédio, os micros são o acabamento, fiação e encanamentos Eles são impossíveis de serem calculados por terem valores absurdamente pequenos, logo, o ideal a fazer é comer seu MACROS de fontes naturais, possuindo a maior carga de MICROS possível. Isso é o conceito de carga nutricional. Uma visão extremamente pregada pelo conceito Paleo.

Assim, carga nutricional é a quantidade de micro nutrientes por caloria. Pense, enquanto uma macarronada possui baixos nutrientes por caloria, um espinafre possui muitos nutrientes e calorias quase irrisórias. Logo, sua carga nutricional é altíssima. Quanto mais carregados de nutrientes forem nossos alimentos, mais potente será nossa alimentação.

Como disse, a intenção é ser rápido e prático, então, não irei extrapolar sobre tais assuntos. Então voltemos ao tema central: sua necessidade de macros.

Proteínas

Há muita discussão sobre a quantidade ideal do consumo de proteínas por dia. Bem, a intenção deste texto é ser simples e direto. De acordo pesquisas mais recentes, a quantidade de proteínas a ser ingerida por quem busca ganhar massa muscular deve ser de 1,2 a 2,2g/kg por dia, mas com a recomendação de manter 1,7 a 2,2g/kg. Ou seja, para a maioria das pessoas, comer entre 100 a 150g de proteína por dia será suficiente. Não é muito e não foge muito das recomendações convencionais. Logo, se você está na casa dos 80kg, isso quer dizer de 136 a 176g de proteína por dia. Se pesa 60kg, isso seria 102 a 132g. Apesar de estar bem acima do que muitas pessoas consomem, seria facilmente batido em uma dieta normocalórica com 15-30% das calorias vindas das proteínas.

Pense que as proteínas irão construir e reconstruir seus músculos, e que sem ela é praticamente impossível ganhar massa magra. Proteínas, mesmo em uma dieta low-carb, normalmente representará entre 30-40% da sua alimentação, dependendo das suas quantidades.

Gordura

Sua principal função é ajudar na saciedade, aumentar sua energia e principalmente, recuperar sua musculatura. Pense na gordura como o cimento que une os blocos (proteína) na construção da sua casa (seu corpo). Será preciso utilizar gordura sem medo, o que não é um problema para a maioria de nós aqui.

A quantidade de gordura irá variar (e muito) pois dependerá basicamente da quantidade carboidratos que você ingerirá. Uma dieta high-carb e high-fat causará obesidade, diabetes e piora do seu quadro lipídico. Afinal, não é essa a dieta que o mundo vem fazendo há décadas? Então, será preciso saber quanto de carboidratos você consumirá, para então, assumir qual será seu consumo de gordura.

Em uma dieta low carb a gordura normalmente representa entre 50-70% da sua ingestão calórica diária.

Carboidratos

Bem, aqui irei detalhar um pouco mais – afinal, é a parte mais complexa dos macros.

Vamos usar a seguinte analogia, você vai fazer uma obra na sua casa. Para isso precisa de uma quantidade X de material. Os cálculos são precisos e há certeza da quantidade. Porque você iria comprar mais ou menos material? Se faltar, a obra não será executada, se tiver a mais, será desperdício e ficará lá no quintal… uma bagunça desnecessária.

Carboidratos são parecidos. Eles devem ser consumidos apenas na quantidade que lhe permita executar suas atividades de modo confortável, sem perda de energia e com toda sua capacidade. Lembrem-se, não estamos falando de cetose, cetoadaptação ou dieta cetogênica, apenas de uma dieta low-carb convencional.

  • Uma dieta cetogênica aconselhará no máximo 0,5g de carboidrato por quilo corporal.
  • Uma dieta low-carb aconselhará no máximo 2g por quilo corporal.
  • Uma dieta convencional aconselha de 2-3 ou mais gramas por quilo corporal.
  • Atletas de resistência tendem a comer entre 6-8g e com alguns picos chegando a 10-16g por quilo corporal.

Uma coisa que é preciso salientar: Carboidratos são essenciais? Em resumo, não. Para entender por que carboidratos não são essenciais, eu preciso discutir o conceito de um nutriente essencial brevemente. Que, em resumo, é: um nutriente essencial é definido como aquele que não pode ser produzido pelo corpo.

Citando o Rapid Fat Loss Handbook:

O critério pelo qual o carboidrato não é um nutriente essencial seria porque o corpo é capaz de produzir tanta glicose quanto o cérebro e os poucos outros tecidos precisam diariamente, advinda de outras fontes. Devo mencionar que o corpo não é capaz de fornecer carboidratos suficientes para alimentar atividades de alta intensidade, como sprinting ou musculação, logo os carboidratos podem ser considerados essenciais para os indivíduos que querem fazer esse tipo de exercício.

Então, do ponto de vista da sobrevivência, a quantidade mínima de carboidratos que são necessários em uma dieta é zero gramas por dia. O corpo pode produzir o pouco que precisa de outras fontes.

Mas quais são essas outras fontes?

De onde vem a glicose feita pelo corpo?

Quando o consumo de carbos é restrito, o corpo sente falta da glicose e começa a procurar outra fonte de energia. O corpo abastece-se basicamente do metabolismo da glicose, do metabolismo da gordura ou consumindo aminoácidos. Caso você esteja em privação total, sem consumir nenhum alimento, por longo período, ele ira consumir os aminoácidos do seu corpo, ou seja, sua massa magra, principalmente. Após quebrar as primeiras partículas de aminoácidos, o cérebro mudará para o consumo de cetonas oriundas da gordura (o que diminuirá a necessidade de glicose, logo a quebra de massa magra reduz-se). Mas caso perceba que a fonte lipídica, ou seja, sua gordura, está muito baixa, ele irá consumir seus músculos. Mas lembrando que isso é uma quadro de privação total, e não de uma dieta rica em proteínas e gordura.

Estudos apontam que ao consumir abaixo de 15g de carboidrato dia, o seu corpo entende que está com fome, e por isso iniciará a degradação de aminoácidos, ou seja, comerá massa magra – se você não estiver se exercitando. Por isso, quando se inicia uma dieta cetogênica, é preciso abundância de gordura, para que o corpo entenda que tendo gordura, mesmo com baixa atividade física, não será preciso destruir músculos. Assim ela protegendo seus músculos. Nesta mesma linha, há evidências que nos fazem crer que o consumo de 50g de carboidratos são suficientes para que não haja inicio na degradação de massa magra, mesmo no sedentarismo. Essa quantidade é o suficiente para controlar a produção de cortisol e o suficiente para inibir a quebra proteica do corpo. Ou seja, comer entre 15-50g de carbo por dia será eficiente em manter sua massa magra intacta.

Falando um pouco sobre Cetose

Quando a ingestão de carboidratos é restrita, o corpo começará a usar ácidos graxos como fonte de energia e o fígado produzirá corpos cetônicos. As cetonas podem ser usadas como combustível: basicamente eles são uma fonte de energia alternativa à glicose quando esta não está disponível.

A maioria das dietas cetogênicas definem um nível de ingestão de carboidratos em cerca de 30 gramas por dia, mesmo não havendo uma palavra final sobre esse assunto. Estudos mostram que qualquer dieta com menos de 100g de carboidratos por dia fará com que a cetose se desenvolva até certo ponto (mais cetonas serão geradas quando os carboidratos forem baixados).

Voltando ao ponto, embora o requisito fisiológico para carboidratos na dieta seja zero, podemos estabelecer um mínimo prático (em termos de prevenção de perda excessiva de proteína do corpo) em 50 gramas por dia. Lembrando que nem todos funcionam bem em cetose. Alguns ficam com o raciocínio nublado, letárgicos, sentindo-se mal na maioria dos casos. Mesmo com semanas em uma dieta cetogênica, eles nunca parecem se adaptar completamente. O que não é uma boa receita para a adesão a uma dieta no longo prazo.

A observação faz crer que isso está relacionado ao quanto um individuo é sensível à insulina. Indivíduos com boa sensibilidade à insulina, ou seja, lidam bem com o carboidrato, tendem a não se sentir bem em dietas de baixo teor de carboidratos. Em contraste, indivíduos com resistência à insulina tendem a se sentir bem com quantidades menores de carboidratos. Finalmente, algumas pessoas parecem ter a flexibilidade metabólica para se sentir bem com qualquer dieta. Novamente, o principio da individualidade deve ser levado em conta.

Em geral, assumindo que estamos falando de pessoas com zero ou níveis muito baixos de atividade, uma ingestão de 100-120 gramas de carboidratos por dia irá impedir o desenvolvimento da cetose. Assim, para as pessoas que querem (ou precisam) evitar a cetose, 100-120 gramas por dia pode ser tomado como um limite prático. Novamente, isso não serve para pessoas praticantes atividade de alta intensidade, uma vez que esta consumirá quase toda a glicose disponível.

Por fim, temos duas pontas: de um lado pessoas que consomem até 50 gramas de carboidratos por dia e sentem-se bem (com possíveis níveis de cetose) e do outro, pessoas que consomem até 100-120 gramas de carboidratos por dia (pessoas que não querem sintomas de cetose).

Lembrando que não estou sendo categórico, apenas dando uma noção sobre um valor mínimo prático. Para finalizar, antes de falar de exercícios, gostaria de lembrar que os valores acima não sofrem mudanças significativas devido o tamanho do corpo. A maior parte do que é observado leva em consideração o bom funcionamento do cérebro, sendo que ele não muda massivamente com base no tamanho do corpo.

O Impacto do Exercício

Até este momento no texto, os números apresentados, não levaram em conta o volume e intensidade de atividades físicas. Logo, o tipo, quantidade e intensidade da atividade afetarão os requisitos de carboidratos.

O trabalho aeróbico/cardiovascular típico de baixa intensidade geralmente não usará muito carboidrato. Logo, uma caminhada 3-5 vezes por semana não demanda qualquer aumento acima do mínimo (ou seja, 50g). O indivíduo pode querer aumentar o carboidrato (por várias razões), mas estritamente falando, ele provavelmente não precisa.

Os requisitos de carboidratos para musculação realmente não são tão grandes. Grupos defensores da dieta cetogênca apontam que você precisará de aproximadamente 60 gramas de carboidratos para repor o glicogênio usado ao longo de uma sessão pesada de musculação. Então, tomando como base o mínimo de 50 gramas por dia e adicionando os 60 da prática da musculação, será preciso de um total de 110 gramas/dia para cobrir a demanda. Caso seja uma pessoas que não lida bem com a cetose, vamos pensar em 160-180g/dia. Logo, para um homem de peso médio que erga uma boa quantidade de peso, seria sensato calcular com 2g/k de carboidratos por dia.  Isso dependerá muito de corpo para corpo. Eu sou um homem de 1,79 de altura e 95kg com percentual de gordura na faixa do 15%, com traços endomórfícos e me sinto melhor consumindo entre 60-70g de carboidratos diariamente.

Já para um exercício cardiovascular de maior intensidade é um pouco mais difícil identificar os requisitos de carboidratos e pode variar consideravelmente dependendo das intensidades e volumes. Um corredor de velocidade executando repetições 60m não estará usando muito glicogênio, já um atleta de resistência trabalhando em alta intensidade possivelmente o depletará completamente em 1-2 horas. Mesmo em intensidades mais baixas, as sessões de 2-6 horas realizadas por atletas de resistência podem esgotar completamente as reservas de glicogênio muscular e hepático diariamente. Para esses, será preciso de 300-400g de carboidratos ou mais.  Alguns atletas do mais alto nível de preparo e aptidão consumirão até mesmo 5g por quilo.

Devo notar que as seções acima assumem que a manutenção do glicogênio muscular é a meta. Ou seja, busca-se o máximo de desempenho e recuperação. Em alguns casos, (geralmente a busca pela redução da gordura corporal), acabar com glicogênio, ou mantê-lo num nível mais baixo, é a meta. Logo, alguém que queira manter o glicogênio muscular em níveis mais baixos, os valores acima seriam muito altos, uma vez que eles são voltados para a plena reposição de glicogênio após exercício pesado.

Existe ainda outra possibilidade: quando um praticante de exercícios quer aumentar os níveis de glicogênio muscular muito acima do normal. Isso exigirá maior ingestão de carboidratos do que os valores acima.

Há então um limite para consumo de carboidratos?

Logicamente, o limite seria ingerir 100% da sua necessidade calórica exclusivamente de carboidratos. Mas isso não deixaria espaço para qualquer proteína ou gordura. Existem situações onde visa-se super-compensar seus níveis de glicogênio muscular; que nada mais é do que carregar o corpo com mais glicogênio do que ele é capaz de manter normalmente. Isso muitas vezes é feito por atletas de resistência que procuram melhorar o desempenho fazendo ciclos de alto e baixo carboidrato, visando compensar o glicogênio para fins anabolizantes (construção muscular). Como exemplos podemos citar a dieta cetogênica cíclica ou dieta anabólica do Dr. Di Pasquale.

De um modo geral, gerar níveis máximos de glicogênio requer primeiro esgotar o músculo esquelético com a combinação de treinamento pesado e uma dieta baixa em carboidratos. Dadas essas condições, a ingestão de carboidratos girando em torno de até  12-16 gramas de carboidrato por quilo de massa corporal magra pode ser tolerada durante um período de 24 horas. Isto provavelmente representa um máximo prático para a ingestão de carboidratos, mas só seria viável nesta situação muito específica.

Concluindo

Como dito no início, sua dieta deverá ser montada com base em seu objetivo: ganho de massa magra envolverá quantidade suficientes de proteína, carbos elevados e menos gordura. Uma dieta para perda moderada de gordura, envolverá proteína suficientes, carbos reduzidos e gordura elevada. Perda de peso acelerada envolverá proteínas suficientes, carboidratos restritos e muita gordura.

Ou seja, o importante é manter-se de olho no consumo primário de proteínas, depois controlar os outros dois macros com base no objetivo.

Então, a necessidade de carboidratos é algo bastante especifico. Um homem com 80kg típico tem uma ingestão diária de carboidratos variando da necessidade fisiológica (que é zero) até 1120 gramas por dia no caso de extrema atividade. Assim, não me admira que as pessoas estejam confusas…

A simples pergunta, “de quanto carboidrato você precisa?” não tem uma resposta simples e direta. Os objetivos pessoais, a quantidade e o tipo de atividade, suas necessidades individuais (por exemplo, sensível à insulina ou resistente; se funciona bem ou não em cetose), seus objetivos individuais e outros, determinam quantos carboidratos são ideais na sua dieta.

Para isso, além de procurar um profissional, ouça seu corpo. Nenhum dos profissionais poderá te ajudar se você não procurar ouvir seu corpo quando ele lhe manda os devidos sinais.

rafaelRafael Araújo é lifter, praticante de jiujitsu e muay-thai, estudioso do mundo low-carb e criador do Método MCM. O caso de sucesso dele foi contado aqui no Paleodiário um tempo atrás.

Paleo Diário

Óleo de fígado de bacalhau

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Óleo de fígado de bacalhau é a melhor fonte de vitamina D3. Peixes gordurosos também são bons, mas você precisa comê-los com frequência para suprir suas necessidades.

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

Cumprindo uma “tradição” tentei, na infância de meus filhos, coagí-los a se alimentar correndo atrás deles com uma colher e um vidro de Emulsão Scott. Hoje me arrependo de ter criado neles uma forte rejeição ao produto.

Tenho tomado uma colher de chá antes do almoço, sempre que me lembro, para obter a vitamina D3. O gosto da versão moderna parece ser melhor (do tradicional) mas pode ser que eu tenha uma tolerância ao gosto forte incentivada pela vontade de obter saúde.

A deficiência de vitamina D é uma epidemia mundial e causa de muitos problemas de saúde. Comer peixe seria uma opção mas teria que ser frequente e em quantidade. Inviável para mim no momento. A tabela abaixo mostra como uma pequena quantidade do óleo de fígado de bacalhau é capaz de suprir a necessidade diária:

Comida Quantidade
de Vitamina D
% Valor diário
Óleo de fígado de bacalhau
1 colher de sopa
1360 IU / 34µg 227%
Salmão cozido
85g
447 IU / 11µg 75%
Atum enlatado com água
85g
154 IU / 4µg 26%
Fígado de boi cozido
85g
42 IU / 1µg 7%
1 ovo grande (a vitamina D
é encontrada na gema)
41 IU / 1µg 7%
1 sardinha enlatada em óleo,
drenada
23 IU / 0.6µg

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

Deficiência de vitamina D é algo sério
A deficiência de vitamina D é uma das mais comuns. Algumas pessoas têm mais risco que outras. Apesar da média ser de 41,6%, este percentual sobe para 82,1% em negros e 69,2% em hispânicos. Idosos também tem maior chance de terem deficiência desta vitamina.

Quem tem algumas doenças também provavelmente terão deficiência. Um estudo mostrou que 96% de pacientes que sofreram ataques do coração tinham níveis baixos.

Infelizmente, tal deficiência é uma epidemia silenciosa. Os sintomas são sutis e talvez levem anos para aparecer.

O sintoma mais conhecido da deficiência de vitamina D é uma doença chamada raquitismo, comum em crianças de países em desenvolvimento.

Entretanto, devido à políticas públicas de saúde, alguns alimentos passaram a ser fortificados com vitamina D, o que levou à eliminação de raquitismo nas sociedades Ocidentais.

Deficiência em vitamina D também foi associada com osteoporose, densidade mineral reduzida e maior risco de fraturas em idosos. Estudos mostraram um maior risco de doença cardíaca, diabetes (1 e 2), câncer, demência e doenças autoimunes, como esclerose múltipla, apenas para listar algumas. Também foi associada a um risco aumentado de morte por todas as causas.

Ainda não se sabe se tal deficiência contribui para a ocorrência destas doenças ou se as pessoas com baixos níveis desta vitamina têm maiores probabilidades de desenvolverem-nas.

Resumo: Deficiência em vitamina D é uma causa conhecida de uma doença nos ossos chamada raquitismo, em crianças. Entretanto, também foi relacionada com vários outros problemas de saúde, assim como expectativa de vida reduzida.

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

Quanto devo tomar?

A única forma de saber se você tem deficiência é medir os níveis de vitamina D no sangue.

Seu médico verificará a forma de estoque (calcidiol, 25(OH)D). Qualquer nível abaixo de 12ng/mL será considerado deficiente e acima de 20ng/mL, adequado.

A recomendação diária é:

400 IU (10 mcg): Bebês, de 0 a 12 meses.
600 IU (15 mcg): Crianças e adultos, 1-70 anos de idade.
800 IU (20 mcg): Idosos, grávidas e lactantes.
Apesar do limite inferior para a deficiência de vitamina D ser de 12ng/mL, alguns especialistas acreditam que as pessoas deveriam ter níveis sanguíneos acima de 30ng/mL para prevenir doenças e melhorar a saúde.

Além disso, muitos creem que a recomendação diária é muito baixa e que as pessoas precisam de muito mais para atingir tais níveis ótimos no sangue. De acordo com o “Institute of Medicine”, o limite superior seguro é de 4000 IU, ou 100 microgramas por dia.

Para pessoas com maior risco de deficiência, talvez esta seja uma boa quantidade. Às vezes, médicos recomendam ingerir muito mais que isso. Certifique-se de que está ingerindo vitamina D3 e não D2.

Cápsulas de vitamina D3 estão disponíveis na maioria dos supermercados e lojas de itens de saúde, além da loja virtual da Amazon.

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

A questão da quantidade a tomar depende de vários fatores. Tomar uma colher de chá ou metade de uma colher de sopa é uma decisão talvez baseada no % do valor diário (227%) que consta da tabela citada acima. E no texto abaixo:

Vitamina D: É difícil negar a evidência de que a vitamina D é indispensável para uma boa saúde. O óleo de fígado de bacalhau é a mais rica fonte natural devitamina D – um única colher de chá de um óleo de qualidade contém perto de 2000 UI

Já tomou seu óleo de fígado de bacalhau hoje?

Por outro lado uma dosagem da vitamina D do sangue pode indicar a melhor quantidade de reposição, conforme foi citado acima. Uma conversa com o seu nutricionista pode melhorar o ajuste para o seu caso. O artigo em Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde! parece indicar que o risco de overdose é baixo. Pelo menos tomar o óleo de fígado de bacalhau em emulsão não vai estimulá-lo a uma overdose, he he he.

Bacon

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Neal Barnard MD, chefe do Comitê de Médicos para uma Medicina (“IR”) Responsável (Physicians Committee for Responsible Medicine), tentou reunir um exército de veganos para protestar contra um Festival de Bacon em Iowa nessa última primavera, mas conseguiu recrutar apenas seis voluntários.

Por que tão poucos? Provavelmente pelo medo do bacon!

Não o medo de morrer por consumir Bacon, que seria aquilo que o Dr. Barnard esperava demonstrar para abastecer a retórica anti-carne com cartazes de caveiras e ossos cruzados, mas o temor vegano de sucumbir à própria tentação ao bacon! O cheiro e o gosto do Bacon são tão sedutores que muitos vegetarianos o temem como “o portão de entrada para comer carne.”

Mas e os riscos para a saúde? E acima de tudo os problemas da gordura, do colesterol e do sódio? E o que dizer dos nitritos?

No final das contas não são apenas os veganos que nos advertem contra o bacon. Recentemente, a Escola de Saúde Pública de Harvard anunciou com grande alarde que apenas uma pequena porção diária de carne vermelha poderia aumentar nossa probabilidade de morte em 13 por cento, enquanto que um pouco de bacon, cachorro-quente, salsicha ou outros produtos processados de carnes vermelhas, em uso diário, nos matariam 20 por cento mais rápido.

Na verdade, o estudo foi uma pseudo-ciência, na melhor das hipóteses – um estudo observacional usando questionários notoriamente falíveis sobre hábitos alimentares, com pesquisadores que tiram conclusões indevidas em base de meras associações. Muito barulho por nada, em outras palavras. Um olhar cuidadoso sobre os dados sugerem um risco 0,2 vezes maior, no máximo. E isso acontece para pessoas que comem carne de supermercado de fazendas industriais e que também fumam, não fazem exercícios e comem sua carne vermelha no meio de pão branco e outros farináceos.

Ciência Low Carb

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