Arquivo do mês: setembro 2010

Festival do Rio 2010

Vai começar a maratona! Começa em 23 de setembro e vai até 7 de outubro.

Veja mobilização em Friends In Rio.

Fonte: http://www.festivaldorio.com.br/site2010/

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Contos fantásticos do século XIX

Terminei de ler o livro organizado por Ítalo Calvino. No início de cada conto figurava um comentário que comecei a evitar para não perder a surpresa do texto. Passei a ler o comentário depois. Listo abaixo alguns contos dos quais mais gostei:

  • A mão encantada, de Gerard de Nerval
  • A morte amorosa, de Théophile Gautier
  • A Vênus de Ille, de Prosper Merrimé
  • A sombra, Hans Christian Andersen
  • O sinaleiro, de Charles Dickens
  • A noite, de Guy de Maupassant
  • O demônio da garrafa, Robert Louis Stevenson
  • Os construtores de pontes, de Rudiard Kipling e, uma jóia para fechar o livro,
  • Em terra de cego, de Herbert George Wells.

A seguir dois trechos macabros de “A mão encantada”:

Então o miserável Eustache começou a gritar tão alto e a chorar tão amargamente que dava uma grande pena.

“Puxa vida!, meu caro amigo”, disse-lhe mestre Gonin. “por que se revoltar assim contra o destino?”

“Minha mãe do céu! Falar é fácil”, Eustache soluçou, “mas quando a morte está aí bem perto…”

“Ora essa! Afinal, o que é a morte, que a gente deve se espantar tanto?…Considero que a morte não vale um tostão furado! ‘Ninguém morre antes da hora!’, disse Sêneca, o Trágico. Será que você é o único vassalo dessa dama da foice? Eu também sou, e aquele ali, e um terceiro, um quarto. Martin, Philippe! A morte não tem respeito por ninguém! É tão atrevida que condena, mata, e pega indistintamente papas, imperadores e reis, assim como prebostes, policiais e outros canalhas do gênero. Portanto, não se aflija por fazer o que todos os outros farão mais tarde; a situação deles é mais deplorável que a sua; pois, se a morte é um mal, só é mal para aqueles que têm que morrer. Assim, você só sofrerá mais um dia desse mal, e a maioria dos outros sofrerá vinte ou trinta anos, e ainda mais. Um antigo dizia: ‘A hora que lhe deu a vida já a diminuiu’. Você está na morte enquanto está na vida, pois quando não está mais em vida você está depois da morte; ou, melhor dizendo, e para melhor terminar: a morte não lhe concerne nem morto nem vivo, vivo porque você existe, morto porque não existe mais! Que esses argumentos lhe bastem, meu amigo, para encorajá-lo a beber esse absinto sem fazer careta, e daqui até lá medite ainda sobre um belo verso de Lucrécio, cujo sentido é o seguinte: ‘Viva tanto tempo quanto puder, você nada tirará da eternidade da sua morte!’.”

Um segundo trecho:

Mostrou bastante firmeza ao subir a escada, pois muita gente o olhava, já que aquela praça de execução era uma das mais freqüentadas. Só que, como qualquer pessoa que protela ao máximo o momento de dar esse grande salto no vazio, no instante que o carrasco se preparava para lhe passar a corda no pescoço, com tanta pompa como se fosse o velocino de ouro, pois a s pessoas desse tipo, que exercem a sua profissão diante do público, em geral fazem as coisas com muita destreza e até com muita graça, Eustache lhe pediu que esperasse um instante, a fim de que ainda rezasse duas orações a santo Inácio e a são Luiz Gonzaga, santos que, entre todos os outros, tinha reservado para o fim, pois haviam sido beatificados naquele próprio ano de 1609, mas a resposta daquele homem foi que o público que lá estava tinha os seus afazeres e que era de mau gosto fazê-los esperar por um espetáculo tão pequeno como um simples enforcamento; a corda que, nesse meio-tempo, ele ia apertando, ao empurrar Eustache para fora da escada cortou no meio a sua resposta.

Reproduzo o último conto do livro, “Em terra de cego”, a seguir:

A trezentas milhas ou mais do Chimborazo, e a cem milhas das neves do Cotopaxi, nas regiões mais selvagens dos Andes equatoriais, ali fica esse misterioso vale entre as montanhas, separado do mundo dos seres humanos, a Terra dos Cegos. Há muitos anos esse vale estava tão aberto ao mundo, de modo que os seres humanos podiam ali chegar afinal, através de medonhos desfiladeiros e por sobre um passo gelado, dentro de suas pradarias amenas; e lá realmente chegaram seres humanos, uma família ou pouco mais de mestiços peruanos, fuginndo da cobiça e da tirania de um malvado governante espanhol. Então houve a estupenda erupção do Mindobamba, quando a noite durou dezessete dias em Quito, a água ficou fervendo em Yaguachi e todos os peixes mortos chegavam flutuando até mesmo a Guaiaquil; por toda parte, ao longo das encostas do Pacífico, houve deslizamentos de terra, rápidos degelos e inundações súbitas, e todo um lado da velha crista do Arauca se desprendeu e veio abaixo em meio a um ruído como trovões, e a erupção separou para sempre a Terra dos Cegos dos passos exploradores dos seres humanos. Mas aconteceu de um desses colonizaadores iniciais estar do lado de cá dos desfiladeiros quando o mundo tremeu tão terrivelmente, e por força ele teve de esquecer sua mulher e filho, todos os amigos e posses que tinha deixado lá em cima, e teve de começar de novo no mundo mais abaixo. Ele começou de novo, mas a cegueira o afetou, e ele morreu dos castigos nas minas; mas a história que contou fez nascer uma lenda que paira ao longo de todas as cordilheiras dos Andes até hoje.

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Filosofia à distância

Depois de um longo flerte com a Filosofia chegou a hora de maior dedicação. Pensei em fazer um curso presencial mas meu horário de trabalho é imcompatível com os dos cursos de graduação que encontrei. Resolvi procurar alternativas de cursos à distância. Começo em outubro próximo na Unisul.

Um rabino nietzschiano

Reb Weisfish se declara especialista e admirador de Nietzsche. Depois de receber a pecha de inspirador do nazismo construída pelas atividades antisemitas de sua irmã Elizabeth Föster-Nietzsche é de certa forma surpreendente a atitude do rabino. Não tão surpreendente assim para aqueles que conhecem, mesmo que minimamente, os textos de Nietzsche. Numa entrevista Weisfish diz:

Eu me considero um especialista mundial em Nietzsche. O interessante é que Nietzsche era contra tudo: anti-socialista, anti-europeu, anti-crístico, anti-todo-o-mundo. A única coisa que Nietzsche amava era o judaísmo e os Judeus. Até o final, reverenciava o judaísmo. Ele entendeu melhor do que os maiores rabinos do mundo: “Sem os Judeus, não há Salvação … Os Judeus são eternos. Foi ele também quem escreveu sobre os Alemães: “Uma raça irresponsável que carrega em sua consciência os grandes desastres da cultura”.

Fonte: http://www.lyber-eclat.net/lyber/weisfish.html