Arquivo do mês: dezembro 2016

Novembro de 2006 no Rio

004-Copacabana Beach, Rio de Janeiro, Brazil

Achei as anotações abaixo que agora publico retrospectivamente:

  • 6/11/2006: Chegada no Rio
  • 7 a 17/11/2006: Ambientação Petrobras
  • 11/11/2006: Encontro ex UFFs
  • 15/11/2006: Chegada de Mateus
  • 17/11/2006: Fui até o Arpoador sozinho e quase vi o pôr do sol

Edifício Barão de Ipanema.png

Chegamos ao Rio dia 6/11/2006. Esqueci de avisar à portaria do edifício (onde alugamos um apartamento em Copacabana). O senhorio também esqueceu. O Sr. Mozart (amigo do senhorio) tinha saído e ficamos esperando um tempão com Ilsa que nos pegou no aeroporto. Ilsa foi embora e na troca de porteiro o Sr. Antonio acabou pegando uma chave que estava no escaninho e nos entregando. Depois o Sr. Mozart disse que tinha deixado a chave para o rapaz que iria consertar o interfone.

fachada

Do dia 7 ao dia 17 fiquei indo ao Hotel Guanabara para assistir palestras de Ambientação da Petrobras. As palestras foram muito interessantes mas programa era longo e cansativo. Quando elas acabaram mais cedo no dia 17 pensei em ir relaxar na praia.

Estamos morando a 15 metros da praia de Copacabana próximo ao Posto 5. Tudo aqui fica bem à mão. Há vantagens e desvantagens. Ã noite o barulho nos bares vai até 2 h da manhã. Depois parece que todos “pegam o cipó das duas”.

Dia 11, meu aniversário, fui à noite para Niterói. Era o encontro dos ex alunos da UFF de Engenharia Elétrica que se formaram em 76/77. 3o anos, portanto. O encontro  não acontecia há 6 anos. Vi muita gente com quem não tomava contato há um bom tempo. De alguns me lembrava vagamente. Houve muitas mudanças depois de tanto tempo.

p9083728_thumb

Com a chegada de Mateus nos concentramos nele. Fomos à praia, restaurantes (Amir, na praça do Lido, e Gula Gula, em Ipanema). Vimos também o final do Campeonato de Beach Handball na praia de Copacabana no dia 18.

forte450

Antes de Mateus chegar eu e Iane fomos no Forte de Copacabana e assistimos à primeira troca de guarda em muitos em muitos anos com banda militar. Voltamos lá com Mateus para olhar o mar e depois comer umas bombas na Colombo. Tudo muito lindo! De lá dava para ver a pedra do Arpoador onde havia um bocado de gente.

arpoador2

No dia em que terminaram as palestras (17) fui sozinho até lá e quase fiquei para ver o pôr do sol. O dia estava luminoso e lindo. Mateus parece que trouxe o brilho dos dias ensolarados de Aracaju. De cima da pedra do Arpoador e diante de tanta beleza fiquei com a alma um pouco poética e a pensar sobre o que a cidade do Rio representava para mim. É claro que a cidade que eu endeusava na minha cabeça não era o Rio concreto. Mas o que é o Rio real? No livro “Nietzsche em Turim”a autora Lesley Chamberlain conta o que era a cidade italiana para Nietzsche e da paixão do mesmo por ela, onde depois enlouqueceria. Para Nietzsche a cidade era perfeita embora outras testemunhas da época a desmoralizassem e apontassem mazelas que ele não via. O mesmo pode estar ocorrendo comigo que só vejo uma vida pululante a pulsar com majestade e ao mesmo tempo em torvelinho nesta cidade. O bom e o ruim intrincadamente misturado. De impossível separação. Como se fosse a própria essência da cidade. Nietzsche, que é chamado de “filósofo da superabundância”, acredito que não desgostaria da cidade onde o seu “amor fati” é a melhor teoria para lidar com esta cidade maravilhosa mesmo como ela é agora, perigosa e sedutora como uma mulher linda.

bondinho-do-pc3a3o-de-ac3a7c3bacar

Ah, ia me esquecendo, fomos ao Pão de Açúcar mas Iane não quis subir. Eu e Mateus adoramos. O dia estava praticamente sem nuvens e a vista era deslumbrante.

Anúncios

Retrospectiva 2016

Desde 2009 que não faço uma retrospectiva do ano que passou. Veja abaixo:

Dezembro

Além dos posts citados acima há os sobre os tétricos acontecimentos políticos no Brasil, entre outros. E estou me preparando para mudar de cidade em janeiro.

Novembro

Os posts sobre a política do fim de mundo no Brasil foram necessários além de outros.

Outubro

Outros posts:

Setembro

Neste mês os posts foram em boa parte sobre o contexto político calamitoso do Brasil.

Agosto

O Brasil sob o golpe influencia os temas de alguns posts.

Julho

 

Junho

 

Maio

Abril

Março

Fevereiro

Janeiro

Steve Jobs não morreu…

…e agora trabalha no Edífício Avenida Central.

Estava no prédio comprando um adaptador xing ling para o meu MacBook Air e dei de cara com este boneco das fotos numa loja vizinha. Quando olhei pela primeira vez parecia alguém parado na frente da loja. Estranhei a imobilidade. E olhando melhor vi que era uma réplica bastante fidedigna de uma pessoa. O Steve Jobs. O ex líder da Apple que justamente faz computadores e celulares muito bons mas peca bastante na qualidade e preços dos acessórios.

De bicicleta até a Rua Vitória Régia

Rua Vitória Régia By Bike.png

Estava circundando a lagoa quando resolvi tentar chegar no alto onde havia um prédios sobre pilotis na encosta do morro. Não consegui acertar o lugar e fui acabar na Chácara Sacopã (área privada) e depois, na Rua Vitória Régia. A subida era de ladeiras de paralelepípedos. Muito incômodo. Não recomendo a subida de bicicleta. E nem a vista, apesar do dia ensolarado, era muito acessível.

dahon-speed-d7-baltic-600x325

Preconceitos… Pré-conceitos…

Preconceito é um “juízo” preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, culturas, lugares ou tradições considerados diferentes ou “estranhos”. Ao ser usado no sentido pejorativo costuma ser simplista, grosseiro e maniqueísta. As formas mais comuns de preconceito são: social, “racial“, cultural e “sexual“.[1] Para o indivíduo ser ou não preconceituoso podemos avaliar suas formas de socialização, isso distinguirá seus primórdios e no que ele virá a se transformar. Este processo, será explicado por culturas e a própria história no contexto em que se está inserido. Geralmente a pessoa que tende a ter esse tipo de sentimento, não o faz apenas por um só tipo, ele engloba todos os preconceitos e alimenta todos eles. O assunto em questão diz mais sobre a pessoa preconceituosa do que aquele que está sofrendo com este, por causa das características identificadas.

Wikipedia

A corrupção e os catadores de migalhas

crispy-bread-crumbsImagine um pão francês em uma cesta. Cada vez que você corta um pedaço para servi-lo, algumas migalhas caem nessa cesta.

Agora imagine milhões de pães sendo cortados diariamente, durante vários anos. E que a cada corte, todas as migalhas são desperdiçadas.

Agora imagine que esses pães representam contratos públicos. E as migalhas, representam o dinheiro que é desviado em corrupção.

Agora imagine que quem se apropria desses bilhões de migalhas acumuladas nesses anos corresponda apenas a algumas centenas de pessoas. Para os catadores de migalhas, os corruptos, todas elas juntas e repartidas entre eles será o equivalente a milhares de pães para cada um. Mas o pão que perde algumas migalhas não deixa de cumprir sua função de alimentar as pessoas.

Assim funciona a corrupção.

Por isso é tão difícil de identificá-la. É um crime quase perfeito. E seus impactos nos cofres públicos são muito menores do que se imagina. Quando falta leito em hospital não é em razão da corrupção. Se não houvesse corrupção, a “migalha” não seria suficiente para comprar o leito, mas é mais do que suficiente para enriquecer seus catadores. Os coletores profissionais de migalhas.

A sonegação, por outro lado, é esconder o pão inteiro. E a migalha. Essa sim, junto com um baixo PIB per capita e, consequentemente, uma baixa arrecadação per capita, associada ao maior juros reais do planeta, que drenam recursos públicos para o setor financeiro e impões políticas de austeridade, é que fazem com que faltem leitos em hospitais públicos e todo o resto de que tanto necessitamos.

Corrupção é caso de polícia. Mas o seu combate não modifica o quadro social e econômico de um país. Apenas evita o enriquecimento ilícito de uma minoria. O que certamente justifica o seu combate rigoroso, mas não a transforma numa panaceia contra todos os nossos males.

A corrupção, portanto, não é causa da miséria humana, nem no Brasil, nem alhures, apenas um dos muitos efeitos das relações iníquas de poder. De resto, somos um país extremamente desigual, com uma concentração de renda e riqueza brutal. Isto sim, embora não seja uma exclusividade de nosso país, é uma particularidade perversa.

Ulysses Ferraz

[Quebra do texto e negritos meus]

A corrupção é um cisco no olho do entendimento

sonegacao-nao-e-corrupcaoO juiz Sérgio Moro em palestra proferida hoje afirmou que a corrupção aumenta os custos de produção das empresas e prejudica a competitividade do país no mercado global. Correto. Os custos aumentam.

Corrupção é algo terrível que nada acrescenta à atividade econômica. Deve ser combatida duramente. Mas esse aumento de custo, em média, é estimado pelos economistas em 1% do faturamento.

Menor, portanto, sob um ponto de vista sistêmico, que os impactos da alta taxa de juros, que encarecem o crédito, tornam os investimentos produtivos menos atrativos, inibem o consumo e reduzem as taxas de lucros; e do câmbio sobrevalorizado, que torna nossas exportações mais caras e menos competitivas no cenário internacional.

Isso afeta todas as empresas, inclusive às que não participam de atividades de corrupção. Além disso, esse custo é compensado por muitos incentivos fiscais setoriais e uma carga tributária menor, se comparada a outros países competidores. E por um sistema tributário que isenta a distribuição de lucros e tributa pesadamente o consumo.

No entanto, o mais importante da fala de Moro passou despercebido à maioria. Moro, sem se dar conta, admitiu que o mais impactado com a corrupção é o setor privado, já que os valores saem dos caixas das empresas para pessoas físicas (políticos e agentes públicos), sem tocar nos cofres públicos.

Vale lembrar também que muitos dos recursos utilizados em corrupção são oriundos de caixa 2, portanto sequer são tributados. No limite, quem financia a corrupção é a sonegação. Como os valores da corrupção são repartidos por uma pequena parcela da população, as cifras per capita ficam gigantescas. Causam horror e indignação.

Mas o rombo no Tesouro é o acessório, não o principal. O grande vilão dos cofres públicos no Brasil é a sonegação. E os juros da dívida pública. No mundo, o Brasil é o segundo colocado em sonegação fiscal e sexagésimo nono em corrupção.

As perdas dos cofres públicos com a sonegação são de R$ 500 bilhões anuais, contra R$ 67 bilhões em razão da corrupção. Em 2015, o governo gastou em amortização de juros da dívida pública interna mais de R$ 1 trilhão.

A corrupção, embora seja um crime grave que deve ser amplamente combatida, é apenas um cisco no olho do nosso entendimento. Mas como bem disse o jurista italiano Norberto Bobbio, “o fascista fala o tempo todo em corrupção”.

No Brasil, a indignação anticorrupção tornou-se uma obsessão nacional, que coincidentemente vem crescendo junto com movimentos fascistas e intervencionistas. Bobbio, afinal, tinha razão.

Ulysses Ferraz

[Negritos meus]