Arquivo do mês: março 2008

A ira de Estamira

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Em outro post falo de Estamira, o personagem do filme de mesmo nome, sem ainda ter visto o filme e com base em uma entrevista. Ontem fui ver o filme com Iane, Leu e Natacha, na Caixa Cultural, no centro do Rio. O filme faz parte da mostra “Eu é um outro”.

Pegamos o filme ligeiramente começado. Imagens em preto e branco se mesclavam com trechos a cores. O lixão estava em toda parte. Montanhas e montanhas de refugos as vezes fustigadas por ventanias de tempestades a criar pequenos tornados de plástico e papel. O espetáculo era dantesco com relâmpagos ao fundo e mais parecia uma visão do inferno com sua almas penadas no meio dos urubus e das garças disputando os despojos da cidade. Homens-urubus-garças lépidos para obter primeiro o seu quinhão. Assim como o lixão Estamira declara estar em toda parte como se Deus fosse. Estamira se alegra com as vozes e sons da tempestade. Depois a enfrenta como se desafiasse forças imensas. E se ri dela. Estamira é mais forte! O mundo simbólico de Estamira é feito de lucidez embebida em loucura. Loucura que é mais perturbação como ela mesma diz. Revolta-se contra a “dopagem”, que parece fazê-la sofrer por deixá-la com dificuldades de controlar o seu corpo, e com a aparente distância com que é tratada pelos médicos.

A revolta de Estamira é imensa. Um filho crente a quer endemoniada e recebe merecidos xingamentos. A vida de Estamira e todo o seu passado não cabem numa simplificação religiosa que querem lhe impingir. Estamira, que já foi religiosa, não crê nos pastores e nem nos padres. Tem-nos todos por enganadores. Deus é invenção dos homens, acerta. Mesmo tendo reparos a Jesus identifica-se um pouco pela via do sofrimento e de se sentir traída. Gosta do trabalho mas acha que o sacrifício que torna a vida miserável é desnecessário. Estamira as vezes quer se tornar invisível, sua metáfora para a morte. Se seu sacrifício redimisse o mundo aceitaria imolar-se em fogo. Seu neto a desrespeita com uma lenga lenga mal compreendida por ele mesmo sobre Estamira não ter respeito por Deus. Recebe também o troco através das fúria de Estamira que se contém apenas por que é seu neto. Estamira já vive há cerca 60 anos, como diz a seu neto, e já bebeu de muito sofrimento para ser afrontada assim. Estamira também fala muitas verdades em línguas que ninguém compreende como se quisesse proteger aos outros de se queimar e se consumir naquilo que só ela suporta. As vezes rimos com Estamira e suas tiradas e a licença para o riso vem dela não se deixar abater apesar de sua enorme depressão. Não rimos de Estamira. Não nos é permitido. Estamira, que foi abusada na meninice, prostituída na juventude, viveu com companheiros que não a valorizaram por duas vezes, viu sua mãe, também considerada louca, ser internada e sofrer muito até, que ela, Estamira, a retirou do manicômio e cuidou dela pessoalmente, que foi estuprada duas vezes na idade adulta, pede respeito.

Estamira aprendeu com seu estuprador, quando clamava “ai meu Deus” e ele repondia “Deus é o caralho”, que Deus não iria acudí-la. Que Deus não a acudiu. E que toda esta história de provação que é impingida a todos para tudo justificar é uma enganação. Como pode um deus, que tudo pode, segundo dizem, deixar suas criaturas a mercê de tantas agruras sem nenhuma esperança. Que expiação é essa não consegue Estamira entender. Conclui balsfemando que Deus é um estuprador porque foi ele, com sua omissão, que a estuprou. Conclui, contraditoriamente, que Deus é tão somente invenção dos homens. A convicção da inexistência de Deus é uma rejeição a uma existência de um ser de amor que, existindo, parece odiar as suas criaturas. A conclusão de que seja uma invenção dos homens se baseia então no fato de que esse deus parece ser bastante imperfeito, como as realizações humanas.

“Eu não sou comum. (…) Eu sou a visão de cada um. Ninguém pode viver sem mim, sem a Estamira”

Estamira.

P.S.:

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Rio Boat Show 2008

Está bem próxima a Rio Boat Show 2008 na Marina da Glória:

  • Período: 4 a 13 de abril
  • Valor do ingresso: R$ 20 (Venda somente no local do evento, não há venda antecipada.)
  • Horário: de segunda a sexta-feira, das 15h às 22h. Sábado e domingo, das 12h às 22h
  • Estacionamento: 1.500 vagas – R$ 15
  • Curso de Arrais Amador: gratuito
  • Curso de Vela: gratuito
  • Palestras: gratuitas
  • Arrais Amador: prova aplicada no dia 12 de abril de 2008 (a Marinha do Brasil oferecerá mais uma facilidade aos candidatos que já estejam em condições de prestar a prova sem a necessidade de curso).
Grade de Palestras
Venha reciclar seus conhecimentos. Participe das palestras gratuitas. Confira a grade a programe-se. Para participar é fácil, chegue com antecedencia e dirija-se ao auditório para a pré-inscrição.
4.abril – sexta-feira
das 15h às 18h Prof. Ricardo de Farias Senha e inscrição Curso de Arrais Amador
 
5.abril – sábado
das 17h às 18h Marcio Dottori Como comprar um barco
das 18h às 19h Ricardo Paragon Pane elétrica (motor) no mar, como evitá-la!
das 20h às 22h Jorge Nasseh Método Power Flex
 
6.abril – domingo
das 16h às 17h Kan Chuh Navegando em solitário num veleiro de 21 pés
das 17h às 18h Silvio Ramos Como gerenciar sua empresa do barco
das 18h às 19h Teclo Como criar crianças a bordo
das 19h às 20h Marçal e Eneida Ceccon É fácil viver num barco
das 20h às 21h Antonio Carlos Aricó Volta ao mundo de escuna
das 21h às 22h Oswaldo Hoffmann Cruzeiro pelo Atlântico Norte e Mediterrâneo
 
7.abril – segunda-feira
das 11h às 14h Lenilson Bezerra Assembléia Geral Acobar
das 15h às 16h Cintia & Lula Curso de vela para crianças
das 20h às 21h Felipe Caruso De Junco pelo mundo
 
8.abril – terça-feira
das 15h às 19h Prof. Ricardo de Farias 1ª aula Curso de Arrais Amador
 
9.abril – quarta-feira
das 15h às 16h Cintia & Lula Curso de vela para crianças
 
10.abril – quinta-feira
das 15h às 19h Prof. Ricardo de Farias 2ª aula Curso de Arrais Amador
das 19h às 20h Cmte. Emma Giada Matschinske Meteorologia
das 20h às 21h Mauricio Carvalho Técnicas de segurança em naufrágios
 
11.abril – sexta-feira
das 15h às 16h Cintia & Lula Curso de vela para crianças
das 18h às 19h João Lara Mesquita As viagens do veleiro Mar sem Fim pela costa brasileira
das 19h às 20h Roberto Negraes Roberto Negraes
das 20h às 21h Paulo Boneschi e Ricardo Casteli Turismo de aventura
das 21h às 22h Ary Amarante Arquipélago de São Pedro e São Paulo, um Brasil que poucos conhecem
 
12.abril – sábado
das 12h30 às 18h Marinha do Brasil Prova do Curso de Arrais Amador
das 18h às 19h Alcides Falanghe Enterprise
das 19h às 20h Alcides Falanghe e Paulo de Tharso Bonaire, o melhor mergulho de praia do Caribe
das 20h às 21h Ricardo Bahia Desmistificando a apnéia
das 21h às 22h Marcelo Szpilman Mergulhando com o grande tubarão branco

Dr. Geo II

Há alguns anos, inspirado no programa Geometer Sketchpad (por sua vez inspirado no programa Cabri Géomètre) comecei a fazer um similar em Object Pascal (Delphi). Recentemente encontrei uma implementação open source muito boa em Squeak: o Dr Geo II, um programa para experimentação dinâmica com geometria. Brinquei um pouco com ele e gostei bastante (Clique na imagem abaixo para ampliá-la).

drgeoii.png

Links relacionados:

Como fazer apresentações

Apenas um apanhado de links com artigos sobre o assunto:

Descansando no Domingo

 

Descansando nada. Apesar de estar quebrado pela aventura de ontem de manhã fomos no Arpoador, eu, Carolina e Iasmin. O tempo estava lindo. Tomamos água de côco e voltamos. No Leblon jogavam capoeira no asfalto interditado para pedestres. Depois do almoço tentei assistir o filme Fantasia. Dormi em algumas partes mas acordei nas que mais gosto: “A dança das horas” e “Uma noite no Monte Calvo”. O “Quebra-nozes” também foi legal. Não sabia que Tchaikowski não gostava desta música.

Mais tarde vamos assistir “O ano em que meus pais sairam de férias”.

Velejada no Dia Internacional das Mulheres em 2008

Fomos velejar de Dingue eu, Leu e Natacha saindo do Iate. Descobrimos que o serviço da cantina do Iate é pessimo pela demora no atendimento. Ainda bem que tínhamos comprado alguma coisa na ótima confeitaria perto do prédio de Bruno, onde fomos pegar os salva-vidas emprestados. A confeitaria se chamava Itajai e estava lá desde 1932, segundo seus letreiros. Compramos sonhos, pão, bola ao rum e um suco de laranja ótimo. Natacha não gostou muito da velejada por causa dos respingos e banhos de água suja da baía da Guanabara. Leu ficou receoso do mar mexido por causa do vento na saída da baía. O trajeto de bicicleta foi de cerca de 40 km, incluindo a ida na Rua de Laranjeiras para pegar os salva-vidas. Na velejada fomos apenas até perto da Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói. Uma tartaruga infeliz ficou presa no anzol dos pescadores na orla da enseada de Botafogo. Estava magnífico o por-do-sol ao chegarmos, enfim, em Ipanema.

Darwin Brasil

Ontem fui à primeira palestra do ciclo Darwin Brasil, na livraria Travessa do Shopping Leblon: Padrões na natureza: uma visão evolutiva, por Mário de Pinna.