Negócio da china

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A delação premiada dos donos do Grupo J&F chamou atenção de advogados pela eficiência. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa, confessaram à Procuradoria-Geral da República terem pagado cerca de R$ 600 milhões como suborno a mais de 1,8 mil pessoas para facilitar os negócios de suas empresas. Mas, como resolveram delatar outros envolvidos e pagar multa de R$ 110 milhões cada um, receberam da PGR a garantia de que não serão mais denunciados, seus processos serão perdoados e ainda garantiram a permissão de morar fora do Brasil.

[…]

O criminalista [Daniel Bialski] aponta alguns indícios de que os empresários tinham interesses nas delações. O primeiro deles, diz, é a grande compra de dólares feita pelo Grupo J&F horas antes de trechos da delação ser divulgado pelo jornal O Globo. Outro, o fato de um dos procuradores da República que trabalhava em inquérito instaurado contra a JBS ter se demitido do MPF para integrar o escritório que negociou a delação. A gravação da conversa de Temer com Joesley aconteceu um dia depois da demissão do procurador. [Grifo nosso]

Conjur

Bem-vindo ao deserto do real

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O simulacro nunca é o que oculta a verdade — é a verdade que oculta que não existe.

O simulacro é verdadeiro.

O Eclesiastes

Se outrora pudemos tomar pela mais bela alegoria da simulação a fabula de Borges em que os cartógrafos do Império desenham um mapa tão detalhado que acaba por cobrir exactamente o território (mas o declínio do Império assiste ao lento esfarrapar deste mapa e à sua ruína, podendo ainda localizar-se alguns fragmentos nos desertos — beleza metafísica desta abstracção arruinada, testemunha de um orgulho à medida do Império e apodrecendo como uma carcaça, regressando à substancia do solo, de certo modo como o duplo acaba por confundir-se com o real ao envelhecer) — esta fábula está terminada para nós e tem apenas o discreto encanto dos simulacros da segunda categoria.

Hoje a abstracção já não é a do mapa, do duplo, do espelho ou do conceito. A simulação já não é a simulação de um território, de um ser referencial, de uma substância. a geração pelos modelos de um real sem origem nem realidade: hiper-real. O território já não precede o mapa, nem lhe sobrevive. É agora o mapa que precede o território — processão dos simulacros —é ele que engendra o território cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extensão do mapa. É o real, e não o mapa, cujos vestígios subsistem aqui e ali, nos desertos que já não são o do Império, mas o nosso. O deserto do próprio real.

Baudrillard in Simulacros e Simulação

E abaixo temos o vídeo que nos remete a um deserto. Escaldante como deve ser. De brilho ofuscante.

Será o discurso do Aécio um simulacro ou há uma simulação no horizonte? Ele parece não ter provas, mas tem convicção. Está certo já que prová-lo culpado é o ônus da acusação. Presunção de inocência deve ser o ponto de partida de um processo num estado de direito. É o default. A culpa é consequências penais somente depois da sentença. É inocente até prova em contrário. Mas convicções a população também pode ter. Mas é só doxa. Não pode servir para um linchamento.

E continuando com Baudrillard:

De facto, mesmo invertida, a fábula é inutilizável. Talvez subsista apenas a alegoria do Império. Pois é com o mesmo imperialismo que os simuladores actuais tentam fazer coincidir  o real, todo o real, com os seus modelos de simulação. Mas já não se trata de mapa nem de território. Algo desapareceu: a diferença soberana de um para o outro, que constituía o encanto da abstracção. Pois é na diferença que consiste a poesia do mapa e o encanto do território, a magia do conceito e o encanto do real. Este imaginário da representação, que culmina e ao mesmo tempo se afunda no projecto louco dos cartógrafos, de uma coextensividade ideal mapa e do território, desaparece na simulação — cuja operação nuclear e genética e já não especular e discursiva. É toda a metafísica que desaparece. já não existe o espelho do ser e das aparências, do real e do seu conceito. Já não existe coextensividade imaginária: é a miniaturização genética que é a dimensão da simulação. O real é produzido a partir de células miniaturizadas, de matrizes e de memórias, de modelos de comando — e pode ser reproduzido um número indefinido de vezes a partir daí. Já não tem de ser racional, pois já não se compara com nenhuma instância, ideal ou negativa. É apenas operacional. Na verdade já não é o real, pois já não está envolto em nenhum imaginário. É um hiper-real, penduro de síntese irradiando modelos combinatórios num hiperespaço sem atmosfera.

Baudrillard in Simulacros e Simulação

O vídeo será histórico, de qualquer forma. Talvez como um exemplo de simulação. Nunca se viu blindagem tão forte na história, uma suspeita a que temos direito. Talvez tenhamos que se contentar com uma eterna suspeita. Isto considerando só uma fonte de justiça: os tribunais instituídos. Mas há também um julgamento político ao qual Aécio, pelas suas posições, não poderá se eximir. O réu não precisa protestar sua inocência, já a tem como pressuposto. Mas o político deve ser e mostrar-se honesto. De verdade. Mas como sabê-lo? Não há mais imprensa investigativa que valha. Até as investigações para fins de justiça são manipuladas e instrumentadas. E os julgamentos no estilo fascista com juiz acusador rejeitando a defesa e substituindo a promotoria? “Bem-vindo ao deserto do real.”

 

 

Afinal, Quem Governa o Brasil?

O assalto final

Nildo Ouriques

segunda-feira, 22 de maio de 2017

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O mundo não vai acabar. O mundo nunca acaba. Nem o Brasil. Os últimos 20 anos tornaram o país mais dependente e subdesenvolvido. O privilégio de classe cresceu em termos de poder, renda e patrimônio (propriedade). A república rentista goza de boa saúde e nada poderá ser feito contra ela nos marcos da política atual.

O debate público sobre a economia política – que nunca foi exigente entre nós – empobreceu vertiginosamente nas últimas décadas. O liberalismo de direita (tucanos a cabeça) firmou fé no tripé (taxa de juros, inflação e cambio). O liberalismo de esquerda (petistas na condução) incorporou a “herança liberal” e agregou a caridade cristã (migalhas orçamentárias apresentada como programas sociais).

A crise atual revelou o colapso dos partidos da ordem (sistema petucano). A Globo assumiu a condição de consciência possível de uma burguesia rentística; no entanto, também o monopólio televisivo esta subordinado a luta de classes e jamais funcionará como um “Deus ex machina”.

A recessão prolongada, o nível de endividamento das empresas e a ação dos bankgsters Meireles e Goldfajn ganharam força exercendo na prática a condução do governo. Dane-se Temer! O fundamental são as reformas do capital, com ou sem mesóclise.

A contabilidade nacional indica a existência de 377,066 bilhões de dólares nas reservas. Durante o governo Lula até mesmo algumas figuras razoavelmente informadas indicavam o “nível inédito das reservas” como comprovação da competência petista na administração da ordem burguesa. Nas dezenas de debates e cursos que participei nos últimos anos, sempre denunciei (inutilmente, confesso) esta idiotice propalada como ciência certa apresentada como prova irrefutável de que o país tinha rumo. O momento mais irritante era ouvir da boca de sindicalista a afirmação de que “com estas reservas o país esta bem” e o fato revelava, segundo a consciência ingenua, o quanto a política econômica do PT era distinta do PSDB. Pois bem, nesta semana o Meireles e o Goldfajn repetiram Dilma e venderam swaps cambiais, além de resgate antecipado dos títulos públicos do Tesouro Nacional. Ainda assim o real desvalorizou. A massa viu como a JBS ganhou seus milhões com a especulação da moeda após a delação de seu principal burguês. No final do ano veremos o resultado no balanço suculento dos bancos Afinal, a crise não é mesmo oportunidade?

Bueno, esta carta – o ataque da burguesia contra a moeda – esta sob a mesa. Poderá ser usada? Depende do ritmo das reformas do capital e do instinto de sobrevivência de Temer. A experiência ensina que jogadas arriscadas fazem parte do cardápio da burguesia, especialmente numa república rentista. Neste contexto, o ataque especulativo das distintas frações do capital destinado a tomar os 377 bilhões de dólares para proteção privada em tempos de crise poderá ser usada inclusive para forçar a aprovação das reformas do capital em condições políticas aparentemente adversas. A luta agora é pelo Fora Temer e contra as reformas do capital. Nada mais. O ataque especulativo já esta sob a mesa e poderá, dependendo da situação política, ser usado pelos capitalistas para impor a lógica das situações extremas. Neste jogo de vida ou morte, a burguesia sustenta Temer, a eleição de um governo pelo covil de ladrões (congresso nacional) e até mesmo eleições diretas. O Brasil não vai acabar, obviamente. Ficará mais dependente e seu povo mais pobre. Acabar nunca.

O solo da Pátria precisa arder dia 24. O grito de Fora Temer e abaixo as reformas do capital são, no momento, nossas bandeiras.

Óleo de fígado de bacalhau

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Óleo de fígado de bacalhau é a melhor fonte de vitamina D3. Peixes gordurosos também são bons, mas você precisa comê-los com frequência para suprir suas necessidades.

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

Cumprindo uma “tradição” tentei, na infância de meus filhos, coagí-los a se alimentar correndo atrás deles com uma colher e um vidro de Emulsão Scott. Hoje me arrependo de ter criado neles uma forte rejeição ao produto.

Tenho tomado uma colher de chá antes do almoço, sempre que me lembro, para obter a vitamina D3. O gosto da versão moderna parece ser melhor (do tradicional) mas pode ser que eu tenha uma tolerância ao gosto forte incentivada pela vontade de obter saúde.

A deficiência de vitamina D é uma epidemia mundial e causa de muitos problemas de saúde. Comer peixe seria uma opção mas teria que ser frequente e em quantidade. Inviável para mim no momento. A tabela abaixo mostra como uma pequena quantidade do óleo de fígado de bacalhau é capaz de suprir a necessidade diária:

Comida Quantidade
de Vitamina D
% Valor diário
Óleo de fígado de bacalhau
1 colher de sopa
1360 IU / 34µg 227%
Salmão cozido
85g
447 IU / 11µg 75%
Atum enlatado com água
85g
154 IU / 4µg 26%
Fígado de boi cozido
85g
42 IU / 1µg 7%
1 ovo grande (a vitamina D
é encontrada na gema)
41 IU / 1µg 7%
1 sardinha enlatada em óleo,
drenada
23 IU / 0.6µg

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

Deficiência de vitamina D é algo sério
A deficiência de vitamina D é uma das mais comuns. Algumas pessoas têm mais risco que outras. Apesar da média ser de 41,6%, este percentual sobe para 82,1% em negros e 69,2% em hispânicos. Idosos também tem maior chance de terem deficiência desta vitamina.

Quem tem algumas doenças também provavelmente terão deficiência. Um estudo mostrou que 96% de pacientes que sofreram ataques do coração tinham níveis baixos.

Infelizmente, tal deficiência é uma epidemia silenciosa. Os sintomas são sutis e talvez levem anos para aparecer.

O sintoma mais conhecido da deficiência de vitamina D é uma doença chamada raquitismo, comum em crianças de países em desenvolvimento.

Entretanto, devido à políticas públicas de saúde, alguns alimentos passaram a ser fortificados com vitamina D, o que levou à eliminação de raquitismo nas sociedades Ocidentais.

Deficiência em vitamina D também foi associada com osteoporose, densidade mineral reduzida e maior risco de fraturas em idosos. Estudos mostraram um maior risco de doença cardíaca, diabetes (1 e 2), câncer, demência e doenças autoimunes, como esclerose múltipla, apenas para listar algumas. Também foi associada a um risco aumentado de morte por todas as causas.

Ainda não se sabe se tal deficiência contribui para a ocorrência destas doenças ou se as pessoas com baixos níveis desta vitamina têm maiores probabilidades de desenvolverem-nas.

Resumo: Deficiência em vitamina D é uma causa conhecida de uma doença nos ossos chamada raquitismo, em crianças. Entretanto, também foi relacionada com vários outros problemas de saúde, assim como expectativa de vida reduzida.

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

Quanto devo tomar?

A única forma de saber se você tem deficiência é medir os níveis de vitamina D no sangue.

Seu médico verificará a forma de estoque (calcidiol, 25(OH)D). Qualquer nível abaixo de 12ng/mL será considerado deficiente e acima de 20ng/mL, adequado.

A recomendação diária é:

400 IU (10 mcg): Bebês, de 0 a 12 meses.
600 IU (15 mcg): Crianças e adultos, 1-70 anos de idade.
800 IU (20 mcg): Idosos, grávidas e lactantes.
Apesar do limite inferior para a deficiência de vitamina D ser de 12ng/mL, alguns especialistas acreditam que as pessoas deveriam ter níveis sanguíneos acima de 30ng/mL para prevenir doenças e melhorar a saúde.

Além disso, muitos creem que a recomendação diária é muito baixa e que as pessoas precisam de muito mais para atingir tais níveis ótimos no sangue. De acordo com o “Institute of Medicine”, o limite superior seguro é de 4000 IU, ou 100 microgramas por dia.

Para pessoas com maior risco de deficiência, talvez esta seja uma boa quantidade. Às vezes, médicos recomendam ingerir muito mais que isso. Certifique-se de que está ingerindo vitamina D3 e não D2.

Cápsulas de vitamina D3 estão disponíveis na maioria dos supermercados e lojas de itens de saúde, além da loja virtual da Amazon.

Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde!

A questão da quantidade a tomar depende de vários fatores. Tomar uma colher de chá ou metade de uma colher de sopa é uma decisão talvez baseada no % do valor diário (227%) que consta da tabela citada acima. E no texto abaixo:

Vitamina D: É difícil negar a evidência de que a vitamina D é indispensável para uma boa saúde. O óleo de fígado de bacalhau é a mais rica fonte natural devitamina D – um única colher de chá de um óleo de qualidade contém perto de 2000 UI

Já tomou seu óleo de fígado de bacalhau hoje?

Por outro lado uma dosagem da vitamina D do sangue pode indicar a melhor quantidade de reposição, conforme foi citado acima. Uma conversa com o seu nutricionista pode melhorar o ajuste para o seu caso. O artigo em Vitamina D – saber mais sobre ela pode melhorar sua saúde! parece indicar que o risco de overdose é baixo. Pelo menos tomar o óleo de fígado de bacalhau em emulsão não vai estimulá-lo a uma overdose, he he he.

Catch-22 e o escândalo “Temer-Aécio”

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O arquétipo do “Ardil 22” (Catch-22), como formulado por Heller, envolve o caso de John Yossarian, um bombardeiro da força aérea dos Estados Unidos, que deseja ser proibido de realizar combates aéreos. Para ser proibido, ele deve ser avaliado pelo médico de voo do esquadrão e ser declarado “inapto para voar”, o que seria um diagnóstico automático da insanidade de qualquer piloto que deseje voar, pois só uma pessoa insana aceitaria missões, devido ao perigo. Mas para conseguir o diagnóstico e evitar as missões, o piloto deve solicitar a avaliação, e esse ato provaria sua sanidade.

A lógica de “ardil 22” é: “qualquer um que queira fugir ao dever do combate não é realmente louco.”[2] Assim, pilotos que solicitam uma avaliação de sanidade mental são sãos e, logo, devem voar em combate. Ao mesmo tempo, se uma avaliação não é solicitada pelo piloto, ele nunca passará por uma e portanto, nunca será considerado insano, o que também resulta em dever voar em combate.

Wikipedia

A política nunca foi coisa para criança e nem para adultos infantilizados. Tão infantilizados que se igualam às crianças que botam para bater panelas, num flagrante desrespeito ao tempo de criança que elas deveriam ter direito. Estamos agora envoltos no dilema ou contradição do tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

O escândalo suscitado pela gravações da JBS provocou duas reações na mídia. A Globo, propondo a renúncia de Temer. O Estadão e afins rechaçando a renúncia.

Duas vertentes sem valor para dissolver o golpe.

A Globo aposta pesadamente no fascismo com o Judiciário apoiando veladamente o tipo fascista do “juiz acusador”, que acusa o indivíduo por seu espectro ideológico e não através das máximas do Estado de Direito: “só há crime se previsto na lei”, “do direito de defesa do acusado”, “da presunção de inocência” e “do ônus da prova pelo acusador”. Enfim, uma criminalização da política, típica do fascismo.

Do lado do Estadão uma solução política mantendo a corja no poder com mando do jogo. Mas que, apesar de política, não apresenta qualidades desejáveis por apoiar um governo flagrado com a mão na botija.

Nos bastidores a JBS, cliente da Globo e com relações intestinas com um Meirelles, possível indicação para proteger o núcleo economista do golpe, sincronizando com a prontidão da Globo em favor da renúncia. Um timing perfeito.

O outro lado contando com as medidas para barrar as investigações com a ajuda do governo tais como restringir orçamentos para asfixiar as diligências e processos afins.

Há uma terceira via? As diretas já, talvez. Se houver. As barreiras para uma mudança rápida que mude a legislação vão desembocar numa intensa batalha jurídica, por um lado, e na mobilização de um congresso altamente comprometido na sua lisura, por outro. Conta-se para isso, principalmente, com uma mobilização popular intensa que para ser contida em sua escalada assuste o suficiente o congresso para uma guinada “progressista”.

O cenário é vincado de muitas incertezas. Na minha opinião a aposta da Globo é a melhor, do ponto de vista dos golpistas. Conta com a apatia e anomia do povo que a mídia sabe tão bem incentivar e controlar.

Os ratos e a república que afunda

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Quando vocês tiverem dúvidas quanto a que posição tomar diante de qualquer situação, atentem… Se a Rede Globo for a favor, somos contra. Se for contra, somos a favor!

Brizola

Para uma decifração criptopolitica do “Fora Temer” da Globo a frase do Brizola dá um auxílio simbólico. Não é uma regra de bolso que exime de uma análise qualquer coisa que venha da Globo. Não é um pensamento a congelar e paralisar o discernimento. Muito pelo contrário. É para nos lembrar que também devemos ser mestres da suspeita, Para não sermos “os bobos da Globo”. Numa rima infame como a Globo.

Dá para pensar que o caso da JBS foi armado para este fim de abrir caminho para eleições indiretas, este acalentado sonho perene de uma Globo anti-democrática. Este “fora temer” minúsculo da Globo. Uma rede que não se cansa de pedir desculpas sem que nunca passe a nossa dor.

É uma teoria dá conspiração? Não sei. Parece ter algum fundamento. O timing para eleições indiretas já está estabelecido desde o final de 2016. Enquanto Temer pôde, supostamente, entregar as reformas neoliberais ele foi útil. Agora há controvérsias nas hostes da direita se ele ainda pode (Estadão x Globo).

O editorial da Globo, reproduzido abaixo, vai permanecer na História como mais uma pseudo-retratação da Globo.

Um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: “Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome”. A simples decisão de recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais.

Em diálogo que revela intimidade entre os dois, o empresário quer saber como anda a relação do presidente com um ex-deputado, ex-aliado do presidente, preso há meses, acusado de se deixar corromper por milhões. Este ex-deputado, em outro inquérito, é acusado inclusive de receber propina do empresário para facilitar a vida de suas empresas no FI-FGTS da Caixa Econômica Federal. O presidente se mostra amuado, e lembra que o ex-deputado tentou fustigá-lo, ao torná-lo testemunha de defesa com perguntas que o próprio juiz vetou por acreditar que elas tinham por objetivo intimidá-lo.

Ao ouvir esse relato do presidente, o empresário procura tranquilizá-lo mostrando os préstimos que fez. Diz, abertamente, que “zerou” as “pendências” com o ex-deputado, que tinha ido “firme” contra ele na cobrança. E que ao zerar as pendências, tirou-o “da frente”. Mais tarde um pouco, em outro trecho, diz que conseguiu “ficar de bem” com ele. Como o presidente reage? Com um incentivo: “Tem que manter isso, viu?”

Não é preciso grande esforço para entender o significado dessa sequência de diálogos. Afinal, que pendências, senão o pagamento de propinas ainda não entregues, pode ter o empresário com um ex-deputado preso por corrupção? Que objetivo terá tido o empresário quando afirmou que, zerando as pendências, conseguiu ficar de bem com ele, senão tranquilizar o presidente quanto ao fato de que, com aquelas providências, conseguiu mantê-lo quieto? E, por fim, que significado pode ter o incentivo do presidente (“tem que manter isso, viu”), senão uma advertência para que o empresário continue com as pendências zeradas, tirando o ex-deputado da frente e se mantendo bem com ele?

Esses diálogos falam por si e bastariam para fazer ruir a imagem de integridade moral que o presidente tem orgulho de cultivar. Mas houve mais. O empresário relata as suas agruras com a Justiça, e, abertamente, narra ao presidente alguns êxitos que suas práticas de corrupção lhe permitiram ter. Conta que tem em mãos dois juízes, que lhe facilitam a vida, e um procurador, que lhe repassa informações. Um escândalo. O que faz o presidente? Expulsa o empresário de sua casa e o denuncia as autoridades? Não. Exclama, satisfeito: “Ótimo, ótimo”.

Não é tudo, porém. Em menos de 40 minutos de conversa, o empresário ainda encontra tempo para se queixar de um ex-funcionário seu, atual ministro da Fazenda. Diz, com desfaçatez, que tem enfrentado resistência no ministro da Fazenda para conseguir a troca dos mais altos funcionários do governo na área econômica: o secretário da Receita Federal, a presidente do BNDES, o presidente do Cade e o presidente da CVM. Pede, então, que seja autorizado a usar o nome do presidente quando for novamente ao ministro da Fazenda com tais pleitos. O que faz o presidente? Manda-o embora, indignado? Não, de forma alguma. O presidente autoriza: “Pode fazer”.

Este jornal apoiou desde o primeiro instante o projeto reformista do presidente Michel Temer. Acreditou e acredita que, mais do que dele, o projeto é dos brasileiros, porque somente ele fará o Brasil encontrar o caminho do crescimento, fundamental para o bem-estar de todos os brasileiros. As reformas são essenciais para conduzir o país para a estabilidade política, para a paz social e para o normal funcionamento de nossas instituições. Tal projeto fará o país chegar a 2018 maduro para fazer a escolha do futuro presidente do país num ambiente de normalidade política e econômica. [Grifo nosso]

Mas a crença nesse projeto não pode levar ao autoengano, à cegueira, a virar as costas para a verdade. Não pode levar ao desrespeito a princípios morais e éticos. Esses diálogos expõem, com clareza cristalina, o significado do encontro clandestino do presidente Michel Temer com o empresário Joesley Batista. Ao abrir as portas de sua casa ao empresário, o presidente abriu também as portas para a sua derrocada. E tornou verossímeis as delações da Odebrecht, divulgadas recentemente, e as de Joesley, que vieram agora a público.

Nenhum cidadão, cônscio das obrigações da cidadania, pode deixar de reconhecer que o presidente perdeu as condições morais, éticas, políticas e administrativas para continuar governando o Brasil. Há os que pensam que o fim deste governo provocará, mais uma vez, o atraso da tão esperada estabilidade, do tão almejado crescimento econômico, da tão sonhada paz social. Mas é justamente o contrário. A realidade não é aquilo que sonhamos, mas aquilo que vivemos. Fingir que o escândalo não passa de uma inocente conversa entre amigos, iludir-se achando que é melhor tapar o nariz e ver as reformas logo aprovadas, tomar o caminho hipócrita de que nada tão fora da rotina aconteceu não é uma opção. Fazer isso, além de contribuir para a perpetuação de práticas que têm sido a desgraça do nosso país, não apressará o projeto de reformas de que o Brasil necessita desesperadamente. Será, isso sim, a razão para que ele seja mais uma vez postergado. Só um governo com condições morais e éticas pode levá-lo adiante. Quanto mais rapidamente esse novo governo estiver instalado, de acordo com o que determina a Constituição, tanto melhor.

A renúncia é uma decisão unilateral do presidente. Se desejar, não o que é melhor para si, mas para o país, esta acabará sendo a decisão que Michel Temer tomará. É o que os cidadãos de bem esperam dele. Se não o fizer, arrastará o Brasil a uma crise política ainda mais profunda que, ninguém se engane, chegará, contudo, ao mesmo resultado, seja pelo impeachment, seja por denúncia acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. O caminho pela frente não será fácil. Mas, se há um consolo, é que a Constituição cidadã de 1988 tem o roteiro para percorrê-lo. O Brasil deve se manter integralmente fiel a ela, sem inovações ou atalhos, e enfrentar a realidade sem ilusões vãs. E, passo a passo, chegar ao futuro de bem-estar que toda a nação deseja.

O Globo