Pietà negra

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Sheila Cristina Nogueira da Silva chora a morte do filho Carlos Eduardo, 20 anos, com seu sangue no rosto, no dia 10 de junho, no Rio de Janeiro. PABLO JACOB / AGÊNCIA O GLOBO

O artigo de Eliane Brum segue num crescendo como se fosse um Bolero de Ravel com notas vermelhas do sangue “pintado no rosto” de cada brasileiro. Salpicado no rosto das vítimas ou usado como urucum de uma liturgia macabra. Mas também fractalmente enodoando todos nós envolvidos ou não diretamente neste holocausto sangrento, de cor vermelha, em que a vida se esvai. Se esvai nos corpos que caem e nos de fantasmas que andam habitando corpos de cadáveres ambulantes, zumbis que nada mais sentem ou parecem, mesmo sem sentir, desejar a carne trêmula dos imolados.

O negro da pele se transforma em emblemático luto de uma nação. Luto que não se pode tirar sem revelar o vermelho que é vida mas que também é morte quando extravasado. O índio é transformado em bicho e nivelado às espécies em extinção. E como elas também não faz mais sentido num planeta cuja vida é imolada por uma vida que elegeu a morte como seu fundamento. E usa a palavra esvaziada com sua arma de guerra.

Abaixo mostro fragmentos do texto de Eliane Brum como homenagem ao magnífico artigo:

Ela subiu a escadaria correndo, o peito arfando, o ar em falta. Na porta da casa, o corpo do filho coberto por um lençol. Ela ergueu o lençol. Viu o sangue. A mãe mergulhou os dedos e pintou o rosto com o sangue do filho.

[…] a pietà negra do Brasil atravessou o esvaziamento das palavras. O rosto onde se misturam lágrimas e sangue, documentado pelo fotógrafo Pablo Jacob, da Agência O Globo, foi estampado nos jornais. Por um efêmero instante, que já começa a passar, a morte de um jovem negro e pobre em uma favela carioca virou notícia. Sua mãe fez dela um ato. Não fosse vida, seria arte.

A mulher que segue apesar dos tiros e volta com batata, cenoura e pão, furiosamente humana, buscando um espaço de rotina, um fragmento de normalidade, em meio a uma guerra que ela nunca pôde ganhar. E guerras que não se pode ganhar não são guerras, mas massacres. E então ela corre, esbaforida. E desta vez a batata, a cenoura, o pão já não podem lhe salvar.

A pietà pinta o rosto com o sangue do filho para se fazer humana no horror. E então nos alcança. Mas é uma guerreira desde sempre derrotada, porque nos alcança apenas por um instante, e logo será esquecida.

Se para a dor da mãe que perde um filho não há nome, não existe palavra que dê conta, há um outro horror, e este aponta para o Brasil. A tragédia brasileira é que as palavras existem, mas já não dizem.

Diante do corpo morto do filho, a pietà negra precisa vestir o sangue, encarnar, porque as palavras desencarnaram. No Brasil, as palavras são fantasmas.

Quatro dias depois de Sheila da Silva ter pintado o rosto com o sangue do filho, em 14 de junho, no município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul, cerca de 70 fazendeiros montaram em suas caminhonetes e invadiram a área onde um grupo de indígenas Guarani Kaiowá havia retomado Toro Paso, a sua terra ancestral. Assassinaram o indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza Guarani Kaiowá, 26 anos, agente de saúde, e feriram à bala outros cinco indígenas, entre eles um menino de 12 anos, que levou um tiro na barriga. Não foi um “confronto”, como parte da imprensa insiste em dizer. Foi um massacre.

Em 2012, um grupo de 170 homens, mulheres e crianças Guarani Kaiowá escreveu uma carta. Eles seriam mais uma vez arrancados do seu lugar por uma decisão da (in)justiça. Escreveram, na língua dos brancos, que resistiriam em sua terra ancestral, dela não sairiam nem mortos: “Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos”.

A carta os arrancou do silêncio mortífero ao qual haviam sido condenados. Afinal, a interpretação do que os indígenas diziam era clara: assumam o genocídio e decretem nossa extinção. Nos sepultem todos de uma vez e plantem soja, cana e boi sobre a terra roubada e adubada com nossos corpos. Tenham a coragem de assumir o extermínio em vez de usarem suas leis para nos matar aos poucos. Pronunciem o nome do que de fato são: assassinos. Era isso e, dito na língua dos brancos por aqueles que a outra língua pertencem, causou um choque. Mas o choque passou. E os Guarani Kaiowá continuaram a ser exterminados. Também à bala.

Para os Guarani Kaiowá, palavra é “palavra que age”. Os indígenas ainda não tinham compreendido a profundidade da corrosão do que se chama de Brasil, essa terra erguida sobre seus cadáveres por colonizadores que já foram colonizados, expropriados que se tornaram expropriadores, refugiados que expulsam. Essa terra em permanente ruína porque construída sobre ossos, vísceras e sangue, unhas e dentes, ruínas humanas. Ao invocar a palavra dos não índios, os Guarani Kaiowá não tinham compreendido ainda que o Brasil apodrece porque a palavra dos brancos já não age.

Se há um genocídio negro, se há um genocídio indígena, e conhecemos as palavras, e as pronunciamos, e nada acontece, criou-se algo novo no Brasil atual. Algo que não é censura, porque está além da censura. Não é que não se pode dizer as palavras, como no tempo da ditadura, é que as palavras que se diz já não dizem. O silenciamento de hoje, cheio de som e de fúria nas ruas de asfalto e também nas ruas de bytes, é abarrotado de palavras que nada dizem. Este é o golpe. E a carne golpeada é negra, é indígena. Este é o golpe fundador do Brasil que se repete. E se repete. E se repete. Mas sempre com um pouco mais de horror, porque o mundo muda, o pensamento avança, mas o golpe segue se repetindo. A ponto de hoje calar mesmo as palavras pronunciadas.

[…] E quem são os golpeados neste país?

Basta seguir o sangue. Basta seguir o rastro de indignidades dos que têm suas casas violadas por agentes da lei nas periferias, dos que têm seus lares destruídos pelas obras primeiro da Copa, depois das Olimpíadas, dos que têm suas vidas roubadas pelos grandes empreendimentos na Amazônia, dos que abarrotam as prisões por causa da sua cor, dos que têm menos tudo por causa de sua raça, dos que o Estado apenas finge ensinar em escolas caindo aos pedaços, negando-lhe todas as possibilidades, dos que são expulsos de suas terras ancestrais e empurrados para as favelas das grandes cidades, dos que têm seus cobertores arrancados no frio para não “refavelizar” o espaço público. Basta seguir os que morrem e os que são mortos para saber onde está o golpe e quem são os golpeados. Como nos lembrou Sheila da Silva, a pietà negra do Brasil, o sangue diz o que as palavras já não são capazes de dizer.

Esta crise não é apenas política e econômica. É uma crise de identidade – e é uma crise da palavra. São as palavras que nos arrancam da barbárie. Se as palavras não voltarem a encarnar, se as palavras não voltarem a dizer no Brasil, o passado não passará. E só nos restará pintar o rosto com sangue.

O golpe e os golpeados

Zap zap…

Black Blocs, os corpos e as coisas

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Reproduzo fragmentos abaixo do excelente artigo de Eliane Brum (inspirado em Foucault, me parece):

Ao quebrarem patrimônio material como forma de protesto e serem transformados numa espécie de inimigos públicos, aponta-se onde está o valor e também a disputa. Enquanto a destruição dos corpos de manifestantes pela Polícia Militar é naturalizada, a dos bens é criminalizada.

Ao subverter o objeto direto do verbo “quebrar”, quebrando o que não pode ser quebrado, os mascarados desmascaram o projeto que pode ser chamado de “mais um direito a menos”.

Como já aconteceu nos protestos de junho de 2013, e também nos protestos contra a Copa, em 2014, a repressão da polícia tem sido violenta. E, seguindo o mesmo roteiro viciado, é justificada pelas autoridades – e por parte da imprensa – como resultado da ação dos manifestantes que usam a tática black bloc. De imediato a narrativa nas redes e a cobertura da imprensa são tomadas pela falsa oposição: a PM reage aos black blocs. Não fosse a violência de um, não haveria a do outro.

A falsificação é evidente, já que não deveriam ser forças em oposição. A PM deveria atuar nas manifestações para proteger os manifestantes – e não para quebrá-los. Deveria atuar nestas manifestações como atuou nos protestos contra a corrupção e pelo impeachment. Na manifestação “Fora, Temer” e “Diretas Já” do domingo, 4 de Setembro, os black blocs foram obrigados pelos organizadores a tirar as máscaras ou deixar a manifestação. O protesto ocorreu sem incidentes até o fim. O que aconteceu então? A PM começou a jogar bombas quando as pessoas tentavam entrar numa estação de metrô para voltar para suas casas. E, assim, provocou o que parte da imprensa chama de “confronto”. Ficou explícito ali que a PM age de forma ideológica: algumas manifestações precisam acabar bem, outras não.

Se o conteúdo das manifestações pelo impeachment e “contra a corrupção” era amplamente discutido, seguidamente em tempo real nas TVs, as manifestações pelo “Fora Temer” e pelas “Diretas Já” têm o conteúdo obscurecido literal e simbolicamente pelas bombas de gás da PM. Tudo vira fumaça.

Se a PM, agindo ideologicamente, fabrica incidentes quando não há, é mais prudente fabricar incidentes quando há garotos mascarados quebrando vidraças de prédios. Joga bomba em todo mundo, até em quem está passando ou só tentando chegar em casa, e vira reação.

É compreensível que muitos temam se manifestar se o risco é acabar com um olho a menos. É essa ideia que move organizadores de manifestações a impedir black blocs de agir – ou ao obrigá-los a tirar as máscaras. Ao não agirem no protesto de 4 de Setembro, em São Paulo, ficou evidente que a PM age violentamente mesmo quando não há ação de black blocs. E isso marcou um ponto.

Mas os black blocs são bem mais do que isso. Eles são também os mascarados que desmascaram.

Os black blocs, atacados à direita e também à esquerda, são os que costumam trazer uma novidade à composição socioeconômica das manifestações. Para a esquerda tradicional, rechaçá-los deveria ser um motivo de constrangimento. Como black bloc não é um grupo, mas uma tática, é mais difícil afirmar quem são as pessoas que a usam nos protestos deste momento. Nas manifestações de 2013 e 2014, ocorridas em São Paulo, uma extensa pesquisa publicada no livro Mascarados (Geração Editorial) por Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), mostrou que a maioria dos que a usavam eram jovens que viviam nas periferias.

Nas narrativas destes jovens surgiam duas questões muito ligadas à classe: 1) muitos se definiam como a famosa classe C, que, com poder de consumo maior do que seus pais, pode estudar na universidade, mas ainda está exposta a múltiplas precariedades cotidianas; 2) por serem de periferia, a maioria tinha experiência direta com a violência policial nessas regiões, experiência que articula um discurso de raiva contra a corporação. Esta relação com a polícia é fundamental para entender o Black Bloc no Brasil. A origem periférica deles é um elemento essencial, porque o jovem de classe média não tem esta experiência tão dura com a PM. Alguns jovens me diziam: ‘Professora, na periferia a gente não tem como enfrentar eles, porque lá é bala mesmo, e a imprensa não está nem aí. Mas aqui, no centro, a gente desconta a raiva e pode enfrentar os abusos deles porque a bala é de borracha e a imprensa está aqui’. Portanto, eu [Esther Solano] diria que o estrato social de black blocs e policiais é muito parecido”.

Como 20 garotos – ou mesmo se forem algumas dezenas – movem uma fantasmagoria tão potente? Onde eles atingem, ou o que desmascaram?

“O objetivo (da destruição seletiva de propriedade privada) era duplo: por um lado, resgatar a atenção dos meios de comunicação de massa; por outro, transmitir por meio dessa ação de destruição de propriedade uma mensagem de oposição à liberalização econômica e aos acordos de livre comércio. Ao contrário do que normalmente se pensa, essa ação não apenas não é violenta como é predominantemente simbólica. Ela deve ser entendida mais na interface da política com a arte do que da política com o crime. Isso porque a destruição de propriedade a que se dedica não busca causar dano econômico significativo, mas apenas demonstrar simbolicamente a insatisfação com o sistema econômico.

Concorde ou não com a tática, eles apontam o dedo para o sistema político e econômico que acreditam promover a real violência, aquela que atinge os corpos e os mastiga na aridez da vida cotidiana.

É significativo que a prioridade das forças de segurança, como já se tornou evidente, seja proteger as coisas e não os corpos. É também de corpos e de coisas que se trata a atual disputa.

Quando os black blocs voltam ao palco da disputa, discordando ou não de sua tática, é preciso olhar para quais são as vidraças que quebram. E desconfiar de por que o rompimento destas vidraças têm causado tanto barulho e mobilizado tanta fumaça.

O que está em jogo neste momento é quantos direitos a menos os corpos dos quebrados conseguirão suportar sem reagir. E por quanto tempo boa parte dos brasileiros continuará a lamentar mais a destruição das coisas do que dos corpos.

Os black blocs têm apanhado à direita e também à esquerda. Tal unanimidade deve gerar, no mínimo, curiosidade. Há que se compreender que, concordando ou não com a tática, eles apontam para o impasse incontornável do Brasil, ontem e hoje: aquele que se dá entre os corpos e as coisas.

Black Blocs, os corpos e as coisas

Festival do Rio 2016

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http://www.festivaldorio.com.br/

Para que a flor viva brote

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É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o Homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d’honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.

A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.

A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.

A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.

Conseqüentemente, a tarefa da história, depois que o outro mundo da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade deste mundo. A tarefa imediatada da filosofia, que está a serviço da história, é desmascarar a auto-alienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política.

Karl Marx

in Crítica da filosofia do direito de Hegel

A ciência da preguiça

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Sabe-se que para os turcos o maior castigo que Deus impôs ao mundo é o trabalho; por isso, quando seu filho completou catorze anos, pensou em colocá-lo na escola, para que aprendesse o melhor método para não fazer nada.

Ítalo Calvino

in Fábulas italianas

A carne apodrece no seu cólon?

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Cito abaixo excertos de um excelente artigo que desvenda os mitos e fatos sobre a carne apodrecer nos nossos intestinos.

[…] isso não só é simplesmente falso, como é uma inversão da verdade. Como diz o provérbio:

“Quando aponta o seu dedo, os seus outros três dedos apontam para si.”

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Nós esmagamos o alimento na boca, onde a amilase (uma enzima) divide alguns dos amidos. No estômago, a pepsina (outra enzima) desintegra as proteínas, e o forte ácido clorídrico (pH 1,5-3, média de 2 … é por isso que sabe mal quando vomitamos) dissolve tudo o restante. A resultante polpa ácida é chamada de ‘chyme’ e podemos imediatamente ver que a teoria da “carne apodrece no estômago” é falsa. Nada “apodrece” numa cuba de pH 2 com  ácido clorídrico e pepsina.

Em média, uma “refeição mista (incluindo carne), demora 4-5 horas para sair totalmente do estômago […]

A bile emulsifica gorduras e ajuda a neutralizar o ácido do estômago; a lipase degrada as gorduras; a tripsina e a quimotripsina decompõem as proteínas e enzimas como a amilase, maltase, sacarase, e (nos tolerantes à lactose) a lactase decompõem alguns açúcares. Enquanto isso, a superfície do intestino delgado absorve tudo o que nossas enzimas dividiram em componentes suficientemente pequenos.

Finalmente, a nossa válvula ileocecal abre, e o nosso pequeno intestino delgado liberta o que sobrou no nosso intestino grosso, que é uma colónia de bactérias gigantes, contendo literalmente triliões de bactérias!

Desta forma, as bactérias da nossa flora intestinal trabalham e digerirem algum do conteúdo restante, produzindo por vezes, resíduos de produtos que podemos absorver. (E, muitas vezes, uma quantidade substancial de “gases”). A matéria vegetal remanescente indigestível (“fibras”), bactérias intestinais mortas, e outros resíduos surgem como fezes.

[…] a carne é digerida por enzimas produzidas pelo nosso próprio corpo. A principal razão pela qual precisamos das nossas bactérias dos intestinos é para digerir os açúcares, amidos e a fibra encontrados em cereais, leguminosas e vegetais, e que nossas enzimas digestivas não conseguem decompor.

Pelo dicionário Inglês

apodrecer \ (verbo) – que sofre uma decomposição pela acção de bactérias ou fungos.

Por outras palavras, a carne não apodrece no seu cólon. São os CEREAIS, LEGUMINOSAS e VEGETAIS que apodrecem o seu cólon. E isso é um facto.

… E é por isso que os feijões lhe provocam gases.

Mas espere! Há uma outra coisa engraçada! Sempre que comemos cereais, leguminosas e vegetais, não estamos a digerir e absorver quase nada da matéria da planta … estamos sim a  absorver resíduos bacterianos. Reformulando esta afirmação de forma menos diplomática:

Você não está a comer plantas: você está a comer excrementos de bactérias.

[…] a única maneira através do qual qualquer animal pode digerir plantas é recorrendo a bactérias para decomporem a celulose e aos intestinos para absorverem os resíduos.

Os animais ruminantes, incluindo bovinos, búfalos, veados, antílopes, cabras e outros animais de carne vermelha, possuem um “estômago extra” especial chamado de rúmen.

Eles mastigam e engolem ervas e folhas para o rúmen, fermentam-nas um pouco, vomitam-na de volta, voltam a mastigá-la um pouco mais (chamado de “ruminando”), e engolem-no novamente, onde é digerida pela segunda vez.

Fermentadores do intestino grosso, como cavalos, possuem um intestino grosso extra longo. E os coelhos fazem a digestão duas vezes: comem o seu próprio cocô, com o fim de obterem mais nutrientes a partir da matéria vegetal que comem.

Os seres humanos, em contrapartida, não possuem as bactérias intestinais que podem digerir a celulose. É por isso que não podemos comer erva, e porque os vegetais contêm tão pouco valor calórico para nós, e por isso designamos a celulose de “fibra insolúvel”: ela sai intacta tal como entrou.

Este fato por si só, prova que os seres humanos, enquanto omnívoros, são principalmente carnívoros: nós temos uma capacidade limitada para digerir alguma matéria da planta (amidos e dissacarídeos), de forma a ultrapassarmos tempos complicados, mas não podemos extrair quantidades significativas de energia a partir da celulose, que forma a maior parte dos elementos vegetais comestíveis, tal como os verdadeiros herbívoros conseguem.

Nós só podemos comer frutas, nozes, tubérculos e sementes (que chamamos de “grãos” e “feijão”) e as sementes só são comestíveis para nós, após uma laboriosa moagem, demolhagem e cozimento, porque ao contrário dos pássaros e roedores adaptados a esses alimentos, são tóxicos para os seres humanos no seu estado natural.

Você pode demonstrar a finalidade e os limites da digestão humana com uma experiência simples: coma um bife com alguns grãos de milho inteiros, e ver o que sai na outra extremidade. Não será o bife.

Extraido de

A CARNE APODRECE NO SEU CÓLON? NÃO. O QUE APODRECE? LEGUMINOSAS, CEREAIS E VEGETAIS!