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Festival Varilux de Cinema Francês em Aracaju

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O Festival

FESTIVAL VARILUX 2017 TRAZ OS MAIS RECENTES FILMES DE CATHERINE DENEUVE, GÉRARD DEPARDIEU, JULIETTE BINOCHE, MARION COTILLARD, GUILLAUME CANET E OMAR SY

EVENTO CHEGA A 55 CIDADES E APRESENTA 19 PRODUÇÕES DA CINEMATOGRAFIA FRANCESA. PROMOVE AINDA SESSÕES EDUCATIVAS E DEMOCRÁTICAS, LABORATORIO DE ROTEIROS E MESA-REDONDA COM ‘AMANHÃ’, DOCUMENTÁRIO VISTO POR MAIS DE UM MILHÃO DE PESSOAS

O Festival Varilux de Cinema Francês segue em pleno crescimento e registra um recorde do evento no Brasil. A edição de 20ic17, entre os dias 7 e 21 de junho, chega a mais de 55 cidades, distribuídas em 21 estados e Distrito Federal. A programação deste ano é composta por 19 produções inéditas nos cinemas brasileiros, incluindo um documentário e um clássico. Os maiores astros do cinema francês estarão presentes na seleção: o público poderá conferir os mais recentes trabalhos de Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Juliette Binoche, Marion Cotillard, Guillaume Canet, Omar Sy e Cécile de France. Outro destaque é à última atuação da inesquecível Emmanuelle Riva, falecida em janeiro último, em “Perdidos em Paris”.

São Paulo e Rio de Janeiro recebem a delegação formada por diretores e atores das várias  produções e que participam de debates com o público. Como nas edições anteriores, algumas cidades realizam sessões educativas e sessões de democratização em locais alternativos ou com pouco acesso a cinemas, gratuitas ou com preço especial. As sessões educativas estão previstas com o filme “A Viagem de Fanny”, de Lou Doillon, e o documentário “Amanhã”, codirigido por Cyril Dion e pela atriz Mélanie Laurent.

O Festival oferece ao público novas atividades paralelas este ano, com a organização de mesas-redondas e sessões democráticas em varias cidades, em parceria com as Alianças Francesas do Brasil e ColaborAmerica, também para refletir sobre temas ambientais abordados em “Amanhã”. A primeira será dia 10 de junho, no Rio de Janeiro. Sucesso na França, o filme já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas e premiado com o César de melhor documentário em 2016. Para realizar a obra, a dupla de diretores viajou por vários países para retratar pioneiros que reinventam agricultura, energia, economia, democracia e educação. Conheceram iniciativas positivas e concretas já funcionamento e que sinalizam o que pode se  tornar o mundo no futuro.

Sucesso de público em 2016, quando levou 156 mil pessoas aos cinemas, o festival repete o formato do ano passado com duas semanas de exibição. Produzido pela Bonfilm, o evento tem patrocínio principal da Varilux/Essilor, Ministério da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura e Secretaria de Estado de Cultura, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro.

 FILMES E ARTISTAS CONFIRMADOS

O Festival conta com 19 filmes na programação. Entre eles, “Um Instante de Amor”, de Nicole Garcia, com atuação elogiada de Marion Cotillard, ganhadora do Oscar de 2008 por “Piaf – Um hino ao amor”; “Rock’n roll – Por trás da fama, comédia auto-satírica de Guillaume Canet, e “Frantz”, o mais recente filme de François Ozon, uma surpreendente adaptação do filme de Ernest Lubitsch de 1932, com o novo astro do cinema francês Pierre Niney (“Yves Saint Laurent”).

Seguindo a tradição de exibir um clássico do cinema francês, o Festival Varilux traz a reconhecida comédia-musical “Duas Garotas Românticas” (“Les Demoiselles de Rochefort”), de Jacques Demy e Agnès Varda, que completa 50 anos em 2017. O longa, com Catherine Deneuve, foi indicado ao Oscar de melhor trilha sonora em 1969.

Até o momento, a delegação conta com sete artistas franceses que irão apresentar seus filmes. São eles: Dominique Abel e Fiona Gordon, diretores e atores de “Perdidos em Paris” (“Paris Pieds Nus”, de 2017), que completam 40 anos de carreira; o rapper e ator Sadek, de “Tour de France” (2016); a diretora Noémie Saglio e a atriz  Camille Cottin, de “Tal Mãe, tal Filha” (“Telle Mère, telle Fille”, de 2016); e o diretor Olivier Peyon ator Ramzy Bedia e a atriz Maria Dupláa de “O Filho Uruguaio” (“Une Vie Ailleurs”, de 2017). A delegação estará presente na abertura do Festival em São Paulo, dia 7 de junho, e no Rio de Janeiro, no dia 8, assim como em sessões de seus filmes nas duas cidades.

http://variluxcinefrances.com/2017/

Filmes vistos:

Programação (com stars do IMDB):

11/6 Domingo

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS 7.7
  2. 16:40 UM PERFIL PARA DOIS 6.4
  3. 18:55 RODIN 4.5
  4. 21:30 FRANTZ 7.5

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2
  2. 15:35 O FILHO URUGUAIO 6.5
  3. 17:35 UM INSTANTE DE AMOR 6.7
  4. 19:55 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3

12/6 Segunda

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 UM PERFIL PARA DOIS 6.4
  2. 16:15 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3
  3. 18:25 NA CAMA COM VICTORIA 6.5
  4. 20:40 UM INSTANTE DE AMOR 6.7

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 AMANHà8.1
  2. 15:50 FRANTZ 7.5
  3. 18:00 A VIAGEM DE FANNY 6.8
  4. 20:00 CORAÇÃO E ALMA 7.3

13/6 Terça

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 CORAÇÃO E ALMA 7.3
  2. 16:15 O FILHO URUGUAIO 6.5
  3. 18:30 A VIDA DE UMA MULHER 7.1
  4. 21:05 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 O FILHO URUGUAIO 6.5
  2. 15:30 O REENCONTRO 7.3
  3. 17:50 NA CAMA COM VICTORIA 6.5
  4. 19:50 NA VERTICAL 6.5

14/6 Quarta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 14:00 NA CAMA COM VICTORIA 6.5
  2. 16:15 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5
  3. 18:55 O FILHO URUGUAIO 6.5
  4. 21:10 TOUR DE FRANCE 5.7

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 UM INSTANTE DE AMOR 6.7
  2. 15:50 RODIN 4.5
  3. 18:10 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2
  4. 20:15 NA CAMA COM VICTORIA 6.5

15/6 Quinta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:00 CORAÇÃO E ALMA 7.3
  2. 15:00 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5
  3. 17:25 FRANTZ 7.5
  4. 19:40 A VIDA DE UMA MULHER 7.1

16/6 Sexta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5

CINEMA VITÓRIA

  1. 14:00 PERDIDOS EM PARIS 6.6
  2. 15:45 UMA AGENTE MUITO LOUCA 5.2
  3. 17:50 NA VERTICAL 6.5
  4. 19:50 O REENCONTRO 7.3

17/6 Sábado

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 UMA FAMÍLIA DE DOIS 6.4

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 A VIDA DE UMA MULHER 7.1
  2. 15:50 A VIAGEM DE FANNY 6.8
  3. 17:25 NA CAMA COM VICTORIA 6.5

18/6 Domingo

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 O REENCONTRO 7.3

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:00 O REENCONTRO 7.3
  2. 15:20 AMANHà8.1
  3. 17:30 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5

19/6 Segunda

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45  RODIN 4.5

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:30 ROCK’N ROLL – POR TRÁS DA FAMA 6.5
  2. 15:45 O FILHO URUGUAIO 6.5
  3. 17:35 A VIDA DE UMA MULHER 7.1

20/6 Terça

CINEMARK SHOPPING JARDINS

CINEMA VITÓRIA

  1. 14:00 TOUR DE FRANCE 5.7
  2. 15:45 UM INSTANTE DE AMOR6.7
  3. 18:00 TAL MÃE, TAL FILHA 5.3

21/6 Quarta

CINEMARK SHOPPING JARDINS

  1. 18:45 TOUR DE FRANCE 5.7

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:20 CORAÇÃO E ALMA 7.3
  2. 15:15 TOUR DE FRANCE 5.7
  3. 17:10 DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS 7.7

22/6 Quinta

CINEMA VITÓRIA

  1. 13:00 A VIDA DE UMA MULHER 7.1
  2. 13:00 O REENCONTRO 7.3
  3. 17:40 RODIN 4.5
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Circuito Cultural Centro acontecerá nos dias 7 a 8 de junho em Aracaju

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Circuito Cultural Centro será realizado de 7 a 9 de junho em Aracaju (SE). O evento será uma intervenção cultural e artística em meio às discussões sobre arquitetura e urbanismo, literatura, teatro, cinema, dança, música e museologia.

A programação inclui exposições de arte e oficinas e visitas guiadas, ofertadas ao público em geral em diversos espaços culturais. O acesso é gratuito e não é necessária inscrição prévia, basta ir ao local da atividade e participar.

Confira abaixo a programação completa do Circuito Cultural Centro. Mais informações através do telefone (79) 3218-1551.

7 de junho

10h às 12h
Aula aberta de desenho artístico para iniciantes
Pedro Boeira (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Galeria Álvaro Santos

14h às 16h
Apresentação dança moderna e ballet adulto
Ju Menezes e Adriano (Escola de Artes Valdice Teles)
Local: Palácio Museu Olímpio Campos

Mostra Sesc de Cinema Serigy
Para Leopoldina I 2014 I 23′ I 12 anos
Super Frente, Super 8 I 2015 I 20’ I 12 anos
Passe I 2015 I 20’ I 12 anos
Tototear I 2017 I 16’ I Livre
Local: Cine Vitória

15h às 17h
1º Movimento de teatro da Escola Oficina de Artes Valdice Teles
Tânia Maria e Raimundo Venâncio
Local: Escola Oficina de Artes Valdice Teles

16h às 17h
Coral Encantos da Valdice
Roger (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Palácio Museu Olímpio Campos

Minhas primeiras canções ao violão
Ítalo Barros (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Centro Cultural de Aracaju

Bate papo com realizadores e convidados da Mostra Sesc de Cinema Serigy
Local: Cine Vitória

17h
Apresentação do Coral da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Corales)
Músicas em homenagem a Luiz Gonzaga
Local: Escola do Legislativo

Mostra Sergipana de Curtas
Núcleo de Produção Digital
Local: Centro Cultural de Aracaju

17h às 17h30
Aula abertas dos aprendizes iniciantes de violão popular
Bob Zé (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

17h30 às 18h

Apresentação da Orquestra da Escola Valdice Teles
Maestro Álvaro (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Centro Cultural de Aracaju

Apresentação dos aprendizes de violão popular e contra baixo
Bob Zé (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Local: Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

18h
Apresentação Musical Renantique
Música Medieval e Renascentista
Local: Escola do Legislativo

Premiação, coquetel e apresentação musical da Mostra Sesc de Cinema Serigy
Local: Cine Vitória

19h às 22h (de 1 a 13 de junho)
Exposição ‘Treze noites com Antônio’
Otávio Luiz
Local: Centro de Cultura e Arte (Cultart)

8 de junho
8h às 10h
“A Casa de Sergipe recebe e presenteia” Visita Guiada pelo presidente do IHGSE e oferta de livros sobre Sergipe
Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe

10h
Roda de Capoeira
Zé Pequeno
Centro Cultural de Aracaju

Aula aberta de desenho artístico para iniciantes
Pedro Boeira (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Galeria Álvaro Santos

14h
Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

Roda de Conversa e Mediação “Restauro e Ressignificação – 90 anos de história, memória e educação do Atheneuzinho”
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

15h
Apresentação do coletivo Soroôdory com performace dos atores Rivaldo Santos e Felipe Santos sobre Arthur Bispo do Rosário
Escola do Legislativo

Roda de Capoeira
Zé Pequeno
Centro Cultural de Aracaju

Apresentação das turmas iniciantes e iniciados de musicalização infantil
Maria das Graças (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

Apresentação das turmas iniciantes e iniciados de ballet
Adriano e Jusiana (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

15h30
Apresentação de dança moderna e contemporânea com a prof.ª Cleanis
Escola do Legislativo

16h
Mostra Sergipana de Curtas
Núcleo de Produção Digital
Centro Cultural de Aracaju

Apresentação da peça teatral “As aventuras da leitura”
Cia de Arte da Alese
Escola do Legislativo

Visita à Sede da OAB
Casarão na Praça do Mini Golf

OAB – Sede
Festival Varilux de Cinema Francês

Cine Vitória
Apresentação das turmas de violão popular
Ítalo Barros (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)

Centro Cultural de Aracaju
Aula aberta dos aprendizes de flauta

Denise (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Escola de Artes Valdice Teles

17h
Apresentação e cortejo
Grupo Percussivo Burundanga

OAB – Sede
Apresentação da turma de iniciados em dança moderna
Cleanis (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

18h
Apresentação da turma de violão erudito
Eliana Argolo (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Escola de Artes Valdice Teles

Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

19h
Grupo de estudo de movimento com aprendizes da Escola Oficina de Artes Valdice Teles
Grupo Nova Era
Centro Cultural de Aracaju

9 de junho
10h às 11h
Aula aberta de teatro
Tetê Nahas (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

14h
Apresentação do Grupo Experimental Canto
Clara Raquel (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

15h às 16h
Aula aberta de teatro
Tetê Nahas (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

16h
Apresentação dos alunos de trompete
Roger (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Palácio Museu Olímpio Campos

Apresentação de piano, teclado, acordeom e percussão
Mackou, Cleston, Pequeno (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Centro Cultural de Aracaju

Esquete de dança contemporânea e afro
Cleanis (Escola Oficina de Artes Valdice Teles)
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

17h
Aula aberta dos alunos de corda da Escola de Artes Valdice Teles
Bruno, Lucyanne, Fabíola
Museu da Gente Sergipana Gov. Marcelo Déda

Sarau de encerramento do I Colóquio Cidades: Coexistência e Interfaces
Praça General Valadão

Mostra Sergipana de Curtas
Núcleo de Produção Digital
Centro Cultural de Aracaju

18h
Festival Varilux de Cinema Francês
Cine Vitória

G1

Cine Vitória recebe 13ª edição do Festival de Cinema Europeu em Aracaju

cineuropeu

Imagine viajar pela Europa por uma semana. Pense na diversidade histórica e cultural, a beleza da música e da arte, as delícias da culinária e as ricas reflexões sobre filosofia, política e economia. O Cine Vitória irá lhe proporcionar esse passeio durante a 13ª edição do Festival de Cinema Europeu que ocorrerá de 29 a 31 de junho. O Cine Vitória está situado na Rua do Turista, localizada na Rua Laranjeiras, 307, no Centro de Aracaju. A entrada é totalmente gratuita.

G1

Programação

  • 29/05 – Segunda
    • 14h – Nossa Estrangeira. Dir. Sarah Bouyain. Drama. França, Burkina Faso. 2010. 82. Livre
    • 16h – Amália – O Filme. Dir, Carlos Coelho da Silva. Drama / Biografia. Portugal. 2008. 127min. 12 anos
    • 18h – Belleville Baby. Dir. Mia Engberg. Drama. Suécia. 2013.75min. 15 anos
  • 30/05 – Terça
  • 31/05 – Quarta
    • 14h – A Excêntrica Família de Antônia. Dir. Marleen Gorris. Comédia dramática. Países Baixos.1995. 102min. Livre
    • 16h – Pânico. Dir. Barbara Zemljic. Drama/comédia. Eslovênia.2013. 103min. 15 anos
    • 18h – O Caminho de Halima. Dir. Arsen Anton Ostojic. Ficção/Drama. Croácia. 2012. 93 minutos. Livre

Ilha das Flores

Estamos em Belém Novo, município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, mais precisamente na latidude 30 graus, 2 minutos e 15 segundos Sul e longitude 51 graus, 13 minutos e 13 segundos Oeste. Caminhamos neste momento numa plantação de tomates e podemos ver a frente, em pé, um ser humano, no caso, um japonês.

Os japoneses se distinguem dos demais seres humanos pelo formato dos olhos, por seus cabelos lisos e por seus nomes característicos. O japonês em questão chama-se Toshiro.

Os seres humanos são animais mamíferos, bípedes, que se distinguem dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. O telencéfalo altamente desenvolvido permite aos seres humanos armazenar
informações, relacioná-las, processá-las e entendê-las. O polegar opositor permite aos seres humanos o movimento de pinça dos dedos o que, por sua vez, permite a manipulação de precisão.

O telencéfalo altamente desenvolvido somado a capacidade de fazer o movimento de pinça com os dedos deu ao ser humano a possibilidade de realizar um sem número de melhoramentos em seu planeta, entre eles, plantar tomates.

O tomate, ao contrário da baleia, da galinha, dos japoneses e dos demais seres humanos, é um vegetal. Fruto do tomateiro, o tomate passou a ser cultivado pelas suas qualidades alimentícias a partir de 1800. O planeta Terra produz cerca de 28 bilhões de toneladas de tomates por ano.

O senhor Toshiro, apesar de trabalhar cerca de 12 horas por dia, é responsável por uma parte muito pequena desta produção. A utilidade principal do tomate é a alimentação dos seres humanos. O senhor Toshiro é um japonês e, portanto, um ser humano. No entanto, o senhor Toshiro não planta os tomates com o intuito de
comê-los. Quase todos os tomates produzidos pelo senhor Thoshiro são entregues a um supermercado em troca de dinheiro.

O dinheiro foi criado provavelmente por iniciativa de Giges, rei da Lídia, grande reino da Asia Menor, no século VII Antes de Cristo. Cristo era um judeu.

Os judeus possuem o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. São, portanto, seres humanos.

Até a criação do dinheiro, o sistema econômico vigente era o de troca direta. A dificuldade de se avaliar a quantidade de tomates equivalentes a uma galinha e os problemas de uma troca direta de galinhas por baleias foram os motivadores principais da criação do dinheiro. A partir do século III A.C. qualquer ação ou objeto
produzido pelos seres humanos, frutos da conjugação de esforços do telencéfalo altamente desenvolvido com o polegar opositor, assim como todas as coisas vivas ou não vivas sobre e sob a terra, tomates, galinhas e baleias, podem ser trocadas por
dinheiro.

Para facilitar a troca de tomates por dinheiro, os seres humanos criaram os supermercados.

Dona Anete é um bípede, mamífero, possui o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. é, portanto, um ser humano. Não sabemos se ela é judia, mas temos quase certeza que ela não é japonesa. Ela veio a este supermercado para, entre outras coisas, trocar seu dinheiro por tomates. Dona Anete obteve seu dinheiro
em troca do trabalho que realiza. Ela utiliza seu telencéfalo altamente desenvolvido e seu polegar opositor para trocar perfumes por dinheiro.

Perfumes são líquidos normalmente extraídos das flores que dão aos seres humanos um cheiro mais agradável que o natural. Dona Anete não extrai o perfume das flores. Ela troca, com uma fábrica, uma quantidade determinada de dinheiro por perfumes. Feito isso, dona Anete caminha de casa em casa trocando os
perfumes por uma quantidade um pouco maior de dinheiro. A diferença entre estas duas quantidades chama-se lucro. O lucro de Dona Anete é pequeno se comparado ao lucro da fábrica, mas é o suficiente para ser trocado por 1 k de tomate e 2 k de carne, no caso, de porco.

O porco é um mamífero, como os seres humanos e as baleias, porém quadrúpede. Serve de alimento aos japoneses e aos demais seres humanos, com exceção dos judeus.

Os alimentos que Dona Anete trocou pelo dinheiro que trocou por perfumes extraídos das flores, serão totalmente consumidos por sua família num período de sete dias. Um dia é o intervalo de tempo que o planeta terra leva para girar completamente sobre o seu próprio eixo. Meio dia é a hora do almoço. A família é a
comunidade formada por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos deste casamento.

Alguns tomates que o senhor Toshiro trocou por dinheiro com o supermercado e que foram trocados novamente pelo dinheiro que dona Anete obteve como lucro na troca dos perfumes extraídos das flores foram transformados em molho para a carne de porco. Um destes tomates, que segundo o julgamento altamente subjetivo de dona Anete, não tinha condições de virar molho, foi colocado no lixo.

Lixo é tudo aquilo que é produzido pelos seres humanos, numa conjugação de esforços do telencéfalo altamente desenvolvido com o polegar opositor, e que, segundo o julgamento de um determinado ser humano, num momento determinado, não tem condições de virar molho. Uma cidade como Porto Alegre, habitada por mais de um milhão de seres humanos, produz cerca de 500 toneladas de lixo por dia.

O lixo atrai todos os tipos de germes e bactérias que, por sua vez, causam doenças. As doenças prejudicam seriamente o bom funcionamento dos seres humanos. Além disso, o lixo tem aspecto e aroma extremamente desagradáveis. Por tudo isso, ele é levado na sua totalidade para um único lugar, bem longe, onde possa, livremente, sujar, cheirar mal e atrair doenças.

O lixo é levado para estes lugares por caminhões. Os caminhões são veículos de carga providos de rodas. Quando da realização deste documentário, em 1989, os caminhões eram dirigidos por seres humanos.

Em Porto Alegre, um dos lugares escolhido para que o lixo cheire mal e atraia doenças foi a Ilha das Flores.

Ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. A água é uma substância inodora, insípida e incolor formada, teoricamente, por duas moléculas de hidrogênio e uma molécula de oxigênio. Flores são os órgãos de reprodução das plantas, geralmente odoríferas e de cores vivas. De flores odoríferas são extraídos perfumes, como os que do Anete trocou pelo dinheiro que trocou por tomates.

Há poucas flores na Ilha das Flores. Há, no entanto, muito lixo e, no meio dele, o tomate que dona Anete julgou inadequado para o molho da carne de porco. Há também muitos porcos na ilha.

O tomate que dona Anete julgou inadequado para o porco que iria servir de alimento para sua família pode vir a ser um excelente alimento para o porco e sua família, no julgamento do porco. Cabe lembrar que dona Anete tem o telencéfalo altamente desenvolvido enquanto o porco não tem nem mesmo um polegar, que dirá opositor.

O porco tem, no entanto, um dono. O dono do porco é um ser humano, com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e dinheiro. O dono do porco trocou uma pequena parte do seu dinheiro por um terreno na Ilha das Flores, tornando-se assim, dono do terreno. Terreno é uma porção de terra que tem um dono e uma cerca. Este terreno, onde o lixo é depositado, foi cercado
para que os porcos não pudessem sair e para que outros seres humanos não pudessem entrar, o que faria do dono do porco um ex-dono de porco.

Os empregados do dono do porco separam no lixo aquilo que é de origem orgânica daquilo que não é de origem orgânica. De origem orgânica é tudo aquilo que um dia esteve vivo, na forma animal ou vegetal. Tomates, galinhas, porcos, flores e papel são de origem orgânica.

O papel é um material produzido a partir da celulose. São necessários 300 quilos de madeira para produzir 60 quilos de celulose. A madeira é o material do qual são compostas as árvores. As árvores são seres vivos. O papel é industrializado principalmente na forma de folhas, que servem para escrever ou embrulhar. Este papel, por exemplo, foi utilizado para elaboração de uma prova de História da Escola de Segundo Grau Nossa Senhora das Dores e aplicado à aluna Ana Luiza Nunes, um ser humano.

Uma prova de História é um teste da capacidade do telencéfalo de um ser humano de recordar dados referentes ao estudo da História, por exemplo: quem foi Mem de Sá? Quais eram as capitanias hereditárias? A História é a narração metódica dos fatos ocorridos na vida dos seres humanos. Recordar é viver.

Os materiais de origem orgânica, como os tomates e as provas de história, são dados aos porcos como alimento. Durante este processo, algumas mulheres e crianças esperam no lado de fora da cerca na Ilha das Flores. Aquilo que os porcos julgarem
inadequados para a sua alimentação, será utilizado na alimentação destas mulheres e crianças.

Estas mulheres e crianças são seres humanos, com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e nenhum dinheiro. Elas não têm dono e, o que é pior, são muitas. Por serem muitas, elas são organizadas pelos empregados do dono do porco em grupos de dez e têm a permissão de passar para o lado de dentro da cerca. Do lado de dentro da cerca elas podem pegar para si todos os
alimentos que os empregados do dono do porco julgaram inadequados para o porco.

Os empregados do dono do porco estipularam que cada grupo de dez seres humanos tem cinco minutos para permanecer do lado de dentro da cerca recolhendo materiais de origem orgânica, como restos de galinha, tomates e provas de história. Cinco minutos são 300 segundos. Desde 1958, o segundo foi definido como sendo o
equivalente 9 bilhões, 192 milhões, 631 mil 770 mais ou menos 20 ciclos de radiação de um átomo de césio quando não perturbado por campos exteriores. O césio é um material não orgânico encontrado no lixo em Goiânia.

O procedimento dos seres humanos que recolhem materiais orgânicos no lado de dentro da cerca da Ilha das Flores é semelhante apenas em objetivo ao procedimento de Dona Anete no supermercado. No supermercado Dona Anete troca o dinheiro que trocou por perfumes extraídos das flores pelo material orgânico; na Ilha das Flores os seres humanos não têm dinheiro algum; no supermercado dona
Anete tem o tempo que julgar necessário para apanhar materiais orgânicos mas não há provas de história disponíveis.

(A partir deste momento a câmera se fixa exclusivamente nas mulheres e crianças no meio do lixo)

O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores numa posição posterior aos porcos na prioridade de escolha de materiais orgânicos é o fato de não terem dinheiro nem dono. Os humanos se diferenciam dos outros animais pelo telencéfalo altamente
desenvolvido, pelo polegar opositor e por serem livres. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

ILHA DAS FLORES – texto original

Citação

Olhos dirigidos ao paraíso gelado

389518-r_640_600-b_1_d6d6d6-f_jpg-q_x-xxyxxO filme Kfraftidioten (2014) não pode ser resenhado por incultos. Pois no máximo eles dirão que se trata de um “gênero Tarantino”. Tem lances de humor e sangue que de fato seguem o estilo de Tarantino, mas a película norueguesa e sueca, do diretor Hans Petter Moland, traduzida por “O cidadão do ano” (procure traduzir você mesmo “Kfraftidioten”), é uma peça original e uma boa crítica do presente. Uma ficção mais próxima do chão (!), digamos assim.  

Escrevi esses dias que nos Estados Unidos de hoje há um candidato socialista que fustiga Hilary Clinton (artigo aqui). Ele diz que gostaria de ver os Estados Unidos antes como uma social-democracia nórdica que como um centro do liberalismo avançado socialmente. Ao mesmo tempo, uma das melhores séries de gansters do momento, produzida em associação americana e norueguesa, é a Lilyhammer (de Eilif SkodvinAnne Bjørnstad, 2012), que diz respeito à Noruega atual (com um fantástico capítulo no Brasil). Nos dois casos, do filme Kfraftidioten e da série, o que observamos? Que há americanos olhando para os países ricos do Atlântico Norte, e que o candidato Bernie Sanders, que fustiga Hilary, não fala algo que não está no ar.

Entre políticos, intelectuais e diretores de cinema, há os que estão mostrando que os Estados Unidos já deveriam estar naquela situação nórdica, civilizados e sem pobres, outros estão apontando para o fato de que, naquela paraíso, alguns problemas permanecem, e até estão sendo importados da América, Europa e até do Brasil. O paraíso social-democrata não é o de Adão. Bom sinal: o paraíso, ainda que desejável, está sendo visto com senso crítico e humor. É um sinal de que podemos sonhar e ao mesmo tempo sem sermos ingênuos?

O que existe nas democracias ricas nórdicas é o Welfare State efetivamente alcançado, e como algo diferente de outros que, até bem pouco tempo, pareciam poder funcionar fora do gelo, como o da França, Itália, Inglaterra ou até mesmo o do esboço americano. É mais estável que outros. Funciona segundo uma social democracia que absorveu padrões do “politicamente correto” sem que este tenha se deteriorado na versão criticada até por tolos (ou melhor, criticada mais por tolos) no Brasil, uma vez que não serve para garantir só os que estão livres, mas também os que vão presos. Todavia, em meio ao paraíso, como a série e o filme citados mostram, alguns problemas do mundo moderno permanecem vivos: frustrações típicas do nosso tempo envolvido em burocracias aparentemente sem rosto, crimes não puníveis, homossexualismo reprimido, solidão da mulher, maridos isolados, famílias passivas, pequenos e grandes Al Capones soltos dividindo territórios, drogas em uso assustadoramente alto e segundo um comércio que se autoprotege de modo sofisticado.

A série e o filme mostram que a social-democracia pode mesmo realizar o que prometeu, mas que se tenha na cabeça que um regime político, de esquematização do estado, não tem poder para fazer da terra dos homens uma terra de bondade, sem problemas. Não estou usando aqui do cliché “o mundo dos mortais é sempre o mesmo”. Nada disso. Estou dizendo que os problemas postos pela modernidade se mostram presentes no Estado de Bem Estar Social que funciona. O que vale dizer que talvez a filosofia política tenha menos a dizer agora, mas a filosofia de um modo geral não disse tudo.

images-31Tanto a série quanto o filme mostram que o gangsterismo dos anos trinta, imortalizado pelo cinema americano, não é uma ficção reposta desterritorializada nesse novo cinema atual, mas que ele efetivamente existe, na realidade, e isso porque há situações que perderam suas raízes e, afastadas de seus rituais, atingiram a condição separada, alienada, que torna tudo perigoso. A droga e os seus problemas derivados tem a ver com isso. Não há mais ritual para a droga, nem religioso e nem hippie, nem místico e nem “produtivo”. A droga aparece em uma situação moderna típica do que deve ocorrer com aquilo que Hannah Arendt chamou de elemento de consumo, não elemento de uso. É a droga pela droga para quem a consome. Para quem a trafica, é a droga pelo dinheiro. Mas isso em uma situação em que ambos já são equivalentes universais do mercado. Desse modo, tanto faz o dinheiro pelo dinheiro ou a droga pela droga. Ninguém mais sabe o se faz com o que se tem.

Claro, na sociedade em que, como Debord disse, o ser e o ter não precisam mais se oporem, porque tudo é da ordem do aparecer e parecer, pode-se ter dinheiro para aparecer e ter a droga para aparecer de modo melhor, isto é, feliz. A felicidade, ou melhor, sua aparência, se tornou uma obrigação. Mas a questão é que esse é o consumo que consome o consumidor. Não existe usuário de droga. Ninguém usa a droga, nem a droga usa alguém. A droga e o mundo produzido por ela consomem suas vítimas e heróis.

Mas, não é a droga o problema moderno. Ele é pedaço pequeno dele. O problema moderno que essas películas das séries de TV-internet e cinema mostram, que está vigente na social democracia rica, é que os ritos todos perderam o sentido no mundo, e que no território gelado isso se mostra de maneira muito mais escancarada. O homem moderno não tem expediente, não tem procedimentos que se devam obedecer por mais de um mês. Tratados podem ser desfeitos, ordens podem ser cumpridas ou não, palavras empenhadas não valem e ao mesmo tempo valem um assassinato ou vários. Há uma extrema passividade no interior de um frenesi para se manter a passividade. O gangsterismo dos filmes mostra bem o funcionamento do entretenimento moderno, o celular cheio de joguinhos e ligado ao Facebook e ao WhatsApp e coisas do gênero, onde todos simulam estar na adrenalina máxima; é um globo da morte em alta velocidade, mas como todo globo da morte, tendo as motos girando no mesmo círculo. No mundo da novidade, nada é realmente novo.

Há certo tédio gelado no mundo gelado de tipo norueguês, uma cena alegórica para o resto do mundo, como se a mensagem fosse a seguinte: o paraíso, aguardem os que acham que vão chegar nele, é frio.

Paulo Ghiraldelli

A Química transforma-se em Alquimia na série “Breaking Bad”

breaking2bbadApós cinco temporadas, a premiada série televisiva de dramas, crimes e thriller “Breaking Bad” (2008-2013) ingressou na lista de filmes de diversos gêneros que exploram simbologias alquímicas de transformação como “Blue Velvet” de David Lynch ou “Beleza Americana” de Sam Mendes. Narrativas que exploram as possibilidades de transformações íntimas em nossas vidas através de elementos que tradicionalmente tomamos como negativos: caos, trevas e morte. Um professor de Química confronta a morte, o câncer e um vida fracassada por meio de uma jornada radical de redenção no submundo do narcotráfico. A metanfetamina azul se transforma na série em simbologia alquímica ao mesmo tempo de redenção espiritual e destruição de um mundo de aparências. Por isso, “Breaking Bad” também foi um “experimento sociológico”, segundo seu criador Vince Gilligan.

Dostoiévsky num deserto do Oeste dos EUA. Dessa maneira muitos críticos sintetizaram as cinco temporadas da série Breaking Bad: um professor de Química do ensino médio (Walt White) em um canto empoeirado dos EUA (Albuquerque, Novo México), labuta em seu desespero silencioso por saber que já é um condenado pelo câncer no pulmão. Com um filho deficiente físico e a esposa grávida, sabe que um possível tratamento o levará à banca rota. Junta-se a um ex-aluno rebelde (Jesse) para, com seus conhecimentos de química, fazer a metanfetamina mais pura do mercado do submundo das drogas, para ganhar muito dinheiro rapidamente e, assim, garantir a segurança financeira da sua família após a sua morte.

Tudo levava a crer que teríamos uma história tragicômica de um protagonista que pateticamente tentava salvar uma vida que falhara, mostrando que a existência é desprovida de qualquer sentido ou propósito. Mas as cinco temporadas mostraram que não era isso: a jornada de Walt White converteu-se numa épica batalha de transformação íntima onde um velho modo de vida baseado em aparências e farsas é levado ao caos para que o novo renasça, mesmo com o custo da própria morte.

As pistas já eram dadas pelo criador da série, Vince Gilligan, onde nos créditos iniciais vemos a tabela periódica estilizada e em movimento: mais do que Química, Gilligan mostrou simbolismos da Alquimia – Breaking Bad tratou das possibilidades de dissoluções e transmutações em nossas vidas, encorajando meditações sobre como o poder das trevas, caos e morte, elementos tradicionalmente pensados de forma negativa, podem se converter em elementos positivos: agentes catalizadores de iluminações, novas ordens e vidas.

A simbologia alquímica

breaking-bad-season-5-kingGilligan explorou a imagerie do cinema alquímico presente em uma tradição de filmes comoBlue Velvet (1986) de David Lynch, Beleza Americana (1999) de Sam Mendes eSinédoque, Nova York(2008) de Charlie Kaufman.

Prática antiga que combina elementos da Química, Metalurgia, Matemática, Cabala, Gnosticismo, Magia e Astrologia, a Alquimia busca, através de sucessivas operações (Nigredo, Albedo e Rubedo), reproduzir as etapas de criação do cosmos físico pelo Demiurgo para redimir a matéria – elevá-la do estado da “ignorância” (como a pedra, por exemplo) para estágios superiores de “consciência” (como o ouro).

Portanto, toda Alquimia seria um complexo conjunto de práticas experimentais e místicas que simbolizariam os estados de transmutação da consciência: diferente de muitas linhas neo-platônicas ou cabalistas, a matéria não pode ser simplesmente transcendida ou desprezada. Ela deve ser redimida, transmutada por meio do caos e da morte.

Nas entrevistas onde procura esclarecer o processo de criação da sérieBreaking Bad, Vince Gilligan afirma que nunca levou Química e Matemática à sério na escola e se arrependia desse desprezo. Isso teria sido o principal motivador para o argumento da série, que o fez devorar revistas Popular Science e contar com uma especialista da Universidade de Oklahoma – leia “Breaking Bad creator Vince Gilligan answers fan questions”.

Esse mix de fascínio, ciência popular e consultoria técnica parece confirmar como a cultura de massa com a sua subliteratura de HQs, magazines, filmes B, sci fi, horror e fantasia, acabou criando uma espécie de “sub-zeitgeist” esotérico-religioso que faz renascer arquétipos que dão uma leitura mística de fenômenos científicos.

Por que a metanfetamina é azul?

breaking2bbad2bmetanphetamineO primeiro exemplo é a cor azul da metanfetamina de Walt: Gilligan procurava uma cor para o produto que representasse o grau de pureza do produto que conotasse também a própria busca de redenção de Walt.  A consultoria técnica ponderou que se aplicamos uma cor ao produto, quimicamente ele se tornaria menos puro. Gilligan ignorou a evidência científica (para Gilligan a cor amarela que seria a quimicamente correta lembraria urina e vergonha) e optou pelo azul que simbolizaria pureza. Para reforçar, sua esposa chama-se Skyler numa referencia ao céu azul e a suas roupas da mesma cor.

Outro ponto interessante da imagerie alquímica da série é o câncer pulmonar de Walt. A palavra pulmão vem de pleumon (fluir, fluturar) provavelmente porque, ao contrário das outras vísceras, lançado à água o órgão flutua. Na tradição o esotérica, o pulmão está associado ao ar e a espiritualidade, o pneuma (a alma racional). Mais um simbolismo da redenção e transformaçãoo buscada pelo protagonista.

Além disso, temos o codinome escolhido por Walt para ser reconhecido no submundo do narcotráfico: “Heisenberg”. Sabemos que o físico Werner Heisenberg foi o formulador do conhecido Princípio da Incerteza na física quântica: quando se tenta estudar uma partícula atômica, a medição da posição necessariamente perturba o momentum de uma partícula. Em outras palavras, Heisenberg queria dizer que você não pode observar uma coisa sem influenciá-la.

breaking2bbad2blabEsse codinome não seria mais perfeito para um protagonista alquímico como Walt White. Diferente do cinema tradicional onde o protagonista é “extrovertido” (tenta intervir e alterar o mundo) ou “introvertido” (contemplativo), no cinema alquímico o protagonista pratica a “centroversão”: a sua transformação íntima acaba afetando involuntariamente a todos ao redor (na série, em uma sucessão de mortes, tragédias e dramas familiares em cascata), num processo holístico semelhante ao sugerido por Heisenberg onde o observador não consegue ficar à parte do objeto.

As etapas alquímicas de transformação – spoilers à frente

A narrativa e as sucessivas temporadas de Breaking Bad parecem acompanhar os três estágios de transformação alquímica:

(a) Nigredo (enegrecimento): o caos primário da indiferenciação. Sob a influência de Saturno, Walt é melancólico em seu desespero silencioso. Nas duas primeiras temporadas, tal como os filmes noir dos anos 1940-50 não má mocinhos e bandidos, ninguém é o que aparenta ser: Rank, o cunhado de Walt e investigador da Departamento de Narcóticos da Polícia, por trás da sua aparência de superxerife, é inseguro e busca reconhecimento e promoção encobrindo seus problemas conjugais; um cidadão benemérito da polícia local na verdade é um narcotraficante implacável e cruel (Gus Fring); Skyler trai Walt com um antigo amante etc.

A melancolia de Walt só poderia ser atraída para o submundo e para um personagem loser como Jesse: no cinema alquímico, personagens como o do Estrangeiro (aquele que possui uma relação de estranhamento com sua família e cidade) sempre é atraído para o submundo – o protagonista vê que a única forma de redenção é mergulhando no caos para redimir a matéria.

breaking2bbad2b1(b) Albedo (embranquecimento):  Sr. White (branco) encontra um estado ideal de estabilização, abstrato e ideal. Sob a assistência do impagável advogado porta-de-cadeia Saul Goodman, cria canais de lavagem de dinheiro da metanfetamina. Ele quase consegue conciliar a vida familiar com o submundo do narcotráfico. Na alquimia o estágio do Albedo é regido pela Lua: nesse estágio sonhos e fantasias de um mundo ideal torna-se perigoso, podendo tornar o protagonista “lunático”. Walt começa a tomar gosto pelo seu personagem Heisenberg (careca com um chapéu estiloso preto). Essa idealização e a aparente regressão do câncer pode criar um ilusório estado de estabilização.

(c) Rubedo (erubescimento): a esse estado ideal que acompanhamos na temporada 3 e 4, é necessário injetar o Sol, a Vida e o Sangue na última temporada. Como Vince Gilligan afirmou, era necessário encontrar uma forma de Walt pagar pelo seus pecados e, ao mesmo tempo, encontrar sua redenção. Paradoxalmente, o protagonista renascerá do caos das relações humanas por meio da morte.

O banho de sangue final (que faz lembrar outra narrativa alquímica de transformações no filme Taxi Driver de 1976 com Robert De Niro) e a emblemática imagem final de Walt mortalmente ferido passando sua mão ensanguentada em um dos recipientes do laboratório de produção de metanfetamina marcam imageticamente a transmutação do rubedo: num laboratório em meio do deserto (elemento Sol) o laboratório é marcado pelo vermelho do sangue – tanto em filmes com Blue Velvet como em Beleza Americana, sangue e flores vermelhas são as imagens desse momento culminante de redenção do protagonista.

Um experimento sociológico

breaking2bbad2bwaltNa entrevistas Gilligan afirmou diversas vezes que Breaking Bad era um verdadeiro experimento sociológico pela forma como os espectadores interagiram com Walt White ao longo da série ao acompanhar suas transformações.

Mas esse experimento foi além: ao mostrar como as transformações íntimas de Walt foram revelando a realidade por trás do teatro das aparências sociais, passamos a colocar sob suspeita alguns acontecimentos que muitas vezes figuram na mídia:

(a) Quando você ver notícias de pessoas que misteriosamente desapareceram sem deixar vestígios (abduzidas por ETs?) desconfie: como na série, deve ter sido algumas daquelas pessoas azaradas que apareceram no lugar errado e na hora errada. Assassinadas por serem testemunhas, são dissolvidas em caldos químicos em laboratórios de narcotraficantes;

(b) Correntes de donativos na Internet para causas humanitárias e para o tratamento de pessoas com doenças exóticas, também desconfie: pode ser uma forma cibernética de lavagem de dinheiro sujo através de algum laranja;

(c) Se ouvir falar de uma empresa ou negócio praticamente falido que foi vendido e, repentinamente, prospera e em pouco tempo começa a abrir filiais, pode ter certeza: é um instrumento de lavagem de dinheiro. Afinal, como dizia Balzac, por trás de toda fortuna se esconde um grande crime.

Cinegnose

Apertem os cintos… a Esquerda sumiu


A escalada de manifestações nas ruas em todo o país parece expressar um profundo mal estar dos jovens em relação não apenas à política (o jogo partidário), mas principalmente à instituição da Política como representação de qualquer demanda social.

Desconfiam que por trás da Política ou do Poder não existe nada mais do que ardil, simulação, blefe. Mas a mídia tem horror ao vácuo: para manter o ardil da simulação os meios de comunicação precisam encaixar as manifestações em um script, assim como um novo roteiro de um filme publicitário que oferece mais do mesmo para o mercado.

As interpretações dos cientistas e comentaristas políticos crescem na mesma proporção que os protestos nas ruas. Em toda essa espiral interpretativa há um ponto que todos parecem concordar: a incrível flexibilidade e rapidez da logística das mobilizações nas ruas através das redes sociais contrasta com os lentos canais de comunicação representativos de partidos políticos, Executivo e organizações classistas. A UNE, por exemplo, desapareceu. Qualquer identificação partidária no meio das passeatas é vista com maus olhos e rejeitada pelos manifestantes.

Mas essa questão logística de comunicação é apenas o sintoma: os jovens na rua estão expressando um profundo mal estar em relação não apenas à política (o jogo partidário), mas principalmente à Política – o questionamento da própria ideologia política como representação de qualquer demanda social. Em outras palavras, os jovens desconfiam que por trás da Política ou da ideologia não existe nada e que tudo é um ardil, uma simulação, um blefe.

A essa desconfiança que parece estar latente em cada voto nulo ou em branco o pensador francês Jean Baudrillard chamava de “grau zero da política”. Para ele o Poder teria perdido a sua correspondência objetiva no real. Ele subsistiria apenas no campo midiático da simulação da vontade política das autoridades, das suas declarações, das suas “canetadas” em projetos e promulgação de leis, nas intrigas palacianas, nos boatos metodicamente “vazados” para as mídias. Diante do Capital, o Poder subsistiria como mero gerenciador da manutenção macroeconômica. Dito de outro modo, o Poder não mais produz a Política, ele apenas reproduzpolíticas econômicas, financeiras, sociais etc.

O perigo da simulação

Ña Política não existe produção,
mas reprodução

O que seria então o jogo partidário senão a simulação de diferenças ideológicas que, em si, cessaram? Lendo Baudrillard parece que ele quer nos dizer que os partidos guardam uma analogia às mercadorias promovidas pela Publicidade: em mercados cartelizados os produtos começam a ficar cada vez mais parecidos tecnologicamente; por isso, o ardil publicitário seria o de simular diferenças (design, cores, apresentação, retórica etc.), criar um centro gravitacional em torno do qual tudo circule para evitar a suspeita no consumidor de que tanto faz qual produto escolher.

É exatamente esse o perigo de toda simulação ou blefe: e se suspeitarmos de que nada existe por trás? E se o eleitor descobrir que por trás da representação democrática não existe produção (História, Revolução, Transformação, Rupturas etc.), mas apenas a reprodução ad eternum não só do jogo político (circularidade e auto-referência) como também reprodução da onisciente necessidade de reprodução macroeconômica do valor de troca?

Esse mal estar de que, na verdade, “tanto faz” representaria o momento de verdade de toda essa escalada de protestos que testemunhamos nas ruas e nos meio de comunicação. Os jovens estão deixando o rei nu, Dorothy abre a cortina e descobre que o Mágico de Oz não existe.

Horror ao vácuo

Porém, a natureza parece ter horror ao vácuo. A ausência de centro gravitacional, de uma massa com densidade suficiente para criar uma força centrípeda que dê sentido à Política e ao Poder, passa a ser compensada de forma canhestra por uma instituição: a mídia.

Quando Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), falou que diante de uma oposição fragilizada politicamente no país os meios de comunicação seriam de fato o verdadeiro partido de oposição, não foi uma mera bravata ou elogio à liberdade de (em)imprensa. Foi na verdade uma tese baudrillardiana de que toda a sociedade já gravita em torno das mídias como a única forma de produção de sentido possível, nem que seja como simulação.

O campo de enquadramento da câmera passa a ser o novo tempo forte do social, em torno do qual todos os agentes gravitam, inclusive o próprio Poder e a Política.

O incêndio do painel da Coca-Cola
Copa 2014

Nas ruas o comportamento dos manifestantes diante das mídias tem semostrado ambíguo: de um lado queimam furgões de emissoras de TV como o da Record ou expulsam repórteres da TV Globo como o caso de Caco Barcelos; por outro, onde tem um cinegrafista e um spot de luz (desde que não identificada a emissora) é imediatamente cercado por manifestantes que gritam palavras de ordem, pulam, acenam e mostram cartazes com mais palavras de ordem e reivindicações.

É inegável que há um componente cênico-teatral nas ações nas ruas, um desejo de visibilidade, de repercussão ao depredar símbolos midiáticos (o painel da Coca-Cola em referência à Copa 2014) ou quando eskatistas posam para fotos e cinegrafistas diante da carcaça do furgão da TV Record incendiado.

Passado o momento progressista e de verdade de um movimento que rechaçou a simulação do jogo político-partidário, o movimento corre agora o risco de ser mais um agente a gravitar em torno dos meios de comunicação, principalmente agora que a mídia descobriu um escript para encaixá-lo. Passado o momento de perplexidade em que a mídia viu as manifestações das ruas sem poder entendê-las a não ser pela execração (“vândalos”, “criminosos”, “burrice política” etc.), agora vislumbram a possibilidade de encaixar as passeatas e mobilizações no roteiro da simulação do Poder e da Política a partir da criação da atmosfera de uma suposta crise.

Em poucos dias a TV Globo passou a compará-los aos “caras-pintadas” do impeachment de Collor, a convidar os espectadores a enviar seus melhores vídeos sobre os protestos, a caprichar nos enquadramentos de forte carga retórica (torre da FIESP na avenida Paulista iluminada em verde e amarelo diante de um mar de faixas e cartazes, uma criança que dava flores para cada manifestante que passava na avenida Faria Lima…). E as cenas de depredação e incêndios provocadas claramente por truculentos agitadores sempre mostrados em tomadas aéreas por helicópteros para dar um impacto ainda maior de caos e anomia, emendadas por comentários sobre perda do controle federal, repercussão internacional das manifestações, aumento do dólar e assim por diante em um delirante discurso metonímico.

Se a grande novidade da explosão das manifestações foi pegar a questão das tarifas de ônibus como um álibi para expressar esse mal estar do jovem diante do artificialismo da Política, agora ironicamente começam a ser capturados pelo mesmo discurso midiático que quer encobrir esse mesmo artificialismo ao simular a existência de Poder através do ensaio de golpe contra o governo Dilma.
 

Nostalgia ideológica

Dilma precisa ser derrubada  por uma
necessidade simbólica de
simulação das diferenças ideológicas

Se o Poder não existe para Baudrillard, porque falar então em “golpe”? Para Baudrillard, se existe Poder ele não está mais no campo da política e do discurso, mas na ordem do proibido, da Lei, dimensões que evocam muito mais uma antropologia da política do que a ordem objetiva do real. Explicando melhor, o PT precisa ser derrubado não porque ele é virulento e radical (afinal ele nada mais fez até agora do que modernizar o país pela normalização das funções de reprodução de força de trabalho e consumo ótima para o capital com as medidas de inserção social e a manutenção da financeirização), mas por uma necessidade simbólica de simulação das diferenças ideológico-partidárias.

Encaixar os gritos das ruas à pauta midiática do combate à corrupção e à indignação “contra tudo que está aí” é um álibi para invocar toda a nostalgia ideológica retro da Direita: neoliberais radicais, neofascistas e tantos “neos” quanto forem necessários para a simulação do embate político.

Pois justamente no momento em que os jovens nas ruas expressavam esse sintoma do envelhecimento e fastio diante do jogo da simulação da Política e do Poder, eis que surgem os meios de comunicação ávidos por encaixar esses jovens manifestantes em um roteiro pré-estabelecido que, por incrível que pareça, a mídia levou algum tempo para entender: o script da “primavera de mudanças”, da “novidade política”, assim como o roteiro de uma campanha publicitária que lança mais do mesmo no mercado.

Tudo isso lembra o já mítico filme “Show de Truman” (Truman Show, 1998): diante da melancolia e paranoia crescentes do protagonista que desconfia de que há algo de errado na cidade de Seaheaven onde vive, o produtor do reality show cria um plot melodramático para racionalizar o mal estar de Truman: na verdade tudo o que ele sente nada mais é do que a culpa pela morte do pai.

Da mesma forma os meios de comunicação querem transformar as manifestações na palmatória de um suposto processo de moralização política em andamento, retirando toda a radicalidade de jovens que começavam a perceber que por trás das camadas ideológicas, nada existe.

Em um revivalnostálgico voltam à memória da mídia a “marcha pela família” que antecedeu o golpe que derrubou João Goulart em 1964, as greves gerais que minaram o poder do governo socialista de Allende no Chile e a “Marcha dos 100 mil” de protesto contra a ditadura militar brasileira em 1968. Da Esquerda para a Direita essas imagens retro são repercutidas para, de alguma forma, dar sentido às verdadeiras flash mobs que se tornaram as mobilizações. A mídia soube entender em tempo hábil tudo isso, mas e a Esquerda? Sumiu… apertem os cintos.

Cinegnose