Arquivo do mês: junho 2016

A colonização britânica na perspectiva de um comediante sul-africano

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Vi este vídeo no blog Esquerda Caviar.

É mesmo imperdível.

Dá uma boa perspectiva em paralaxe do fenômeno da colonização do ponto de vista dos colonizados, mas com uma cavalar dose de humor. E dá no que pensar. Muito bom!

A colonização reversa da metrópole é barrada pelos mesmos argumentos racistas que chancelou a colonização da periferia. A xenofobia contra os imigrantes insuflada pela direita grassa pelo mundo.

Recentemente, lendo Diários de Bicicleta, de David Byrne, topei com um texto que toca exatamente na questão alvo do humor de Noah. A frase “Beleza, vamos esquecer tudo o que aconteceu e vamos jogar uns jogos juntos.” é emblema do que realmente acontece quando a injustiça passada começa a perder significado para ambos os lados e se dissolve nas brumas dos tempos.

Qual é o limite da justiça?

As pessoas que tiveram suas vidas arruinadas pela Stasi, ou qualquer outra agência semelhante de outros governos, deveriam ter direito a reparações financeiras? Elas ou seus herdeiros deveriam receber seus imóveis de volta? Seria possível ao menos criar uma comissão de verdade e reconciliação, como aconteceu na África do Sul para fazer uma faxina e permitir que o país e seus cidadãos sigam em frente? (Na versão sul-africana, não eram previstas punições ou reparações, apenas se a verdade fosse exposta por completo.)

Nos últimos anos, a população do Zimbábue, a antiga Rodésia, vem tentando reclamar a posse das fazendas que foram tomadas de seus ancestrais muitas décadas atrás pelos colonos brancos. Algumas famílias brancas já vivem há três gerações ou mais nessas terras e, naturalmente, enxergam essas fazendas como algo que é delas por direito e também tratam esse lugar como sua terra natal agora. Os brancos concordam — até onde sabemos — que o país não deve e não pode mais ser governado por estrangeiros, ou nem mesmo pela pequena minoria branca, mas enxergam essas casas e fazendas como propriedade deles. Eles criaram seus filhos, construíram toda a infraestrutura local e aprimoraram os campos. Mas isso não se resume às fazendas. Até certo ponto, eles construíram as estruturas que permitiram o funcionamento do país como um todo. Mas como a maré política mudou recentemente e os brancos não são mais os chefes políticos, hoje o direito dessas pessoas a manterem 80% das terras aráveis só porque seus ancestrais as roubaram anos atrás nos parece um argumento menos viável e que dificilmente continuará a se sustentar. O presidente Mugabe, que foi eleito mostrando promessas de que um país africano autorregulado abundante em recursos e com sistemas em bom funcionamento poderia avançar, infelizmente acabou se tornando mais um déspota corrupto e violento, desesperado para se manter no poder a qualquer custo. Os descendentes dos habitantes originais da era pré-colonial e os representantes autonomeados de Mugabe, gananciosos e oportunistas, começaram a retomar as fazendas por meio da força.

Isso é justo? Não exatamente, mas a expropriação dessas terras anos atrás pelos brancos também não foi. Alguém poderia dizer que a justiça apenas chegou atrasada. Se eu posso roubar suas posses e terras e você não tem como se defender, mesmo que por várias gerações, elas podem se tornar legal e moralmente minhas em algum momento? Com o tempo, o direito a essas propriedades seria transferido para mim? Em quanto tempo? Dez anos? Cem? Mil?

É mais provável que qualquer tentativa de se chegar à justiça agora seja bastante distorcida. Talvez a justiça absoluta, como qualquer tipo de coisa absoluta, dificilmente exista a não ser na matemática. No Zimbábue, os brancos serão expulsos, algumas terras produtivas infelizmente ficarão abandonadas e muitas fazendas expropriadas poderão ser subutilizadas pelos seus novos proprietários por não terem o costume de administrar esse tipo de recurso. Com certeza haverá casos de expropriações inescrupulosas de terras e disputas entre os novos proprietários. Mas talvez, depois de algum tempo, se as coisas não fugirem totalmente de controle, uma espécie de equilíbrio poderá ser alcançado. Algumas pessoas podem argumentar que nenhum branco deveria estar nesse país, e isso pode até ser verdade. Mas com um pouco de compaixão e clemência, talvez alguns dos descendentes dos ladrões originais possam conseguir manter seus lares e até um pouco de honra e respeito. Quase todos nós, de qualquer raça, temos algum motivo de vergonha em nossa história. Pode ser algo recente, ainda vivo em nossa memória, um lembrete constante. Mas pode ser algo que aconteceu há muitas gerações, algum evento pelo qual nós não sentimos nenhuma ligação ou culpa, mas as coisas podem mudar, trazendo o que estava esquecido e enterrado de volta à tona.

Acredito que atualmente é cada vez mais difícil que alguém, em qualquer parte do mundo, possa dizer algo como, “Eu deveria estar aqui e você não”. As migrações humanas nunca terminaram, elas são infinitas, e a miscigenação é um processo complicado, mas que pode ser muito proveitoso — uma fonte de inovação e criatividade.

Será que algum dia veremos uma sangrenta disputa por aquelas lindas casas modernistas dos anos 50 no distrito de Vedado em Havana? Israel, Palestina, Dakota do Sul, Tibet — todos esses lugares passaram por apropriações indevidas de terras por um grupo ou por outro. O roubo de terras ou posses profetiza inevitavelmente um roubo de reciprocidade tempos depois? A justiça tardia é inevitável? Isso pode ser chamado de justiça?

Alguém é nativo de algum lugar? Acho que na maioria dos casos, não. E talvez, de alguma forma, essa possa ser a resposta para essas indagações.

Diários de bicicleta, David Byrne

Acho que David Byrne é um tanto otimista quanto à resolução dos conflitos deixados pelas usurpações do passado. Uma justiça metafísica não existe e somente o equilíbrio das forças antagônicas com seus argumentos morais e imperativos sócio-econômicos podem definir quais serão os rumos da convivência ou rupturas.

Veja outro vídeo do Noah:

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Festival Varilux de Cinema Francês 2016

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http://variluxcinefrances.com/2016/

Só consegui assistir ABRIL E O MUNDO EXTRAORDINÁRIO. Fui de bicicleta no Cine Joia de Copacabana. O dia estava frio e acabei ficando um pouco adoentado. Com isso desisti de ir em outros dias. A sala estava com cheiro de fumaça de cigarro que me fazia tossir muito. Acho que vinha de fora. Parecia que o fog do carvão estava saindo da tela e me sufocando.

Bem-vindo ao amanhã

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Bem-vindo ao futuro. Uma inescapável jornada. Rumo ao que nos espera de horror ambiental. Rumo ao amanhã distópico. Enquanto podemos tecemos alvas odes arquitetônicas que contemplam um piscina suja. Um metáfora do que somos como civilização. E de como somos inimigos do mundo.

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Não sei porque fiquei associando na minha cabeça o prédio do museu com o estranho animal do Burgess Shale (primeira imagem). Tão estranho que foi batizado Hallucigenia sparsa. Talvez pelo museu parecer um artrópode. Nada sei da história da gênese do arquitetura do museu.

Fomos em seis visitar o museu. Chegamos de metrô na estação Uruguaiana.

Os temas audio visuais que me chamaram mais a atenção foram aqueles sobre a diversidade cultural no mundo e os que mostravam os números do nosso massacre ambiental. Parece ser politicamente correto falar da destruição do meio ambiente. As vezes dá impressão que é apenas uma moda. Ou um tema a mais para o entretenimento das massas.

E o museu, tristemente ou como um signo, projetava sua alvura sobre um mar de águas escuras numa manhã luminosa. Uma verdadeira cloaca, as águas da Baía da Guanabara.

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Na saída passamos pelo  14 Bis  e entramos no museu de arte. As entradas eram em combo para os dois museus.

E no Mar, um arte para consolar, um silêncio capturado num quadro.

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Aproveitamos a gratuidade do VLT. Fomos nele até à Cinelândia. Uma injeção na testa. Não dava para sentar. Atulhado igual a um vagão da Central ou Metrô na hora do rush. Todo mundo entrava e ninguém saia.

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Na Lapa desviamos um pouco dos cracudos.

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Comemos uns salgadinhos perto da escadaria da Lapa.

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E fomos almoçar no Ernesto.

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Lou

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“Ouse, ouse… ouse tudo!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,
nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida, aprenda… a roubá-la!
Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso:
algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!”

Lou-Salomé

Lou Andreas Salomé, uma russa que enfeitiçou Nietzsche, mas ao mesmo tempo o negaceou e, que segundo o filósofo Botul, era uma allumeuse, era também filiada ao romantismo e lirismo de sua época. Seus textos são altamente enlevados pela vida e inspiradores.

Sem dúvida a melhor palestra de Ciro Gomes sobre a crise econômica nacional e internacional

Seria Ciro Gomes uma terceira via? Dilma, apesar das críticas dele ao PT, diz que ele é seu amigo. Talvez porque ele defende a solução que favorece a democracia e o estado de direito. A restauração de Dilma no cargo para o qual ela foi eleita. E o fim da usurpação temerária do golpecheament.

Ciro Gomes cita muito Harvard e já se referiu ao Mangabeira Unger como um interlocutor. Tanto o Unger quanto o Ciro já estão sendo alvo de manobras de desconstrução pela mídia golpista. Devem estar começando a incomodar aos interesses do projeto entreguista e reacionário em curso. Uma das idéias que ele veiculou e que lembram o Unger é sobre o PT ter atuado mais pelo lado da demanda, ajudando aos trabalhadores a atingir um patamar melhor de consumo mas dando pouca ênfase ao lado oferta, isto é, construir a estrutura para o desenvolvimento e equidade na economia. Não sei como um governo com as idéias postas pelo Ciro e Unger vai se haver com os interesses rentistas tão flagrantemente expostos nesta palestra.

Bitcoin dispara

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Estava curioso sobre o que aconteceria com a cotação do bitcoin perto do reward halving. Parecendo que está começando a responder à proximidade do halving mas outras variáveis podem estar influenciando. Segundo o artigo 5 Factors Experts Say Drove Bitcoin’s Rise to $700 a possível saída da Grã Bretanha da União Européia é um dos fatores. O fator citado como “otimismo em relação às tecnologias do blockchain” foi o que mais me deixou esperançoso de uma revolução planetária do modo de viver em direção a uma descentralização e falência do paradigma hierárquico nas relações humanas. Como queriam os cipherpunks.

Kanban: Do início ao fim!

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Excertos (Ver link abaixo):

No final de 1940, a Toyota encontrou um novo processo de engenharia que poderia ser empregado em seus negócios. Sabe onde? Por incrível e mais improvável que possa parecer, dentro de um supermercado.

Minha mãe sempre diz: Uma imagem vale mais que mil palavras. Não é que ela está certa! Estudos científicos comprovam que o cérebro processa uma informação visual 60 mil vezes mais rápido do que em texto. Sem falar que à retina está ligada a 40% de todas as nossas fibras nervosas. Fantástico!

Um ótimo exemplo de WIP pode ser encontrado no palácio imperial do centro de Tóquio, no Japão. Lá o Kanban é utilizado como uma forma de sinalizar a necessidade de puxar mais trabalho.

Como assim? Usando Kanban em um parque? Sim, é necessário controlar o número de pessoas que estão dentro do parque, pois muitas o visitam e é preciso o mínimo de organização para que todos possam aproveitar da melhor maneira o passeio. Ao entrar no parque você recebe um cartão (kanban) e ao sair deve devolver o mesmo cartão, dessa forma se consegue saber a quantidade de pessoas que estão dentro do parque.

Kanban: Do início ao fim!

Conteúdo do artigo:

Intro

Voltando à história do Kanban (breve história)…

Kanban e desenvolvimento de software

Mas, como o Kanban funciona hoje?

– Um quadro Kanban simples

Princípios fundamentais

– Visualizar o fluxo de trabalho (workflow)

– Limitar a quantidade de trabalho em andamento (WIP)

– Gerenciar e medir o fluxo

– Tornar as políticas do processo explícitas

– Usar modelos para reconhecer oportunidades de melhoria

Classificação de itens e hierarquia

– Épicos (Epics)

– Estória de usuário (User Story)

– Tarefas (Tasks)

Evidenciando um quadro Kanban

– Buffer

– Priorização de itens

– Limite WIP

– Raias

Benefícios do Kanban