Arquivo do mês: junho 2017

Aprender a Viver, Luc Ferry

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Prólogo

Nos meses que se seguiram à publicação de meu livro O que É uma Vida Bem-sucedida?, várias pessoas me abordaram espontaneamente na rua para me dizer mais ou menos o seguinte: “Um dia, ouvi o senhor falar sobre sua obra… foi claríssimo, mas, quando tentei lê-lo, não compreendi mais nada…” A observação era direta, mas não agressiva. O que me causou constrangimento maior! Prometi a mim mesmo encontrar uma solução, sem saber exatamente como agir, de modo a, um dia, ser tão claro na escrita quanto afirmavam que eu era na fala…

Uma circunstância proporcionou-me a oportunidade de voltar a pensar no assunto. De férias num país onde a noite cai às seis horas, alguns amigos pediram que eu improvisasse um curso de filosofia para pais e filhos. O exercício obrigou-me a ir diretamente ao essencial, como até então eu nunca pudera fazer, sem recorrer a palavras complicadas, a citações eruditas ou alusões a teorias desconhecidas pelos meus ouvintes. À medida que eu avançava na narração da história das ideias, dei-me conta de que não existia nas livrarias um curso equivalente ao que eu estava construindo, bem ou mal, sem o auxílio de minha biblioteca. Encontram-se, naturalmente, inúmeras histórias da filosofia. Algumas são mesmo excelentes, mas as melhores são áridas demais para alguém saído da universidade, e ainda mais para quem ainda não entrou nela; outras não são interessantes.

Este pequeno livro é resultado daquelas reuniões amigáveis. Embora reescrito e completado, conserva ainda o estilo oral. Seu objetivo é modesto e ambicioso. Modesto, porque se dirige a um público de não especialistas, à semelhança dos jovens com os quais conversei naquele período de férias. Ambicioso, pois me recusei a aceitar a menor concessão às exigências da simplificação, caso deformasse a apresentação dos grandes pensamentos. Respeito tanto as obras maiores da filosofia que não aceito caricaturá-las por razões pseudopedagógicas. A clareza consta do caderno de encargos de uma obra que se dirige a iniciantes, mas pode ser obtida sem que se destrua seu objeto; do contrário, de nada vale.

Procurei, então, apresentar uma iniciação que, por mais simples que fosse, não abdicasse da riqueza e da profundidade das ideias filosóficas. Seu objetivo não é apenas oferecer um antegozo, um verniz superficial ou um resumo desfigurado pelos imperativos da vulgarização, mas também levar a descobrir essas obras, tais como são, a fim de atender a duas exigências: a de um adulto que quer saber o que é a filosofia, mas não pretende ir necessariamente além; a de um adolescente que deseja eventualmente estudá-la mais a fundo, embora ainda não disponha dos conhecimentos necessários para começar a ler por conta própria autores difíceis.

Por isso, tentei inserir aqui tudo o que hoje considero verdadeiramente essencial na história do pensamento, tudo o que gostaria de legar àqueles que considero, no sentido antigo, incluindo a família, meus amigos.

“Por que esta tentativa?

Para começar, por egoísmo, porque o mais sublime espetáculo pode tornar-se um sofrimento se não temos a sorte de ter alguém com quem partilhá-lo. Ora, ainda é pouco — e disso me dou conta a cada dia que passa — dizer que a filosofia não faz parte do que se chama comumente de “cultura geral”. Um “homem culto” presumivelmente conhece a história da França, algumas importantes referências literárias e artísticas, até mesmo alguma coisa de biologia ou de física, mas ninguém o reprovará por ignorar tudo a respeito de Epicteto, Spinoza ou Kant. Entretanto, adquiri, ao longo dos anos, a convicção de que para todo indivíduo, inclusive para os que não a veem como uma vocação, é valioso estudar ao menos um pouco de filosofia, nem que seja por dois motivos bem simples.

O primeiro é que, sem ela, nada podemos compreender do mundo em que vivemos. É uma formação das mais esclarecedoras, mais ainda do que a das ciências históricas. Por quê? Simplesmente porque a quase totalidade de nossos pensamentos, de nossas convicções, e também de nossos valores, se inscreve, sem que o saibamos, nas grandes visões do mundo já elaboradas e estruturadas ao longo da história das ideias. É indispensável compreendê-las para apreender sua lógica, seu alcance e suas implicações…

Algumas pessoas passam grande parte da vida antecipando a infelicidade, preparando-se para a catástrofe — a perda de um emprego, um acidente, uma doença, a morte de uma pessoa próxima etc. Outras, ao contrário, vivem aparentemente na mais total despreocupação. Elas até consideram que questões desse tipo não têm espaço na existência cotidiana, que provêm do gosto pelo mórbido que beira a patologia. Sabem elas que as duas atitudes mergulham suas raízes em visões do mundo cujas circunstâncias já foram exploradas com profundidade extraordinária pelos filósofos da Antiguidade grega?

A escolha de uma ética antes igualitária que aristocrática, de uma estética antes romântica que clássica, de uma atitude de apego ou desapego às coisas e aos seres em face da morte, a adesão a ideologias políticas autoritárias ou liberais, o amor pela natureza e pelos animais mais do que pelos homens, pelo mundo selvagem mais do que pela civilização, todas essas opções e muitas outras foram inicialmente construções metafísicas antes de se tornarem opiniões oferecidas, como num mercado, ao consumo dos cidadãos. As clivagens, os conflitos, as implicações que elas sugeriam desde a origem continuam, quer o saibamos ou não, a dirigir nossas reflexões e nossos propósitos. Estudá-los em seu melhor nível, captar-lhes as fontes profundas é se oferecer os meios de ser não apenas mais inteligente, mas também mais livre. Não consigo ver em nome de que deveríamos nos privar disso.

Além do que se ganha em compreensão, conhecimento de si e dos outros por intermédio das grandes obras da tradição, é preciso saber que elas podem simplesmente ajudar a viver melhor e mais livremente. Como dizem, cada um a seu modo, vários pensadores contemporâneos, não se filosofa por divertimento, nem mesmo apenas para compreender o mundo e conhecer melhor a si mesmo, mas, às vezes, para “salvar a pele”. Há na filosofia elementos para vencermos os medos que paralisam a vida, e é um erro acreditar que a psicologia poderia, nos dias de hoje, substituí-la.

Aprender a viver, aprender a não mais temer em vão as diferentes faces da morte, ou, simplesmente, a superar a banalidade da vida cotidiana, o tédio, o tempo que passa, já era o principal objetivo das escolas da Antiguidade grega. A mensagem delas merece ser ouvida, pois, diferentemente do que acontece na história das ciências, as filosofias do passado ainda nos falam. Eis um ponto importante que por si só merece reflexão.

Quando uma teoria científica se revela falsa, quando é refutada por outra visivelmente mais verdadeira, cai em desuso e não interessa a mais ninguém — à exceção de alguns eruditos. As grandes respostas filosóficas dadas desde os primórdios à interrogação sobre como se aprende a viver continuam, ao contrário, presentes. Desse ponto de vista seria preferível comparar a história da filosofia com a das artes, e não com a das ciências: assim como as obras de Braque e Kandinsky não são “mais belas” do que as de Vermeer ou Manet, as reflexões de Kant ou Nietzsche sobre o sentido ou não sentido da vida não são superiores — nem, aliás, inferiores — às de Epicteto, Epicuro ou Buda. Nelas existem proposições de vida, atitudes em face da existência, que continuam a se dirigir a nós através dos séculos e que nada pode tornar obsoletas. As teorias científicas de Ptolomeu ou de Descartes estão radicalmente “ultrapassadas” e não têm outro interesse senão histórico, ao passo que ainda podemos absorver as sabedorias antigas, assim como podemos gostar de um templo grego ou de uma caligrafia chinesa, mesmo vivendo em pleno século XXI.

A exemplo do primeiro manual de filosofia escrito na história, o de Epicteto, este pequeno livro trata o seu leitor por você. Porque ele se dirige, em primeiro lugar, a um aluno ao mesmo tempo ideal e real que está no limiar da idade adulta, mas pertence ainda, devido a muitos laços, ao mundo da infância. Que não se veja nisso nenhuma familiaridade de baixo quilate, mas tão somente uma forma de amizade, ou de cumplicidade, às quais só o tratamento íntimo convém.

Luc Ferry

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Uma fábula para começar

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Há muito, muito tempo, a vida evoluiu num certo planeta, produzindo muitas organizações sociais — alcatéias, matilhas, cardumes, manadas, bandos, rebanhos, e assim por diante. Uma espécie cujos membros eram particularmente inteligentes desenvolveu uma organização social singular chamada “tribo”. O tribalismo funcionou bem para eles durante milhões de anos, mas chegou um momento em que decidiram experimentar uma nova organização social (chamada “civilização”), que era hierárquica e não-igualitária. Não se passou muito tempo e aqueles que ficavam no topo começaram a ter uma vida de grande luxo, usufruindo de um lazer perfeito e tendo o melhor de todas as coisas. Abaixo deles, uma classe formada por um número maior de pessoas vivia muito bem e não tinha do que queixar. Mas as massas que viviam na base da hierarquia não gostavam nem um pouco daquilo. Trabalhavam e viviam como animais de carga, lutando só para continuarem vivos.

“Isso não está dando certo”, disseram as massas. “O modo de vida tribal era melhor. Deveríamos voltar a viver daquela forma”.

Mas o chefe, que ficava no ponto mais alto da hierarquia, disse:

“Abandonamos para sempre aquela vida primitiva. Não podemos voltar a ela”. “Se não podemos voltar”, responderam as massas, “então vamos em frente — na direção de algo diferente”.

“Não, não pode ser”, disse o chefe, “porque nada diferente é possível. Nada pode existir além da civilização. A civilização é um invento final, insuperável”.

“Mas nenhum invento é insuperável para sempre. A máquina a vapor foi suplantada pelo motor a gasolina. O rádio foi suplantado pela televisão. A calculadora foi suplantada pelo computador. Por que seria diferente com a civilização?”

“Não sei por que é diferente”, disse o chefe, “mas é”.

Mas as massas não acreditaram — nem eu.

Além da civilização, Daniel Quinn 

ProfStef: Sintaxe da mensagem: Cascata

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Tutorial do Pharo.

Abra o tutorial em português do ProfStef na lição Sintaxe da mensagem: Cascata.

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Nota:

Nesta lição será usado o Transcript, uma espécie de área de saída para exibição de resultados, que pode ser aberto programaticamente com Transcript open ou através do menu World.

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Já abordamos antes o efeito da colocação de um ; (ponto e vírgula) entre duas mensagens em uma lição anterior (quando usamos a mensagem #at:put:). Vamos detalhar mais um pouco aqui.

Abra um Playground e um Transcript. Digite o que vê abaixo, selecione e Do it.

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No primeiro grupo não se usa cascata.

Na segundo se usa o operador ; de cascata e desta forma as mensagens #show: são enviadas para o Transcript sem precisar repetir o receptor.

No terceiro se usa parênteses e as mensagens #show: são enviadas ao objeto retornado. Neste último caso a segunda e terceira mensagem #show é enviada ao objeto Transcript porque ele é o retorno da expressão Transcript show: ‘cinco’ e também da expressão (Transcript show: ‘ cinco ‘) show: ‘ seis ‘.

Como veremos mais adiante no tutorial o retorno default de uma mensagem é o próprio objeto receptor a não ser que seja especificado outro retorno como acontece com a mensagem #at:put:, que retorna o segundo argumento.

Se você experimentar remover os parênteses do último grupo obterá um erro.

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A mensagem com palavras chaves #show:show:show: “não é entendida” pelo objeto Transcript. Veremos mais sobre isto no futuro.

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Vergonha alheia?

Vergonha alheia é um sentimento que pode ser muito bem ilustrado pelo vídeo acima. E fruto as vezes de uma empatia. Outras, de uma antipatia. Neste último caso a vergonha alheia pode vir de um mal estar de pertencer a uma mesma humanidade. Ou pseudo-humanidade. De se parecer com pessoas merecedoras do prêmio Darwin, por exemplo. Ou por coxopatas berrando impropérios ao microfone da rede “xocial” e enlaçando com o fio uma torre de pizza frágil e que não fizeram. Já não inventaram o microfone sem fio?

Nossos neurônios não-espelhos tem tido muito trabalho ultimamente. Para conter os neurônios-espelho. Ases da imitação. Para não imitarmos os energúmenos que andam povoando nossas plagas.

O artigo de Luis Felipe Miguel, que cito abaixo, nos faz sentir vergonha alheia por antipatia.

A vergonha de ser brasileiro


Luis Felipe Miguel

A aprovação de Temer é a pior de um ocupante da presidência desde 1989, diz o DataFolha. Apenas 7%, percentual que, diante do que é esse desgoverno, me parece assustadoramente alto. Mais de três quartos dos entrevistados acham que ele devia renunciar; mais de quatro quintos querem impeachment e eleições diretas.

A Folha destacou outro dado na capa: a “vergonha de ser brasileiro” cresceu de 34% para 47% dos entrevistados. Essa é uma informação que me intriga. Como eu responderia a uma questão assim?

Lembro de um exemplo que costumo usar em sala de aula, quando vou discutir os problemas dos índices baseados em proxies e também dos surveys de opinião pública. Hans-Dieter Klingemann, apoiando-se no World Values Survey, mede o apoio à comunidade política (isto é, se as pessoas julgam que o Estado e a comunidade nacional imaginada à qual pertencem se sobrepõem adequadamente) a partir das respostas a duas perguntas: o quanto o entrevistado se sente orgulhoso de seu país e se estaria disposto a lutar por ele numa guerra.

As duas questões parecem misturar apoio à comunidade política com certo tipo de nacionalismo. Eu, por exemplo, não tenho nenhum desacordo com as fronteiras nacionais brasileiras – não defendo a separação de uma região ou estado, por exemplo, tampouco a anexação de qualquer território. Nem por isso estou oferecendo apoio a priori para qualquer guerra hipotética, só porque é “o meu país”. Não torço nem pela seleção de futebol!

E eu tenho orgulho ou vergonha de ser brasileiro? Como não ter orgulho de ser da terra de Pixinguinha, Cartola e Villa-Lobos, sem falar do queijo minas, da feijoada e da paçoca? Por outro lado, como não ter vergonha não só da elite política nos três poderes, mas também da nossa fraca, fraquíssima capacidade de reação?

Em suma, é uma questão que aplaina múltiplas dimensões e que tenta apreender um sentimento complexo e multifacetado numa escala simples. É muitíssimo discutível se a resposta a ela diz alguma coisa e ainda mais se pode servir de indicador para outro tipo de julgamento.

A vergonha de ser brasileiro

Geoge Carlin

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Ridendo castigat mores.

George Carlin é mesmo excelente stand up comedy man. Claro que não sou eu que o digo pois o conheci recentemente. Assim como Nietzsche, parece portar um martelinho irônico, não uma marreta para destruir os ídolos (aqui as idéias estapafúrdias da humanidade), com que asculta para ver como devolve em som a sua vanidade. Se é oco, o que na maioria das vezes é, ou se é sólido, o que na maioria das vezes não é.

Assista o vídeo abaixo e depois se deixe levar pelo Youtube. É diversão garantida. E reflexão lúdica como sempre deveria ser. Nada de abdicar do humor, esta corrosiva arte de ridicularizar o ridículo, para ajudá-lo mesmo a se realizar como ridículo, explorar mais o seu potencial, como se se pudesse chover no molhado. E cuidado para não escorregar!

E Nietzsche seria também um bom comediante com uma tirada mais ou menos assim: “Um deus barbudo e ranzinza se disse único. E todos os deuses caíram na risada.” Ou algo como: “Eu só acreditaria num deus que pudesse dançar. E com passinhos leves. Talvez de bailarina. Talvez atabalhoado como um clown. Ah, aí eu poderia acreditar. Se tivesse muitos braços e acenasse em busca de minha atenção, como um shiva

ProfStef: Precedência matemática

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Tutorial do Pharo.

Abra o tutorial em português do ProfStef na lição Precedência matemática.

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A ordem de execução das mensagens das expressões matemáticas é por default sempre da esquerda para a direita.

Nota:

A expressões matemáticas são construídas somente com mensagens binárias. Embora se pareça com uma regra estritamente sintática a ser reforçada pelo compilador esta ordem é, na verdade, uma consequência de um encadeamento de mensagens enviadas aos números, que são objetos, e aos objetos retornados da avaliação da mensagem precedente. É o que acontece no exemplo desta lição com a primeira expressão 2 * 10 + 2. A avaliação da expressão pode ser descrita da seguinte forma: 2 recebe a mensagem binária * com o argumento 10 e retorna 20 (um objeto). Agora 20 recebe a mensagem + com o argumento 2 e retorna 22.

A introdução de parênteses muda esta mecânica conforme já foi explicado antes num contexto mais amplo do que o de expressões composta exclusivamente de mensagens binárias.

Não deixe de experimentar todas as expressões e sinta se livre para alterá-las à vontade para ver os efeitos.

 

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Demain

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Demain é um filme impressionante. Um excelente e inspirador trabalho. Nem um pouco ecochato, Nada de ressentimentos, Apenas a realidade do fracasso anunciado da monocultura, Não na agricultura. Em geral. A monocultura da globalização, Das idéias. Da falácia da tecnologia monocultural para as massas. Da nossa civilização que come petróleo e promove o farting da poluição. Um verdadeiro grass root é o que propõe o filme.

Muito melhor do que a série Zeitgeist. Diria totalmente superior e até excludente na concepção em relação ao Zeitgeist.

Permacultura além da agricultura. Um conceito poderoso para repensar a civilização. Um novo modo de estar no mundo. Nada de golfinhos agradecendo pelos peixes. Não, não há toalha que nos salve. Navegamos abrigados num oásis em meio a um deserto sideral. Não podemos converter tudo em areia. Num suicídio colossal e de eivada burrice.

Tribos: pessoas que têm a mesma cabeça 

As pessoas tendem a imaginar as tribos ocupacionais num mundo de fantasia pós-apocalipse. Ficam perplexas quando digo que podem ter um seguro-saúde e planos privados de aposentadoria (se os quiserem), ou que o governo vai ter tanto interesse em cobrar-lhes impostos e contribuições à previdência social quanto de qualquer outro. Mas, se é assim, perguntam-me então, qual é o objetivo de tudo o que estamos fazendo? Se o mundo vai continuar exatamente como antes, por que nos incomodarmos? Essas são perguntas a que nunca me canso de responder.

A Mãe Cultura ensina que um salvador é aquilo de que precisamos — um Santo Arnold Schwarzenegger gigante que seja uma combinação de Jesus, Jefferson, dalai lama, papa, Gandhi, Gorbatchev, Napoleão, Hitler e Stálin — todos eles em um. Os outros seis bilhões, segundo a Mãe Cultura, não têm condições de fazer nenhuma coisa. Só podemos esperar quietinhos que o Santo Arnold chegue.

Daniel Quinn diz que nenhuma pessoa sozinha vai salvar o mundo. (Se for salvo), o será por milhões (e em última instância) por bilhões de nós, de uma forma nova. Mil pessoas que vivem de uma forma nova não vão levar ao colapso a ordem dominante no mundo. Mas essas mil podem inspirar cem mil, que podem inspirar um milhão, que podem inspirar um bilhão — e aquela ordem dominante vai começar a parecer abalada!

(Em seguida, alguém vai perguntar: “Mas, se a ordem dominante no mundo ficar abalada, o que vai ser do meu seguro-saúde?”)

Daniel Quinn

A previsão de Daniel Quinn [citar] sobre a “mãe cultura” que nos cega para as alternativas não deveria se realizar. Melhor estar além da civilização. Dar as costas a ela e construir um novo e melhor modo de viver. Sem mais tecnologia pela tecnologia. Não se iludir como a rã no seu banho tépido, lentamente cada vez mais quente, sem perceber que estamos cozinhando em direção à auto extinção. As tribos cujos membros se juntam para ganhar a vida e um bom modo de viver, sem obrigação de unicidade de ideologias místicas, em plena liberdade somente “cerceada” pelas exigências da gestão da auto sustentabilidade. Não só o sustento. Mas a Vida! Sobrevivência e além da sobrevivência.

E sobre tribos e comunas Quinn, em Além da civilização, tem uma visão interessante:

Comunidades e tribos: participação 

Na medida permitida pela lei e pelos costumes, as comunidades adotam como política excluir certos tipos de pessoa e incluir todo o resto. Em outras palavras, a menos que você pertença a uma raça, religião, classe social ou grupo étnico abominado, será bem-vindo se quiser participar delas.

As comunas funcionam da forma oposta. Sua política é incluir certos tipos de pessoa e excluir todo o resto. Em outras palavras, a menos que você tenha os mesmos valores especiais do grupo (sociais, políticos ou religiosos), não é bem-vindo se quiser participar delas. A regra prática da tribo é: Você pode ampliar o modo de vida a fim de incluir a si mesmo? Em outras palavras, se você quiser viver de uma ocupação tribal, terá de aumentar o poder aquisitivo do grupo a ponto de poder ser absorvido por ele. Foi exatamente o que Hap e C. J. fizeram no East Mountain News. Não poderíamos tê-los incluído no negócio se eles não o tivessem ampliado com a venda de espaço de propaganda.

Será que uma tribo não pode ser uma comuna? 

Como disse antes, as tribos giram em torno de pessoas que trabalham juntas e podem ou não viver juntas. Mas as pessoas tribais podem viver juntas sem se tornar uma comuna. Falando de minorias de artesãos, comerciantes e artistas de teatro de variedades como os ciganos, os taters noruegueses, os viajantes irlandeses e os nandiwallas da Índia, a antropóloga Sharon Bohn Gmelch nota especificamente que a organização social desses grupos é flexível e, “no fundo, não são comunais”.

A dificuldade que vejo em uma tribo tornar-se uma comuna é que, tradicionalmente, as comunas escolhem seus membros com base em ideais que têm em comum. Ideais comuns não são irrelevantes para os aspirantes a membros de tribos, mas são superados pela pergunta:

“Você pode ampliar o negócio a fim de incluir a si mesmo?”

Certamente posso dizer que não ocorreu a nenhum de nós do East Mountain News que deveríamos “fundar uma comuna”. Teríamos achado a idéia ridícula.

A tribo não gira em torno de viver juntos, mas ao redor de ganhar a vida juntos.

Será que uma comuna não pode ser uma tribo? 

A resposta é: “Sim, é claro que uma comuna pode ser uma tribo, mas há uma forma problemática de começar”.

Em geral, as comunas começam com pessoas que querem “afastar-se de tudo”. Afastando-se de uma sociedade corrupta, materialista e injusta, querem tipicamente viver “perto da natureza”, junto com outras pessoas com ideais semelhantes. Como pretendem viver com simplicidade, ganhar a vida parece quase incidental. Podem cultivar a terra, fazer artesanato ou ter empregos comuns. À medida que o tempo passa, tudo pode sair exatamente como planejado — ou não. A simplicidade rústica pode ser menos charmosa do que o esperado. Talvez alguns se entediem do trabalho. Os nervos ficam abalados, os ideais são esquecidos, as amizades dissolvem-se, e logo a coisa acaba. Ou pode tomar um rumo diferente. Os membros podem reformular seu foco de atenção e passar aos ideais para ganhar a vida juntos de um modo mais satisfatório. Mas lembre-se de que esse grupo reuniu-se originalmente em torno de uma base totalmente diferente, de modo que será mais por sorte que por um plano anterior que terão realmente alguns interesses ocupacionais e habilidades em comum.

É como comprar gêneros alimentícios que comecem com a letra m — mostarda, manga, melão, macarrão, maionese, e assim por diante — e depois se perguntar se, por acaso, tem os ingredientes para fazer o cassoulet du chef toulousian. Pode ter, lógico, mas não com tanta probabilidade quanto se você comprar especificamente os ingredientes necessários para essa receita.

Uma raça que não se baseia mais na escravidão. Que liberta a todos pois liberdade nada mais é que autonomia. E capacidade de cada um de ganhar o próprio sustento. O que foi retirado de todos pela falácia da civilização. O fato de que somos perdulários na monocultura e que a antagônica permacultura é mais eficiente do que a “grande agricultura” é uma tapa de luva, elegante e convincente, no status quo.

Um pequeno reparo apenas ao filme quando demoniza a carne num arroubo vegano que como adepto da dieta paleolítica não posso concordar do ponto de vista nutricional oriundo de uma configuração co-evolutiva dos nossos corpos e dos alimentos. Embora concorde que os animais deveriam ser mais respeitados. Em O mito de vegetarianismo (The Vegetarian Myth: Food, Justice, and Sustainability, Lierre Keyth) [Ver googling O mito de vegetarianismo também] a autora, Lierre Keyth, mostra que os animais devem entrar no ciclo de uma fazenda auto sustentável [citar Lierre].

Na seção sobre economia novamente as idéias da permacultura dão um norteamento estonteante. O filme Demain, nesta parte, sobre a economia, propõe o que aconteceu com as moedas eletronicas, bitcoin e outras: diversidade, liberdade. descentralização. O franco WIR da Basileia realiza a concepção do ciber punks para o Bitcoin. uma moeda para as relações econômicas peer to peer, num circuito fechado imune às ingerências de um sistema financeiro viciado, centralizado e manipulado.

Na seção sobre política um misto de sorteio e eleição de representantes mostra que os representantes sorteados tem menos amarras e são mais capazes de romper o stabilishment e conduzir a soluções disruptivas melhores. O Texas do petróleo tem o maior parque eólico dos EEUU por conta de uma experiência com representantes sorteados.

No capítulo sobre educação a mesma ideia de dar uma chance à diversidade é usado para ensinar as primeiras letras recorrendo a várias estratégias ao mesmo tempo.

Veja abaixo o trailer com legendas em português.

Visite também o site do filme em https://www.demain-lefilm.com.