Por que engordamos? II

Não engordamos porque comemos demais; comemos demais porque engordamos.

Taubes

Na minha releitura da versão em papel e em português do livro do Taubes me senti motivado a fazer alguns comentários sobre algumas partes que me chamaram a atenção como altamente desmitificadoras em relação às teorias correntes sobre as causas da obesidade. Leia abaixo:

Insulina: o hormônio do crescimento para os lados

Os hormônios são os regentes de todo o metabolismo. A maioria das regulações dependem do balé dos hormônios e do estímulo de retroalimentação sobre nossas glândulas causado pelo desequilíbrio momentâneo das substâncias variadas que circulam pelo nosso organismo. A insulina, que aumenta quando o açúcar no sangue sobe, promove a retirada do mesmo do sangue e armazenamento como gordura nas células adiposas. Isto para retirar o excesso de açúcar no sangue já que lá o mesmo é tóxico. O açúcar no sangue sobe mais rápido por conta dos carboidratos.

Assim como o hormônio do crescimento é o que causa o crescimento do corpo, principalmente para cima, a insulina o faz para os lados, principalmente. Quando a criança ou adolescente come muito sabemos que é porque está crescendo. Podemos dizer que ele não cresce porque está comendo mas come porque está crescendo. Em relação ao “crescimento para os lados”  podemos, de forma similar, dizer que não engordamos porque estamos comendo mas comemos porque estamos engordando. Na direção inversa também podemos dizer que não estamos emagrecendo porque estamos comendo menos mas comemos menos porque estamos emagrecendo. Logo na raiz de uma intervenção para corrigir o peso excessivo está o controle da insulina. Como a insulina responde principalmente à ingestão de carboidratos basta reduzir a sua ingestão.

O Dr. Souto nos seu post A CHAVE de tudo – INSULINA resume bem a questão (com base no Taubes, provavelmente).

Ratos de Zucker

Os ratos de Zucker já foram citados no post Qualquer coisa que aumente nosso tamanho nos fará comer em excesso – mais modelos animais no blog do Dr. Souto, que recebeu muita influência do livro anterior do Taubes (Good Calories, Bad Calories). São ratos com predisposição para engordar.

Taubes relata que experimentos com tais ratos que os colocam em dieta podem esclarecer os mecanismos envolvendo nossa massa adiposa. Quando colocados em dieta calórica restritiva não emagrecem. Continuam com uma proporção bem maior de massa gorda em relação à massa magra (músculos e tecidos de órgãos). No experimento de restrição calórica os ratos não tem como comer mais do que os pesquisadores tenham estabelecido. Mesmo assim engordam. Os seus órgãos internos e músculos são menores e parecem ser sacrificados em favor de seu tecido adiposo. Se no limite forem mantidos com fome o seu tecido adiposo, tal como um câncer que drena os recursos vitais, sequestrará o que “precisa” dos órgãos internos e músculos levando à falência progressiva do animal.

Fazendo uma analogia, uma pessoa que faça uma dieta restritiva e que já se encontre em uma espécie de desequilíbrio, embora não genético como no caso dos ratos Zucker, estaria sacrificando a saúde dos seus órgão internos e músculos em favor da sua gordura. Por mais que coma pouco este pouco irá mais aumentar a sua gordura sobrando menos para o resto. Com fome os ratos Zucker morrem gordos. Seu organismo anômalo prefere comprometer a funcionalidade dos órgãos internos e músculos a usar a gordura já acumulada como suprimento. Isto devia servir de alerta para quem quer emagrecer embarcando na tese errônea da restrição calórica.

Nossa massa adiposa é altamente ativa contra a hipótese corrente de ser um repositório passivo do que sobra do balanço energético. No caso dos ratos Zucker o defeito genético causa o desequilíbrio. Naqueles atingidos pela obesidade algum desquilíbrio similar, com causas genéticas ou não, levam a um resultado semelhante.

Lipofilia

idéia da lipofilia é de 1920, segundo citado por Taubes. A hipótese é do pesquisador Von Bergmann. Julius Bauer, da Universidade de Viena,  compara o tecido adiposo dos obesos com um tumor malígno. Assim como o tumor faz o tecido adiposo tem objetivos próprios não se importando com o resto do corpo. É como se saltassem fora do mecanismo da homeostase solapando o equilíbrio. Assim como tumor se apodera dos tecidos para crescer a gordura se apodera dos alimentos para crescer e dane-se o resto! Por causa disto os termos ser gordo e subnutrido já podem aparecer na mesma frase.

No final dos anos 30 a hipótese da lipofilia estava quase que em alta. Mas desapareceu em 10 anos. A segunda guerra matou, dispersou e desorganizou os pesquisadores adeptos e curiosos sobre a idéia. A paixão nos EEUU pela teoria do “apetite corrompido”, de Newburg, virou religião. Gula e preguiça, dois pecados capitais, se deram as mãos para se inserir no universo de culpa do gordo pecador. Seriam seu pecado original.

Em 1960 a psicologia preponderou e o gordo passou a ter um defeito de caráter, uma variante moral do pecado. Nada mais consequente que a partir daí só a penitência seria o castigo mais adequado. “Irás agora contar calorias com o suor do seu rosto”, poderíamos parodiar. E o gordo sonha com comida assim como sonhamos eroticamente quando estamos em abstinência sexual. O gordo e o padre celibatário devem se penitenciar mas o sonhador erótico não. A psicologia e a religião se unem na teoria sobre como controlar o comportamento “desviante”.

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