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Don’t panic

O sábio ignorante: um inseto?

Sempre me intrigou o ar sapiente dos especialistas em áreas que não são de sua especialidade ou não estão sob o seu crivo de investigação. Nessas áreas são obrigados a ter o raciocínio de um generalista mas insistem nos seus hábitos de boca entortada pelo cachimbo da especialização. São como um urso peludo e super adaptado ao frio que perde a corrida pela sobrevivência para os “menos adaptados” ursos com pelame menos avantajados que, numa mudança climática que aqueça o ambiente, conseguem melhores desempenhos.

Segundo o Heinlein aí embaixo parece que o especialista é um “inseto”. No entanto eles são muito valorizados desde épocas recentes. Nas conversas em geral as vezes o especialista quer dominar mas desclassifica rapidamente o interlocutor caso componentes estranhos à sua estreiteza de pensamento de “inseto” venham à baila. É sabido que o diálogo sobre as experiências de vida tem mais valor que o perene matraquear daquele que diz “eu sei” e que apenas “sabe” um saber de segunda mão. Que se esquece da pequenez do seu conhecimento parcelar e incompleto que só tem sentido em tarefas específicas e dentro de um corpo mais amplo do conhecimento. Afora isto, nas conversas estaparfúdias que empreende, é troçado pelas costas como um jocoso pedante de carteirinha.

A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects. (Robert Heinlein)

One final remark. Some have argued that the way to achieve intelligent behavior is through specialization. That may work so long as the assumptions one makes in building such systems are true. For general intelligence, however, general intellectual capabilities are needed, and such systems should be capable of performing well in a wide variety of tasks. To paraphrase the words of Robert Heinlein … Those of us who are more interested in artificial intelligence than artificial insects agree with Heinlein (Comment in General Game Playing)
Ortega Y Gasset já tinha abordado o tema do especialista, chamado por ele de “o sábio ignorante”, em A rebelião das massas:

Seria de grande interesse, e maior utilidade que a aparente à primeira vista, fazer uma história das ciências físicas e biológicas, mostrando o processo de crescente especialização no trabalho dos investigadores. Isso faria ver como, geração após geração, o homem de ciência tem sido constrangido, encerrado num campo de ocupação intelectual cada vez mais estreito. Mas não é isto o importante que essa história nos ensinaria, mas justamente o inverso: como em cada geração o científico, por ter de reduzir sua órbita de trabalho, ia progressivamente perdendo contato com as demais partes da ciência, com uma interpretação integral do universo, que é o único merecedor dos nomes de ciência, cultura, civilização européia.

A especialização começa, precisamente, num tempo que chama homem civilizado ao homem “enciclopédico”. O século XIX inicia seus destinos sob a direção de criaturas que vivem enciclopedicamente, embora sua produção tenha já um caráter de especialismo. Na geração seguinte, a equação se deslocou, e a especialidade começa a desalojar dentro de cada homem de ciência a cultura integral. Quando em 1890 uma terceira geração assume o comando intelectual da Europa, encontramo-nos com um tipo de científico sem exemplo na história. É um homem que, de tudo quanto há de saber para ser um personagem discreto, conhece apenas determinada ciência, e ainda dessa ciência só conhece bem a pequena porção em que ele é ativo investigador. Chega a proclamar como uma virtude o não tomar conhecimento de quanto fique fora da estreita paisagem que especialmente cultiva, e denomina diletantismo a curiosidade pelo conjunto do saber.

O caso é que, fechado na estreiteza de seu campo visual, consegue, com efeito, descobrir novos fatos e fazer avançar sua ciência, que ele apenas conhece, e com ela a enciclopédia do pensamento, que conscienciosamente desconhece. Como foi e é possível coisa semelhante? Porque convém repisar a extravagância deste fato inegável: a ciência experimental progrediu em boa parte mercê do trabalho de homens fabulosamente medíocres, e menos que medíocres. Quer dizer, que a ciência moderna, raiz e símbolo da civilização atual, deu guarida dentro de si ao homem intelectualmente médio e lhe permite operar com bom êxito. A razão disso está no que é, ao mesmo tempo, vantagem maior e perigo máximo da ciência nova e de toda civilização que esta dirige e representa: a mecanização. Uma boa parte das coisas que é preciso fazer em física e em biologia é faina mecânica de pensamento que pode ser executada por qualquer pessoa. Para os efeitos de inúmeras investigações é possível dividir a ciência em pequenos segmentos, encerrar-se em um e desinteressar-se dos demais. A firmeza e exatidão dos métodos permitem esta transitória e prática desarticulação do saber. Trabalha-se com um desses métodos como com uma máquina, e nem sequer é forçoso para obter abundantes resultados possuir idéias rigorosas sobre o sentido e fundamento deles. Assim a maior parte dos científicos propelem o progresso geral da ciência encerrados num nicho de seu laboratório, como a abelha no seu alvéolo

Por isso cria uma casta de homens sobremodo estranhos. O investigador que descobriu um novo fato da Natureza tem por força de sentir uma impressão de domínio e de segurança em sua pessoa. Com certa aparente justiça se considerará como “um homem que sabe”. E, com efeito, nele se dá um pedaço de algo que, junto com outros pedaços não existentes nele, constituem verdadeiramente o saber. Esta é a situação íntima do especialista, que nos primeiros anos deste século chegou à sua mais frenética exageração. O especialista “sabe” muito bem seu mínimo rincão de universo; mas ignora basicamente todo o resto.

 Eis aqui um precioso exemplar deste estranho homem novo que eu tentei, por uma e outra de suas vertentes e aspectos, definir. Eu disse que era uma configuração humana sem igual em toda a história. O especialista serve-nos para concretizar energicamente a espécie e fazendo ver todo o radicalismo de sua novidade. Porque outrora os homens podiam dividir-se, simplesmente, em sábios e ignorantes, em mais ou menos sábios e mais ou menos ignorantes. Mas o especialista não pode ser submetido a nenhuma destas duas categorias. Não é um sábio, porque ignora formalmente o que não entra na sua especialidade; mas tampouco é um ignorante, porque é “um homem de ciência” e conhece muito bem sua porciúncula de universo. Devemos dizer que é um sábio ignorante, coisa sobremodo grave, pois significa que é um senhor que se comportará em todas as questões que ignora, não como um ignorante, mas com toda a petulância de quem na sua questão especial é um sábio.

E, com efeito, este é o comportamento do especialista. Em política, em arte, nos usos sociais, nas outras ciências tomará posições de primitivo, e ignorantíssimo; mas as tomará com energia e suficiência, sem admitir – e isto é o paradoxal – especialistas dessas coisas. Ao especializá-lo a civilização o tornou hermético e satisfeito dentro de sua limitação; mas essa mesma sensação íntima de domínio e valia o levará a querer predominar fora de sua especialidade. E a conseqüência é que, ainda neste caso, que representa um maximum de homem qualificado – especialismo – e, portanto, o mais oposto ao homem-massa, o resultado é que se comportará sem qualificação e como homem-massa em quase todas as esferas da vida.

Map Reduce no CouchDB

Table x Document

O CouchDB trabalha com documentos. Os documentos são expressos em JSON. Cada linha de uma tabela num banco relacional corresponderia a um documento.   table vs document Uma maior flexibilidade é possível em relação ao esquema relacional. Um documento pode possuir uma propriedade com um valor enquanto que outro documento “similar” nem a menciona. table vs document - null   Um campo multi-valorado exige duas tabelas no banco relacional mas os documentos flexivelmente acomodam os valores num array. table vs document - join

Views

No CouchDB uma view é usada para implementar queries e relatórios. As views são as principais ferramentas para estruturar e extrair informações do banco de dados. Para construir uma view definimos duas funções em Javascript, uma para mapping e outra para reduce. temporary-view As views criam árvores B quando o CouchDB percorre todos os documentos do banco de dados aplicando as funções da view a cada documento. As funções associadas à view executam uma única e primeira vez para criar a árvore B.

É análogo a criar um índice num banco de dados relacional. Nas próximas vezes em que a view for usada numa query os resultados são obtidos da árvore previamente construída. Soam como uma memoization sofisticada.

Quando um documento é criado, destruido ou alterado no banco de dados as funções da view são aplicadas individualmente ao documento e o resultado inserido na árvore ou, no caso de um documento removido, o resultado é removido da árvore. A árvore mantém uma referência aos documentos usados para criar os seus nós.

Na Map Function a chamada da função emit no seu corpo cria uma entrada na árvore B que representa a view. O primeiro parâmetro de emit é a chave (key) e o segundo o valor (value). As funções de mapping e de reduce em conjunto criam os resultados que são inseridos na árvore. A função de reduce às vezes é omitida. Quando incluida faz uma agregação dos dados.

Map Reduce

Vamos implementar no CouchDB, de forma muito simplificada, uma versão do exemplo clássico da técnica map reduce: contar as palavras repetidas em um texto. O texto usado é o seguinte:

CouchDB is a database that completely embraces the web. Store your data with JSON documents. Access your documents and query your indexes with your web browser, via HTTP. Index, combine, and transform your documents with JavaScript. CouchDB works well with modern web and mobile apps. You can even serve web apps directly out of CouchDB. And you can distribute your data, or your apps, efficiently using CouchDB’s incremental replication. CouchDB supports master-master setups with automatic conflict detection.

Colocamos o texto em um arquivo words.json com o seguinte conteúdo:

{"words" : "CouchDB is a database that completely embraces the web. Store your data with JSON documents. Access your documents and query your indexes with your web browser, via HTTP. Index, combine, and transform your documents with JavaScript. CouchDB works well with modern web and mobile apps. You can even serve web apps directly out of CouchDB. And you can distribute your data, or your apps, efficiently using CouchDB’s incremental replication. CouchDB supports master-master setups with automatic conflict detection."}

Criamos o banco de dados wordcount com o curl:

curl -X PUT http://127.0.0.1:5984/wordcount

Alternativamente podemos criar o banco de dados diretamente na interface Futon. Criamos o documento com:

curl -H "Content-Type:application/json" -X POST http://127.0.0.1:5984/wordcount -d @words.json

Alternativamente podemos criar o documentos diretamente na interface Futon colando os dados.

A partir deste ponto usaremos somente a interface Futon para desenvolver uma view. Vamos testar o seguinte código como uma temporary view:

function(doc) {
  var words = doc.words;
  var array = words.split(" ");
  for (var k = 0; k < array.length; k++) {
    var word = array[k];
    emit(word, 1);
  }
}

O script acima gera uma lista key/value para cada palavra: wordcount-map   Vamos incluir a função reduce:


function(keys, values) {
  return sum(values);
}

wordcount-reduce-function   Para ver melhor o que está acontecendo vamos alterar a reduce function para:

function(keys, values) {
  return values;
}

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