Patriot Act Tabajara ou Precisamos falar sobre o Duplo Expresso

Em um comentário (Veja reprodução parcial abaixo) no Duplo Expresso no artigo Urgente: AI-5 digital avança. Cadê a “oposição”? – Duplo Expresso de Domingo 4/ago/2019 expressei a ideia de partir para uma militância por parte dos expressonautas.

Eu acho bem produtivo que os expressonautas sejam os olhos e os ouvidos do Duplo Expresso. Também que ultrapassem o ativismo em favor de uma militância que intervenha nas discussões em outros sites para chamar a atenção sobre alguns temas que podem estar sendo ignorados, de boa fé ou não. Não importa. O efeito é o mesmo se o tema for importante. E não deve ser feito num espírito de puro antagonismo mesmo que uma união espúria da esquerda para se auto-blindar seja uma coisa execrável, isto sim a ser combatido. […]

Tal militância está ocorrendo intensamente em relação ao tema do Patriot Act Tabajara. Não sabemos se inspirado ou influenciado pelo meu comentário citado acima. Não importa. Podemos hoje fazer uma pesquisa pelo termo Patriot Act Tabajara e encontrar muitas citações. Uma vitória da militância dos expressonautas do Duplo Expresso em sintonia com as denúncias do Duplo Expresso.

Por mais que pensemos que o assunto pode perder importância no mar de descalabros que estão sendo arquitetados para retirar direitos e proteções da população numa refundação do regime junto com entreguismo econômico há nele uma ênfase estrutural que vai facilitar tremendamente a instauração de um estado policial. Esse estado policial vai ser um obstáculo importante aos movimentos insurrecionais necessários à recuperação e anulação dos arbítrios a ponto de os tornar praticamente impossíveis fazendo com que a normalização do novo status quo seja muito facilitada.

Este assunto do Patriot Act Tabajara tem sido tão negligenciado e escamoteado pela nossa exquerda de extração preponderantemente pequeno burguesa tanto no aspecto de propaganda nos sites de jornalismo na Web, que buscam ignorar as contribuições do Duplo Expresso não o citando mesmo quando reproduz suas conclusões, e na atividade parlamentar que não combate as medidas legisladoras do estado policial em gestação, chegando a se omitir nas manobras possíveis de obstrução e denúncia nos púlpitos do Congresso.

Precisou que Pepe Escobar publicasse um artigo no Asian Times para que alguns sites reticentes não tivessem outra saída a não ser começar a falar do assunto. Veja abaixo nossa tradução livre do artigo citado:

Lula liberado para a maior luta de sua vida

Melhor não mexer com o ex-presidente brasileiro; Putin e Xi são seus verdadeiros principais aliados na Esquerda Global.

Ele voltou. Com um estrondo.

Apenas dois dias após sua libertação de uma prisão federal em Curitiba, sul do Brasil, após uma estreita decisão 6 × 5 do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva proferiu um discurso ardente de 45 minutos na frente dos Metalúrgicos O sindicato em São Bernardo, fora de São Paulo, e com base em seu capital político incomparável, chamou todos os brasileiros a encenar nada menos que uma revolução social.

Quando meus colegas Mauro Lopes, Paulo Leite e eu entrevistamos Lula na prisão federal, era o seu dia 502 em uma cela. Em agosto, era impossível prever que o lançamento ocorresse no dia 580, no início de novembro.

Seu primeiro discurso à nação após a saga da prisão – que está longe de terminar – nunca poderia ser solene; de fato, ele prometeu um endereçamento mais detalhado para o futuro próximo. O que ele fez, em seu estilo coloquial, sua marca registrada, foi ir imediatamente para a ofensiva, desfiando uma longa lista de todos os inimigos possíveis: aqueles que envolveram o Brasil em uma “agenda antipopular”. Em termos de uma versão totalmente improvisada, o discurso político apaixonado, esse já é um material antológico.

Lula detalhou as atuais “péssimas condições” para os trabalhadores brasileiros. 
Ele destroçou o programa econômico – basicamente uma destruição monstruosa – do ministro das Finanças, Paulo Guedes, um garoto de Chicago boy e Pinochetista que está aplicando as mesmas prescrições neoliberais incondicionais que agora são denunciadas e desprezadas todos os dias nas ruas do Chile.

Ele detalhou como a direita brasileira apostou abertamente no neofascismo, que é a forma que o neoliberalismo assumiu recentemente no Brasil.  Ele criticou a grande mídia, na forma do império da Globo até agora todo-poderoso e ultra-reacionário.  Em uma postura de gênio semiótico, Lula apontou o helicóptero da Globo pairando sobre as massas reunidas para o discurso, o que implica que a organização é covarde demais para se aproximar dele no nível do solo.

E, significativamente, ele entrou no coração da questão de Bolsonaro: as milícias. 
Não é segredo para os brasileiros informados que o clã Bolsonaro, com suas origens no Veneto, está se comportando como uma espécie de cópia barata, bruta e escatológica dos Sopranos, executando um sistema pesado de milícias e apoiado pelos militares brasileiros.  Lula descreveu o presidente de uma das principais nações do Sul Global como nada menos que um líder da milícia. Isso está ocorrendo em todo o mundo.

É demasiado para o “paz e amor de Lula”, que costumava ser um de seus lemas queridos. Não há mais conciliação. Bolsonaro agora precisa enfrentar uma oposição real, feroz e sólida, e não pode mais fugir do debate público.

A jornada de Lula na prisão foi uma experiência libertadora extraordinária – transformar um estadista previamente ferido em um guerreiro destemido, misturando o Tao com o Steppenwolf (como esboçado no livro de Herman Hesse). 
Ele é livre como nunca esteve antes – e disse isso explicitamente. A questão é como ele será capaz de reunir o trabalho organizacional, o método – e terá tempo suficiente para mudar as terríveis condições da oposição democrática no Brasil. Todo o Sul Global está observando.

Pelo menos agora a sorte está lançada – e claro: é a social-democracia contra o neofascismo. Programas socialmente inclusivos, sociedade civil envolvida na definição de políticas públicas, luta pela igualdade versus autocracia, instituições estatais ligadas a milícias, racismo e ódio contra todas as minorias. Bernie Sanders e Jeremy Corbyn, para seu crédito, ofereceram a Lula seu apoio incondicional. Por outro lado, Steve Bannon está perdendo o sono, qualificando Lula como “o garoto propaganda da esquerda globalista” em todo o mundo.

Tudo isso vai muito além do populismo de esquerda – como Slavoj Zizek e Chantal Mouffe, entre outros, tentam conceituá-lo. Lula, assumindo que continua livre, agora está pronto para ser o catalisador supremo de uma New Left Global integrada, progressista e “pró-pessoas”.

Evangelistão da cocaína

Agora, os pedaços realmente desagradáveis.

Vi o discurso de Lula no meio da noite, na neve, invadindo Nur-Sultan, capital do Cazaquistão, no coração das estepes, uma terra invadida pelos maiores impérios nômades da história. A tentação era imaginar Lula como um leopardo-das-neves destemido, percorrendo as estepes devastadas das terras áridas urbanas.

No entanto, os leopardos da neve, crucialmente, são uma espécie ameaçada de extinção.

Após o discurso, tive conversas sérias com os dois principais interlocutores, o analista Romulus Maya, de Berna, e o antropólogo Piero Leirner, uma autoridade especialista nas forças armadas brasileiras. A imagem que eles pintaram era realisticamente sombria. Aqui está, em poucas palavras.

Quando visitei Brasília em agosto passado, várias fontes informadas confirmaram que a maioria do Supremo Tribunal Federal é comprada e paga. Afinal, eles de fato legitimaram todos os absurdos que vêm ocorrendo no Brasil desde 2014. Os absurdos eram parte de um golpe de guerra híbrido, hiper-complexo, em câmera lenta, que, sob o manto de uma investigação de corrupção, levou a o desmantelamento das indústrias nacionais campeãs como a Petrobras;  o impeachment da presidente Dilma Rousseff por acusações espúrias; e a prisão de Lula, obra do juiz, júri e carrasco Sergio Moro, agora ministro da Justiça de Bolsonaro, completamente desmascarado pelas revelações do The Intercept.

Os militares brasileiros estão em todo o Supremo Tribunal Federal. Lembre-se, a libertação de Lula aconteceu após uma pontuação estreita de 6 a 5. Legalmente, era impossível mantê-lo na prisão: a Suprema Corte se preocupou em ler a Constituição Brasileira.

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