Reconhecimento facial e vigilância

Convertido do comentário no DE em 4/10/2019.

Vemos que a Google deseja melhorar o reconhecimento facial de negros.

Como sabemos, uma das grandes novidades da família Pixel 4 será a sua tecnologia de reconhecimento facial. Por isso, o Google decidiu contratar uma empresa terceirizada para percorrer as ruas dos Estados Unidos em busca de voluntários que aceitassem vender seus dados faciais. A ideia central é melhorar a identificação de pessoas negras, mas o “New York Daily News” revelou nesta semana que a Randstad, empresa contratada pelo Google, pode ter executado a tarefa de forma antiética.

Outro artigo informa que o reconhecimento facial de negros é mais impreciso.

Joana Aron, diretora executiva da organização da sociedade civil Coding Rights, citou estudo feito na Inglaterra pela organização Big Brother Watch, que mostrou até 98% de falsos positivos. Segundo ela, outro estudo da Massachusetts Institute of Technology (MIT) mostra que as respostas do sistema são mais acuradas com homens brancos, havendo mais falsos positivos no caso de homens negros e mais ainda de mulheres negras. Ela defende cautela com as pressões do mercado para adoção da tecnologia no Brasil e alertou que até mesmo a empresa Google prefere não vender a tecnologia por enquanto por conta da alta taxa de erros.

Basta ligar os pontinhos para ver que há um grande interesse no mercado de reconhecimento facial pelas grandes empresas da Internet que vão vender mais uma informação para rotular a população para fins comerciais, de Estado, políticos e criminosos.

O Big Brother de Orwell está em grande ascensão e só nos livraremos dele se nos internarmos numa caverna onde nem mesmo os satélites nos consigam fotografar. Os criminosos já andam de boné para se livrar das câmeras que vigiam do alto. Mas os celulares ao rés-do-chão podem ser uma rede coletando imagens difícil de se livrar. Ir para a caverna não é uma opção. Um abandono da tecnologia também não. A situação é muito difícil e aparentemente inexorável. Cito apenas o artigo Como ‘desaparecer’ na internet para se ter uma ideia de como é quase impossível não ser rastreado.

P.S.: A série futurista russa Better Than Us sobre robots, do Netflix, mostra de forma flagrante a tecnologia de reconhecimento facial como um personagem coadjuvante.

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