Brasil, 15 de maio de 2019

Mais de um milhão nas ruas contra Bolsonaro
Este post é baseado num comentário feito no DE de 15/5/2019.

No artigo Um pouco de Sociologia evitaria a falta de educação do governo Bolsonaro da Thais Moya ela diz:

Não sou fã de Bourdieu, sociólogo francês, mas reconheço que ele fez um ótimo trabalho quando teorizou sobre Educação. Foi com ele que entendi que a população trabalhadora não “surta” e se revolta contra a opressão capitalista devido ao ideário de que é possível melhorar de vida estudando. Ou seja, milhões de pessoas vivem de forma pacífica a exaustiva rotina de acordar de madrugada, pegar duas horas (ou mais) de trânsito, trabalhar oito horas, chegar em casa à noite, em troca de algo: um salário insuficiente para viver dignamente! Tudo porque possuem a confiança de que a formação escolar/universitária garante ascensão sócio-econômica e, sendo assim, ao menos, seus filhos e netos terão a chance de não ter a mesma “vida de merda” que eles. Esse ideário é um dispositivo fundamental para manter a coesão social dentro do sistema liberal, marcadamente dependente da crença no mérito. Portanto, por mais que o governo queira sucatear a educação pública para beneficiar interesses corporativos, é essencial que desenvolva seu plano (maquiavélico) por meio de uma narrativa que não abale, ou melhor, não apague a luz no fim do túnel chamado “educação”.

Thays Moya colocou bem que a educação é uma tábua de salvação para a população, e vista como a última, mesmo, e principalmente, quando as perspectivas de melhorar a vida estão muito reduzidas. O discurso meritocrático mostra sua contradição quando corta as verbas para se preparar para a disputa pelo mérito. O povo nota isto. E ao notá-lo está a um passo de perguntar “quem?” em vez de “o que?”.

E pode concluir que o problema não se restringe ao corte, mas quem corta.

Aqueles que não se enganam com o discurso do mérito sabem que o “mérito” a que aludem é metafísico. Algo que acham que o povo não tem. E que eles tem de sobra. Afinal são eles que peroram sobre o que é meritório ou não. E com isso querem tirar o ponto de partida da população, que é a educação. Eles, os “meritocráticos”, a terão porque poderão pagar. O povo será adestrado, simplesmente. Para lavar as “privadas” dos meritórios.

Mas “E daí? O rei mata os enxadristas mas não mata o xadrez. E eu digo isso porque a coisa aconteceu de verdade, e foi o que acabou de uma vez por todas com a Sétima Monarquia, a pior que já se viu por aqui. Felizmente não é do meu tempo, mas minha avó me contava. Perto daquele rei, o diabo era uma velha fritando peixe. (Giudice)”.

O povo do Brasil começa a jogar o seu “xadrez” nas ruas.

“Mas você sabe como é a juventude. O rapaz ensinou o jogo à namorada e ela passou o segredo a um primo. Uma noite, os três se reuniram no sótão, acenderam uma vela e disputaram um campeonatozinho de mentira. O primo da moça ganhou e a partir daí ficou viciado. Queria jogar todos os dias e todas as horas. Uma tarde, foi à igreja visitar o tio, o tal bispo que tinha sido rebaixado, e mostrou a ele o movimento das peças. O padre se apaixonou pelo xadrez e ensinou a um fiel. O fiel ensinou a outro. O outro ensinou à mulher, a mulher ensinou à criada, a criada ensinou ao operário, o operário ensinou ao colega, o colega ensinou à prostituta, a prostituta ensinou ao bêbado, o bêbado ensinou ao sóbrio, o sóbrio ensinou ao ladrão, o ladrão ensinou ao policial, o policial ensinou à amante, a amante ensinou ao artista, o artista ensinou ao médico, o médico ensinou ao doente, o doente ensinou ao morto, o morto ensinou ao verme, o verme ensinou à semente, a semente ensinou à terra, a terra ensinou ao vento e o vento ensinou à Cidade. (Giudice)”

E a “guarda” já descobriu! Foi quando “Um oficial da Guarda ouviu palavras estranhas numa discussão entre dois auxiliares, achou que era um código e foi consultar um marechal-de-campo. O velho ficou apoplético: Isto é xadrez! Os dois auxiliares foram presos e confessaram que a Cidade era o tabuleiro do povo. (Giudice)”

Os militares já avisaram ao Bolsonaro que ele meteu “os cascos” pela mãos quando chamou a população de “idiota”.

E finalmente “No dia seguinte, o povo inteiro jogava xadrez nos botequins, praças e bordéis, enquanto cantava em altas vozes: O céu da República será mais azul (Giudice).”

Nossa bandeira, que também tem o azul, agora se tinge de “vermelho” de Brasil. De braseiro. De sangue e vida. Só assim podemos a voltar a empunhá-la. E que o Brasil, lenda “irlandesa” e “lugar mitológico, mágico, sagrado, considerado a morada de fadas e divindades.” possa se tornar o resultado de suas riquezas usadas em favor da vida plena.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s