Otimismo apimentado

Passei minha juventude estudando como turista no Mackenzie, em São Paulo, onde eu tive dois colegas gêmeos. Um otimista e outro pessimista. Era natal e o pai deu aos dois presentes. Para o pessimista deu uma bicicletinha. Uma bicicleta linda, colorida, azul, vermelha, amarela. E pro otimista deu uma lata de esterco de cavalo.

Quando o pessimista acordou e viu a bicicleta diz: “Que droga! Não era nada disso! Eu queria ganhar uma bola de futebol. Fui ganhar logo uma bicicleta. E agora o que vai ser de mim? A minha namorada vai cair da bicicleta! Que desgraça! Que desgraça! Que desgraça!

Ao ver o otimista passar com uma lata na mão diz: “E você? O que ganhou!? O que ganhou!? O que ganhou!?”

“Eu ganhei um cavalo! Cê viu ele por aí!? Cê viu ele por aí!?

Juca Chaves

Rui Pimenta é um otimista. Os otimistas definirão o futuro, diz um otimista. Os pessimistas evitarão o futuro, diz o último bilhete de um pessimista.

Um otimismo infundado equivale a um pessimismo esclarecido? “No longo prazo, estaremos todos mortos” disse John Maynard Keynes.

Esta divisa keynesiana pode ser interpretada para explicar a política míope do capitalismo na economia. Os capitalistas atuam principalmente no curto prazo da obtenção de lucros a todo custo. Nisto são keynesianos. E nas crises que advirão certamente em decorrência dessa miopia amortizam a falta de planejamento no lombo da massa explorada. Aparentemente Keynes é pessimista. Mas pode ser visto como otimista pois os economistas formalistas e atrelados à sobrevivência do capitalismo sempre esperam que suas teorias remem a favor da estabilidade.

Na filosofia os incautos e que sofrem de miopia, não tem a arguta mente de uma toupeira que cava fundo, que ao lerem Nietzsche o tem como pessimista. Mas pessimista é o seu professor conceitual: Schopenhauer.

Rui PImenta escora seu otimismo provavelmente na sua aguçada capacidade de tomar o pulso da realidade nas suas análises. Análises que, em retrospectiva, soam como previsões sob gasosos eflúvios de uma pitonisa de Delfos. No seu último vídeo da série de análises que empreende às 11:30 nos sábados fez uma das suas análises contundentes sobre como os evangélicos são pastoreados em relação à política. Veja abaixo:

“Ele [Bolsonaro] tem o apoio eleitoral do das igrejas evangélicas. É importante como apoio eleitoral mas não é uma base
ativa.


Vocês podem podem ver que toda vez que são chamados atos para defender alguma coisa dos bolsonaristas os evangélicos nunca participam diretamente. Eles participam mais na época eleitoral.


Por que eles não participam? Porque essa base é uma base amorfa. Se você começar a politizar demais essa base, levar para as ruas, fazer manifestação, ela começa a se esfacelar.


A unidade disso está no fato de que eles estão relativamente isolados da política nacional e participam apenas no tempo das eleições.


Então os pastores evangélicos levam a turma para o culto, falam o que querem, sozinhos, misturam a política com a religião, disfarçam o negócio, fazem aquela política de auto-ajuda de que todo mundo vai se enriquecer com a ajuda de Deus e a coisa funciona. Mas se você pegar toda essa gente e colocar na rua isso daí começa a mudar rapidamente sob a influência da situação.


Isso sem falar aqui de que uma boa parte dos evangélicos aí é uma população de classe média baixa de trabalhadores que também são suscetíveis aos problemas que foram criados e estão sendo aumentados pela crise econômica.


Em particular são suscetíveis a rejeição geral a política do governo sobre a questão da previdência.


Então quer dizer que você não pode considerar todo esse setor evangélico como uma base de sustentação ativa do governo.”

Rui Pimenta

Essa análise resulta numa previsão de que os crentes estão sujeitos a um viés diretista quando mantidos no redil estreito das prédicas nas igrejas. Mas quando a realidade bate à porta, não para anunciar a boa nova, reune novos convertidos a uma percepção do engano “espiritual” a que estão submetidos. A realidade material, à porta, sussurra nos seus ouvidos: “Foram enganados”. Como uma revelação.

P.S.: E por falar em engano o vídeo Pequena homenagem a quem cravou 17 na urna é uma ótima lembrança para os desmemoriados.

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