“‘Fora Bolsonaro’ é uma bobagem”…quá quá quá

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maxresdefaultSe ele parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato.

Teste do pato

Transcrição da fala do Rui Pimenta [neles] no vídeo abaixo:

Há muitos e muitos casos de governo que simplesmente não conseguiram levar adiante essa política neoliberal e caíram.
Tudo bem. Nesse momento a situação não é a mais favorável para os setores da esquerda que governaram américa latina no período anterior.
Esses esses partidos de esquerda estão sendo reprimidos. Estão sendo esmagados pela direita. E a reação popular é uma reação popular até certo ponto limitada. Embora exista.
Nós vimos por exemplo na Argentina muita crise. Nós temos aí o caso da França, que não é um governo latino-americano mas é um governo neoliberal, que foi eleito através de uma manobra tão parecida com a do Bolsonaro. O governo está sendo muito questionado por mobilizações de rua dos chamado “coletes amarelos”.
No caso da Nicarágua, no caso da Venezuela e no caso da Bolívia a direita não conseguiu avançar nesses países para substituir os governos. Então nós temos que levar em consideração que há muitos fatores contraditórios.
Não é uma coisa que vai assim em linha reta para o sucesso do governo Bolsonaro. Isso daqui é muito importante porque é preciso definir uma política diante do governo Bolsonaro. Um dirigente do PT, essa semana, deu uma entrevista na
Veja, o famoso caso das entrevistas da Veja, a gente tem que fazer uma observação sobre isso daí. Quando a Dilma foi derrubada já quase que imediatamente apareceu uma entrevista na Veja do senador do PT Humberto Costa e aí ele lançou a famosa palavra de ordem “é preciso virar a página do golpe”.
Bom, essa semana a Veja publicou uma entrevista de menor destaque, mas bastante destaque, cujo título é o seguinte: ”’Fora Bolsonaro’ é uma bobagem, diz Presidente do PT Fluminense”. O que ele quer dizer com a idéia de que ‘Fora Bolsonaro’ é uma bobagem. Ele quer dizer que “é preciso virar a página do Bolsonaro também. Da oposição ao Bolsonaro. De que o bolsonaro é fascista. De que o Bolsonaro é a barbárie. Que Bolsonaro é o apocalipse. É o fim do mundo etc e tal”. Ou seja, vamos virar também essa página.
Então nós temos aí a política que é justificada por uma caracterização totalmente incorreta. “Bolsonaro é forte. Bolsonaro ganha as eleições. O Bolsonaro vai fazer e acontecer. Vai dar certo o governo dele etc etc etc”. Dá pra perceber que os setores mais oportunistas da esquerda, como é o caso do Haddad,  do Presidente do PT do Rio de Janeiro, eles estão se preparando para viver de comum acordo com o governo Bolsonaro.
Os outros partidos que se dizem de oposição e falaram que “Ele não!”, Bolsonaro não sei o que, já  fizeram as pazes com o governo já faz tempo. Ciro Gomes, PSB, PC do B, esses partidos já estão todos organizados aí para uma política de entendimento. Para ser uma espécie de oposição consentida, domesticada, no marco do governo Bolsonaro. O que significa concretamente que eles vão simplesmente aceitar o desenvolvimento do governo Bolsonaro. Não vão fazer nenhuma oposição real contra esse governo. Vão aceitar o que está aí. Essa é uma questão fundamental no que diz respeito em geral ao problema do governo.

“Veja” abaixo a entrevista:

“‘Fora Bolsonaro’ é uma bobagem”, diz presidente do PT fluminense

Washington Quaquá critica postura do partido em relação ao futuro governo e diz que é hora de reconhecer e pedir desculpas pelos erros

Quaquá, como a maioria dos petistas, nunca usa a palavra corrupção para definir o crime que levou o PT ao inferno. O que a Lava Jato descobriu — um esquema que desviou dos cofres públicos algo que pode chegar a 42 bilhões de reais — é simplificado pelo dirigente como um mero caso de caixa 2. E, nesse quesito, não há inocentes. Há outros dois pontos do documento que devem provocar muita controvérsia dentro do partido. O dirigente fluminense defende que o PT mude a orientação em relação ao governo de Jair Bolsonaro. Ao contrário de fazer oposição sistemática, o partido deveria fazer uma “oposição democrática da defesa de direitos”. E para pacificar o país, segundo ele, os políticos deveriam buscar uma alternativa negociada que permitisse a libertação do ex-presidente Lula e seu exílio no exterior. Na terça-feira 27,  Quaquá, que se elegeu deputado federal, soube que não assumirá o mandato. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que ele era inelegível, depois de ser condenado pela Justiça por improbidade administrativa. Eis os principais trechos da entrevista.

O senhor decidiu afrontar a direção nacional do PT, que é contra qualquer tipo de autocrítica?  Somos um partido popular, não podemos nos isolar e eu tenho o direito de discordar. Desde o governo Dilma, resolvemos restringir as alianças e deixamos de fazer interlocução com as forças concretas da sociedade, como militares, judiciário, empresários e religiosos. A verdade é libertadora e é um valor essencial para a esquerda e para o cristianismo. O PT errou e muito e tem que fazer as autocríticas publicamente.

E quais foram esses erros? A Dilma foi um erro. Escolher uma pessoa que nunca fez política eleitoral foi um erro. Foi um erro do Lula. As pessoas erram. E ele errou. A reeleição dela foi um erro muito maior. Dilma forçou a barra. Havia um movimento para que Lula voltasse. O próprio Lula, num determinado momento, ficou ali esperando o gesto de Dilma, até o instante em que ela foi categórica ao dizer que seria candidata. E esse erro foi mortal.

A culpa pela derrocada do PT então foi toda da ex-presidente Dilma? Ela e os erros dela. Nós começamos a ser derrotados na medida em que a Dilma abandonou a nossa política de alianças e decidiu restringi-la à esquerda, maltratando a base de centro, que foi o motivo da eleição de Lula. Ela tem um espírito autoritário — e era incompetente, fez políticas muito regressivas e não precisava.

E os escândalos de corrupção não entram nessa autocrítica? Não tenho problema em admitir que entramos no financiamento privado. Era o que tinha, era o válido no sistema e nós disputamos eleições dentro do sistema. O que houve foi caixa 2. Era a assim o financiamento eleitoral no Brasil, mas só o PT pagou por isso. O mensalão sempre existiu. É o que, agora, está ocorrendo no governo Bolsonaro — troca de cargos por apoio parlamentar.

O mensalão e a Lava Jato flagraram petistas em crime de corrupção, não apenas de caixa 2. Repito: houve, sim, caixa 2 para financiar partidos. Sobre a Lava Jato, a sociedade brasileira parece esquizofrênica. Pode até ter havido corrupção em alguns casos. Mas houve muito linchamento público e condenação sem provas.

O mea-culpa incluiu a defesa da inocência do ex-presidente Lula? Ele é uma pessoa de 76 anos que quer provar sua inocência. Defendo que se vá ao Congresso Nacional, que se negocie com o Supremo, com as forças da economia, da política. Precisamos fazer a recomposição da democracia no Brasil. E não há recomposição com Lula preso sem prova. É preciso negociar, talvez, um exílio no exterior. Antes da condenação, vários companheiros sugeriram que ele pedisse asilo em outro país. Ele nunca aceitou.

Qual é o futuro do PT? A eleição não foi esse desastre que muitos dizem. Nós temos o maior líder popular da história do Brasil. Mas, agora, criamos uma segunda figura, que não é do tamanho do Lula, mas representa a nossa luta política que é o Fernando Haddad. A grande vitória foi a consolidação do Haddad como liderança nacional. Ele saiu como o grande fruto do lulismo.

O TSE anulou sua eleição por causa de um processo de improbidade administrativa. O senhor é corrupto? De forma alguma. Eu não tive enriquecimento ilícito. Fui condenado única e exclusivamente por ter dado gratificação salarial a servidores públicos que trabalhavam. Depois dessa condenação, não tenho pretensões políticas e não preciso puxar saco de ninguém, por isso, falo o que penso.

Como o senhor acha que o PT deve se comportar diante do governo Bolsonaro? O PT tem de assumir como luta a democracia liberal, os preceitos do liberalismo e a defesa dos direitos fundamentais. Temos que fazer uma mea-culpa de nossa história de gritar “fora seja-lá-quem-for” e pedir impeachment de presidentes. Nós temos que deixar Jair Bolsonaro governar até o fim. Não podemos mais ser sócios de impeachment neste país. Gritar “Fora Bolsonaro” é uma bobagem.

Essas críticas que o senhor faz ao partido, ao que parece, não encontram eco na direção nacional. A Gleisi é um grande quadro político, conduziu bem o PT no período de luta contra o golpe, mas a vida segue e quem tem que fazer isso agora é o Haddad [Grifo e comentário nosso: Pensamento único da ala direita do PT?]. Quem saiu da urna legitimado para ser o interlocutor do PT é o Fernando Haddad.

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