O macaco gritador

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Conheci uma história sobre um experimento com dois macacos presos em jaulas sofrendo choques elétricos que não consegui localizar na Internet na versão que me lembro.

A história, como me lembro, é a seguinte:

Cientistas fizeram um experimento com dois macacos encerrados em duas jaulas separadas mas próximas o suficiente para que cada macaco pudesse observar o outro.

Na primeira fase do experimento as duas jaulas eram iguais. Cada uma tinha um piso que podia dar choques em cada macaco. E cada jaula também tinha um botão que podia parar imediatamente os choques.

Os macacos rapidamente aprenderam a usar o botão que interrompia os choques.

Na segunda fase foi retirado o botão de uma das jaulas e da outra foi removido o piso que dava choques, mantendo-se nela o botão. E o botão passou a controlar os choques na outra jaula, podendo interrompê-los. E quando os choques ocorriam na jaula sem o botão o macaco que lá estava rapidamente aprendeu a gritar insistentemente para instar o outro macaco que tinha um botão em sua jaula a pressioná-lo e interromper os choques.

Depois de um certo tempo passado em meio a repetidos choques um dos macacos morreu de infarto e o experimento foi interrompido. Qual deles morreu?

No texto, ao que me lembro, a resposta à pergunta acima era que o macaco que tinha o botão em sua jaula, e que não tomava os choques, é que sofreu a morte prematura.

Alguns acham que o que tomava os choques é que teria morrido. O raciocínio é que o stress causado pelos choques repetidos o teriam matado.

Mas esquecem o stress a que também estava submetido o macaco que tinha que apertar o botão por causa dos gritos insistentes do outro macaco.

Dessa forma o experimento mostraria que o stress sobre o macaco que tinha que atender ao macaco gritador era bem mais intenso.

Essa história pode servir de paradigma para várias situações “fora da jaula”, embora numa jaula conceitual e envolvendo os “macacos sem rabo” que somos.

Numa situação em que alguém sempre pressiona o outro a resolver seus próprios problemas como se houvesse um “grade” separando os envolvidos, de forma que um é convencido que é o responsável por resolver os problemas, o “macaco gritador”, provavelmente, é o menos afetado.

A grade conceitual ou virtual pode ser “o macaco gritador” alegar  falsamente uma impossibilidade própria de resolver a situação, que pode ser resultado de uma má vontade implícita ou de processos inconscientes que moldaram o seu caráter.

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