Sininho

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A imprensa inventou que Sininho era líder dos Black Blocs. Uma falácia. Acreditar nisso é o mesmo que introduzir o terceiro excluido na lógica do discurso. Ou Sininho é líder ou (exclusivo) é Black Bloc.

Mas parece que não é nem uma coisa nem outra. A esquerda honra a tradição de ojeriza aos anarquistas e se aliam à repressāo. Poderia ver criticamente que Sininho poderia ser um agente diversionista para desmontar o incômodo movimento de açāo direta, apenas uma tática debordiana. Do espetáculo. Expondo as entranhas fétidas do Estado. Se o Estado quer processar e condenar Sininho devemos nos regozijar? O Estado nāo está condenando Sininho e seu valor de face. Está usando um ‘boneco de palha’ que construiu para poder lidar com os movimentos sociais de forma repressiva. Discordar da ação direta dos Black Blocs não é o mesmo que execrar Sininho. Por mais equivocada que fosse Sininho o que temos que defender é a sua humanidade diante do mesmo monstro repressor que no mundo todo quer abolir a política democrática, ou mesmo arremedos dela, por um novo zeitgeist, do partido justiceiro no ventre da instituição que usurpa o nome da deusa. Na pesquisa que fiz para escrever os posts sobre os Black Blocs Sininho é irrelevante. E agora parte da esquerda quer que “Que se fodam Sininho e os outros golpistas que destruíram a Democracia e o Estado de Direito“. A esquerda “institucional” odeia os Black Blocs talvez mais do que o Estado. Eles a incomodam porque se acham donas das ruas e eles mostram que há mais vida lá do que o que quer a vã filosofia de uma esquerda que perdeu o contato com a “voz rouca das ruas”, essa metáfora judiciária para ilustrar que um juiz não deveria julgar ao sabor da doxa. No extremo o judiciário agora faz ouvidos moucos para qualquer “rouquidāo” dos movimentos sociais, agora criminalizados. Rui Pimenta analisa as intervenções dos Black Blocs de forma mais equilibrada no vídeo abaixo:

Quando parei de ler os artigos do PHA escrevi:

Está difícil não acreditar que um “pedigree global” é que importa para decifrar uma camuflagem. Transformaria a frase “siga o dinheiro” para “siga o pedigree”. Como nos cães…

Conversa fiada

A interpretação mais realista diz que a direita soube transformar o desejo de uma política mais democrática e uma rejeição à atuação pífia da esquerda institucionalizada em uma rejeição mais geral da política. E usou o PT como emblema para demonizar a política, mas concretamente enterrando as conquistas da esquerda em geral.

Se a Sininho é simulacro plantado pelo sistema a sua não condenação pelo Estado pode ser uma confirmação da hipótese. Se ela foi um inocente útil sem uma virulência real que foi atribuída a ela a sua condenação é na verdade uma condenação do “vândalos e arruaceiros”, rótulo que precisa ser pespegado à esquerda e, principalmente, nos movimentos sociais. E principalmente no que houver de crítica independente não subordinada aos partidos da esquerda institucional transformada em mais um braço de controle e moderação das reivindicações democráticas, sempre adiadas pela realpolitik.

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