Dawn I em Aratu

Dawn I in Aratu

A regata Aratu-Maragogipe de 2017, dita RAM 2017, foi adiada para o dia 9 de setembro. Estávamos na Marina de Aratu com antecedência. A regata seria no sábado, dia 26 de agosto. Um acidente em Mar Grande com uma embarcação de passageiros causou grande  comoção na Bahia e o pesar geral levou ao adiamento pelos organizadores da regata.

Chegamos à marina no início da semana para alguns treinos. Tivemos a orientação valiosa de Luis Poesia, velejador de cruzeiro e skipper com vasta experiência e sabedoria bem-humorada. Inexplicavelmente ou estranhamente, como achou o Kan Chuh, durante os treinos o estai de proa foi visto balançando pelo Poesia lá na frente causando extremo nervosismo a todos. Poesia bradava que o mastro iria cair, muito preocupado. Relatou depois que já teve experiência com queda de mastro e encontramos  uma referência a isto no veleiro, net. Não teríamos muito o que contar do nosso cotidiano não fossem os imprevistos perigos a nos espreitar do recôndito do reino dos eventos silenciosos e discretos que afloram de repente se expressando como um pino solto e uma uma cupilha misteriosamente desaparecida.

Como Hermes é o eterno viajante, sempre na estrada entre o aquém e o além, ele é o deus do périplo, da viagem além do último horizonte, do existir como travessia contínua. Sob sua tutela, “viver é muito perigoso” (ROSA, 1970), porque se concebe prenhe de experiências, que conduzem o homem a atravessar o derradeiro limite do humano. Périplo, perigo, experiência são palavras que atuam dentro do mesmo campo semântico, porque constelam-se ao redor do radical per –:

De fato, perigoso e experiência têm o mesmo radical: per-. De per- se formou o verbo grego perao, que significa originariamente: atravessar, e o substantivo peras: limite. O viver é perigoso porque se dá como experiência (CASTRO, 2002, 67).

Fonte: O UNIVERSO ROSIANO DAS TERCEIRAS ESTÓRIAS(PARTE 1)

Mar fosforescente

Sob a orientação sábia do Poesia, e a minha estupefação, Mateus correu para baixar a vela grande e assim evitar uma pressão que derrubasse o cambaleante mastro. Optou por manter a genoa no lugar como uma espécie de substituta de “fortuna” do estai agora inoperante. Poesia não conseguiu me confiar o timão apesar de eu pedir com o intuito de liberá-lo para ajudar Mateus. Os cabos ociosos usados com o balão foram presos no proa para substituir o estai. Depois baixou-se a genoa e voltamos ao cais no motor. Fiquei imaginando o que aconteceria se o estai soltasse durante as nossas velejadas que fizemos pela manhã sem o Poesia. Ao chegar no cais e durante a atracação Mateus viu o improvável. O pino do estai de proa ameaçava ir para água a dois centímetros da borda da proa.

Depois que o Poesia terminou com a gente embarcou o Carlinhos, nascido numa canoa, que “tocou” o barco como um virtuosi dos violinos trimando para a máxima performance, principalmente na orça, sua especialidade. Ganhando sempre corremos em match race contra Kan Chuh, Rafael e Murillo Novaes num outro Skipper 6.5. Uma vez até a bóia número 2 na Baía de Todos os Santos e outra na Baía de Aratu. Depois fomos ao churrasco oferecido pelo Barreto. Nas conversas durante o churrasco Barreto falou de um minitransat de madeira que um francês queria vender mas não podia por causa de lei ou normas fiscalizadas pela Receita Federal.

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Uma curiosidade também foi sobre uma estratégia para enfrentar furacões: plantar barcos.

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Mateus, depois das velejadas, teve despertado o interesse pela literatura de vela que possuo. Tem lido pesadamente Navegar é Fácil, Nigel Calder e sobre nós, inclusive no Ashley.

 

Achamos também, perdidos na minha “vasta biblioteca” os livros “Vela e prancha para todos”, do Bob Bond, e “Cartilha de navegação”, de Luciene Strada.

[Atualização]

No kit da regata com instruções, camisas, adesivos etc veio também um livro do Belov.

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