O desaparecimento da política

O vídeo acima chamou minha atenção para o conceito do desaparecimento da política, segundo Baudrillard. Stoppa coloca que há um novo intermediário se interpondo entre o povo e seus representantes numa democracia formal como a nossa.

“Demonstra” que a imprensa convencional, sem tocar na questão da imprensa alternativa que viceja na Internet, é o intermediário. Com isto argumenta que este intermediário tem interesse no desaparecimento da política.

Na verdade não. A imprensa vem sendo vista como um partido de fato mesmo sem ser de jure. Sendo parte da política, desta forma, não quer que a política desapareça. Quer uma política de partido único não proletário. É clara a dedução de Stoppa de que este partido, não sendo proletário, se dirige ao capital. Ela própria, imprensa, fazendo parte do capital desde que seus donos fizeram o pacto com o mefistófeles da economia capitalista quando se tornaram grandes empreendimentos capitalistas.

O quarto poder comungando com os outros três num missa negra de contornos macabros. E o capital como títere da troika que é de quatro, como os três mosqueteiros.

O imbroglio do desaparecimento da política é como o crime perfeito de Baudrillard, onde a realidade é que desaparece.

Talvez um Baudrillard quase utópico fale no texto abaixo. Não apontando uma solução, que isso não era com ele. Mas propondo uma experimentação.

Houve, talvez, um momento em que foi possível estabelecer na mídia relações dialéticas entre o médium e a mensagem. Acabou. Impôs-se uma hegemonia que não é nem sequer política, pois o político também acaba por ser “curto-circuitado” pela mídia. Entrou na órbita da mídia. Quem aceita a lógica orbital, torna-se satélite. Claro. Aqueles que se recusam a desempenhar o papel de recondutores de informação, são excluídos ou, por conta própria, retiram-se do jogo. De certa maneira, é bom que a mídia exista e absorva tudo, pois isso, ao menos, cria uma situação radical na medida em que nada escapa ao controle e, se por acaso, alguém consegue inventar algo exterior a isso, então podemos ter certeza de que se trata de algo substancial.

Assim, defendo a experimentação radical, não do combate à mídia ou da tentativa de reduzir a sua influência ou de encontrar o seu bom uso, mas capaz de conduzi-la ao extremo, ao limite, permitindo-nos então vislumbrar um além, uma ultrapassagem desse ponto crítico. Caso seja possível…

Baudrillard

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