Niilismo

solidao

Se formos capazes de nos “eterno-retornarmos” — perdoem-me o barbarismo — evitaremos a fuga no devaneio e no ideal. Pois ao sonharmos com uma vida melhor, jogamos-nos na goela das paixões tristes — nostalgia, melancolia, ressentimento, ciúme –, vivemos por procuração, como Emma Bovary, vale dizer que não vivemos. Que cretinismo acreditar que, em outro lugar, com outra pessoa, sob outro céu, num outro regime político, em outra vida, com um nariz mais curto ou mais comprido, seria melhor…! Nietzsche só vê nesses “outros lugares” sintomas de uma grave doença: a incapacidade de aceitar a vida como ela é, isto é, tecida de alegria e sofrimento. Aceitar a vida é aceitar toda a vida.

Botul

Viviane Mosé, com sua verve incomparável, fala do niilismo a partir da posição 4:16 no vídeo abaixo e no início do seguinte (CAFÉ FILOSÓFICO – NIETZSCHE 05).

O livro O niilismo, de Franco Volpi, trata, de forma soberba, do tema.

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Cabe, porém, perguntar: Se é verdade que o nilismo começa quando cessa a vontade de nos auto-enganar, será possível, então, transformar a experiência dele em lição para nós, num poderoso convite à lucidez de pensamento e ao questionamento radical, num tempo em que os altares abandonados passam a se povoar de demônios?

Franco Volpi

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