Catch-22 e o escândalo “Temer-Aécio”

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O arquétipo do “Ardil 22” (Catch-22), como formulado por Heller, envolve o caso de John Yossarian, um bombardeiro da força aérea dos Estados Unidos, que deseja ser proibido de realizar combates aéreos. Para ser proibido, ele deve ser avaliado pelo médico de voo do esquadrão e ser declarado “inapto para voar”, o que seria um diagnóstico automático da insanidade de qualquer piloto que deseje voar, pois só uma pessoa insana aceitaria missões, devido ao perigo. Mas para conseguir o diagnóstico e evitar as missões, o piloto deve solicitar a avaliação, e esse ato provaria sua sanidade.

A lógica de “ardil 22” é: “qualquer um que queira fugir ao dever do combate não é realmente louco.”[2] Assim, pilotos que solicitam uma avaliação de sanidade mental são sãos e, logo, devem voar em combate. Ao mesmo tempo, se uma avaliação não é solicitada pelo piloto, ele nunca passará por uma e portanto, nunca será considerado insano, o que também resulta em dever voar em combate.

Wikipedia

A política nunca foi coisa para criança e nem para adultos infantilizados. Tão infantilizados que se igualam às crianças que botam para bater panelas, num flagrante desrespeito ao tempo de criança que elas deveriam ter direito. Estamos agora envoltos no dilema ou contradição do tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

O escândalo suscitado pela gravações da JBS provocou duas reações na mídia. A Globo, propondo a renúncia de Temer. O Estadão e afins rechaçando a renúncia.

Duas vertentes sem valor para dissolver o golpe.

A Globo aposta pesadamente no fascismo com o Judiciário apoiando veladamente o tipo fascista do “juiz acusador”, que acusa o indivíduo por seu espectro ideológico e não através das máximas do Estado de Direito: “só há crime se previsto na lei”, “do direito de defesa do acusado”, “da presunção de inocência” e “do ônus da prova pelo acusador”. Enfim, uma criminalização da política, típica do fascismo.

Do lado do Estadão uma solução política mantendo a corja no poder com mando do jogo. Mas que, apesar de política, não apresenta qualidades desejáveis por apoiar um governo flagrado com a mão na botija.

Nos bastidores a JBS, cliente da Globo e com relações intestinas com um Meirelles, possível indicação para proteger o núcleo economista do golpe, sincronizando com a prontidão da Globo em favor da renúncia. Um timing perfeito.

O outro lado contando com as medidas para barrar as investigações com a ajuda do governo tais como restringir orçamentos para asfixiar as diligências e processos afins.

Há uma terceira via? As diretas já, talvez. Se houver. As barreiras para uma mudança rápida que mude a legislação vão desembocar numa intensa batalha jurídica, por um lado, e na mobilização de um congresso altamente comprometido na sua lisura, por outro. Conta-se para isso, principalmente, com uma mobilização popular intensa que para ser contida em sua escalada assuste o suficiente o congresso para uma guinada “progressista”.

O cenário é vincado de muitas incertezas. Na minha opinião a aposta da Globo é a melhor, do ponto de vista dos golpistas. Conta com a apatia e anomia do povo que a mídia sabe tão bem incentivar e controlar.

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