A esposa de Gogol – Parte 3

Ver parte 1.

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Falando apenas de sua aparência normal: Caracas era o que chamamos de uma mulher atraente; ou seja, bem feita e proporcionada em cada parte. Como dissemos acima, ela tinha todos os pequenos atributos de seu sexo devidamente organizados nos lugares certos. Particularmente notável eram seus órgãos genitais (se o adjetivo é permitido neste contexto). Estes consistiam de uma série engenhosa de dobras de borracha. Nada foi esquecido e a operação de todas as partes era simples graças a uma série de vários dispositivos, como pela pressão interna do ar.

Caracas também tinha um esqueleto, ainda que um tanto rudimentar. Talvez tenha sido feito de osso de baleia. Havia sido dada atenção especial para a construção de sua caixa torácica, pelve e crânio. Os dois primeiros sistemas eram mais ou menos visíveis de acordo com a espessura da camada de gordura, se posso descrever assim, que os cobria. É uma grande pena, acrescento isto de passagem, que Gogol nunca me disse o nome do criador deste excelente trabalho. Havia uma teimosia e uma rejeição que nunca estiveram inteiramente claras para mim.

Nikolai Vasilyevich inflava sua esposa através do esfíncter com uma bomba de sua própria invenção, e não daquelas que são acionadas com dois pés e que são usadas hoje em todos os tipos de oficinas mecânicas. Localizada em seu ânus tinha uma pequena válvula unidirecional, ou qualquer que seja o termo correto para descrevê-la, como a válvula mitral do coração, que, uma vez que seu corpo estava inflado, permitia que mais ar entrasse, mas que nenhum saísse. Para esvaziá-la, se desatarrachava um bocal na sua boca, atrás da garganta.

E isso, eu acho, é uma descrição exaustiva das peculiaridades mais marcantes desse ser. A não ser que, talvez, devesse mencionar a esplêndida fileira de dentes brancos decorando a sua boca e seus olhos escuros que, apesar de sua imobilidade, simulavam perfeitamente a vida. Disse simular? Por todos os céus, simular não é a palavra! Nenhuma parece ser a palavra, quando alguém estava falando de Caracas. Mesmo aqueles olhos podiam mudar de cor, através de um processo especial a que, sendo longo e cansativo, Gogol raramente recorria. Finalmente, devemos falar de sua voz, que eu ouvi uma única vez. Mas eu não posso fazer isso sem aprofundar o relacionamento entre marido e mulher, e isso não serei mais capaz de responder verdadeiramente em tudo ou com certeza absoluta. Eu não poderia, em sã consciência; É tão confuso, o fato em si e as memórias do que agora tenho a dizer.

Aqui, então, como me ocorreram, estão algumas das minhas memórias.

Ver parte 4

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Uma resposta para “A esposa de Gogol – Parte 3

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