A esposa de Gogol – Parte 2

Ver parte 1.

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A “esposa” de Gogol era realmente uma boneca comum fina de borracha, nua o tempo todo, com uma pele levemente rosada. Mas como a pele de todas as mulheres não é da mesma cor, deveria esclarecer que, neste caso, era um pouco clara e suave como a de certas mulheres morenas. Isso, ou ela, era, desnecessário acrescentar, do sexo feminino. Devo dizer logo que ela foi capaz de um grande número de alterações em seus atributos sem, é claro, ser capaz de alterar o seu sexo. No entanto, às vezes, podia parecer magra, quase sem seios e quadris estreitos mais como um homem jovem do que uma mulher, e às vezes muito bem dotada ou – para não recorrer a eufemismos – gorda. Além disso, mudava a cor do cabelo tanto no cabelo da cabeça como em outras partes do corpo, apesar de não necessariamente ao mesmo tempo. Ela também parecia capaz de mudar outros detalhes, em particular. Desde a posição de seus sinais. A vitalidade das membranas mucosas, e assim por diante. Poderia até certo ponto mesmo mudar a cor da sua pele. Podemos sentir a necessidade de se perguntar quem era, ou se seria apropriado falar de uma única “pessoa” – e, de fato, veremos que não seria sensato insistir neste ponto.

A causa destas mudanças, como meus leitores já terão compreendido, era nada mais do que a vontade de Nikolai Vasilyevich. Ele a inflaria em diferentes graus, e trocaria as perucas e outras partes de cabelo, a lubrificaria com suas próprias pomadas, a moldaria de muitas maneiras, para obter mais ou menos o tipo de mulher que precisava naquele dia ou hora. Seguindo as inclinações naturais de seus gostos, inclusive às vezes ele se divertia produzindo formas monstruosas e grotescas; como poderá ser compreendido depois de ler-me, ela se tornava deformada quando inflada além de um certo ponto e quando ela estava sob alguma pressão.

Mas Gogol logo se cansou desses experimentos, dos quais dizia: “Não de todo muito respeitosos” para sua esposa, a quem ele amava ao seu próprio modo não importa que tão inescrutável nos pareça. A amava, mas quais de todas as suas encarnações, nos perguntamos, era a que amava? Já havia indicado que no final deste artigo tratarei de dar uma espécie de resposta. Então, como posso ter dito acima que era a vontade de Nikolai Vasilyevich que controlava esta mulher? Em certo sentido, sim, é verdade; mas é igualmente verdade que logo ela deixou de ser sua escrava e passou a ser sua tirana. E aqui reside o abismo, ou se preferir, as mandíbulas do Tártaro. Mas não nos precipitemos.

Eu disse que Gogol obtinha com suas manipulações mais ou menos o tipo de mulher que ele precisava de vez em quando. E devo acrescentar que, em raros casos, a forma que obtinha representava perfeitamente o que desejava, Nikolai Vasilyevich se enamorava desta forma “exclusivamente” como dizia em suas próprias palavras, e isso foi o suficiente para dizer “estável” por algum tempo, isto é, até que “deixara de amá-la.” Mas eu não contava mais de três ou quatro dessas paixões violentas – ou, como eu acho que se chamaria hoje em dia, vaidosas – na vida (ouso dizer “conjugal”? ) de um grande escritor. Seria conveniente acrescentar que alguns anos após do que se chamou seu casamento, Gogol inclusive tinha dado um nome a sua esposa. Era Caracas, que é, se não me engano, a capital da Venezuela. Eu nunca poderia descobrir a razão para esta escolha: As grandes mentes são tão caprichosa!

Ver parte 3

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