Black Blocs

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Como a imagem borrada da capa do livro do Francis Dupuis-Déri acima são vistos os black blocs através da lente da imprensa e de todos os seus detratores irritados principalmente pelo que não podem apreender.

Em outros posts (Ver a série começando no post A rebelião das massas, uma ironia com o título do livro de Ortega Y Gasset) abordei o assunto do ponto de vista dos protagonistas. Agora um livro com a paralaxe de um acadêmico. Abaixo fragmentos do livro:

Quem tem medo dos Black Blocs?

[…] Os Black Blocs são os melhores filósofos políticos da atualidade.

Nicolas Tavaglione

Segundo um mito muito difundido, só existiria um Black Bloc, uma única organização permanente com múltiplas ramificações internacionais. Na verdade, porém, o termo Black Blocs representa uma realidade mutável e efêmera.

A expressão designa uma forma específica de ação coletiva, uma tática que consiste em formar um bloco em m nome  movimento no qual as pessoas preservam seu anonimato, graças, em parte, às máscaras e roupas pretas.

O principal objetivo de um Black Bloc é indicar a presença de uma crítica radical ao sistema econômico e político.

Não existe uma organização social permanente que atenda pelo de Black Bloc ou que reivindique esse título, embora, em algumas ocasiões, as pessoas envolvidas em um Black Bloc publiquem um comunicado anônimo depois do protesto para explicar e justificar suas ações.

O Black Bloc não é um tratado de filosofia política, muito menos uma estratégia. É uma tática.

Uma tática não envolve uma revolução global. Isso, porém, não implica em renunciar à ação e ao pensamento políticos. Uma tática como a dos Black Blocs é uma forma de se comportar nos protestos de rua.

Um participante de um Black Bloc em Toronto, em 2010, afirmou:

“O Black Bloc não vai fazer a revolução. Seria ingênuo pensar que, por si só, o ataque seletivo contra a propriedade privada poderia mudar as coisas. Isto continua sendo propaganda”.

Para os ativistas, a importância política dessas ações é inequívoca. “Não é violência”, diz um. “É vandalismo contra corporações violentas. Não machucamos ninguém. São eles que machucam as pessoas.”

Quando um Black Bloc entra em ação, a resposta da mídia costuma seguir um padrão típico. Na mesma tarde ou na manhã seguinte, os editores, colunistas e repórteres falam mal dos arruaceiros dos Black Blocs, chamando-os de “vândalos”.

Quem diz o que sobre os Black Blocks?

A imagem pública dos Black Blocs foi distorcida pelo ódio e pelo desprezo que seus muitos críticos alimentam por eles: políticos, policiais, intelectuais de direita, jornalistas, acadêmicos e porta-vozes de diversas organizações progressistas institucionalizadas, assim como outros manifestantes que acham que eles colocam em risco pessoas que não estão preparadas para enfrentar a violência policial.

Esses detratores se unem para atacar os Black Blocks, ou qualquer manifestação que recorra à força física, retratando-os como pessoas sem convicções políticas cujo único objetivo ao participar de uma manifestação é satisfazer seus desejos de destruição.

O que é explicitamente negado aqui é o caráter político dessas ações diretas, que são relegadas para fora do campo e da racionalidade políticos.

A gigantesca maioria dos jornalistas não foge à regra, que consiste em negar toda a dimensão política das ações dos “vândalos”.

A mídia tradicional sistematicamente descreve a maioria dos manifestantes que recorrem à violência com “muito jovens”. Variações comuns incluem “jovens extremistas”, “jovens briguentos”e “jovens vândalos”.

Os jornalistas também divulgam opiniões de cidadãos “simples” ou manifestantes “não violentos” que reprovam o uso da força.

Embora alguns porta-vozes de instituições sociais-democratas tradicionais, como partidos socialistas e sindicatos, tenham censurado tanto a violência policial como a brutalidade do capitalismo, seus ataques aos Black Blocs não diferem dos perpetrados pelos policiais e políticos de centro ou direita.

Assim, o círculo se fecha, desde o policial e o político até o comunista, passando pelo ideólogo capitalista, pelo bom manifestante, pelo porta-voz de forças progressistas, pelo editor, pelo repórter e pelo padre. Todos compartilham os mesmos sentimentos e chegam às mesmas conclusões.

“Câncer”, “idiotas”, “bandidos irracionais”, “anarquistas”, “jovens vadios”. “desprovidos de crenças políticas”, “sede de violência”, “vandalismo”, “covardia”… Meros epítetos sob o disfarce de explicações? Talvez. Mas palavras como essas têm efeitos políticos muito reais, pois privam uma ação coletiva de toda a credibilidade, reduzindo-a à expressão única de uma violência supostamente brutal e irracional da juventude.

A esse discurso unânime falta, porém, uma única voz: as das pessoas que participaram dos Black Blocs. A realidade se torna mais complexa e interessante quando se aceita dar ouvidos aos discurso deles, um esforço que permite compreender melhor suas origens, sua dinâmica e seus objetivos.

Black Blocs, Francis Dupuis-Déri

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