Amyr Klink na Travessa

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A busca por segurança total é uma ficção, assim como a liberdade sem limites nos engana. Podemos nos considerar seguros, confortáveis, vendo televisão no sofá, postando fotos no facebook, adiando decisões importantes só por mais um dia, mais uma hora, sem plena consciência do risco. O tempo escorrendo. E há o risco de você não seguir adiante com aquele plano, não apostar na ideia. Não insistir, construir, finalizar. Para quem ficou de braços cruzados em Jurumirim, o mundo simplesmente não saiu do lugar. Se a gente não se movimenta, não persegue, não arrisca, as coisas continuam do mesmo modo onde sempre estiveram.

Sempre que deixei o Brasil para realizar uma viagem mais complexa, ou aparentemente impossível de ser levada a cabo, alguns amigos, conhecidos, desconhecidos, não hesitaram em aconselhar que eu desistisse: “isso não vai dar certo!”. Os maiores problemas que enfrentamos nem sempre são de natureza financeira ou técnica – o desânimo e as opiniões negativas também nos agridem de forma espetacular. É muito fácil encontrar desculpas para não fazer as coisas. Achar motivos para deixar para amanhã ou deixá-las como estão. É fácil cruzar os braços e ficar esperando soluções de algum lugar fora daqui. Sorte? Você é que constrói as suas oportunidades. Novos caminhos não vão aparecer pela sorte.

Amyr Klink estaria na livraria Travessa do Shopping Leblon para autografar seu mais recente livro. Comprei (não tinha tempo a perder) e fui para a fila (que cresceu rapidamente enquanto eu ia ao caixa). Não sei muito sobre o livro. Mas como nesta altura da minha vida também não tenho tempo a perder acho que vai ser inspirador ou estimulante. Amyr Klink é um realizador pragmático capaz de uma certa dureza com os negligentes que parece arrogância. Mas é apenas um modus operandi de alguém que não está na vida a passeio. 

Amyr Klink parecia deslocado, tímido (não sei se ele se declara assim mas me pareceu). Conversamos um pouco enquanto ele escrevia a dedicatória. Disse que não sabia que ele era canhoto. Ele perguntou se eu era. Falei que meu filho é que era canhoto. E que os canhotos tinham dificuldades ao escrever com caneta tinteiro pois a mão vinha borrando a escrita. E que as esferográficas foram a salvação dos canhotos. Aí ele me mostrou a mão manchada de tinta da esferográfica.

Sei que sessões de autógrafos são uma tortura para os escritores. Se a fila for muito grande torna-se uma maratona estafante. Noblesse oblige.

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