Nem transgênica, nem natural

soja

Apesar da forte mídia em favor do uso da soja, podemos hoje em dia, usando novos conhecimentos e  o velho, mas esquecido bom senso, dizer que não há porque se preocupar com a soja transgênica, já que a soja em si pode ser um grave equívoco quando pensamos em alimentação natural ou suplementos alimentares para melhorar a saúde.

Em outubro de 1999 o FDA (órgão fiscalizador dos medicamentos e alimentos nos EEUU) aprovou uma propaganda nos alimentos que tivessem baixa quantia de gordura saturada e colesterol. Era o que o maior conglomerado industrial americano precisava para dar os contornos necessários para a consolidação da soja no mercado mundial. A fantasia popular é de poder ter um produto que represente saúde e boa alimentação. A necessidade da indústria, de todo o setor secundário que vive do agronegócio é ter um “commodity” em cujo entorno seja investido todo o conhecimento tecnológico possível (agrotóxicos, tecnologia de produção, aditivos para qualificar sabor, textura etc.)

A soja é esta síntese.

Se apoiou numa estratégia de marketing super engenhosa que envolveu desde a medicina até grupos new age.

Alimentou ou alterou verdades. Foi sendo incrementada por décadas. O vilão mais óbvio foi o colesterol. O ingênuo útil foi o movimento vegetariano, o mais forte “apoiador” da concentração absoluta do poder de produção agrícola, e da plantação de transgênicos, em todo o mundo. O lado obscuro da “rainha”  alimentar usou e abusou de naturalistas alimentares. Os naturalistas se esqueceram de se perguntar se alterar de forma tão “carnívora” a paisagem do Rio Grande do Sul, com uma praga não alimentar como a soja seria uma atitude ecológica. Eles também se esqueceram de perguntar como viviam os verdadeiros homens naturais das Américas antes da invasão e destruição que os europeus introduziram de norte a sul no novo continente. Os naturalistas new age, numa  lógica higienista e purificadora típica da Santa Inquisição, também não se perguntaram como poderiam aproveitar os mais de 4000 vegetais nativos que poderiam de forma harmoniosa dar alimento e equilíbrio ecológico ao Brasil. Apoiaram ingenuamente a destruição maciça do natureza local. Estes mesmos naturalistas alimentares também deixaram de entender a inata biologia humana, e devem supor que os esquimós (que praticamente não comem vegetais e têm ótima saúde cardíaca) são um equívoco de Deus e não deveriam existir. Ou que os “malsais” (povo africano com os melhores perfis de colesterol do planeta), que só se alimentam daquilo que o pobre natureza local lhe oferece (carne e leite gordo de um bovino local), jamais deveriam ter a concessão da vida. Devem, no entanto, entender que  a Monsanto e seus aliados produzem soja para o seu bem estar e para a salvação de suas frágeis saúdes. Equívocos em todas as frentes.

A medicina tem sido uma outra força de apoio importante. Hoje em dia, qualquer produto alimentar quer ter o status de medicamento. Isto possivelmente se baseia na idéia obscura de que o ser humano é vítima fácil de alvos maléficos externos. Como não seria possível se livrar desses ofensores, nós seríamos protegidos pelos alimentos. Hoje em dia se procura comida que combata ao câncer e a velhice. O homem não cogita em mudar a si mesmo e o seu jeito pervertido de manejar o meio ambiente. Não quer saber se não seria ele próprio a causa de suas doenças. Numa lógica paranóica, busca protetores que possam ser ingeridos. Naturalmente estes produtos tem que ser comprados. Rendendo  muito a quem produz e vende.

Na contra-mão do FDA americano, o DOH da Inglaterra (Departamento de saúde) através do seu comunicado a todos os médicos do Reino Unido (CMO’s Update 37, de Janeiro de 2004) adverte que não se deva utilizar alimentos infantis baseado em fórmulas com soja (o famigerado leite de soja) como escolha para aquelas crianças que tenham qualquer dificuldade com a ingestão de leite de vaca (alergia, intolerância etc.), e muito menos para crianças saudáveis, tendo em vista que a alta concentração de fitoestrogênios que tais fórmulas contém pode ser perigosa a longo prazo para a saúde reprodutiva destas crianças.

soy_infant_formulas

Existem outros estudos que falam de outros potenciais problemas, mas este parece ser o primeiro a ser reconhecido por um órgão oficial dos países aliados à soja. Um castelo de areia – a santidade da soja – está começando a desmoronar. Não seria um problema, se isto não significasse o quanto a saúde de muita gente já pode te sido danificada nas últimas décadas às custas da ganância do homem, que há séculos destrói muito mais do que ele acha que construiu, lastreada em uma ciência subserviente, totalmente ancorada às demandas do consumismo.

(Para mais informação consulte: www.sacn.gov.uk ou www.foodstandards.gov.uk)

Uma outra visão

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