Darcy Ribeiro e Rubem Alves (Debate sobre Utopia)

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Muitas vezes, em meio a uma conversa, em qualquer esfera de diálogo sobre política e transformação social, chega-se a importuna necessidade de se “debater” sobre a utopia. Utopia é um termo moderno que no entendimento contemporâneo comum significa “não-lugar” ou “lugar inalcançável”. Geralmente este termo é empregado em dois sentidos distintos.

De forma pejorativa, os realistas[1] para utilizar o termo ‘utopia’ como sinônimo de impossível, uma condição ou situação que, estando além de qualquer alcance, precisa ser abandonada em nome de algo mais palpável no alcance da situação.

Utopia, geralmente entre a esquerda, é também um termo utilizado no sentido de horizonte imaginativo, de postulados orientadores da prática, este lugar, ainda que inalcançável serve de marco de orientação e ideal a ser buscado na caminhada. E aqui, talvez, a referência máxima é a famosa colocação de Eduardo Galeano:

«Utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminha jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso, para que eu não deixe de caminhar.»

Inalcançável é a qualidade mais pungente de ambas as leituras que marcam o entendimento do termo “utopia”. Realista ou não, ele exige que aceitemos que o que buscamos está permanentemente fora do nosso alcance, como a eternidade ou as estrelas do céu.

Mas, antes destes entendimentos, Utopia – tal qual foi utilizada por Tomas Morus no livro homônimo de 1516 – foi um neologismo criado por este autor para denominar uma nova ilha, espaço de existência da sociedade ficcional que imaginou. E é através desta ficção e de sua comparação com a “realidade”, que Morus sugere como a política, a religião e os costumes poderiam ser. Morus tinha perfeito conhecimento de que em sua composição ‘Utopia’ do grego possuía outro significado além daquele que conhecemos hoje. “Utopia” deriva das palavras gregas ‘eu'(ευ), “bom”, ou (οὐ), “não”, e topos (τόπος), “lugar”. Em inglês e em francês existe uma confusão no que se refere à pronúncia do ‘eu’ e ‘ou’, tendo este último difícil sonoridade.[2]

A intenção de Morus ao propor o termo “Utopia” estava voltada para o sentido de “bom lugar”, e não o sentido de “lugar inalcançável” ou “não lugar”. O próprio autor afirmou isso num adendo do livro, o nome correto da ilha seria Eutopia, que traduz como o “lugar da felicidade.[3] Portanto, utopia originalmente tem o sentido de “bom lugar”, ou “local da felicidade”.

AltDelCtrl em Protopia

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