Snake saving the fish…

snake_and_fish

Os grandes príncipes e os grandes conquistadores falam a língua política da virtude, em sinal de que esta, graças ao sentimento de poder que acarreta, é reconhecida entre os homens. A falta de probidade de toda a política consiste em que as grandes palavras, que cada um deve ter na boca para manisfestar que se está na posse do poder, não podem coincidir com as condições e os motivos verdadeiros.

Nietzsche

Cada coxinha é um déspota em miniatura, um ditador querendo viver no regime de sua preferência, discricionário e ansioso pela “bondage” do Estado, que acolherá de bom grado. Agora os golpistas e coxinhas se defrontam com um zugzwang, uma situação onde um jogador de xadrez é obrigado a fazer a jogada, o que piora a sua situação. Começam a ensaiar uma desculpa antecipada para os futuros fracassos. Já alegam que receberam uma herança pesada de problemas do governo anterior. Mas sabemos que é “a ponte para o futuro”que vai nos levar para fora do olho do furacão, direto onde os ventos são inclementes.

A política está constituída como uma religião laica ou ateia apesar dos laivos de pretensa fé em Deus e na família. A cada alternância no poder, e não somente por religiosos estarem comandando nos bastidores, torna os campos opostos fervorosos defensores da “verdade”. A vontade de verdade, segundo Nietzsche, é o nilismo do homem ressentido e aflora da construção da política na civilização judaico-cristã. Que vontade de verdade mais insidiosa que o furor anti-corrupção pode haver? A serpente no paraíso não é mais odiada do que isso. A maçã da corrupção servida aos comensais do poder serve para expulsá-lo do paraíso apenas para que outros possam adentrar e retomar o ciclo. É uma guerra similar à das facções do tráfico de drogas. A paz seguinte será sintoma de que negócios voltaram aos eixos e o alarde não é mais necessário.

E ainda, a política tem sido vista, erroneamente pelos beócios estreantes e doublês de analistas políticos, muito como algo que pode ser entendido como o preto no branco. Quem é corrupto ou não etc. Sem nuances. Com o máximo de “moralina”. É preciso uma “teoria das cores”. Não para contemporizar com as coisas prejudiciais mas para entender melhor porque ela foi dita como “a arte do possível”, por um político conservador no passado. Esta frase tão mal empregada para um contemporização malévola. Os que a empregam sem um componente temporal a distorcem. Seu contexto principal é temporal. Poderíamos “corrigí-la”para “a arte do possível neste momento” talvez, mal me expressando. Não uma elegia a um princípio acompanhado de um sorriso amarelo.

E Temer… tem fé em Cunha.

E tem aliados, donos de “gatas”, que propõem uma volta aos tempos em que as latrinas da fábricas usavam descarga de vapor fervente. E também até projetos de restrição às necessidades fisiológicas improdutivas. Logo eles que parecem nunca sair de uma privada que parece ambulante e os acompanha na sua defecação verbosa perene.

E já achou por bem defender torturador.

E se comportou  desprezivelmente a ponto receber o comentário “With Allies Like This . . .” de um Tio Sam grato ao informante mas enojado ao mesmo tempo.

E a imprensa marrom, que discursava de forma melíflua, numa tentativa desesperada de manter uma reputação mínima para uso depois que as coisas supostamente ficassem calmas, agora vai se entronizar numa defesa intransigente da mesma corrupção que antes “vinha ao caso”, mas agora não vem mais.

E os coxinhas não batem mais panelas. O tefal se estragou?

Toda filosofia que crê que um acontecimento político possa afastar, ou mais, resolver, o problema da existência é uma brincadeira de filosofia, uma pseudofilosofia. Desde que o mundo existe, frequentemente se viu fundar Estados; essa é uma velharia [eins altes Stück]. Como uma inovação política bastaria para fazer dos homens, uma vez por todas, os felizes habitantes da terra?

(SE/Co. Ext. III 4, KSA 1.365).

 

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