A ponte para o futuro

swisstxt20090503_10651681_5

Estava assistindo à votação do impeachment na câmara quando fiquei sabendo que os empresários estavam telefonando para os deputados. Fiquei imediatamente muito desanimado. Pois se os “eleitores” estavam telefonando para os seus representantes então não havia mais esperança nenhuma.

Podemos até imaginar um diálogo.

“Alô!”

“Alô… Quem fala?”

“Aqui é fulano.”

“Oi padrinho. A benção.”

“Soube que você anda pensando em votar não.”

“Não padrinho.”

“NÃO?!”

“Quer dizer sim! Oh… Não! Como quer que eu vote?”

“Vote SIM! E lembre-se da minha doação para a sua campanha.”

Nada como uma “democracia direta”!  Os empresários praticam a democracia direta e nomeiam e destituem “delegados” ao bel prazer. Nós também queremos isto. Isto funciona! Mas não queremos um intermediação comandada pelo poderio econômico. Uma volta velada às práticas do passado onde só votavam os proprietários. Pensando bem… Não é uma volta ao passado. Parece que nunca saímos de lá. Achamos que houve progresso. Na verdade houve “progresso” na arte de prestidigitação.

rubens_v

A arte do engano cunha frases farsescas como “A ponte para o futuro”. Uma frase que por si só não significa nada de predefinido. É um slogan, se não vazio, completamente moldável. Seu apelo ˜novilinguistico˜ é calcado nas imagem de uma ponte como algo para ultrapassar um obstáculo, para transpô-lo, para superá-lo. Embora também possa ser pensado como algo para unir duas margens. Talvez de forma harmônica. Talvez não. Fiquemos com a primeira acepção que nos parece ser a preferida dos cunhadores da frase. Uma ponte para sair de uma margem, indesejável, para ir em direção ao outro lado onde está o almejado. E o que está do outro lado? O futuro! Palavra mágica da nossa civilização. A seta que para lá aponta é a do progresso. O futuro é sempre melhor. Principalmente se deixarem nas nossas mãos. Não se preocupem! Nós sabemos o que fazemos! Coloquem-se em nossas mãos e os conduziremos messianicamente para este lugar melhor. “Melhor para quem, cara pálida?”, podemos perguntar incrédulos, céticos de doer.  Imagine os judeus numa margem da “ponte para o futuro” antes dos eventos dos campos de extermínio nazistas. Não iam querer ir para o outro lado se lhes dissessem o que os esperava lá. Teriam dinamitado imediatamente aquela ponte. Ou rumado para outra ponte que fosse em outra direção. As metáforas  numa guerra de mentiras completamente “orwelliana” são todas vácuas.

A verdadeira ponte para o futuro são as novas formas de democracia que estão despontando na rede. Partidos piratas, democracia direta, futarchy etc. Os manipuladores terão que ser muito poderosos, de uma forma impossível de se imaginar, para conseguir controlar a descentralização que está em curso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s