Cruzeiro a Vela – o “dia seguinte”

Grande sacada  “quase paleolítica”do João Carlos Brito.

O caso deles é típico: depois de 6 anos de trabalho duro o seu veleiro de oceano foi lançado na água. Seis meses depois, o casal iniciou um cruzeiro de “volta ao mundo”. Mas nem tudo correu como o previsto: após seis semanas eles resolveram dar um fim ao seu cruzeiro à vela e colocaram o barco à venda.

(…) A incoerência não é difícil de descobrir. O trio casa-carro-emprego com a sua rotina “de 9 às 17” é comum somente para uma porcentagem pequena da população mundial e está estabelecida há somente algumas centenas de anos. Se isto é realidade, o que aconteceu nos milhões de anos que precederam o nosso século pode ser considerado irreal?

Uma definição alternativa (e melhor) para a realidade pode ser encontrada em alguns de seus componentes….ar….luz do sol….vento….água….o movimento das ondas….as nuvens antes de uma tempestade. Esses elementos, ao contrário da rotina dos escritórios do século 21, estão aqui desde que a vida apareceu nesse planeta e continuarão a exercer a sua influência por muito tempo depois que os escritórios desaparecerem. Eles são percebidos por todos, não somente por um pequeno segmento da nossa sociedade avançada. Usando uma lógica primária, eles são muito mais “reais” do que os estilos de vida transitórios da civilização moderna para a qual os cruzeiristas deprimidos querem retornar.

Se for assim mesmo, concluímos que aqueles que buscam no cruzeiro à vela uma fuga da realidade, cometeram um equívoco na interpretação do que significa “velejar” e “realidade”. Velejar não é uma fuga, mas um retorno para, e um confronto com a realidade da qual a civilização moderna é que se constitui numa fuga. Por séculos, o homem sofreu com a realidade de um mundo que era às vezes muito escuro ou muito quente ou frio para o seu conforto e, para fugir disso, inventou complexos sistemas de iluminação, aquecimento ou refrigeração. O cruzeiro à vela promove um retorno à velha realidade de falta de luz, de calor ou frio. A civilização moderna descobriu o radio, a TV, cinema, bares e uma enorme variedade de entretenimento mecanizado para estimular nossos sentidos e ajudar-nos a escapar do aparente tédio da terra, do sol, dos ventos e das estrelas. O cruzeiro à vela promove um retorno a essa antiga realidade.

(…)

Quando você se dá conta, durante uma longa travessia, que o mar, ora furioso, ora calmo, não se importa nem se altera se você estiver excitado ou aborrecido, deprimido ou eufórico, bem ou mal sucedido, até vivo ou morto, a sua depressão aparecerá na sua verdadeira perspectiva, muito pequena diante de tamanha “realidade”.

Fonte: http://www.veleiro.net/livrodebordo/cruzeiro_a_vela.htm

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