O Grande Conto do Colesterol

Em 1954, o cientista russo que vivia nos EUA, David Kritchevsky,  publicou um artigo no Am.J Physiology (Jul-Sept, 1954), onde chamou a atenção dos cientistas para a emergência da epidemia de doença coronária (DC). Nos estudos revelava que o colesterol produzia arteriosclerose no coelho, e que as gorduras polinsaturadas poderiam reduzir os níveis de colesterol, propunha, assim, a redução do consumo de produtos animais.

            Entretanto, a placa apresentada pelo coelho era completamente diferente da placa do humano. Os coelhos (vegetarianos) eram alimentados com colesterol purificado e oxidado pelo processamento.

            Em 1954, Ancel Keys levantou a hipótese de que a doença coronária seria provocada pelo acúmulo de gorduras saturadas e colesterol. Usou para tal um cruzamento entre consumo de gorduras saturadas e DC em seis paises.

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Entretanto, se Ancel Keys tivesse feito esse mesmo cruzamento entre os 20 paises em que esses dados estavam disponíveis não encontraria qualquer relação substantiva. Segundo Kendrick se Keys tivesse escolhido Finlândia, Israel, Alemanha, Holanda, Suiça e Suécia os resultados seriam opostos.

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O Dr Dudley White, voz discordante nesse painel, disse textualmente: ”Eu comecei a minha prática como cardiologista em 1921, e eu nunca vi um infarto do miocárdio até 1928. Nesse periodo as pessoas consumiam predominantemente gordura animal, ninguém havia ouvido falar em óleo de milho até então”.

Mas, antes disso, a AHA havia negado a tese lipidica quando comentou: ”a alimentação antigordura e anti-colesterol é não apenas futil e ingênua, mas  traz consigo também riscos”.

            Após um intenso lobby da indústria alimentar a AHA se rende a tese lipídica que dizia ser a alimentação rica em gorduras saturadas e colesterol (animal) a responsável pela DC, hipertensão arterial e derrame. Prudent era o president da AHA, e enfrentou um racha no board da AHA, entre os favoráveis e os contrários à tese lipídica. Ele compunha o primeiro grupo.

            Por essa razão a dieta que seguia os princípios da tese lipídica recebeu o nome de dieta do coração ou dieta de Prudent. Propunha evitar os alimentos com gorduras saturadas e colesterol,  e estimular o consumo das gorduras polinsaturadas pobres em colesterol, sem fazer menção aos carbohidratos e proteinas.

Ironicamente o Dr Prudent participou de um estudo desenhado entre os membros da AHA. Ele integrou o grupo que consumiu gorduras polinsaturadas pobre em colesterol e veio a falecer de DC.

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É completamente insustentável a história de colesterol bom (HDL) e ruim (LDL). O primeiro é a forma de transporte do colesterol das células para o figado, o segundo do fígado para as células. Ambos têm suas funções específicas e essenciais. Foi o public relation (PR) da indústria farmacêutica quem inventou esse conto.

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O colesterol da Dieta responde apenas por cerca de 30% do colesterol sanguíneo, os outros 70% são Colesterol endógeno, produzido pelo próprio organismo.

Vários tecidos participam da produção do colesterol endógeno – o fígado é responsável por 20%, mas a síntese intestinal de colesterol é muito superior à hepática.

Segundo Castelli: “Os valores de colesterol e triglicerídeos séricos não estão positivamente correlacionados com a seleção de constituintes da dieta … No estudo de Framingham, Massachusetts, quanto mais gordura saturada se comia, quanto mais colesterol se ingeria, quanto mais caloria se comia, menor o nível de colesterol sérico … Nós constatamos que o indivíduo que  ingeria mais colesterol, comia mais gordura saturada, ingeria mais calorias e comumente era fisicamente mais ativo” (Dr William Castelli, 1992, director do Framingham study).

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O fígado não utiliza gorduras, saturadas ou não, para produzir colesterol; o fígado não produz LDL e sim VLDL. O LDL é um resíduo metabólico do VLDL; o VLDL é convertido em LDL através da perda de triglicérides; os níveis de VLDL e LDL são totalmente não relacionados. Isso significa que a ingestão de gordura saturada não afeta os níveis de LDL.

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O colesterol não é um tóxico e sim uma substância vital ao organismo de todos os mamíferos. O organismo produz 3 a 4 vezes mais colesterol do que ingere. Produz diariamente cerca de 2000 mg de colesterol, e aumenta a produção quando se ingere pouco colesterol e diminui a produção quando se ingere muito.

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Estudos revelaram que o Colesterol baixo representa um risco cardiovascular muito maior que o alto, em especial nos idosos (JAMA 272, 1335-1340, 1994).

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Os estudos de Framingham revelaram que níveis altos de Colesterol têm efeito protetivo nas pessoas com mais de 60 anos.

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Os aborígenes australianos, os índios americanos, os emigrantes indianos e paquistaneses e grande porcentagem de homens russos, possuem alto índice de DC e têm uma coisa em comum – baixos níveis de LDL.

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O indiano é o grupo étnico estudado talvez com maior índice de DC, apesar de parcela significativa ser vegetariana. A DC costuma ocorrer precocemente e com curso maligno, apesar dos fatores de risco ser significativamente baixos (Enas, Arch. Cardiol, March, 1995).

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A grande maioria dos estudos populacionais revelaram que, entre as mulheres, independente da idade, e mesmo com níveis elevados de colesterol na ordem de 1000 mg/dL, o colesterol não pode ser considerado um fator de risco. Pelo contrário, é o colesterol baixo que consiste em fator de risco para as mulheres (NHLB Institute; Circulation – 1992).
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O professor George Mann, da Vanderbilt University, ex diretor do Framinghham Project, estudou os Masais do Quênia. Os Masais consomem predominantemente leite, carne e sangue. Mann descobriu que os Masais praticamente não apresentam DC, e têm níveis baixos de colesterol. Além disso, realizou 50 autopsias e, para a sua surpresa, encontrou arteriosclerose em níveis semelhantes ao dos americanos, mas o tipo de placa que causa obstrução foi raramente encontrado. Não havia qualquer sinal de isquemia nos 50 corações estudados (“Diet Heart, End  of  an Era”, New England J Med, 297 (1977): 644). Em comentário posterior o professor Mann afirma sobre a tese Lipídica: “Ela é a diversão pública número um da saúde pública nesse Século….. O grande escândalo da história da medicina”.
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A medicina deveria ser avessa ao exotismo das teses não sustentadas pelas leis e processos que regem o funcionamento do organismo. Se assim procedesse, não cairia tão fácil no conto do colesterol. O colesterol é uma das substâncias mais importantes no funcionamento do organismo. Como pode essa substância dar vida e ao mesmo tempo degenerar esse organismo?

Vejamos algumas das principais funções do colesterol:

a)    Integridade estrutural da membrana celular

b)    Precursor dos esteróides (cortisol e hormônios sexuais) e Vitamina D

c)    Produção dos sais biliares

d)    Antioxidante poderoso

e)    Sensibiliza os receptores serotonínicos e é estratégico na ativação sináptica cerebral

f)     Protege a mucosa intestinal

g)    Leite materno é riquíssimo em Colesterol

Fonte: http://www.arzt.com.br/artigos/o-grande-conto-do-colesterol

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