‘Queria viver’, diz homem de 280 kg que pede ajuda para emagrecer

Um morador de Pirajuí (SP) tenta, há sete anos, fazer uma cirurgia de estômago e se livrar da obesidade mórbida. Jéferson Ubaldo Bertochi, de 43 anos, pesa 280 quilos e precisa perder ao menos 50 para ser operado com segurança. O problema é que ele não consegue emagrecer em casa.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2014/02/queria-viver-diz-homem-de-280-kg-que-pede-ajuda-para-emagrecer.html

Ao ver a notícia acima lembrei-me de um caso citado no site do Dr. Souto e do qual reproduzo alguns trechos abaixo.

Você sabe qual o recorde de jejum? Qual o jejum mais longo jamais registrado?

382 dias
Isso mesmo, 382 dias sem comer nada. Foi registrado no Guinness de 1971, e está minuciosamente relatado em um artigo médico publicado em 1973. Olhem que coisa fantástica:
Tratava-se de um paciente de 27 pesando 207 Kg que apresentou-se ao médico (Dr. Stewart, na Escócia) no final da década de 1960 para emagrecer. A ideia original era conduzir um jejum de alguns dias, sob supervisão médica, mas como o paciente adaptou-se incrivelmente bem ao jejum, o experimento foi prolongado. O paciente consumia líquidos não calóricos à vontade, e multivitamínicos e eletrólitos. No início, ele permaneceu internado, mas depois apenas fazia visitas ambulatoriais.
Em 382 dias, houve uma perda de 125 Kg (média de 325g por dia), culminado em um peso final de 81 Kg. Cinco anos após o jejum, o paciente ainda mantinha um peso de 88 Kg.
Bem, este paciente não apenas ficou MAIS DE UM ANO sem comer carboidratos, ele ficou 382 dias sem comer NADA. E o cérebro?? Os nutricionistas não afirmam que você precisa comer 6 servidas diárias de pães, massas, bolos, cereais, arroz, batata, caso contrário seu cérebro não terá energia? Pois é…

Este é o gráfico da variação da glicose durante os 382 dias. E sim, você não está vendo errado: durante os últimos 8 meses, a glicose do paciente permaneceu perto ou abaixo de 30 mg/dl. E ele estava muito bem, vinha e voltava da consulta a pé. Não tremia, não passava mal, não estava em coma. Como é possível?? Bom, já sabíamos que era possível, se não nós não estaríamos aqui – nossos antepassados passavam por períodos de jejum, e sobreviviam graças aos corpos cetônicos – ou vocês realmente acham que os homens das cavernas faziam uma refeição (de carbs) a cada 3 horas?

Olhe de novo o gráfico e LEMBRE: o cérebro consegue viver com um mínimo de glicose, quando pode usar corpos cetônicos em seu lugar. Olhe de novo e LEMBRE de novo: o cérebro NÃO depende exclusivamente de glicose – precisa apenas de um pouco, e fígado pode produzir MUITO mais que esta necessidade. No mundo atual, uma pessoa que passou a vida inteira comendo carboidratos de 3/3 horas atrofiou sua capacidade de usar gordura como combustível. Assim, se ficar umas horas sem comer, desmaia. Mas isto é um estado doentio que só existe na nossa sociedade doentia. Seres humanos saudáveis e ceto-adaptados (adaptados e consumir gordura e corpos cetônicos como fonte de energia) toleram a ausência de açúcar e períodos de jejum como QUALQUER outro animal.
Infelizmente, a maioria dos médicos e nutricionistas têm uma fé inabalável nos errôneos e dogmáticos conhecimentos que aprenderam sobre nutrição.
Em outro post do Dr. Souto até se contesta a necessidade da bariátrica diante do sucesso do emagrecimento solicitado antes da cirurgia.
…obesos mórbidos que estavam com cirurgia bariátrica já agendada foram submetidos a uma dieta LCHF (baixo carboidrato, alta gordura) por 4 semanas antes da cirurgia. Por quê? Porque estas pessoas costumam ter tanta gordura no fígado que a cirurgia se torna difícil. Pois bem, houve redução significativa da doença hepática em 4 semanas de LCHF (Benjaminov, O. et al., 2007. The effect of a low-carbohydrate diet on the nonalcoholic fatty liver in morbidly obese patients before bariatric surgery.Surgical endoscopy, 21(8), pp.1423–1427.). Incrível que os autores não tenham se dado conta de que, com mais alguns meses de dieta, a cirurgia provavelmente seria desnecessária para alguns destes pacientes.
Hoje, 6/6/2014, vi a notícia de que Jéferson morreu. Se tivesse a oportunidade que teve o homem do caso publicado no Guiness talvez tivesse consguido sobreviver.
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