Bonaire, 29 de novembro

No grande silêncio.

Vocês são mestres maliciosos! Ensinam o homem a deixar de ser homem! Ele deve se abandonar a vocês? Deve tornar-se como vocês são agora, pálidos, cintilantes, mudos, imensos, repousando em si mesmos? Deve elevar-se acima de si mesmo cores vermelhas, amarelas e verdes seu eterno e mudo jogo do crepúsculo, não pode falar. Os pequenos escolhos e os recifes que correm no mar, como para encontrar o local mais solitário, todos não podem falar. Esse enorme mutismo que de repente nos surpreende, como é belo e cruel para dilatar a alma! — Ai! que duplicidade há nessa muda beleza! Como poderia falar bem, e mal também, se o quisesse! Sua língua presa e a felicidade sofredora marcam seu rosto, tudo isso não passa de malícia para zombar de tua compaixão! — Que importa! Não me envergonho de atrair o riso de semelhantes forças. Mas tenho dó de ti, natureza, pois tens de te calar, mesmo que fosse somente tua malícia que te prende a língua: sim, tenho dó de ti, por causa de tua malícia! — Ai! o silêncio aumenta mais ainda e meu coração se dilata de novo: espanta-se com uma nova verdade, ele também não pode falar, se põe de acordo com a natureza desafiar, quando a boca quer lançar palavras no meio dessa beleza, ele próprio goza da doce malícia do silêncio. A palavra, o próprio pensamento se tornam odiosos para mim: não será que ouço, por trás de cada palavra, rir e não escuto o erro, a imaginação e o espírito de ilusão? Não devo zombar de minha compaixão? Que eu zombe de minha zombaria? — Ó mar! Ó tarde!

Vocês são mestres maliciosos! Ensinam o homem a deixar de ser homem! Ele deve se abandonar a vocês? Deve tornar-se como vocês são agora, pálidos, cintilantes, mudos, imensos, repousando em si mesmos? Deve elevar-se acima de si mesmo?

Nietzsche

7:15. Mateus foi botar gasolina na scooter para a devolvermos às 9:00.

Acordei e verifiquei que minha camisa com a qual dormi estava do lado do avesso. Costumo brincar lá em casa que serve para espantar os maus espíritos. Confundí-los durante a noite quando estamos vulneráveis a suas influências. É só uma brincadeira que faço. Desvirei a camisa. E mal levantei recebi a notícia: “a verba de campanha estourou”. Acho que vou desvirar de novo a camisa.

Devolvi a scooter. Estamos a pé…

Hoje vamos fazer nossa programação perto do barco. De forma mais relaxante. Snorkel. Stand up paddle…

Fui na Budget Marine ver se os eletrônicos que faltavam iriam chegar pelo menos até o dia 3/12. Não chegariam. Só consegui o VHF que vou levando comigo. Comprei também a antena do VHF.

18:00. O por do sol fazia uma festa incendiária por traz das nuvens rentes ao horizonte. Rosando as nuvens dava uma sensação de um ambiente tépido e aconchegante. Dói despedir-se de um por do sol destes emoldurado por um plácido mar do Caribe.

Ainda saí um pouco e tomei um Creamy não sei o que com Bayles Café e creme chamado Ponche Cuba. Fui dormir antes de todo mundo embalado suavemente pela pequenas ondas que empurravam o barco.

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