Teoria da viagem: poética da geografia, by Michel Onfray


Encontrei um post no http://odeporica.blogspot.com.br/ com uma excelente resenha que não resisti em citar algumas partes aqui.

Este livro do Onfray dei de presente certa vez. Pensava em comprar também para mim. Parece que o último exemplar nas livrarias foi este que encontrei. Logo depois descobri que a edição brasileira estava esgotada. Na Estante Virtual também não encontrei. Parece que a edição em Portugal não está esgotada. Minha esperança é encontrar por acaso em algum sebo a edição brasileira. Se não encontrar talvez compre a edição portuguesa (Acabei de achando e comprando no Mercado Livre. A capa é diferente.).


“Cada corpo busca reencontrar o elemento no qual se sente mais à vontade e que foi outrora, nas horas placentárias ou primeiras, o provedor de sensações e de prazeres confusos, mas memoráveis. Existe sempre uma geografia que corresponde a um temperamento. Resta descobri-la.”

“Uma palavra, um lugar legíveis no mapa retêm, então, a atenção. Nome de um país, de um curso de água, de uma montanha, de um vulcão, de um continente, de uma ilha ou de uma cidade. O indistinto, o visceral, se reconhecem de súbito numa emoção desencadeada por um nome guardado na memória: ir ao tibete, ver o rio Amur, escalar o monte Fuji ou o Etna, caminhar nas colinas de N´Gong, nadar no oceano Pacífico (…) cada um dispõe de uma mitologia antiga fabricada com leituras de infância, filmes, fotos, imagens escolares memorizadas a partir de um mapa-múndi, numdia melancólico ao fundo da classe.”

“Nem a sós, nem com vários: circular com o amigo permite evitar a angústia multiplicada do trajeto solitário, da barreira das línguas estrangeiras, dos incômodos burocráticos nas fronteiras com funcionários e policiais de todo o mundo. O estrangeiro que circula livremente num país inquieta as autoridades, sobretudo onde não reina a democracia, isto é, na maioria dos lugares do planeta. A amizade serve de tônico necessário para a conjuração do estado de fragilidade consubstancial ao afastamento do domicílio, longe das referências habitualmente tranqüilizadoras do animal em nós. No exercício da amizade, o outro é o estranho menos estranho possível. (…) No detalhe da viagem, a amizade permite a descoberta de si e do outro.”

“Nós mesmos, eis a grande questão da viagem. Nós mesmos e nada mais. Ou pouco mais. Certamente há muitos pretextos, ocasiões e justificativas, mas em realidade só pegamos a estrada movidos pelo desejo de partir em nossa própria busca com o propósito, muito hipotético, de nos reencontrarmos ou, quem sabe, de nos encontrarmos. A volta ao planeta nem sempre é suficiente para obter esse encontro. Tampouco uma existência inteira, às vezes. Quantos desvios, e por quantos lugares, antes de nos sabermos em presença do que levanta um pouco o véu do ser.”

(http://odeporica.blogspot.com.br/2010/06/teoria-da-viagem-poetica-da-geografia.html)

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