The vegetarian myth

Lierre Keith, vegan por cerca de 20 anos, escreve que enfrentou muita desavença ao publicar este livro. Respeita o moto dos vegetarianos que querem salvar a terra e a sua vida animal. Mostra no entanto que não há uma hierarquia entre quem come e é comido. Nem que o homem está no topo de coisa alguma. Nem tem nenhuma preferência ou precedência. Talvez sua maior qualidade seja o desequilíbrio que representa. Cita um autor que dizia que os índios ficavam boquiabertos com a atitudes dos brancos invasores:

This behavior flabbergasted the I ndians, after much arguing and theorizing, they decided it was a symptom of insanity.

Este comportamento deixava pasmos os índios, que  depois de muita discussão e teorização, decidiram que era um sintoma de insanidade.

O comportamento que deixava os índios espantados era a quebra do círculo auto sustentável entre predador e presa (que inclui as plantas). O manejo irresponsável e desquilibrado dos recursos naturais

Lierre Keith é uma ativista do movimento Deep Green Resistance que quer uma abordagem mais radical do problema ambiental. Os vegetarianos, pelo menos os éticos, são religiosos  e querem estender o “não matarás” a todo o universo. Mas “a eternidade não faz outra coisa senão ficar remoendo a si mesma e corroendo o caos. O arco-íris cintilante dos seres se curva sem sol sobre o abismo e se desfaz gota a gota. Assistimos ao mudo sepultamento da Natureza suicida e somos enterrados com ela. Existe alguém que ainda alce a vista para o olhar divino da Natureza? Ela vos contempla com uma imensa órbita vazia e negra” (Volpi apud Jean Paul in Nilismo). A religião é intrinsecamente antropomórfica e algo nilista e só existe no mundo cultural dos homens, não na natureza. Religião envolve hierarquia e um olhar privilegiado do religioso que compreende ou tem compaixão pelo sofrimento ao redor. A veia ativista da religião pretende corrigir o mundo corrigindo o homem. No entanto o religare, radical de “religião”, estabelece que devemos nos conectar com o mundo. Os ativistas do DGR parecem querer atender à exortação de Nietzsche e seu religare: “Exorto-vos, meus irmãos, a permanecer fiéis à terra e a não acreditar naqueles que vos falam de esperanças supra-terrestres. São envenenadores, quer o saibam ou não. São menosprezadores da vida, moribundos que estão, por sua vez, envenenados, seres de quem a terra se encontra fatigada; vão-se por uma vez!”. E assim superar o nilismo que retira o valor do mundo e não se importa em deixar a terra arrasada.

Numa abordagem aparentemente holista Keith cita interessantemente o kas-limaal dos Maias, na interpretação de Martin Pretchel:

 escreve sobre o povo maia e seu conceito de kas-limaal, que pode ser traduzido parcamente como “endividamento mútuo, centelha mútua”. “O conhecimento que cada animal, planta, pessoa, vento, e estação deve ao fruto de todas as coisas é um conhecimento adulto. Sair da dívida significa que você não quer ser parte da vida, e você não quer crescer para ser um adulto”, um dos anciãos explica a Pretchel.

E dá a entender que o vegetarianismo é uma forma de se apartar da vida.

Anúncios

Uma resposta para “The vegetarian myth

  1. Pingback: Michael Pollan | Crab Log

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s