A última minoria


Fiquei surpreso ao ler o seguinte texto no site do Estadão, um jornal reconhecidamente conservador:

Os ateus compõem uma minoria. São socialmente discriminados por suas convicções. Preferem, muitas vezes, ocultar a falta de crença na existência de um Deus criador e ordenador a se expor a tais discriminações. Mas, assim como a cor, o gênero e a opção sexual da pessoa, a falta de religião e de fé é atributo que não deveria pesar na hora da escolha dos governantes.

O preconceito contra os ateus origina-se da ideia de que a crença em Deus serve como freio moral. Assim, uma pessoa sem Deus seria desprovida de valores para discernir o certo do errado e, por isso, só conseguiria nortear sua conduta a partir de interesses egoístas. Essa ideia é falsa.

Quem respeita as normas de convivência social com medo da punição divina ou para obter beneplácitos celestiais é, sob o ponto de vista moral, uma pessoa bem mais frágil do que o ateu. Quando este age conforme tais normas, a despeito de qualquer temor de castigo ou desejo de recompensa futura, é porque está convencido da importância dos preceitos morais, tanto para sua própria vida como para a dos outros.

O preconceito contra o ateísmo talvez não seja perceptível no dia a dia. Afinal, não se divulgam discriminações no trabalho, em ambientes sociais ou manifestações culturais. Durante as eleições, no entanto, o preconceito aflora de modo avassalador.

Fonte: A última minoria no Estadão

A intolerância religiosa em questões como o aborto, com intervenção até do papa, chefe de um estado nã0-democrático, colocaram, de propósito, questões bem mais simples para a análise da população do que as intrincadas redes de interesses em jogo na disputa política pelo poder. O obscurantismo tem a enganosa aparência de ser mais simples ocultando uma rede de interesses tão ou mais complexa do que toda a baixa política. Os preconceitos e o toldamento do que é importante ser discutido são a tônica de um mundo comandado pelas idéias religiosas. A religião propugna a verdade absoluta. Cada religião só pode defender a existência de uma verdade absoluta. É o dogma principal de todas as religiões. É também uma necessidade. Como convencer seguidores com uma “verdade” menor, relativa, que não seja absoluta? A raíz da intolerância reside nesse dogma. Nisso todas as religiões são iguais. Ladeira abaixo vem toda uma avalanche de preconceitos como bem o expressa Richard Dawkins em seu discurso citando, segundo ele, um conhecido católico:

“Meu sentimento como cristão aponta-me para o meu Senhor e Salvador como um lutador. Aponta-me para o homem que, uma vez na solidão, cercado por poucos seguidores, reconheceu esses judeus por quem eles eram e clamou para que se lutasse contra eles e que – verdade de Deus – foi maior não como sofredor, mas como lutador. No meu amor sem limites como cristão e como homem, eu leio a passagem que nos conta como o Senhor finalmente se levantou em seu poder e tomou do chicote para expulsar do Templo a raça de víboras e vendilhões. Como foi maravilhosa a sua luta contra o veneno judeu. Hoje, depois de dois mil anos, com a mais profunda emoção, eu reconheço mais do que nunca o fato de que foi por isso que Ele teve de derramar o seu sangue na cruz.”

Fonte: http://e-paulopes.blogspot.com/2010/09/hitler-foi-catolico-e-nunca-renunciou.html

Ao crente não pertence nem seu corpo e nem sua alma. Tudo se coloca a serviço das eminências que comandam a religião.

“O homem da crença, o ‘crente’ de toda espécie, é necessariamente um homem dependente – um homem que não é capaz de se propor como fim, que em geral não é capaz de propor fins a partir de si. O ‘crente’ não se pertence, só pode ser meio, tem de ser consumido, necessita de quem o consuma.”

Fonte: FRIEDRICH NIETZSCHE: A DEPENDÊNCIA VISCERAL DO CRENTE em http://blog-do-escriba.blogspot.com/2010/09/nietzsche-dependencia-completa-do.html)

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