Joey Skaggs


Na “era da informação” não há como diferenciar o que é desinformação. O termo “informação” já carrega no seu bojo uma “vontade de verdade”. Não seria informação se não fosse “verdade” (desculpem o “pântano” de aspas, mas é necessário). Não existe um DNA para um teste de paternidade (chega de aspas) capaz de dirimir dúvidas. O mundo louco em que vivemos supera nossas fantasias mais arrojadas e nos torna crédulos para as maiores bizarrices: credo quia absurdum est (creio porque é absurdo)”. Joey Skaggs não nos deixa esquecer nossa falibilidade em tal assunto.

“A mídia não é apenas a mensagem. A mídia é uma massagem. Estamos constantemente sendo acariciados, manipulados, ajustados, realinhados, e manobrados.”
Joey Skaggs

Alguns embustes de Skaggs são bastante elaborados dentro da lógica de que “a mentira tem pernas curtas” para enfrentar os desafios de se inserir algo irreal no seio do real. O real é perfeitamente integrado no real (tautológico?) enquanto que o embuste vive em perene tensão com o mesmo e na corda bamba do desmascaramento.

Em 1976, antes do primeiro
bebê de proveta vir ao mundo, o artista americano Joey Skaggs, utilizando
o codinome de Giuseppe Scaggoli, lançou o Celebrity Sperm Bank, cujo
objetivo era leiloar mostras de esperma de astros de rock, como Mick
Jagger, Bob Dylan, Paul McCartney, Jimmy Hendrix. Joey Skaggs
organizou um evento na Waverly Place, em Nova York, onde atores
recrutados pelo artista simulavam piquetes de feministas, sociólogos,
psiquiatras e músicos pró e contra a iniciativa. Era o início da carreira de
Skkags, o artista que usa a própria mídia como suporte. À primeira vista o
trabalho de Skaggs parece datado, na medida em que articula uma
contra-informação assentada em táticas de guerrilha midiática, mas na
verdade utiliza comunicação de ponta, recursos performáticos
atualizados, metodologia rigorosa aliada a um raro talento publicitário.
Ainda em 1976, realizou a “Cathouse for Dogs” ou “Motel para
Cachorros”, quando dezenas de cidadãos novaiorquinos responderam ao
anúncio publicado no Village Voice, oferecendo “satisfação sexual para o
seu cachorro por US$ 50”. A obra do artista, incluindo uma performance
canina simulando um bordel no So-Ho, teve ampla cobertura da
WABCTV, que depois do evento, mesmo sabendo tratar-se de uma
“peça”, nunca se retratou publicamente.

“The fat Squad Commandos” (1986), o programa de monitoramento de
dieta coordenado pelo Dr. Joe Bones (Joey Skaggs) – que a cada oito
horas destacava uma espécie de “personal trainner” para lembrar o
cliente da dieta rigorosa que prometeu fazer – arrebanhou interessados
até na Europa. Bones (Skaggs) chegou a dar entrevista no famoso “Good
Morning America”, da rede ABC. Em seguida, seria a vez da TV Globo
acreditar no exótico “Baba Wa Simba” (1995), o filho de missionários
quenianos criado entre leões, que foi a Londres aplicar a sua terapia
“leonina” – comer carne crua em conjunto e rugir em alto e bom som
(atividade a que os repórteres se submeteram para cobrir o evento).
Finalmente, a CNN, em 1996, deu todo o peso de sua credibilidade ao
“Projeto Solomon”, do advogado Bonuso (Skaggs).

Dr. Bonuso criara um software que substituía a presença dos jurados
num tribunal. “As máquinas são mais perfeitas que os seres humanos”,
dizia o release do Dr. Bonuso, que se intitulava professor de direito pela
NYU. Skaggs/Bonuso chegou a arrastar a imprensa para a sofisticada
produtora multimídia Voyager, onde fez uma simulação do software –
upgrade do já conhecido “detector de mentiras”. Para comprovar a
eficácia do projeto, Dr. Bonuso dizia que Solomon analisou o caso O. J.
Simpson, e o ex-jogador de futebol americano foi considerado culpado.
Os meios jurídicos ficaram boquiabertos e a CNN deu destaque nacional
(http://www-cgi.cnn.com/US/9601/scam_artist/index.html), cometendo
aquele erro básico do jornalismo: não checar as fontes de informação.
“Estou plugado nos meios de comunicação de massa e sei como
funcionam. Olho para as notícias como se fossem comerciais e para os
comerciais como se fossem notícias. Sei exatamente como ambos são
construídos e para que finalidade são direcionados. Vejo como afetam o
pensamento das pessoas”, disse Skaggs, acrescentando: “Sou eu contra
todo os establishment. Por isso eu amo tanto esse meio. Porque o meio,
ele mesmo, resiste a mim.”

Uma das últimas peças de Skaggs, utilizando a Internet, envolve um
intrincado esquema de biopirataria, e merece ser vista em:
http://www.joeyskkags.com/html/stop.html. Quanto ao seu projeto atual, ainda é
um mistério. Há quem diga que por trás da venda de espaço publicitário
na superfície da lua, boato amplamente divulgado na rede, existe um
corretor amigo de Skaggs.

Em “Uma nova dimensão: a arte biotecnológica”

Fonte: http://www.ekac.org/mieli.html

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